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Lager av viktigere varer'

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XII. Penger og kreditt

64. Lager av viktigere varer'

Freud estabelece um primeiro modelo metapsicológico para trazer maior clareza aos fenômenos observados na clínica, tais como a questão da sexualidade, e os mecanismos de defesa, como o recalque, as fixações, as regressões e os conflitos, bem como o inconsciente recalcado.

Esses processos descritivos ganham uma configuração quantitativa de energia no interior do aparelho psíquico. Ele toma, primeiramente, como modelo clínico as histerias para ajudá-lo na investigação de vários outros distúrbios e fenômenos que se manifestam clinicamente.

Com o avanço de sua teoria, esta primeira noção de aparelho psíquico se torna insuficiente para a explicação dos fenômenos e problemas clínicos, como as neuroses

19 Neste ponto Abraham e Freud estavam em concordância. Ver livro A teoria da libido, escrito por Karl

narcísicas e traumáticas. Assim, a idéia de impulsos do Eu e impulsos objetais se apresenta infrutífera no que concerne à evolução de sua teoria do desenvolvimento sexual. Por essas questões, ele introduz um novo conceito de libido narcísica, considerando agora uma nova divisão do aparelho psíquico em três instâncias: o Isso, o Eu e o Supereu.

O Eu não é mais desprovido de fins libidinais, mas é o próprio lugar onde se encontra a libido – energia sexual. A diferença que existe do Eu do primeiro modelo para o da segunda tópica diz respeito à introdução do conceito de libido narcísica que tem sua sede, seu “reduto original” (Freud, 1930, p. 140) no Eu. Ele afirma que “O conceito de narcisismo possibilitou a obtenção de uma compreensão analítica das neuroses traumáticas, de várias afecções fronteiriças as psicoses” (ibid., p. 140). Assim, ele chega a uma consideração especulativa diferente da primeira tópica. Essas duas pulsões são: uma pulsão de vida, com uma tendência de preservar e reunir a substância viva em unidades cada vez maiores, e uma pulsão de morte, com uma tendência a um retorno ao estado inorgânico.

Tais pulsões se fundem e se desfundem de tal modo que no masoquismo temos uma união entre a destrutividade, dirigida para dentro, e a sexualidade. Esta inclinação à agressão, advinda das pulsões, mostra-se para Freud com um dos maiores entraves para o processo civilizatório. A neurose, neste sentido, é um subproduto do processo civilizatório que impõe uma lei externa com o intuito de abafar tais impulsos agressivos, da mesma forma como acontece com as proibições na história pessoal realizadas pelas figuras parentais. Ele afirma: “A civilização tem de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos dos homens e manter suas manifestações sob controle por formações psíquicas reativas” (ibid., 1930, p. 134).

Esses esforços supremos que estabelece limites são, portanto, responsáveis pela estruturação do aparelho psíquico que se forma, camada por camada, por recalques que inibem as pulsões. Quer dizer que as pulsões eróticas devem ser reguladas pela cultura a fim de poder haver o que chamamos de civilização: “Talvez possamos começar pela explicação de que o elemento da civilização entra em cena como a primeira tentativa de regular esses relacionamentos sociais” (ibid., p. 115).

A primeira exigência de uma civilização é, portanto, a de que “(...) uma lei uma vez criada não será violada em favor do indivíduo” (ibid., p.116). Finalmente, com isto podemos afirmar que a neurose não se define apenas a partir do desenvolvimento individual, mas, também como aquilo que permite a entrada do homem na cultura, uma

vez que esta funciona como um regulador que traz certos prejuízos (neuroses) a todo e qualquer indivíduo. Freud constata que:

Se o desenvolvimento da civilização possui uma semelhança de tão grande alcance com o desenvolvimento do individuo, e se emprega os mesmos métodos, não temos nós justificativa em diagnosticar que, sob influência de premências culturais, algumas civilizações, ou algumas épocas da civilização – possivelmente a totalidade da humanidade – se tornaram neuróticas? (ibid., p. 169).

Portanto, a nível coletivo a mesma proibição externa contra as pulsões agressivas, que também se dá a nível individual ou familiar, passa a ser internalizada trazendo consigo o sentimento de culpa, algo peculiar nas neuroses.

Para que um indivíduo se torne um neurótico é necessário considerar que tais restrições marcam a lembrança de satisfações em uma determinada fase libidinal infantil em que a libido se fixa. O lugar dessas fixações é na fase fálica ou genital, quando não há fixações em fases anteriores. Outro aspecto importante que convém ressaltar, é que Freud já considera uma distinção entre mundo externo e interno e uma diferenciação entre eu e não-eu, como condição indispensável para a formação de uma neurose. Além disto, para falarmos deste distúrbio, é preciso considerar, também, os relacionamentos em sua configuração triangular.

Finalmente, em 1937, Freud aponta para a problemática da constituição egóica como um aspecto determinante da construção de uma psicopatologia e, portanto, de uma neurose. Em “Análise terminável e interminável” um de seus últimos textos, ele trabalha a problemática de como o Eu lida com uma determinada quantidade de frustração externa ou interna, de acordo com suas possibilidades de suportar as pressões. Para isto, é preciso que o Eu tenha força suficiente para fazer uma síntese das diversas exigências feitas a ele, a fim de não desenvolver uma neurose.

Esta questão do fortalecimento do Eu parece indicar um caminho onde o analista deve fazer uma aliança com o paciente. Isto diz respeito a uma noção de que “Todas as repressões se efetuam na primeira infância; são medidas primitivas de defesa, tomadas pelo ego imaturo, débil” (Freud, 1937, p. 259). Com a maturidade egóica há possibilidade de o Eu empreender uma nova revisão dos antigos recalques, erguendo novos recalques mais sólidos que “(...) não cederão tão facilmente ante a uma maré ascendente de força instintiva” (ibid., p. 259).

Embora Freud ainda faz questão de recorrer à metapsicologia da feiticeira20 para deixar sua teorização mais clara, suas preocupações teóricas parecem se voltar para os problemas da constituição do Eu. Contudo, este Eu possui um estatuto de uma instancia no interior do aparelho. Temos, a partir desse modelo, uma teoria da constituição do Eu que se remete à idéia de controle da animalidade, a questão principal e etiológica de toda neurose permanece ligada à teoria das pulsões. “Trata-se de uma questão de os instintos serem excessivamente fortes – o que equivale a dizer, recalcitrantes ao amansamento por parte do ego – ou dos efeitos de traumas precoces (isto é, prematuras) que o ego imaturo foi incapaz de dominar” (ibid., p. 251).

O mecanismo de recalque, mecanismo por excelência das neuroses de transferência, traz-nos a consideração de que o Eu, numa neurose, é fortalecido o suficiente para não precisar permanecer apegado às defesas primitivas, mas constrói para si defesas sólidas que afastam o aparelho do conflito pulsional original. Trata-se de uma substituição menos radical da realidade, em que o Eu é capaz de visitar, na medida do possível, percepções desprazerosas da realidade e tornar-se cônscio delas através do processo analítico.

Esta superestimação freudiana do Eu e dos mecanismos de defesas para a compreensão das neuroses parece, no final de sua vida, sinalizar para uma maior consideração dos processos constitutivos sempre a partir da idéia de controle da energia libidinal. Quem dá continuidade a essa idéia é Anna Freud21, citada no texto em questão. Freud finaliza indicando a tendência ao conflito, a força das pulsões e as alterações do Eu como fundamentais para o aparecimento de uma neurose, ao passo que já podemos perceber em Anna Freud a consideração do ambiente familiar nos processos de constituição do Eu tendo uma importância mais vital para a compreensão do desenvolvimento infantil.

Para Freud, em sua teoria dos processos constitutivos, insere-se toda uma idéia de controle exercida pela cultura e pela família. Este controle das pulsões traz a possibilidade da vida em comunidade e por isso a neurose nada mais é do que um subproduto necessário deste efeito civilizatório. Temos, portanto, os processos ocorridos nas neuroses como paradigmáticos do desenvolvimento individual e coletivo

20 Freud, parafraseando Mach para falar dos conceitos especulativos, Fulgencio observa: “O recurso da

bruxa, portanto, não é uma alusão retórica, mas uma maneira de ir além dos dados empíricos...”. Ver Fulgêncio, em “As especulações metapsicológicas de Freud”, Natureza Humana, ano 5, n.1, p. 129-173, jan.-jun.2003.

21 Podemos ver a continuação dessas idéias no livro de Ana Freud O ego e os mecanismos de defesa

dos seres humanos, um desenvolvimento que se baseia no controle de uma natureza puramente sexual que deve ser recalcada, já nos primeiros momentos.

II

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