4. Utstyr og metoder
4.4 Laboratoriemetoder
Embora o texto e algumas imagens tenham explicitado as relações com a performance, precisamos dar um passo a mais no âmago da festa, conhecer as suas entranhas, seus espaços- tempos, ver o que está ausente no texto, porque a imagem, como diria, ela é “a presentificação de uma ausência.” Ou seriam várias? Campo esse que deve se aberto às possibilidades da imaginação.
A pesquisa é feita de cortes. As imagens, embora selecionadas, tentam galgar outras maneiras de pensar, elas provocam reflexões. As imagens propostas contam e silenciam histórias, extrapolam o realismo que aparentemente se observa nelas e estabelecem outras conexões com a imaginação daquele que vê.
Peter Burke discorre que a imagem é uma evidencia histórica, uma vez que ela permite estar na condição de testemunha ocular do acontecimento representado, a imagem, então, deve ser indagada, e sugerir leituras novas para determinados temas.
É este enfoque que, na minha visão, promete ser o de maior valor nos próximos anos. Ele poderia ser descrito como “a história cultural da imagem”, ou ainda “Antropologia histórica da imagem”, uma vez que se pretende reconstruir as regras ou convenções, conscientes e inconscientes, que reagem a percepção e a interpretação de imagem numa determinada cultura (BURKE, 2004, p. 227).
Acompanhar o percurso que o Santo faz para poder compreender os movimentos da festa é um dos diversos caminhos compartilhados pelas imagens. Ao leitor, Burke adverte sobre necessidade da alfabetização em relação à leitura da imagem, porque ela tem possibilitado junto com outras fontes, novos olhares para a pesquisa, pelo víeis da história cultural.
As imagens aqui não têm o seu valor pelo adorno e simples ilustrações, nem para ratificar conclusões, já que, segundo Peter Burke, “as imagens testemunham”, suscitam questões e oferecem novas respostas. Elas são uma estratégia para ir ao encontro do outro. Porém, o estudioso questiona e pondera as imagens do outro:
Imagens do outro, carregadas de preconceitos e estereótipos, parecem minar a ideia de que vale a pena considerar com seriedade a evidência fornecida por elas. Mas, como sempre, precisamos fazer uma pausa e perguntar: evidência de quê? Como evidenciado que as outras culturas ou subculturas realmente eram, muitas das imagens discutidas nesse capitulo não possuem muito valor. Por outro lado, o que elas realmente documentam muito bem é um encontro cultural e as reações a esse encontro por membros de uma determinada cultura (BURKE, 2004, p. 171).
A respeito da análise de imagens, Alberto Manguel nos fala que toda imagem representa uma realidade, essa representação é uma espécie de teatro. Segundo o autor toda imagem conta uma história, assim como o teatro faz para seus espectadores, portanto, saber como essa história termina depende da imaginação de cada espectador a frente de uma imagem. Nesse sentido, as performances podem ser lidas enquanto imagens, pois pontuam o elemento da audiência:
Embora a performance, no seu sentido mais lato, possa caracterizar o modo de qualquer atividade, a performance, no seu sentido mais restrito, é parte constituinte da forma de vários tipos de play, jogos, desportos, teatro e ritual. Reconheço que algumas atividades legitimamente denominadas de play, jogos, desportos e rituais não serão incluídas na minha definição mais estrita de performance. A minha definição complica-se ainda mais com o fato de a teoria do jogo (game theory) se aplicar indistintamente a atividades de performance e de não-performance. No entanto, na tentativa de gerir a relação entre uma teoria geral e as suas aplicações possíveis a uma forma de arte, pensei ser melhor centrar a minha definição de performance em redor de certas qualidades reconhecíveis de teatro, sendo mais estável delas, a audiência (SHECHNER apud SHECHNER, 2012, p.37).
No caso, as imagens selecionadas são uma narrativa visual, ou seja, o recorte de cenas que conduzem o leitor a uma viagem no universo das performances que se realizam durante as novenas, procissões e orações através da passagem do Santo nessas comunidades.
A fotografia procura tornar algo familiar aos olhos de quem vê. Engana-se quem pensa apenas isto. As imagens propiciam mais do que o senso de realidade e realismo, todavia, permitem observar o trajeto da pesquisa, subjetividades e histórias.
Em resumo, imagens nos permitem “imaginar” o passado de uma forma mais vívida. Como sugerido pelo critico Sthepen Bann, nossa posição face a face com a imagem, nos coloca face “a face com a história” (BURKE, 2004, P.17).
Se as performances do Santo passam, as imagens tem o poder de nos colocar em caminhos desconhecidos e abertos a nossa imaginação. São performances vagantes a procura de olhos, ouvidos e bocas para poderem seguir:
Toda imagem sabemos é viajante. Ela é cigana e misteriosa. De antemão, ela nos inquieta, sobretudo se ela é uma imagem forte, uma imagem que, mais do que tentar impor um pensamento que “forma, formata, põe em forma” (o que se denomina ideologia), nos coloca em relação com ela (SAMAIN, 2012, p.24).
A performance caracteriza-se por sua atitude relacional. As imagens nos conduzem ao âmago de pensamentos, criam horizontes, confundem nossas certezas. Transformam-nos em espectadores que participam desta festa. E por que não pensar as performances por imagens:
Ela é a eclosão de significações, num fluxo continuo de pensamentos. É por esta razão que a imagem pode-se tornar, então, uma fulgurância numa noite profunda, um clarão, a aparição de uma espécie fantasmal esquecida, mas que, de repente, se desvela por um curto instante, se revela, nos lembra o tempo das existências humanas e de suas memórias, o tempo das sociedades e de suas culturas. O tempo das imagens é um pouco como o tempo dos rios e das nuvens: rola, corre, murmura, quando não se cala (SAMAIN, 2012, p. 34).
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