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De acordo com o artigo 2º da Convenção sobre Diversidade Biológica, “diversidade biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; abrangendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas” (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2000).

Para Oliveira (2000), biodiversidade é um termo que abrange a totalidade de genes, espécies e ecossistemas em uma determinada região. O número total de espécies no planeta é ainda desconhecido, mas existem cálculos de que o número absoluto estaria entre 5 e 30 milhões.

Ainda segundo a autora, salvar a biodiversidade significa adotar medidas de proteção a genes, espécies, habitats e ecossistemas. Uma das maneiras de manter espécies é proteger seus habitats naturais e já existe consenso que a maior causa da extinção é a destruição dos habitats. De forma simplificada, quando o habitat é reduzido, espécies desaparecem. Um estudo recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) aponta alguns fatores como principais causadores da presente diminuição da biodiversidade: mudanças de uso da terra (sendo o desmatamento nos trópicos úmidos talvez a mais conhecida), exploração desenfreada de espécies individuais, introdução e invasão de espécies novas de plantas e animais, o aumento no nível de poluentes e o envenenamento do ambiente por substâncias tóxicas. Uma quinta causa, ainda a ser comprovada, diria respeito às mudanças climáticas.

O estudo realizado por Oliveira (2000), também afirma que as florestas tropicais são um dos mais ricos ecossistemas do planeta em termos de biodiversidade. As florestas tropicais cobrem apenas 7% da superfície terrestre, mas abrigam cerca de 40 a 50% de todas as formas de vida em nosso planeta. As florestas tropicais podem ser consideradas como a mais bela

9 Autotrofia significa capacidade de sintetizar substâncias orgânicas com base em inorgânicas, como ocorre em vegetais; enquanto que heterotrofia é a modalidade de nutrição vegetal em que a planta, não podendo sintetizar as substancias orgânicas de que precisa para seu sustento, deve obtê-las de outras plantas, mediante parasitismo (FERREIRA, 2004).

manifestação da vida do planeta. As florestas tropicais têm desaparecido a uma taxa de 31 milhões de hectares por ano globalmente; No Brasil, a média no período entre 1979-1990 foi de aproximadamente 2,15 milhões de hectares por ano.

O caso dos povos indígenas também é ilustrativo. Em 1500, havia entre 6 e 9 milhões de índios nas florestas tropicais brasileiras. Em 1992, restavam menos de 200.000 indígenas.

O desaparecimento da biodiversidade significaria a extinção de centenas de milhares de espécies, ainda desconhecidas pela ciência. É inegável que a biodiversidade é essencial para a manutenção da vida no planeta, em formas que muitas vezes não são profundamente entendidas.

Conforme mencionado anteriormente, a causa principal da perda da biodiversidade é a perda de habitats. À medida que os habitats desaparecem, levam junto toda a riqueza cultural e natural que abriga. Essa riqueza é muitas vezes irrecuperável e com isso nossa própria sobrevivência estaria em perigo.

Muitos dos argumentos em defesa da conservação tendem a apontar o que é retirado da biodiversidade e o que perderemos devido ao seu desaparecimento. Alguns dos benefícios que obtemos da biodiversidade incluem alimentos, agentes de controle biológicos, pesticidas naturais, medicamentos e genes para a agricultura, entre outros. Esta visão é antropocêntrica, colocando a natureza como um instrumento para os objetivos do homem, que é quem lhe confere valor.

Existe ainda dentro do debate em favor da conservação, uma visão chamada de Ecologia Profunda (Deep Ecology), a qual argumenta que a Terra possui valor intrínseco de existência, sendo os homens parte dela. A Ecologia Profunda confere à natureza um valor de existência que não depende do homem.

Cálculos sobre os benefícios econômicos gerados pela biodiversidade têm sido em sua maior parte baseados em nossa capacidade de gerar lucros por meio de atividades que produzam resultados mensuráveis em termos de valores de mercado. O turismo e os medicamentos são exemplos dessa postura. No entanto, existem benefícios adicionais da biodiversidade que não são tão facilmente incluídos nas análises econômicas tradicionais, e esses podem ser chamados de serviços ambientais.

Dada à dificuldade em transferir os serviços ambientais para valores de mercado, eles são freqüentemente ignorados em decisões políticas. Os serviços dos sistemas ecológicos e o

Cálculos estimam o valor dos serviços ambientais como estando entre US$ 16 trilhões e US$ 54 trilhões por ano. A melhor estimativa está em US$ 33 trilhões. Isto representa quase o dobro do valor de toda atividade econômica humana por ano - o PNB de todas as nações do mundo é de cerca de US$ 18 trilhões (OLIVEIRA, 2000).

Estimar valores para serviços ambientais é uma tarefa complexa e as técnicas existentes de valoração nos permitem calcular somente o valor de uso conhecido de um recurso. Mas seu valor pode muito bem exceder aquilo, já que valores adicionais estão embutidos num determinado recurso natural. Um valor adicional, aplicável a formas de vida, é seu valor intrínseco enquanto seres vivos. Outra fonte de valor é a incerteza quanto a seu valor de uso futuro, e a sua perda irreversível. Por exemplo, a cultura e o conhecimento dos povos que dependem da floresta que desaparece é também um outro valor irrecuperável.

Pode-se afirmar, portanto, que as incertezas que permeiam as estimativas de valor para a natureza e a dificuldade em formar preços de mercado que reflitam de forma justa todos os seus valores representam um obstáculo para os que defendem o mercado como a solução para a preservação da natureza.