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Vitória da Conquista é um município de porte médio do Nordeste brasileiro, beneficiado por um grande entroncamento rodoviário, composto por três rodovias estaduais (BA 263, BA 407 e BA 415) e por uma federal (BR 116). Polariza uma região com cerca de 80 municípios.
O território onde se localiza o município de Vitória da Conquista fora habitado no passado por povos indígenas: os Mongoyós (ou Kamakan), os Pataxós e os Ymborés (ou Botocudos). As aldeias desses povos se espalhavam por uma extensa faixa conhecida como Sertão da Ressaca, que vai das margens do Rio Pardo até o Rio das Contas.
Segundo Tanajura (1992: 33), em sua pesquisa sobre a história do município, o surgimento de “Vitória da Conquista está ligado às descobertas das minas de Arassuay e à exploração dos rios Doce e São Mateus”. Localizada numa região conhecida como Sertão da Ressaca, a cidade começou a ser construída no ano de 1752, quando a tropa do mestre de campo João da Silva Guimarães iniciou o combate aos índios que ali residiam. Como os soldados começaram a esmorecer, por serem inferiores em número aos combatentes indígenas e por não disporem das armas de fogo, devido ao uso excessivo destas durante
todo o dia, Guimarães, para tentar ganhar a batalha, animou seus companheiros, invocando a proteção de Nossa Senhora da Vitória. “Animados pela intercessão da santa, os soldados lutam corpo a corpo com os índios, usando facões e outras armas brancas” (Idem: 34). Os índios que sobreviveram à guerra foram dizimados com o passar do tempo por meio de envenenamento, doenças contagiosas e escravidão.
Após a vitória dos bandeirantes sobre os indígenas, a região conquistada ficou sob a direção de João Gonçalves da Costa, genro de João da Silva Guimarães, que iniciou a abertura de estradas, ligando-a ao interior e ao litoral. Em homenagem à vitória sobre os índios, com a intercessão de Nossa Senhora da Vitória, surgiu o Arraial da Conquista, primeiro nome dado à cidade nos fins do século XVIII. Em 1808, foi erguida, no local da batalha, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória, como pagamento da promessa feita à santa. Posteriormente, como afirma Tanajura (1992: 45), “esta se tornou Matriz pelo decreto nº 124 de 19 de maio e 1840, quando o Arraial da Conquista se tornou Vila com o nome pomposo de Imperial Vila de Nossa Senhora da Vitória”.
Após a Proclamação da República Brasileira, em 15 de novembro de 1889, a Imperial Vila da Vitória passou a chamar-se Cidade de Conquista; por fim, em 1943, através do Decreto de Lei nº. 141, de 31 de dezembro de 1943, ganhou o nome atual de Vitória da Conquista. Seu crescimento e desenvolvimento econômico e comercial aconteceram atrelados aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo após a construção da BR 116 (RIO-BAHIA), na década de 1940. A abertura dessa estrada, que objetivava interligar as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo aos Estados do Nordeste, possibilitou a circulação de cargas e o aumento do número de migrantes na cidade de Vitória da Conquista. Consoante artigo publicado no Jornal O Fifo em 09 de novembro de 1977:
O setor urbano amplia-se na referida década e, para usar palavras de um observador do tempo, “vieram as primeiras casas comerciais dignas desse nome”. As ligações rodoviárias com outros centros e a Segunda Guerra Mundial auxiliaram grandemente o desenvolvimento da cidade.
Com o rápido desenvolvimento econômico da cidade, na década de 1940, surgiu um grande número de migrantes, através da RIO-BAHIA e de estradas regionais que, sem trabalho e dinheiro, ampliavam a classe pobre que residia na cidade. Ainda conforme Tanajura (1992: 18), na década de 1940, Vitória da Conquista tinha uma população estimada de 33.554 habitantes. Esse número, de acordo com o artigo publicado no jornal O Fifó, apresentou mudanças impressionantes nas décadas seguintes. Enquanto crescia a população urbana, diminuía a rural, caracterizando a fuga do campo para a cidade.
TABELA 1
Dados populacionais.
Município de Vitória da Conquista. Período entre 1940 e 1960.
Anos Pop. Rural Porcentagem Pop. Urbana Porcentagem Total
1940 24.910 74,3% 8.644 25,7% 33.554
1950 26.993 58,4% 19.463 41,6% 46.456
1960 31.401 39,3% 48.712 60,7% 80.113
1970 41.569 32,5% 85.959 67,5% 127.528
Fonte: Jornal O Fifó, Vitória da Conquista, 11 out. 1977. A grande seca ocorrida na década de 1950 agravou ainda mais o êxodo rural, provocando a migração para a cidade. Segundo Tanajura (1992: 74), a “grande migração de sertanejos fugidos de áreas onde a incidência da seca, na primeira metade da década de 50” favoreceu o crescimento do município, aumentando seu contingente populacional. Desta forma, destaca-se o acúmulo de mendigos nas ruas da cidade, entre eles crianças e adolescentes”.
Apesar da diminuição da população rural, o município de Vitória da Conquista sempre foi caracterizado pela agricultura de subsistência baseada no trabalho familiar. Na década de 1970, despontou por ter o café como principal produto agrícola, chegando a ser conhecido como a “terra do café”. Com a crise cafeeira da década de 1980, o êxodo rural provocou o aumento da população que se concentrava na periferia da cidade. Nesse período, o município passou a ampliar os investimentos no seu pólo de serviços, expandindo, assim, a educação, a rede de saúde e o comércio. Vitória da Conquista passou a ter a terceira economia do interior baiano.
Atualmente, o município, considerado o terceiro da Bahia em número de habitantes, destaca-se como pólo de educação e pesquisa contando com um campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e outro da Universidade Federal da Bahia (UFBA); três faculdades particulares: Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR), e Faculdade Juvêncio Terra (JTS); uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), além de uma ampla rede pública e particular de ensino fundamental e médio. Ampliou a rede de atendimento à saúde a partir da municipalização da saúde, ocorrida em 1997. Desenvolveu também seu pólo comercial e industrial com a implantação de indústrias nacionais e o crescimento das macro e pequenas empresas.
Devido a esse crescimento, a cidade passou a atrair cada vez mais a população dos municípios vizinhos, o que aumentou também os problemas sociais que demandaram a implantação de diversas ações no decorrer de sua história.