5. Diskusjon
5.3. Laksunger i innsjøene
Por ter sido desenvolvido especialmente para a avaliação de pilotos, uma área avaliada pelo ALAPS, que não é encontrada em outros testes psicológicos comercializados, é a categoria de Interação com a Tripulação. Esta vem recebendo especial atenção de todos os que trabalham com a prevenção de acidentes na aviação militar e civil há muitos anos, em função de descobertas nas investigações de incidentes e acidentes aeronáuticos, em que o erro humano é cada vez mais apontado como um dos fatores causadores desses incidentes e acidentes. Por muitos anos a seleção de pilotos era focada na identificação de indivíduos com habilidades para o voo superiores aos demais. Recentemente a comunidade aeronáutica percebeu que o sucesso de um voo ou missão requer bom trabalho de equipe, além de habilidades para o voo (Hedge et al., 2000).
Segundo Chidster et al. (1991, p. 25), “entender as variáveis que influenciam em como as equipes planejam e realizam situações rotineiras e anormais em voo é uma promessa de aumento nas margens de segurança da aviação”.
Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) (2005):
As estatísticas sobre transporte aéreo em todo o mundo indicam que mais de 70% dos acidentes aeronáuticos tiveram uma evidente contribuição de aspectos relacionados ao desempenho humano, ou, em outras palavras, à interação homem-máquina, caracterizado pela mídia como ‘erro do piloto’ (p. 3).
Foram então desenvolvidos cursos chamados de “Crew Resource Mangement” (CRM), ou gerenciamento de recursos de tripulação, para que a interação da tripulação pudesse ser trabalhada com a finalidade de prevenir acidentes provocados por uma pobre interação da equipe e gerenciamento de cabine, ou seja, o principal objetivo de um programa de CRM é “treinar equipes para elas serem mais efetivas e seguras” (Bates, Colwell, King, Siem & Zelenski, 1997, p. 41). O termo foi sendo substituído com o passar dos anos, de forma que toda a organização fosse abrangida pelo treinamento de CRM, sendo que a palavra Corporate (corporativo) substitui a palavra Crew (tripulação), englobando assim toda a organização e não só a tripulação de voo como ocorria no início do desenvolvimento dos treinamentos de CRM (Departamento de Aviação Civil, 2005).
As investigações dos acidentes aeronáuticos identificaram que a cultura de cabine estava contribuindo para causar acidentes, principalmente pela falta de interação e comunicação entre os tripulantes em momentos críticos do voo e em situações de emergência, havendo assim uma diminuição da segurança, ou seja, muitos acidentes estavam ocorrendo devido ao fator humano. Cooper, White e Lauber (1979, citados por Chidester et al., 1991) revisaram 10 anos acidentes aeronáuticos e descobriram que eram raros os acidentes provocados por falta de conhecimento ou habilidade técnica, porém a falta de comunicação e a má distribuição da carga de trabalho na tripulação eram sempre citadas como causa dos acidentes.
Segundo o Departamento de Aviação Civil (2005), o fator humano pode ser definido como:
O conjunto de ciências que estudam todos os elementos que contribuem na relação interativa do homem, em um dado ambiente, com os diversos sistemas que o cercam e que são determinantes na sua dinâmica, eficiência e eficácia. Trata da otimização do bem estar humano e da performance global que envolve todas as etapas de atividade dos sistemas (projeto, operação e manutenção), contribuindo para a adaptação do ambiente de trabalho às características, habilidades e limitações das pessoas, com vistas ao seu desempenho eficiente, eficaz, confortável e seguro (p. 2).
Os treinamentos de CRM visam desenvolver principalmente habilidades de comunicação, processo de decisão e integração da equipe (tripulação) de todos os envolvidos com a aviação, englobando desde os que trabalham na parte operacional (pilotos, comissários de voo, pessoal de manutenção aeronáutica, etc), na área administrativa (pessoal de check-in, despacho de bagagens, etc) e alta direção das empresas aéreas, com o intuito de reduzir a ocorrência dos comportamentos prejudiciais para a segurança de voo, diminuindo a incidência de falhas humanas na operação “visando o uso eficiente e eficaz de todos os recursos disponíveis (humanos, equipamentos e informações), que interagem nesta situação” (Departamento de Aviação Civil, 2005, p. 2).
Segundo o CENIPA (2005), o treinamento de CRM:
Concentra-se nas atitudes e, consequentemente, no comportamento dos membros da tripulação, bem como em suas repercussões em matéria de segurança. O CRM oferece às pessoas a oportunidade de examinar seu comportamento e adaptar suas decisões individuais para melhorar o trabalho em equipe na cabine de pilotagem (p.3).
Nos dias atuais, nos relatórios de investigação de acidentes aeronáuticos, que no Brasil ficam sob a responsabilidade do CENIPA, existe uma área específica para o relato da análise da contribuição do aspecto psicológico (fator humano) nas causas do acidente, que sempre é feita por psicólogo com curso de formação em investigação de acidentes aeronáuticos. Diante da contribuição da falha humana para causar acidentes e incidentes aéreos, faz-se necessário a avaliação de características relacionadas à dinâmica da equipe dos que trabalham ou pretendem trabalhar com aviação, principalmente dos que pretendem ser pilotos de aeronave, uma vez que tais características influenciam diretamente na segurança da atividade aérea.
Segundo Hedge et al. (2000) pesquisas recentes em CRM apontam a importância de certos conhecimentos e habilidades relacionadas à interação de equipe. Quanto à seleção de pilotos, os autores sugerem que a decisão nessa seleção não deva ser baseada apenas em aptidões técnicas, mas também em habilidades de coordenação de equipe.
Goeters (1998, citado por Ganesh & Joseph, 2005) explica que que devido às mudanças ocorridas na aviação militar nas quais as missões deixaram de ser individuais (um piloto somente), passando a ser de tripulação múltipla, necessitando de interação entre a tripulação, “não se deve dar importância apenas as características individuais na seleção, mas deve ser considerado o relacionamento interpessoal e individual, que contribuem para o trabalho em equipe” (p. 59).
Mesmo com o reconhecimento da importância do desenvolvimento das habilidades em gerenciamento de equipe para a aviação em geral, tal assunto é difícil de ser pesquisado dada a complexidade do assunto. Não há pesquisas disponíveis voltadas para o estudo da personalidade dos pilotos nos traços referentes às habilidades de trabalho em equipe em comparação com o ganho relacionado à segurança operacional ou ao programa de instrução aérea.