Appendix G Models
G.2 The Latent Dirichlet Allocation Model
As espécies neotropicais de Rauvolfia apresentam-se distribuídas ao longo da América Central, México e América do Sul. Foram contabilizadas 23 espécies exclusivas da América do Sul, sendo 19 espécies ocorrentes no Brasil, o país com o maior número de espécies do gênero, estando presentes no país desde a Amazônia até Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Existem ainda seis espécies restritas a América Central e outras seis espécies ocorrentes simultaneamente em América do Sul e Central. Além disso, existem ainda espécies presentes em ilhas do Pacífico, como R. sandwicensis A. DC., endêmica do Havaí e outras duas espécies, R. nukuhivensis (Fosberg & Sachet) Lorence & Butaud e R. sachetiae Fosberg que se distribuem nas ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa.
4.1.1.1 América do Sul
Existem seis espécies do gênero na Amazônia, com padrões distintos de distribuição. São elas R. sprucei Müll.Arg., R. praecox K. Schum. ex Markgr., R. polyphylla Benth., R.
paraensis Ducke, R. pentaphylla (Hub.) Ducke e R. macrantha K. Schum. ex Markgr. As
espécies amazônicas apresentam-se, de modo geral, associadas a corpos d’água e áreas inundáveis. Para este grupo, quatro espécies apresentam-se distribuídas predominantemente no oeste da Amazônia (Amazônia Ocidental) e duas apresentam distribuição mais ampla, incluindo a Amazônia Central e o noroeste da América do Sul, sendo elas R. paraensis Ducke (Fig. 3a) e R. pentaphylla (Hub.) Ducke (Fig. 3b). No oeste da Amazônia, R. sprucei Müll.Arg. ocorre na Bolívia, Brasil, Peru e Venezuela (Fig. 3c) e R. praecox K. Schum. ex Markgr. distribui-se mais próxima do sudoeste amazônico, atingindo regiões da Cordilheira dos Andes no Equador (Fig. 3d).
30
Figura 3: Mapas de distribuição das espécies amazônicas do gênero Rauvolfia com ampla distribuição. (A) R.
sprucei Müll.Arg.; (B) R. paraensis Ducke; (C) R. praecox K. Schum. ex Markgr.; (D) R. pentaphylla (Hub.)
Ducke. Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
O restante das espécies tem distribuições mais restritas, como R. polyphylla Benth, que apresentou um padrão peculiar de endemismo, estando restrita as margens do rio Negro, ao noroeste da Amazônia (Fig. 4a), em áreas periodicamente alagáveis de águas pretas, chamadas de igapós estacionais (Prance, 1980). De modo semelhante, mas com distribuição a sudoeste da Amazônia, a espécie R. macrantha K. Schum. ex Markgr. ocupa áreas de matas alagáveis. Estas áreas sujeitas a inundações são chamadas de “tahuampa” na Amazônia peruana (Prance, 1980) (Fig. 4b).
Figura 4: Mapas de distribuição das espécies amazônicas do gênero Rauvolfia com distribuições restritas. (A) R.
polyphylla Benth.; (B) R. macrantha K. Schum. ex Markgr. Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
(C) Distribuição das espécies de áreas inundáveis e mapa hidrográfico da Amazônia. As linhas pontilhadas representam os limites da distribuição das espécies. Escala 1:500.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
As espécies R. mattfeldiana Markgr. e R. paucifolia A. DC. distribuem-se em áreas de vegetação aberta (Fig. 5). Rauvolfia mattfeldiana Markgr. ocorre em regiões abertas
adjacentes a áreas de Mata Atlântica, no litoral leste do Brasil (Fig. 5a), enquanto R.
paucifolia A. DC. distribui-se ao longo das vegetações secas na região nordeste e leste do
32
Figura 5: Mapas de distribuição das espécies sul-americanas do gênero Rauvolfia ocorrentes em áreas de
vegetação aberta. (A) R. mattfeldiana Markgr.; (B) R. paucifolia A. DC. Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Dentro do Cerrado, existem duas espécies do gênero, ambas ocorrendo em regiões de maior altitude, sendo R. weddelliana Müll.Arg. distribuída nas chapadas do centro-oeste do Brasil e leste do Paraguai (Fig. 6a) e R. gracilis I.Koch & Kin.-Gouv. distribuída de forma mais restrita na Chapada dos Parecis, na região noroeste do Brasil (Fig. 6b).
Figura 6: Mapas de distribuição das espécies de Rauvolfia do Cerrado. (A) R. weddelliana Müll.Arg.; (B) R.
gracilis I.Koch & Kin.-Gouv. Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
No sul e sudeste do Brasil, ao longo das florestas estacionais semideciduais, ocorre a espécie R. sellowii Müll.Arg., com distribuição incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, em áreas de florestas úmidas (Fig. 7).
Figura 7: Mapa de distribuição da espécie R. sellowii Müll.Arg. Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
Para a Mata Atlântica, especificamente dentro da fisionomia de floresta ombrófila densa, existem quatro espécies de Rauvolfia com diferentes graus de endemismo (Fig. 8). R.
grandiflora Mart. ex A. DC. possui ampla distribuição no litoral nordestino do Brasil (Fig.8a).
Já o restante das espécies distribui-se de forma restrita, como R. moricandii A. DC. (Fig. 8b),
R. bahiensis A. DC. (Fig. 8c) e R. atlantica Emygdio (Fig. 8d), sendo as duas últimas
endêmicas no litoral da Bahia. A região sul da Bahia é notória pelos elevados níveis de endemismo encontrados em sua biota (Carnaval & Moritz, 2008). O corredor central da Mata Atlântica é tido como uma área de estabilidade histórica, tendo sido apontada como um provável refúgio Pleistocênico, responsável por abrigar regiões de Mata Atlântica durante períodos de flutuações climáticas (Carnaval & Moritz, 2008; Carnaval et al., 2009). A concentração de espécies endêmicas de Rauvolfia nessa região pode sinalizar que, assim como outros táxons anteriormente propostos, Rauvolfia teria sofrido regimes de expansão e retração durante os períodos de seca e glaciações, fatores estes que teriam favorecido os elevados níveis de endemismo da região.
34
Figura 8: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia, endêmicas à Mata Atlântica. (A) R.
grandiflora Mart. ex A. DC.; (B) R. moricandii A. DC.; (C) R. bahiensis A. DC.; (D) R. atlantica Emygdio.
Escala 1:750.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Algumas espécies do gênero ocorrem no leste do Brasil, em formações de Mata Atlântica, de forma muito restrita, como é o caso de R. pruinosifolia I.Koch & Kin.-Gouv., restrita a bacia do Rio Doce, dentro do estado de Minas Gerais (Fig. 9a) e R. capixabae I.Koch & Kin.-Gouv., restrita a Matas de Tabuleiro no Espírito Santo e Bahia (Fig. 9b).
Figura 9: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia endêmicas ao sudeste do Brasil. (A) R.
pruinosifolia I.Koch & Kin.-Gouv.; (B) R. capixabae I.Koch & Kin.-Gouv. Escala 1:750.000. Projeção UTM.
Datum WGS84.
No oeste da América do Sul, ao longo da Cordilheira dos Andes ocorrem outras duas espécies, R. schuelii Speg. (Fig. 10a) e R. andina Markgr. (Fig. 10b) distribuídas ao longo de Argentina, Bolívia, Brasil e Peru, com distribuições associadas à porção central dos Andes.
Figura 10: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia ocorrentes no centro e sul da Cordilheira dos
Andes. (A) R. schuelii Speg.; (B) R. andina Markgr. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Existem ainda cinco espécies do gênero distribuídas na região norte da cordilheira (Fig. 11 e 12). A espécie andina de distribuição mais ampla é R. leptophylla A. S. Rao, que ocorre desde o noroeste da América do Sul até a Bolívia (Fig. 11a). Outras três espécies do gênero ocorrem no norte da Cordilheira, sendo R. pachyphylla Markgr. distribuída em áreas
36
rochosas e de vegetação baixa situadas a leste dos Andes, atingindo a América Central (Fig. 11b); R. maxima Markgr. em montanhas da Venezuela, Colômbia e Costa Rica (Fig. 11c) e
R. steyermarkii Woodson ocorrendo em áreas montanhosas de Colômbia e Venezuela (Fig.
11d). Gentry (1982) descreveu padrões similares de distribuição, descritos como padrões de distribuição centrados nos Andes (“Andean-centered patterns”), que circundam a região amazônica e apresentam concentração de espécies ao norte dos Andes. Segundo o autor, este padrão seria comum principalmente para arbustos de sub-bosque, epífitas e algumas monocotiledôneas. Gentry (1982) ainda comparou a distribuição destes grupos com outro grande padrão de distribuição, constituído por grupos cuja ocorrência está centrada na Amazônia, concluindo que os dois padrões corresponderiam a quase 70% das distribuições espécies plantas neotropicais.
Figura 11: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia ocorrentes na Cordilheira dos Andes. (A) R.
leptophylla A. S. Rao; (B) R. pachyphylla Markgr.; (C) R. maxima Markgr.; (D) R. steyermarkii Woodson.
R. sanctorum Woodson se distribui em áreas de florestas densas associadas a
montanhas ao norte da Cordilheira dos Andes (Rao, 1956), havendo registros na região de Mesa de los Santos, em Santander, Colômbia, além de registros no Equador e no Peru (Fig. 12).
Figura 12: Mapa de distribuição de Rauvolfia sanctorum Woodson. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
4.1.1.2 América Central
Na América Central existem 12 espécies do gênero, sendo seis destas endêmicas à região e outras seis distribuídas também na América do Sul. A espécie de distribuição mais ampla dentro deste grupo é R. ligustrina Willd. (Fig. 13). Esta espécie é subarbustiva e ocorre em áreas preferencialmente abertas e sazonalmente secas das Américas do Sul e Central, sendo abundante nas Antilhas (Koch, 2002).
38
Figura 13: Mapa de distribuição de Rauvolfia ligustrina Willd. Escala 1:250.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
Esta distribuição é em grande parte coincidente com a das florestas sazonalmente secas que se encontram distribuídas ao longo da América do Sul e América Central em diversos núcleos, localizados a nordeste do Brasil, ao longo da fronteira Bolívia-Brasil até o eixo Resistencia-Corrientes, na Argentina e em áreas montanhosas de Santiago e Chiquitos estendendo-se até Tucumán e as sierras a leste da Argentina; também presentes na costa caribenha, no noroeste da América do Sul e nas porções continentais e insulares da América Central e México (Prado & Gibbs, 1993; Pennington et al., 2009).
De modo similar à R. ligustrina Willd., existem outras duas espécies do gênero
Rauvolfia que ocupam áreas de florestas sazonalmente secas na América Central, porém
estando restritas a regiões a oeste da Cordilheira dos Andes, como R. littoralis Rusby (Fig. 14a) e R. tetraphylla L (Fig. 14b).
Rauvolfia littoralis Rusby ocorre predominantemente no sul da porção continental da
América Central e a oeste da Cordilheira dos Andes e a espécie R. tetraphylla L. apresenta uma maior extensão latitudinal de ocorrência, atingindo o sul da América do Norte, sendo de ampla distribuição no México, na América Central e ao oeste da Cordilheira dos Andes.
Figura 14: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia que ocorrem em florestas sazonalmente
secas na América Central e do Sul. (A) R. littoralis Rusby; (B) R. tetraphylla L. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Ao sul da América Central, na região do Panamá e Costa Rica, distribuem-se duas espécies continentais do gênero Rauvolfia: R. aphlebia (Standl.) A. H. Gentry (Fig. 15a), endêmica do Panamá e Costa Rica, e R. purpurascens Standl. (Fig. 15b), que ocorre nestas regiões e também na Colômbia, na região de Chocó.
Figura 15: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia que ocorrem ao sul da América Central e
noroeste da América do Sul. (A) R. aphlebia (Standl.) A. H. Gentry; (B) R. purpurascens Standl. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Encontramos ainda na América Central espécies insulares, endêmicas e de ampla distribuição. As espécies amplamente distribuídas em áreas insulares são R. viridis Willd. (Fig. 16a), que ocorre também na região noroeste da América do Sul, e R. nitida Jacq. (Fig.
40
16b), principalmente nas Antilhas. Ambas as espécies ocorrem ao longo de regiões de florestas secas e em áreas abertas das Antilhas.
Figura 16: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia amplamente distribuídas nas Antilhas. (A) R.
viridis Willd.; (B) R. nitida Jacq. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Dentre as espécies de distribuição restrita, R. biauriculata Müll.Arg. está restrita a florestas tropicais nas ilhas de Dominica e Guadalupe, no leste das Antilhas (Fig. 17). A espécie R. viridis Willd. co-ocorre com R. biauriculata Müll.Arg. nestas duas ilhas.
Figura 17: Mapa de distribuição da espécie R. biauriculata Müll.Arg. Escala 1:800.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
Dentre o restante das espécies das Antilhas, existem três espécies endêmicas de Cuba.
Rauvolfia salicifolia Griseb. (Fig. 18a) e R. linearifolia Britton & P.Wilson (Fig. 18b)
ocorrem na região leste da ilha, em áreas de vegetação aberta. Segundo Rao (1956), ambas as espécies são endêmicas da província de Oriente, em Cuba.
Figura 18: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia que ocorrem ao leste de Cuba. (A) R.
salicifolia Griseb. ; (B) R. linearifolia Britton & P. Wilson. Escala 1:200.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Rauvolfia cubana A. DC., outra espécie endêmica de Cuba, apresenta-se distribuída na
porção oeste da ilha e no noroeste da Isla de la Juventud, em regiões de savana úmida e formações abertas (Fig. 19).
Figura 19: Mapa de distribuição da espécie Rauvolfia cubana A. DC. Escala 1:200.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
4.1.1.3 Havaí
Rauvolfia sandwicensis A. DC. possui ocorrência restrita ao Havaí (Fig. 20a), em
florestas estacionais semideciduais (Hatheway, 1952; Rao, 1956). A espécie R. sandwicensis A. DC. é a única espécie do gênero Rauvolfia encontrada no arquipélago, estando presente em praticamente todas as ilhas principais do Havaí (Fig. 20b).
42
Figura 20: Mapa de distribuição de Rauvolfia sandwicensis A. DC. (A) Localização geográfica do arquipélago
do Havaí no Oceano Pacífico. (B) Distribuição de R. sandwicensis A. DC. nas ilhas do Havaí. Escalas 1:2.000.000 e 1:80.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
4.1.1.4 Polinésia Francesa
Dentre as espécies insulares do gênero, existem ainda espécies endêmicas de áreas secas na Polinésia Francesa, restritas as Ilhas Marquesas (Fig. 21a), que são R. nukuhivensis (Fosberg & Sachet) Lorence & Butaud (Fig. 21b) e R. sachetiae Fosberg (Fig. 21c), ambas endêmicas do arquipélago e listadas como criticamente ameaçadas na Lista Vermelha da IUCN (Lorence & Butaud, 2011). As ilhas Marquesas são ilhas vulcânicas situadas no Oceano Pacífico, mais precisamente na Polinésia Francesa (Fig. 21a).
Figura 21: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia que correm nas Ilhas Marquesas. (A)
Localização geográfica do arquipélago da Polinésia Francesa no Oceano Pacífico. (B) Distribuição de R.
nukuhivensis (Fosberg & Sachet) Lorence & Butaud; (C) Distribuição de R. sachetiae Fosberg. Escalas
1:2.000.000 e 1:40.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
4.1.2 Espécies paleotropicais
O grupo das espécies paleotropicais é composto pelas espécies africanas, asiáticas e neocaledônias, totalizando 32 espécies. Destas, dez são africanas, sendo três endêmicas de Madagascar e as outras sete continentais, distribuídas ao longo da África subsaariana e na porção central do continente, estendendo-se até o sudeste, em regiões de florestas úmidas (van Dilst & Leeuwenberg, 2001). As 18 espécies asiáticas ocorrem nas florestas úmidas no sudeste do continente, com grande representatividade também nas ilhas do arquipélago Malaio e na Índia. As outras quatro espécies paleotropicais do gênero Rauvolfia ocorrem na ilha da Nova Caledônia, no leste da Oceania.
44
4.1.2.1 África e Madagascar
Na África e Madagascar, van Dilst & Leeuwenberg (1991) contabilizaram dez espécies do gênero, sendo sete continentais e três ocorrendo na ilha de Madagascar, todas estas endêmicas, não havendo registros de ocorrência fora destas áreas. Para o continente africano, as espécies encontram-se predominantemente distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais úmidas da África subsaariana e em regiões litorâneas do sul do continente, havendo três áreas principais de ocorrência: (1) a porção noroeste do continente, na região Congoliana; (2) a porção sudeste do continente, no litoral da África do Sul e nas pastagens, savanas e matagais tropicais e subtropicais da África Oriental; (3) Madagascar (van Dilst & Leeuwenberg, 1991).
As espécies com distribuição mais ampla na África são R. mannii Stapf., R. vomitoria Afzel. e R. caffra Sond.. Estas espécies apresentam-se distribuídas predominantemente na África Tropical, com R. caffra Sond. atingindo o sudeste do continente (Fig. 22, 23).
Figura 22: Mapas de distribuição para as espécies do gênero Rauvolfia amplamente distribuídas na África. (A)
R. mannii Stapf.; (B) R. vomitoria Afzel. Adaptado de van Dilst & Leeuwenberg (1991). Escala 1:500.000.
Projeção UTM. Datum WGS84.
Rauvolfia mannii Stapf. (Fig. 23) e R. caffra Sond. (Fig. 22a) ocorrem em florestas
úmidas da África tropical, sendo que R. caffra Sond. atinge o sudeste da África, chegando até a África do Sul. Rauvolfia vomitoria Afzel. ocorre em formações abertas segundo van Dilst & Leeuwenberg (1991), principalmente no oeste da África, sendo a única espécie que atinge áreas a noroeste do continente, como Senegal e Guiné-Bissau (Fig. 22b).
Figura 23: Mapa de distribuição de Rauvolfia caffra Sond, adaptado de van Dilst & Leeuwenberg (1991). Escala
1:500.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Existem ainda quatro espécies africanas que apresentam distribuições mais restritas, ocorrendo em diferentes padrões ao longo da África Tropical (van Dilst & Leeuwenberg, 1991). Rauvolfia nana E. A. Bruce ocorre em áreas savanicas no Zaire, Zâmbia e Angola (Fig. 24a), R. letouzeyi Leeuwenberg está restrita a sub-bosques de florestas secundárias no Gabão e Congo, não ocorrendo em áreas abertas (Fig. 24b), R. volkensii Stapf. está distribuída de forma restrita ao nordeste da Tanzânia, sendo endêmica de áreas úmidas montanhosas da região (Fig. 24c), e R. mombasiana Stapf. ocorre em zonas rochosas e arenosas, nas faixas litorâneas do Quênia, Tanzânia e Moçambique (Fig. 24d).
46
Figura 24: Mapas de distribuição das espécies africanas continentais do gênero Rauvolfia.(A) R. nana E. A.
Bruce; (B) R. letouzeyi Leeuwenberg; (C) R. volkensii Stapf.; (D) R. mombasiana Stapf. Adaptado de van Dilst & Leeuwenberg (1991). Escala 1:500.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Madagascar apresenta três espécies do gênero. As espécies R. obtusiflora A. DC., R.
media Pichon e R. capuronii Markgr. são endêmicas e ocupam áreas ao noroeste e oeste da
ilha e formações vegetais ao sudoeste, havendo poucos registros de coleta na porção leste, formada pelas florestas sub-úmidas. Duas espécies encontram-se distribuídas ao noroeste da ilha: R. obtusiflora A. DC. (Fig. 25a), que é endêmica de florestas secas e estacionais e R.
capuronii Markgr. (Fig. 25b), que possui a distribuição mais restrita às áreas de vegetação
Figura 25: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia em Madagascar. (A) R. obtusiflora A. DC.;
(B) R. capuronii Markgr. Escala 1:300.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Rauvolfia media Pichon distribui-se mais amplamente no sul e oeste da ilha,
ocorrendo também nas Ilhas Comoro, adjacentes a Madagascar, em florestas secas e savanas (Fig. 26).
Figura 26: Mapa de distribuição da espécie Rauvolfia media Pichon em Madagascar. Escala 1:300.000. Projeção
UTM. Datum WGS84.
4.1.2.2 Ásia
As espécies asiáticas de Rauvolfia ocorrem nas florestas úmidas no sudeste do continente, com grande representatividade também na porção insular da Ásia, em países como a Indonésia, Malásia e Filipinas. São ao todo 18 espécies, sendo que R. verticillata (Lour.) Baill. (Fig. 27a) e Rauvolfia serpentina (L.) Benth. ex Kurz (Fig. 27b) são as espécies de
48
distribuição mais ampla na Ásia continental. Rauvolfia verticillata (Lour.) Baill. encontra-se amplamente distribuída pela região Indomalaia, tanto na parte continental como nas ilhas do sudeste asiático, enquanto Rauvolfia serpentina (L.) distribui-se também no subcontinente da Índia. Rauvolfia serpentina (L.) Benth. ex Kurz, destaca-se por ser historicamente utilizada por populações tradicionais como fármaco (Dey & De, 2011). Devido à exploração e a perda de habitat, vem sofrendo declínio em sua distribuição, sendo considerada atualmente como uma espécie ameaçada (Singh et al., 2010).
Figura 27: Mapa de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia com ampla distribuição da Ásia continental.
(A) R. verticillata (Lour.) Baill.; (B) R. serpentina (L.) Benth. ex Kurz. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Na porção insular do sudeste asiático encontramos dez espécies do gênero, sendo R.
sumatrana Jack a que apresenta distribuição mais ampla (Fig. 28), estando presente em
Bornéo, Indonésia, Filipinas, Malásia e Sumatra. Rauvolfia sumatrana Jack é a única espécie do gênero que possui distribuição simultaneamente ao leste, oeste e sul do arquipélago Malaio, sendo as regiões tratadas usualmente como três províncias florísticas distintas (van Steenis, 1979).
Figura 28: Mapa de distribuição da espécie Rauvolfia sumatrana Jack. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM.
Datum WGS84.
Restritas ao sul do arquipélago, encontram-se as espécies R. oligantha Hendrian (Fig. 29a) e R. javanica Koord. & Valeton. (Fig. 29b), distribuídas ao oeste da ilha de Java. Estas espécies são as únicas representantes do gênero restritas da província florística formada por Java e as Pequenas Ilhas da Sonda (van Steenis, 1979).
Figura 29: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia endêmicas da ilha de Java. (A) R. oligantha
Hendrian; (B) R. javanica Koord. & Valeton. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Ocorrem duas espécies ao norte da Indonésia, R. amsoniifolia A. DC. (Fig. 30a) e R.
samarensis Merr. (Fig. 30b). Enquanto R. samarensis Merr. encontra-se distribuída de forma
restrita a ilha de Samar, R. amsoniifolia A. DC. está presente em ilhas ao sul, como Luzon, Camarines, Moluccas e outras ilhas centrais do Arquipélago Malaio.
50
Figura 30: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia ocorrentes na Indonésia. (A) R. amsoniifolia
A. DC.; (B) R. samarensis Merr. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Existem ainda espécies de distribuições restritas a pequenas ilhas ao leste da Linha de Wallace, como R. kamarora Hendrian (Fig. 31a), de ocorrência restrita as Celebes, na Indonésia e R. rostrata Markgr. (Fig. 31b), presente no oeste da Nova Guiné.
Figura 31: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia das ilhas Celebes e Nova Guiné. (A) R.
kamarora Hendrian; (B) R. rostrata Markgr. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Nas ilhas do arquipélago de Palau, situado entre Nova Guiné e Filipinas, ocorre a espécie R. insularis Markgr., presente em matas úmidas e solos de origem vulcânica (Fig. 32).
Figura 32: Mapa de distribuição de Rauvolfia insularis Markgr. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
Rauvolfia moluccana Markgr. também apresenta distribuição microendêmica a leste
da linha de Wallace, estando presente em um arquipélago a leste da Nova Guiné, na Nova Bretanha Ocidental (Fig. 33).
Figura 33: Mapa de distribuição de Rauvolfia moluccana Markgr. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum
WGS84.
Na porção continental da Ásia ainda encontramos duas espécies com distribuições bastante restritas, sendo estas R. rivularis Merr., com uma única coleta localizada em Myanmar, no vale do rio N'Mai Hka, e R. hookeri S.R.Sriniv. & Chithra, com uma coleta no sudoeste da Índia (Fig. 34).
52
Figura 34: Mapas de distribuição de espécies do gênero Rauvolfia de Myanmar e Índia. (A) R. rivularis Merr.;
(B) R. hookeri S.R.Sriniv. & Chithra. Escala 1:1.250.000. Projeção UTM. Datum WGS84.
Existem ainda quatro outras espécies de Rauvolfia endêmicas da região continental do sudeste asiático, distribuídas na região do Camboja, Tailândia e Vietnã. Destas, três estão presentes no litoral do Golfo da Tailândia, R. micrantha Hook, R. chaudocensis Pierre ex Pit. e R. indosinensis Pichon, enquanto R. vietnamensis Lý encontra-se representada por uma única coleta na costa leste do Vietnã (Fig. 35).
Figura 35: Mapas de distribuição das espécies do gênero Rauvolfia ocorrende em áreas restritas no continente da