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3.3 Constitutive Laws

3.3.2 Large Eddy Simulation

Diante do exposto, onde a fragilidade presume a essência do coletivo e as contradições se apresentam de inúmeras maneiras, acreditamos que tais empreendimentos poderão alcançar a padronização pautada nos procedimentos gerenciais existentes, sobretudo nos preceitos atrelados à ISO 14.001, propiciando a melhora no serviço prestado por meio da construção de metodologias que possibilitem o embasamento às demais cooperativas e associações de catadores inseridas no Brasil.

No entanto, as fragilidades apresentadas pela pesquisa, especificamente no item 5.3 (Planejamento - Ações para abordar riscos e oportunidades) e item 5.11 (Preparação e Respostas à Emergência), constituem-se de fatores intrínsecos à cooperativa analisada e aos demais empreendimentos constituídos por catadores.

Neste sentido, a pesquisa buscou a construção de procedimentos gerenciais de fácil acesso aos catadores, bem como a melhoria e a padronização das ações desenvolvidas pela instituição, tendo como escopo os preceitos da ISO 14.001:2015 com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Em suma, a pesquisa possibilitou a inserção de política norteadora em prol à organização cooperativista, a fim de auxiliar seus associados no gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos e nas práticas inerentes ao seu trabalho, essencialmente na valorização do sujeito pertencente à cadeia da reciclagem no Brasil.

A escolha da COOPERVIVA pautou-se nos aspectos e nas ações de gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, por meio da coleta seletiva realizada no município de Rio Claro/SP; na valorização social, mediante a inclusão de catadores ora marginalizados pela sociedade e, sobretudo, no empoderamento socioprodutivo da organização, de modo a possibilitar o protagonismo do trabalho desempenhado pelos cooperados.

Para tanto, o levantamento bibliográfico explicitado nos capítulos precedentes, possibilitou o embasamento à metodologia proposta, resultando em ações concretas junto ao empreendimento e à sistematização dos resultados alcançados, bem como o empenho de cada cooperado à busca da implantação dos requisitos estabelecidos pela norma, mesmo em meio a complexidade existente.

Também, propiciou a organicidade gerencial do empreendimento mediante a consolidação de indicadores ambientais, sobretudo na melhora do trabalho desenvolvido pelos catadores em prol à sustentabilidade social, ambiental e econômica, em consonância à Lei 12.305/2010 e à normativa ISO 14.001.

Outro aspecto explicitado pela pesquisa diz respeito à necessidade de investimentos e de apoio por parte do poder público municipal à cooperativa. Desta feita, a aproximação da administração municipal de Rio Claro/SP propiciou o embasamento à metodologia abordada, evidenciando resultados concretos expostos no decorrer do processo investigatório. Tal prática tem sido de extrema necessidade às cooperativas e às associações de catadores na continuidade do trabalho de coleta, de triagem e de comercialização dos resíduos recicláveis. No entanto, ainda há muito a ser realizado.

É sabido que sem o respaldo financeiro e estrutural aos empreendimentos constituídos por catadores, as ações desempenhadas por esses sujeitos tornam-se exaustivas. Isso se dá, pois, o capital financeiro proveniente da venda de seus produtos tem por objetivo o sustento dos trabalhadores, impossibilitando sua utilização na infraestrutura ou até mesmo em práticas relacionadas à valorização humana.

Desse modo, as políticas públicas direcionadas ao fomento de tais organizações, devem permear a organicidade da gestão humanista no sentido de possibilitar a ascensão do sujeito, bem como o estímulo às condições de trabalho, não apenas em ações pautadas no fomento desconexo com a realidade, ou mesmo em práticas superficiais e sem planejamento, resultando, dessa forma, na cultura clientelista e paternalista, mas em ações continuas e alinhadas com às legislações pertinentes.

Para isso, o embasamento prescrito pela Lei 11.445/2007 e a Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305/2010, ressalta a valorização do catador no que diz respeito a contratação dessas organizações para o gerenciamento dos resíduos sólidos, contudo, a fragilidade inerente ao seu cumprimento mostrou-se evidente no município de Rio Claro/SP. Em suma, a sobrevivência das cooperativas de catadores está ancorada somente na venda dos materiais recicláveis coletados, negligenciando-se a força de trabalho desempenhada no processo de catação.

Assim, a pesquisa propiciou à organização angariar recursos infraestruturais e financeiros por intermédio de instituições privadas e demais entidades de fomento, conforme evidenciado no decorrer do trabalho. Tal prática propiciou ao empreendimento o embasamento e a valorização da gestão humana e estrutural, bem como a melhora no processo de trabalho e nas práticas inerentes à coleta dos materiais reciclados e triados pela cooperativa, sobretudo na estruturação dos sujeitos inseridos na cooperativa e na eficácia do serviço prestado.

Desta feita, com o propósito de fomentar o pertencimento de cada sujeito inserido na cooperativa, a gestão estruturada, participativa e coletiva deve ser levada em consideração,

com o intuito de possibilitar a inclusão e o planejamento social, ambiental e econômico do empreendimento.

A padronização das práticas inerentes às organizações constituídas por catadores, poderá subsidiar e nortear os processos de gerenciamento dos resíduos sólidos, bem como a comercialização direta às indústrias que utilizam seus resíduos triados, de modo a: a) otimizar a venda dos materiais para além dos intermediários e aparístas; b) propiciar a valorização dos resíduos triados pela cooperativa e, consequentemente, c) possibilitar maior ganho econômico e social ao empreendimento.

Por conseguinte, é mister a implementação de tecnologias sociais que objetivem a construção de mecanismos e meios de expansão do trabalho desenvolvido pelos catadores. Ademais, cabem às cooperativas e às associações de catadores a gestão dos recursos conquistados, objetivando a expansão da coleta e a inclusão de outros catadores ao grupo.

A estruturação do coletivo depende do amadurecimento endogrupo, ou seja, a identidade social do coletivo dada as semelhanças pertencentes aos sujeitos que o compõem, bem como o estímulo ao pertencimento do indivíduo para com o empreendimento, objetivando fomentar a criatividade e a possibilidade de percepção espacial dos catadores à gestão coletivista, sobretudo ao desenvolvimento humano.

Isto posto, a pesquisa buscou se atentar as diversas fragilidades da cooperativa, não se afastando do rigor cientifico necessário ao cumprimento da metodologia proposta, mas possibilitando a construção do conhecimento associada aos saberes de cada um dos sujeitos inseridos no coletivo.

Para tanto, a coesão desse cenário (empírico e cientifico), em meio as imbricações resultantes da pluralidade social e territorial, pressupõem fator balizador à implementação de processos humanizados em prol à construção de organizações resilientes e, ainda, a idealização de técnicas gerenciais e de estratégias sólidas em meio a dinamicidade do cenário neoliberal hegemônico contemporâneo, caracterizado pela competição e pelo individualismo, pela distopia e pela concorrência.

Consequentemente, embasada pelas normativas ambientais e sociais, a pesquisa possibilitou o diálogo entre todos os atores responsáveis pelo Programa de Coleta Seletiva no município de Rio Claro. Não obstante, buscou contextualizar a práxis instaurada e enraizada nos diversos segmentos existentes na gestão e no gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, onerando assim a parte mais frágil do sistema: os catadores.

Assim sendo, por meio da proposta metodológica explicitada no decorrer da pesquisa, a continuidade das ações implantadas na organização poderá ocorrer sem ônus aos

trabalhadores inseridos no empreendimento, tendo em vista que o principal objetivo do processo investigatório foi subsidiar a instituição com ferramentas gerenciais construídas a partir da realidade dos catadores, bem como propiciar a valorização do trabalho exercido pela cooperativa.

Além disso, consideramos que há necessidade de maior entendimento e engajamento do Poder Público Municipal em relação à contratação da COOPERVIVA, considerando a prestação dos serviços executados há muito tempo no município, de maneira a garantir o empoderamento da organização e a eficácia das ações já realizadas historicamente na cidade de Rio Claro/SP.