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2.4. Lange, brosme og blå- lange
A natureza humana é múltipla e complexa. Explorar suas percepções é tarefa árdua dado que o pesquisador precisa dar significação àquilo que os indivíduos sentem em relação às coisas e à vida. Percepção não é meramente aquilo que se passa dentro de uma pessoa, não é uma opinião, uma ideia, é uma relação do ser humano com o seu meio, e relações envolvem afetividade e troca.
É corriqueiro que pessoas comuns percebam conforto apenas como algo ambiental, diferentemente do indivíduo portador de doença crônica. No presente estudo, buscamos significar conforto para o doente renal crônico dependente de hemodiálise através da Teoria do Conforto de Katharine Kolcaba e observamos que para eles o conforto perpassa por entre as várias dimensões, e que essas dimensões não agem individualmente, ao invés disso, se combinam de forma a gerar em cada indivíduo respostas singulares quanto as suas necessidades.
Da mesma maneira, observou-se que, assim como proposto pela Teoria de Katharine Kolcaba, o conforto configura como necessidade humana básica, e para tanto, precisa ser satisfeito para que o ser humano atinja sua autorrealização.
Pode-se dizer também que na população estudada foram evidenciadas inúmeras limitações para o alcance do conforto, as quais estão ou não na área de controle da Enfermagem, como propôs Kolcaba. Muitas dessas limitações devem e já são modificadas pela equipe, a exemplo disso estão os fatores ambientais da sala de hemodiálise, as intercorrências e sintomatologias decorrentes da terapia. Todavia, viu-se também que por mais que medidas de conforto, como as exemplificadas anteriormente, sejam implementadas pela a equipe de Enfermagem há dimensões externas ao cuidado que podem influenciar como entraves, a exemplos disso estão: As alterações da rotina do paciente; o abandono das atividades laborais; as dificuldades financeiras; o suporte familiar insuficiente, de tal maneira necessário em condições estressantes de saúde e as questões psicoespirituais que dia-a-dia o enfraquecem, os tornando vulneráveis a desconfortos.
Durante a coleta dos dados desse trabalho, pudemos vivenciar de perto a rotina do paciente renal em tratamento. Sua vida, sua rotina de tratamento extenuante, suas dores e desconfortos foram vistas, ouvidas e sentidas a cada gravação. Dessa forma, ficou claro com os depoimentos que cuidar de paciente renal é priorizar suas demandas e necessidades, e confortá-los é uma dessas prioridades em vista de sua vivência marcada por adversidades e desafios.
Nesse mesmo sentido, enfatizamos que os resultados dessa pesquisa possibilitarão que profissionais possam melhor direcionar as ações ao paciente renal crônico dependente de terapia renal substitutiva e com isso integrar os cuidados de conforto em suas rotinas. Somado a isso, pode-se afirmar que os resultados obtidos impactarão os estudos na área de Enfermagem em Nefrologia, uma vez já mencionada a carência de pesquisas na área do conforto e a necessidade de práticas que contemplem o diagnóstico de conforto prejudicado nesses ambientes.
O trabalho apresentou certas limitações, típicas de estudos qualitativos. No que concerne a coleta de dado enfrentou-se dificuldade na apreensão das verbalizações através de aparelho gravador Mp4, em conseqüência da pouca privacidade do ambiente e intervenções necessárias da equipe de saúde acerca de questões da terapia em si.
Outra limitação encontrada deu-se na análise dos dados, pois a subjetividade esteve presente dificultando, algumas vezes, a manutenção da imparcialidade por parte do pesquisador à medida que o estudo depende de sua interpretação. Pode-se ressaltar também a dificuldade em manter a neutralidade do trabalho, no que compete às respostas dos pacientes, uma vez que os mesmos podem ter manifestado opiniões influenciadas pela presença do entrevistador ou pela pouca privacidade, considerando que as entrevistas se deram no ambiente coletivo de hemodiálise.
Contudo, ressalta-se que os objetivos estabelecidos foram alcançados à medida que descrevemos e analisamos as percepções de conforto do paciente renal à luz da Teoria do Conforto de Kolcaba podendo, assim, alcançar compreensão mais aproximada da percepção de conforto pelos indivíduos participantes.
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APÊNDICES
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE PERGUNTAS AMPLAS BASEADO NA TEORIA DO CONFORTO DE KATHARINE KOLCABA
• Perspectivas do conceito de conforto a) O que é conforto pra você?
b) O que é desconforto para você?
• Dimensão do estado de conforto (ALÍVIO, CALMA E TRANSCENDENCIA): a) Em que momento você se sente aliviado?
b) Quando se sente mais tranquilo?
c) Em que momento você percebe que supera / vence um problema ou sofrimento?
• Contextos em que o conforto é experienciado:
✓ Físico (sensações do corpo):
- Quais aspectos físicos lhe trazem mais desconfortos?
✓ Psicoespiritual (consciência de si / autoestima / equilíbrio emocional / religião):
- Você sentiu que sua autoestima/ emoções alteraram após iniciado o tratamento dehemodiálise?
✓ Ambiental (meio / condições externas: temperatura, luz, ambiente, estrutura, mobiliário):
- Você considera o ambiente da sala de hemodiálise confortável? Em que sentido?
✓ Social (relações interpessoais, equipe, família, amigos):
- Você acha que sua relação com familiares e amigos mudou após iniciado o tratamento de hemodiálise?
• Aspectos prioritários do conforto:
Das palavras citadas a seguir, qual representa uma prioridade de conforto pra você?
✓ Sentimento de bem – estar; ✓ Sentir-se bem;
✓ Ambiente favorável;
✓ Corpo de Enfermagem capacitado;
✓ Necessidades humanas básicas satisfeitas; ✓ Estabilidade dos sinais e sintomas clínicos; ✓ Tranquilidade;
APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO (TCLE) PARA PACIENTES
Você está sendo convidado por Jênifa Cavalcante dos Santos Santiago, professora adjunta da Universidade Federal do Ceará, como participante da pesquisa intitulada “PERCEPÇÕES DO CONFORTO POR PACIENTES RENAIS CRÔNICOS E ENFERMEIROS DE HEMODIÁLISE”. Você não deve participar contra a sua vontade. Leia atentamente as informações abaixo e faça qualquer pergunta que desejar, para que todos os procedimentos desta pesquisa sejam esclarecidos.
Os objetivos da pesquisa são analisar as percepções de pacientes renais crônicos e de Enfermeiros Nefrologistas sobre conforto no ambiente da hemodiálise. Esclareço que: Todos os princípios referentes à resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que trata das pesquisas em seres humanos, são aqui respeitados quando consideramos que: este estudo não trará qualquer malefício aos seus participantes, deve trazer o benefício em desvendar uma realidade com subsídio ao planejamento de ações em promoção de saúde em Nefrologia. A autonomia em participar ou desistir de contribuir para a pesquisa em qualquer período de seu desenvolvimento lhe é garantida. Em momento algum sua identidade e as informações dadas serão reveladas, exceto aos responsáveis pela pesquisa. Os resultados e dados produzidos durante esse processo serão de conhecimento e tratamento exclusivo da pesquisadora e utilizados somente para os objetivos da pesquisa com justiça aos resultados obtidos.
Para o alcance dos objetivos do estudo será necessário: Responder verbalmente a um banco de perguntas feitas pela pesquisadora, as respostas às perguntas serão apreendidas por um gravador. A entrevista será realizada em uma sala reservada na instituição Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. Ao final da pesquisa haverá uma confraternização com oferta de um breve lanche oferecido.
As informações produzidas serão manipuladas unicamente pela pesquisadora e utilizadas exclusivamente para os fins da pesquisa, permanecendo arquivadas por até cinco anos após o término do estudo lacrados em arquivo particular da pesquisadora.
Salienta-se que nenhum participante receberá pagamento por participar da pesquisa. Endereço d(os, as) responsável (is) pela pesquisa:
Nome: JÊNIFA CAVALCANTE DOS SANTOS SANTIAGO Instituição: UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Endereço: RUA ALEXANDRE BARAÚNA, 1115, BAIRRO RODOLFO TEÓFILO. Telefones para contato: (85) 3366 8455 / 3366 8451
ATENÇÃO: Se você tiver alguma consideração ou dúvida, sobre a sua participação na pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa da UFC/PROPESQ – Rua Coronel Nunes de Melo, 1000 - Rodolfo Teófilo, fone: 3366-8344. (Horário: 08:00-12:00 horas de segunda a sexta-feira). O CEP/UFC/PROPESQ é a instância da Universidade Federal do Ceará responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo seres humanos.
O abaixo assinado _________________________,___anos, RG:________________, declara que é de livre e espontânea vontade que está como participante de uma pesquisa. Eu declaro que li cuidadosamente este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e que, após sua leitura, tive a oportunidade de fazer perguntas sobre o seu conteúdo, como também sobre a pesquisa, e recebi explicações que responderam por completo minhas dúvidas. E declaro, ainda, estar recebendo uma via assinada deste termo.
Fortaleza, ____/____/___
Nome do participante da pesquisa Data: Assinatura
Nome do pesquisador Data: Assinatura
Nome da testemunha Data: Assinatura
(se o voluntário não souber ler)
Nome do profissional Data: Assinatura
ANEXOS
ANEXO A – QUESTIONÁRIO DE CONFORTO GERAL – KATHARINE KOLCABA
Código #____________________
QUESTIONÁRIO DE CONFORTO GERAL
Muito obrigado por me ajudar na minha pesquisa sobre conceito de conforto. Abaixo estão listadas afirmações que podem descrever o seu conforto neste momento. Quatro números são atribuídos para cada questão. Por favor, circule o número que mais se aproxima com o que está sentindo. Relacione essas questões ao seu conforto no momento em que você estiver respondendo as questões.
Segue um exemplo abaixo:
Ex.: Eu estou contente em preencher este questionário sobre meu conforto....
Concordo Discordo Totalmente Totalmente
4 3 2 1
1. Sinto meu corpo relaxado agora 4 3 2 1
2. Eu me sinto útil porque estou trabalhando muito 4 3 2 1
3. Eu tenho privacidade suficiente 4 3 2 1
4. Existem pessoas em quem eu posso confiar quando eu
precisar de ajuda 4 3 2 1
5. Eu não quero fazer exercícios 4 3 2 1
6. Minha condição me deixa triste 4 3 2 1
7. Eu me sinto confiante 4 3 2 1
8. Eu me sinto dependente dos outros 4 3 2 1
9. Eu sinto que minha vida vale a pena 4 3 2 1
10. Eu me sinto satisfeito(a) por saber que eu sou amado(a) 4 3 2 1
11. Estes ambientes são agradáveis 4 3 2 1
12. O barulho não me deixa descansar 4 3 2 1
13. Ninguém me entende 4 3 2 1
14. Minha dor é difícil de ser suportada 4 3 2 1
15. Eu estou motivado(a) em fazer o meu melhor 4 3 2 1
16. Eu fico triste quando estou sozinho(a) 4 3 2 1
17. Minha fé me ajuda a não ter medo 4 3 2 1
18. Eu não gosto daqui 4 3 2 1
19. Eu estou constipado (a) agora 4 3 2 1
20. Eu não me sinto saudável agora 4 3 2 1
21. Este ambiente me faz sentir medo 4 3 2 1
22. Eu tenho medo do que está para acontecer 4 3 2 1
Concordo Discordo Totalmente Totalmente
4 3 2 1
23. Eu tenho uma pessoa(s) que me faz (em) sentir cuidado (a) 4 3 2 1
24. Eu tenho passado por mudanças que me fazem sentir desconfortável 4 3 2 1
25. Eu estou com fome 4 3 2 1
26. Eu gostaria de ver meu médico com mais frequência 4 3 2 1
27. A temperatura neste lugar está agradável 4 3 2 1
28. Eu estou muito cansado (a) 4 3 2 1
29. Eu posso superar minha dor 4 3 2 1
30. O humor daqui me faz sentir melhor 4 3 2 1
31. Eu estou contente 4 3 2 1
32. Esta cadeira (cama) me machuca 4 3 2 1
33. Esta visão me inspira 4 3 2 1
34. Meus pertences não estão aqui 4 3 2 1
35. Eu me sinto deslocado (a) aqui 4 3 2 1
36. Eu me sinto bem o suficiente para caminhar 4 3 2 1
37. Meus amigos lembram-se de mim com mensagens e telefonemas 4 3 2 1
39. Eu preciso ser melhor informado (a) sobre minha saúde 4 3 2 1
40. Eu me sinto fora de controle 4 3 2 1
41. Eu me sinto desconfortável porque não estou vestido (a) 4 3 2 1
42. Este ambiente tem um cheiro terrível 4 3 2 1
43. Eu estou sozinho (a), mas não solitário (a) 4 3 2 1
44. Eu me sinto em paz 4 3 2 1
45. Eu estou deprimido (a) 4 3 2 1
46. Eu tenho encontrado sentido na minha vida 4 3 2 1
47. É fácil se locomover por aqui 4 3 2 1