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USE OF LapA AND LapB IN LPMO REACTIONS

5. DISCUSSION

5.3. USE OF LapA AND LapB IN LPMO REACTIONS

como propusemos na dissertação “A notícia no radiojornalismo brasileiro: transformações históricas e técnicas” (ZUCULOTO, 1998, p. 26-62), e igualmente, num resgate da construção da programação da radiodifusão não-comercial, a sintonização leva à emissora de Roquette Pinto, mesmo após ser doada ao governo federal.

[...] Roquette Pinto, portanto, tinha um entendimento idealista de como o rádio poderia desenvolver-se e ser usado pela sociedade. Queria um rádio que não apenas informasse ou proporcionasse entretenimento. Posição que se reflete inclusive nos primeiros noticiários por ele irradiados, nos quais as notícias são comentadas através de análises e interpretações. [...] (ZUCULOTO, 1998, p.30)

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no ar seu “Jornal da Manhã”, o primeiro noticiário radiofônico brasileiro. Na metade da década de 20, produzia-se e se ouvia rádio ainda enfrentando muitas dificuldades. Mas Roquette-Pinto, mesmo sem ainda saber como usar e desenvolver boa parte das características e potencialidades do novo veículo de então, recorrendo à criatividade, experimentação e improvisação, em 1925 – apenas dois anos após a fundação da emissora – já irradiava quatro noticiários pela Rádio Sociedade. Além do precursor “Jornal da Manhã”, naquele ano a Sociedade passou a transmitir também o “Jornal do Meio-Dia”, “Jornal da Tarde” e “Jornal da Noite” (BONAVITA FEDERICO, 1982, p.38).

Como os demais noticiosos que se seguiram aos da Rádio Sociedade, nas outras emissoras daquele período inicial da radiofonia, os da estação de Roquette-Pinto eram produzidos e apresentados com base nas informações copiadas dos jornais impressos. A maioria das emissoras apresentava as notícias através da leitura direta dos jornais no ar. Por isso, chamados de Rádio-Jornais. Mas também aqui Roquette- Pinto se diferencia dos demais, conforme assinala um relato de seu companheiro de radiofonia Saint-Clair Lopes transcrito por ORTRIWANO (1990) pois especialmente para o “Jornal da Manhã”, além de informar o fato, ele interpreta-o, apresenta complementos, faz críticas, analisa-o:

O Jornal da Manhã não era um simples noticioso, nem um modesto relato dos acontecimentos. Era o fato comentado, esmiuçado e interpretado com a autoridade do sábio. [...] Por meio dele, o comentarista apreciava os acontecimentos nos noticiários dos jornais, lendo-lhes as manchetes e oferecendo um panorama inigualável de concisão, de realidade e de objetividade como somente ele poderia fazê- lo [...] Nele, o Mestre distribuía fartamente informações, como devem ser consideradas em seu sentido. Não era um relato puro e simples dos acontecimentos; era a notícia comentada, esmiuçada, interpretada no seu conteúdo e nos seus reflexos no sistema social do Brasil e do mundo. (ORTRIWANO, 1990, p.62-63),

A programação jornalística da ainda Rádio Sociedade, afora este tratamento diferenciado às notícias, também logo passa a ser composta por outros noticiosos no quais se pode observar raízes dos informativos que bem mais tarde, no auge do jornalismo radiofônico, surgem como programas segmentados.

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noticiários, suplemento musical e horário infantil. Entre os programas fixos destacavam-se o Jornal do Meio-Dia, com notícias extraídas dos jornais da manhã, mais informações econômicas – abertura das bolsas de algodão, café e açúcar; Jornal da Tarde, transmitido das 17 às 18h15, com uma interrupção às 17h45 para o Quarto de hora infantil. Às 22 horas, vinham mais notícias no Jornal da Noite, com informações recolhidas nos vespertinos, além de notas econômicas relativas ao fechamento das bolsas e do câmbio. Depis de se informar com as notícias do Jornal do Meio Dia, o ouvinte era brindado com uma faixa especial denominada Página, composta de temas variados e apresentados em dias pré-determinados. A segunda-feira era reservada ao esporte, com Página Esportiva; terça-feira, Página Agronômica; quarta-feira, Página Literária; quinta-feira, Página Infantil; sexta-feira, Página Feminina; e sábado, Página Doméstica (MILANEZ, 2007, p. 26). Após doar a Rádio Sociedade ao governo federal e a emissora passar a se chamar Rádio Ministério da Educação, Roquette Pinto permaneceu comandando-a por mais sete anos. E conforme evidencia relatório sobre programação que enviou em 1941 ao Ministério, manteve sua marca na linha editorial.

Em relação aos programas educativos e culturais - ´constituem atividade normal da SER. Visam a ampliação da cultura popular tanto do ponto de vista artístico quanto informativo no campo de conhecimento` foram trnsmitidos 71 no período. Relacionava ainda os programas extraordinários ( efemérides), os noticiosos, cursos, palestras[...] (MILANEZ, 2007, p. 32).

Em 1943, Tude Souza, também médico e colaborador de Roquette-Pinto nas suas aventuras radiofônicas, assumiu o comando da Rádio Ministério. E continuou a fazer rádio ao modo do mestre Roquette-Pinto. Numa entrevista à Revista do Rádio, já em 1948, Tude Souza afirmava: “Desde 11 de março de 1943 que dirijo a Rádio Ministério da Educação, sucessora da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro e tudo tenho feito para não me afastar das normas traçadas pelo grande brasileiro Roquette-Pinto e seus companheiros de jornada em 1923” (MILANEZ, 2007, p. 33). Na mesma entrevista, anunciou como novidades da programação da emissora que a estação “dedicaria a maior parte do seu primeiro horário, das 7 às 14 horas, para cursos, além de um jornal feito por especialistas [...]”.

Naqueles primeiros anos de transmissões de programas jornalísticos pelas ondas do rádio, os informativos, noticiosos, os jornais-falados seguiram o modelo do

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mestre Roquette-Pinto. Observa-se, nos diversos relatos sobre aquele tempo pioneiro, que não apenas contavam o fato, mas principalmente os jornais de Roquette-Pinto também incluíam a análise, a contextualização, a explicação através de outras informações associadas e até a opinião.

O Rádio brasileiro nasce com ideais culturais-educativos, reservando, nestas suas metas, um papel constitutivo à informação e, portanto, ao jornalismo. Como a primeira emissora da radiofonia nacional apenas 13 anos depois se transforma na primeira rádio do campo público, quando a Sociedade do Rio de Janeiro inaugura o sistema que ficou conhecido como educativo, o mesmo acontece com o jornalismo deste segmento radiofônico. Baseado nos objetivos de Roquette-Pinto de transmitir educação, cultura e conhecimento, o radiojornalismo não-comercial planta suas raízes como se ouvia principalmente no Jornal da Manhã.

Assim, pode-se sublinhar que o jornalismo do rádio do campo público pioneiro, assim como do comercial, seguiu uma linha, um modelo que não se manteve. Isto pelo menos no radiojornalismo das emissoras comerciais, que foi o que mais se consolidou e se tornou o grande referencial na radiodifusão brasileira a partir do Repórter Esso.

O noticioso Repórter Esso, que por 27 anos esteve no ar em diversas estações de rádio brasileiras, a partir de 1941, significou, por parte das comerciais, uma grande transformação na linha Roquette-Pinto, que vinha dando o tom ao jornalismo radiofônico pioneiro.

As primeiras reflexões e análises levam a escutar programação a jornalística pioneira das emissoras do campo público como um radiojornalismo que não fez escola na radiofonia nacional. Pelo menos não como um tom predominante e principal maestro.

Saint-Clair Lopes, que viveu o rádio ainda nas suas fases iniciais, em 1970, ao escrever “Radiodifusão Hoje”, já produziu avaliação e comparação neste sentido:

O radiojornalismo incipiente de Roquette-Pinto, buscando nas fontes de informações da imprensa escrita o material que divulgava e interpretava, ainda não foi sequer igualado nos dias correntes, mas permaneceu um ideal constante na consciência de todos os profissionais que, instintivamente, ao pensar em aperfeiçoar, seguem os passos do Mestre (LOPES, 1970, p. 42).

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Já na radiofonia pública, o tom parece ao menos buscar afinamento com Roquette-Pinto. Um exemplo de que, na atualidade, as programações jornalísticas das emissoras deste segmento continuam a procurar inspiração no radiojornalismo não- comercial pioneiro encontramos justamente na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Em 1996, em livro comemorativo aos 60 anos da estação como MEC, a sua então diretora Regina Salles assim descreveu a programação e o jornalismo produzido e transmitido pela emissora:

No ar há 60 anos, como emissora estatal, enfrentou sérios problemas estruturais,mas o ideal de seu criador se manteve vivo. Como núcleo de resistência à vulgarização do rádio comercial, a Rádio MEC, nos seus canais AM-Rio e Brasília 800 khz e FM 98.9 Mhz, se dedica à divulgação das artes e da cultura. [...] Além disso, um jornalismo que não se limita ao factual, promovendo um debate plural sobre as questões do país e as opções do cidadão, campanhas educativas e programas de auditório ao vivo tornam a Rádio MEC hoje uma emissora pública de prestação de serviços” (SALLES, 1996, p. 117-118)

3.4. Nos primeiros tempos, música erudita é símbolo de transmissão