Após a secagem e mensuração da decomposição, a trituração da massa seca remanescente foi realizada em moinho de faca e peneirada em peneiras de 425 e 250 mm para que a sua granulometria fosse a mais adequada para a realização das análises químicas do material.
4.5.1 Analises dos teores de cinzas, extrativos, lignina e holocelulose
As análises dos teores de cinzas, extrativos totais, lignina e holocelulose foram realizados no laboratório didático 2 do departamento de Solos e Recursos naturais da Universidade do Estado de Santa Catarina –UDESC/CAV. A quantificação dos teores de cinzas da serapilheira foi determinada pelo método M-11/77 conforme Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel ABTCP (1974). O método consiste na pesagem de 2 g do material absolutamente seco que ultrapassou a peneira de 425 mm e ficou retido na peneira de 250 mm, acondicionado em cadinho de porcelana previamente tarado e calcinado
em mufla a 450ºC por 30 minutos e os cadinhos contendo as amostras calcinadas foram levados a um dessecador até atingirem temperatura ambiente e foram novamente pesados, obtendo-se o teor de cinzas (TC) pela seguinte expressão:
TC (%)= MSF/MSR*100
Onde: TC (%) = percentual de cinzas; MSF = massa seca final (g); MSR = massa seca real(g).
A determinação dos teores dos extrativos totais foi efetuada com base na norma M-3/89 da ABTCP (1974). Com 2 g do mesmo material absolutamente seco e previamente processado, foi acondicionado em cadinhos de vidro sinterizado número 2, previamente tarados e levados até o extrator de Soxhlet com balões volumétricos contendo 250 mL de reagente composto por tolueno P.A. e etanol na proporção 2:1. A extração teve duração de 7 horas. Após este período o processo foi repetido com a troca de reagentes, desta vez com etanol com o mesmo volume e as extrações tiveram a mesma duração. Ao término das extrações o material restante foi lavado com água destilada fervente com auxílio de bomba a vácuo até que o material filtrado ficasse incolor. Posteriormente o resíduo foi seco em estufa de circulação forçada a 105ºC até massa constante. A serapilheira foi novamente pesada para que com a diferença entre as pesagens, fosse determinado o percentual de extrativos totais pela seguinte expressão: ET% = MSR - MSF/MSR *100
Onde: ET% = percentual de extrativos totais; MSR = massa seca real (g); MSF = massa seca final (g).
A determinação do teor de lignina foi efetuada seguindo a norma técnica M-70/71 da ABTCP(1974), onde foi pesado 1 g da serapilheira previamente seca e livre de extrativos e acondicionada em erlenmeyer de 50 mL contendo 15 mL de ácido sulfúrico (H2SO4) a
72% e mantida em recipiente contendo água suficiente para cobrir a solução por 2 horas, sendo agitado com bastão de vidro a cada 15 minutos. Em seguida a mistura foi transferida para um béquer de 1 L com água destilada e acondicionada em chapa aquecedora, sob fervura
durante 4 horas e posteriormente deixada em repouso por 24 horas. Após este procedimento, o material foi filtrado com auxílio de bomba a vácuo em cadinho de vidro sinterizado número 4 forrado com óxido de alumínio previamente tarado. O material foi levado à estufa de circulação forçada a 105ºC até atingir massa constante e por diferença de massa inicial e final foi obtido o teor de lignina pela seguinte expressão:
L(%) = (Pi – Pf) x 100
Onde: L(%) = percentual de lignina; Pi = massa do cadinho + óxido de alumínio + serapilheira livre de extrativos (g); Pf = massa do cadinho + óxido de alumínio + serapilheira total após os processos (g).
A determinação do percentual de holocelulose foi obtida por meio da diferença da amostra total em relação aos teores de cinzas, extrativos totais e lignina, de acordo com a seguinte expressão:
H(%) = (TC + ET + L) – 100
Onde: H(%) = percentual de holocelulose; TC = percentual do teor de cinzas; ET = percentual de extrativos totais; L= percentual de lignina. 4.5.2 Análises de componentes fenólicos totais
As análises de componentes fenólicos totais foram efetuadas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no departamento de Engenharia de Alimentos, no Laboratório de Compostos Bioativos – ICTA.
Para a extração dos fenóis totais constituintes da serapilheira, 1 g de amostra previamente processada foi adicionada a 20mL de metanol e homogeneizada no aparelho Ultra-turrax por 2 a 3 minutos, e posteriormente centrifugada por 20 minutos em rotação de 3000 giros a 4ºC em uma centrífuga refrigerada. O sobrenadante foi então retirado e colocado em balão volumétrico de 50mL.
O processo de homogeneização e extração foi repetido e o balão completado até sua marca. Uma alíquota de 50uL foi retirada deste balão e um controle com o mesmo volume de metanol foi também preparado. As amostras e o controle foram combinados com 250uL ou 0,25N de reagente Folin Ciocalteau (Swain & Hillis, 1959). Após 3
minutos de reação, 300uL de 1N Na2CO3 foram adicionados e esta
combinação de fluidos e incubados por 2 horas em local sem presença de luz e posteriormente efetuado as leituras das absorbâncias a 765nm em um espectrofotômetro. Uma curva padrão com ácido gálico em diferentes concentrações que variaram de 0 a 50ug/mL foi construída para a quantificação dos compostos fenólicos. Os resultados foram expressos em mg equivalentes de ácido gálico/ 100g de amostra. 4.5.3 Análise elementar da serapilheira
Com a serapilheira previamente seca, triturada e peneirada conforme descrito anteriormente, o material que possuía menores dimensões que os retidos pelas peneiras foi então macerado em cadinho de porcelana e levado ao laboratório de Solos do Centro de Educação superior do Oeste CEO/UDESC para a realização das análises. Foram pesados entre 5 e 10 miligramas de serapilheira e acondicionados em papel alumínio já tarado e posteriormente levados ao aparelho Elementar Vario El cube. Este aparelho através da calcinação do material e o arraste por gases oxigênio e hélio por entre uma malha constituída de diferentes tipos de metais, quantificou as porcentagens de carbono, hidrogênio, nitrogênio e enxofre das amostras de serapilheira.
4.5.4 Informações meteorológicas
As informações meteorológicas das precipitações e temperaturas apresentadas neste trabalho foram cedidas pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina – EPAGRI/ CIRAM .
4.5.5 Análises estatísticas
A análise estatística realizada para a avaliação da deposição entre as estações do ano e entre as áreas de reflorestamento e matas nativas foi efetuada pelo teste de Scott Knott a 5 % de significância.
As taxas de decomposição e o comportamento da massa da serapilheira remanescente foram efetuados por meio de análise de regressão.
Para verificar a correlação da decomposição e liberação de nutrientes e carbono da serapilheira com a qualidade da fitomassa foram efetuadas correlações lineares de Pearson a 5% de significância.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO