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Late Cretaceous frequency responses

5.3 Frequency responses along horizons

5.3.2 Late Cretaceous frequency responses

Um dos termos em voga no meio acadêmico é a Gestão Social, por vezes, é empregado de maneira imprecisa ao remeter restritamente a políticas sociais desenvolvidas pelo Estado, fato que evidencia uma visão limitada do conceito.

França-Filho (2007) expõe duas tendências que têm surgido a respeito de gestão social, uma voltada para a banalização do termo, onde tudo que não se enquadra na gestão tradicional rotula-se como gestão social; e outra que aponta a ascensão do Terceiro Setor como propulsor de práticas que vêm contribuindo para o enfretamento de problemas contemporâneos sejam socioeconômicos sejam ambientais.

Segundo Boullosa e Schommer (2009), a noção de gestão social indica e fortalece uma nova forma de relação entre Estado e sociedade civil na condução de processos de transformação social. Mas, afinal, o que é gestão social? Quais suas origens? Como diferenciá-la das demais práticas de gestão? Estas indagações serão respondidas no decorrer dos próximos parágrafos.

Em primeiro lugar, é necessário enfatizar que os estudos no campo denominado de gestão social são recentes. Destaco os escritos de Tenório (1998, 2001, 2005), Dowbor (1998, 1999, 2008), Boullosa e Schommer (2008 e 2009) e França-Filho (2007).

A gestão social envolve o atendimento à gestão de demandas sociais que pode ser desenvolvida através de ações promovidas por via estatal, ou pela própria sociedade, a partir de mecanismos de auto-organização, a exemplo das organizações não-governamentais (ONG’s) e dos empreendimentos de caráter associativo. Quanto ao modo das práticas gestionárias, na gestão social o aspecto econômico é apenas um meio para realização dos fins sociais há, desse modo, uma inversão de prioridades administrativas estabelecidas pelas empresas privadas, onde se exalta a lógica mercantil, por isso, são muitos os desafios impostos à gestão social na promoção de práticas atreladas à razão substantiva (FRANÇA- FILHO, 2007; TENÓRIO, 2005).

As suas origens remontam às primeiras ações promovidas pelo Estado no âmbito das políticas sociais para atenuar a intrincada situação socioeconômica criada após a consolidação do mercado autoregulado, como bem explicado por Polanyi (1994). Naquele período também surgiram ações isoladas que procuravam outra prática coletiva além da racionalidade instrumental, impulsionadas pelos socialistas utópicos.

No contexto brasileiro, Tenório (2005) remete que o tema ganhou corpo no meio acadêmico a partir da década de 1990 com o avanço da onda neoliberal sobre o Continente Latino-Americano, com as orientações do Consenso de Washington que encerrava, em seu pacote de medidas, a proposta de um Estado-Mínimo, o superávit primário e a não reserva de mercado, entre outros. Isto fez com que as instituições acadêmicas direcionassem um olhar sobre as relações Estado-Sociedade e Capital-Trabalho. Desta forma, iniciaram-se estudos visando não só à compreensão como também à socialização do conhecimento da gestão social abordando temas como democracia, participação, governança e auto-organização.

O campo da gestão social transformou-se em um espaço de experimentação de práticas contra-hegemônicas, isto é, de modos diferentes de organização das comumente realizadas pela gestão privada. Todavia, Tenório (2005) comenta que há iniciativas no campo social que reproduzem a lógica gerencial da empresa, reduzindo o conteúdo da ação organizacional a

atributo puramente técnico, devido à preeminência da racionalidade instrumental nas práticas organizacionais, o que, em longo prazo acaba desvirtuando a missão e a razão de existir desta. Visto que para Tenório (2005) os resultados destes desvios costumam ser desastrosos e podem levar à perda do sentido de projetos ou organizações. A instrumentalização excessiva do social pode acabar, desse modo, alimentando o crescimento de um novo nicho de mercado, de organizações sociais que procedam de forma marcadamente instrumental.

A construção de um arcabouço metodológico para a atuação no âmbito da gestão social traz um desafio para organizações que se propõem a atuar nesta perspectiva. Saliento que, portanto, não é necessário deixar de lado o aparato administrativo desenvolvido pela gestão privada, mas, sim, ter olhar crítico do que pode ser empregado no espaço das organizações sociais sem comprometer as especificidades em termos de racionalidade substantiva, a qual deve ser dominante no campo da gestão social.

Uma característica da gestão social, em seus primórdios, foi a inexistência de enfoques prescritivos. Segundo Boullosa e Schommer (2009), surgiram após a ação de grupos que desenvolviam práxis neste âmbito, refletindo e discutindo permanentemente a ação e compartilhando experiências num processo que propiciava aprendizagens individual e coletiva construída e reconstruída durante o seu encaminhamento.

As práticas de gestão social advêm de organizações não-governamentais que atuam sob a predominância da racionalidade substantiva em suas ações criando estruturas de gestão participativa e dialógica. Posso reportar os estudos realizados pelo grupo de pesquisa Observatório da Realidade Organizacional (UFPE, UFSC, EBAPE/FGV e UFRGS) que desenvolve atividades de investigação no campo dos estudos organizacionais, especificamente, organizações culturais. Um estudo de multicasos (grupos de maracatu do Recife, Carnaval em Maceió, clubes de futebol de Pernambuco e a Representação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém) revelou uma crescente tendência à mercantilização das atividades de caráter substantivo e à burocratização das estruturas organizacionais à luz do uso de mecanismos e técnicas da gestão privada que distorciam a missão das organizações sociais estudadas.

Há também experiências de auto-organização tendo como ponto de partida os empreendimentos econômicos solidários que se constituem não só como um espaço para auferir renda, mas, também, como um local para práticas de autogestão, solidariedade e de construção de laços sociais baseado na reciprocidade, corroborando assim para o desenvolvimento socioeconômico dos participantes dos empreendimentos e da região.

E neste último tipo de organização que esta tese se desenvolve, com ênfase na avaliação das dimensões da gestão social relacionadas aos princípios da Economia Solidária, que se manifestam em práticas organizacionais de empreendimentos econômicos solidários do Oeste Potiguar. Portanto, pretendo desvelar no próximo item as origens da econômica solidária, conceitos e as variadas denominações, bem como princípios e categorias da análise de possíveis práticas de gestão social destes empreendimentos econômicos solidários averiguados por pesquisa realizada em campo.