4. Distribución comercial en el mercado del arte. Canales, intermediarios e instrumentos
4.6. La publicidad e Internet como instrumentos del intermediario
A decisão de compartilhar os sentimentos sobre a doença com familiares e amigos foi variável. As decisões por não compartilhar sentimentos foram baseadas na vontade das participantes não causarem preocupações e sentimentos negativos:
“Eu costumo esconder (risadas)...Da família, não gosto de ficar assim reclamando...Pra eles não ficar triste. (Tulipa, 68 anos, casada, ensino fundamental incompleto, do lar)
“Eu escondo das meninas e do meu marido...Porque se não as meninas ficam por ai chorando pelos canto. Daí se já ficam chorando escondidas agora, imagina se eu também ficar falando. Daí assim poupa elas de ficarem preocupadas né. (Camélia, 61 anos, casada, ensino fundamental incompleto, atendente, recidiva)
“Eu procuro até assim um pouco esconder...Pra mim ficar mais forte, pras minhas filhas fica forte. Pra dar uma força porque se não assim elas vai se entregar também, é muito pior pra elas, fica aquela preocupação, aquela agonia. Eu não posso ficar assim e por isso eu escondo pra elas, justamente por causa das minha filhas. Só por isso que eu tenho essas coisas. Só pra elas mesmo, que é o que me interessa”. (Íris, 52 anos, casada, ensino médio completo, auxiliar de serviços gerais)
Embora não seja possível afirmar se essas mulheres costumavam esconder certos sentimentos seus e como costumava ser o tipo de sistema de comunicação das famílias em questão, pode-se perceber que a doença e a preocupação com os familiares funcionaram como elementos que contribuíram para um estreitamento na liberdade em comunicar-se. Tais dados reforçam a afirmação de Bousso (1999), de que a doença altera a comunicação familiar. Bowen (1998), caracteriza a comunicação entre os membros da família como aberta ou fechada, nesse caso a comunicação seria fechada uma vez que não há liberdade na comunicação. Tais dados vão ainda ao encontro aos achados no estudo de Rabuske (2004), no qual seus entrevistados relataram não comunicar determinadas informações a seus filhos doentes na intenção de protegê-los. Essa dinâmica ilustra o conluio de silêncio descrito por Penna (2004), no qual, no intuito de proteger um ao outro, familiares e pacientes não conversariam sobre determinados assuntos.
Para Bowen (1998), pacientes com doenças crônicas tendem a ficar com seus próprios pensamentos que não conseguem comunicar aos outros em virtude tanto do
sistema fechado, quanto da negação. A negação parece ser o processo pelo qual a paciente do caso Íris passa, ao não falar, não entrar em contato com sua doença, a participante relatou sentir-se fortalecida. A negação segundo Klübler-Ross (1989), é o primeiro estágio que uma pessoa passa quando precisa enfrentar situações avassaladoras e essa teria uma função protetora na medida em que permite um tempo até que paciente sinta-se apto para enfrentar a situação, ou como relata a participante do caso em questão “pra mim ficar mais forte”. Além de se fortalecer a participante Íris também relaciona seu comportamento à necessidade de dar força para as filhas, uma vez que segundo ela, ela seria a fonte de forças de suas filhas. Assim observa-se uma segunda função da de seu comportamento de esconder as emoções: fornecer suporte as filhas. Em relação a isso Massler (2003), observou que muitas vezes o paciente oncológico foi quem deu suporte emocional aos familiares
A participante Íris foi a entrevistada com o tempo de diagnóstico mais recente (2 meses) do estudo e em sua entrevista foi possível perceber que a negação já tem começado a perder espaço e o comportamento de esconder sentimentos não impera em todos os momentos:
“Ah tem horas que eu digo: “Olha se eu morrer, vocês pelo amor de Deus”. Ai ela já falam: “Ai mãe você não vai morrer não”. Se eu falo, que eu não sei como é que vai ser mas “se eu morrer”, elas já falam “pode parar, pode parar com isso” Mas eu converso tudo normal sobre a doença sabe, até porque não tem muito jeito de esquecer, a gente tá sempre tocando nesse assunto e assim vou conversando sobre isso com elas.” (Íris, 52 anos, casada, ensino médio completo, auxiliar de serviços gerais)
Esse trecho da entrevista de Íris ilustra como a reação sistema familiar muitas vezes fecha o percurso da comunicação (Bowen, 1998), ao falar sobre a morte, as filhas da participante cortam a comunicação. Já no caso Camélia, jogo semelhante ocorre acrescido pela percepção da paciente em relação ao comportamento das filhas. Nota-se
então que o comportamento de esconder os sentimentos ocorre por ambas as partes e que o mesmo não garante sucesso na função que se propõe, uma vez que a mãe sabe que as filhas choram e sofrem, por mais que ela esconda seus sentimentos. De acordo com Kübler-Ross (1989) os pacientes perceberiam quando familiares escondem algo dele, essa percepção se daria pelas feições e gestos esboçados pelos mesmos. Nesse caso o sofrimento fica transmitido não por palavras, mas sim por comportamentos, formando- se então uma conspiração silenciosa que provoca efeitos nas relações familiares e bem- estar de seus membros (Rolland, 1998).
Penna (2004), alega que comunicação eficaz promoveria a coesão e apoio mútuo e para que essa ocorresse seria necessário coragem e franqueza para a abordagem de temas difíceis. Bowen (1998), afirmou que a abertura na comunicação só poderia ocorrer quando e as pessoas conseguissem desenvolver algum controle sobre suas reações à ansiedade do outro. Por motivos como esses deve-se tomar quando estimula- se franqueza na comunicação familiar. Embora a liberdade em comunicar-se seja descrita como a melhor escolha, é válido ressaltar que tal mecanismo parece ser a melhor escolha que essas mulheres possuem na medida em que provavelmente ainda não conseguem lidar com suas próprias reações. Desse modo silenciar diante de alguns assuntos parece ser útil e importante.
Os percalços relativos à liberdade de se dizer a verdade não se restringem à rede familiar:
“Tem assim, umas pessoas que eu não conto sabe. Que vem pergunta como eu estou e eu digo que está tudo bem... Uns vizinhos. Porque parece assim que só querem ficar fofocando. Daí eu finjo que nem tenho nada.” (Bromélia, 47 anos, casada, ensino fundamental completo, empregada domésticas).
“E pras outra [outras pessoas] também né [esconde], ou então vão ficar olhando com aquela cara de pena”. (Camélia, 61 anos, casada, ensino fundamental incompleto, atendente, recidiva)
No primeiro caso, as fofocas foram o motivo do silêncio de Bromélia, que provavelmente não gostaria que as pessoas ficassem a discorrer sobre sua situação e fazer juízos a seu respeito. Já Camélia quis evitar ser vista com olhares de pena por estar com câncer de mama. O fato de sua doença tratar-se de uma recidiva poderia ter aumentado seu receio. Desse modo, tanto Bromélia, quanto Camélia atribuíram as reações negativas por parte das pessoas o motivo pelo qual escondiam determinados sentimentos em relação a doença. Esse comportamento das participantes pode estar atrelado ao estigma do câncer, que tem sua história associada à falta de limpeza física e moral, (Sant‟Anna, 2000; Tavares & Trad, 2005). Por esses motivos, muitas mulheres, como algumas das entrevistadas na maioria das vezes enfrentariam o câncer de modo silencioso. De acordo com Sant‟Anna (2000), nos caso de câncer de mama, a vergonha seria agravada pela ameaça de mutilação de uma parte do corpo considerada um dos principais símbolos da identidade feminina. Desse modo, segundo a autora, a história do enfrentamento do câncer de mama é a história de um segredo difícil de ser partilhado, detectado, narrado e ouvido. Embora o silêncio acompanhe muitas pacientes, nem todas adotam esse comportamento em virtude da doença:
“Deixa eu te explicar, eu não sou muito assim, de vez enquando a gente fica pensando né, na hora que a gente ta ali sozinha, no meu canto mas depois eu converso. Mas não sou muito de falar também não. Ficar sabe “Ah...” não. Por exemplo eu tenho dor, to sentindo dor, ai esse trem ta doendo: “Oh gente me dá um remédio pra passar a dor”. Mas também nem lembro o que que é resultado da doença. E a dor em si. Não sou muito de delongas não.” (Margarida, 57 anos, solteira, ensino médio completo, empregada doméstica)
No caso de Margarida, a doença não pareceu interferir em seu modo de comunicar-se com os outros, uma vez que segundo ela, não costumava conversar muito.
A esse respeito, duas participantes relataram não conversar com ninguém sobre a doença:
“Não porque eu não me prendo nessa doença, não prendo. Eu vivo a minha vida normal... Eu não mudo por causa dessa doença. Hora nenhuma. Mesmo com quimio, eu pensava que aquilo era só um tratamento. Eu nunca pus na cabeça, essa palavra nunca entrou na minha cabeça. Eu não mudo nada na minha por ela, pra mim não faz parte da minha vida.” (Jasmim, 47 anos, ensino médio completo, cantineira).
“Não porque assim eu acredito que eu vou sarar, então.” (Orquídea, 47 anos, casada, ensino médio completo, empregada doméstica)
Ambos os relatos embora diferentes, possuem uma característica em comum: a não aceitação da doença. A participante Orquídea ao longo de sua entrevista relatou não ter aceitado a doença, embora faça os tratamentos. O mesmo acontece com Jasmim. As duas participantes já passaram inclusive pelo processo quimioterápico e ainda sim permanecem sem conversar sobre a doença, sinalizando que querem manter o câncer em um espaço delimitado em sua vida, ignorando-o. Talvez o não falar sobre a doença, implique, para as participantes, não ter que entrar em contato com o câncer, no entanto, a doença e os desafios vindos dela não deixam de existir. Infelizmente a pesquisa não permitiu um estudo mais a fundo das possíveis repercussões desse comportamento durante o resto do tratamento, porém algo curioso chamou a atenção da pesquisadora: ambas pacientes tiveram alguns percalços para fazerem suas cirurgias. Em uma o atraso foi de um dia e na outra uma semana. Das 12 participantes, mais duas também tiveram esse problema. E fica aberta a questão: como continuar uma vida normal diante de tantas anormalidades?
Das 12 entrevistadas, 4 relataram esconder seus sentimentos em relação a doença e seis relataram não conversar com ninguém a respeito de seus sentimentos em relação a
doença, sendo que duas dessas seis relataram que escondiam seus sentimentos. Logo, das doze entrevistadas, metade delas conversam sobre seus sentimentos em relação a doença, porém nem sempre com familiares, as vezes isso se deu com pessoas muito próximas:
“Com a vizinha também. Com a minha filha também. Aí eu converso muito com ela, ela me tira as coisas da cabeça.Não escondo nada, nada. Se tem que falar, eu falo logo. (Amarílis, 77 anos, casada, ensino fundamental incompleto, aposentada).
“Às vezes converso com a minha irmã e daí ela me anima assim. (Bromélia, 47 anos, casada, ensino fundamental completo, empregada domésticas).
“Converso com o meu marido. Até os meus medo eu falo com ele, falo :“Ó eu tava com medo” , Eu tava com muito medo, eu tava com muito receio de vir fazer essa cirurgia agora. Eu conversei com ele, eu tava falando pra ele: “Acho que eu não vou fazer não, acho que quinta-feira nem lá eu vou aparecer”. Ai ele falou: “Você acha que deve?” .(Dália, 27 anos, casada, ensino médio completo, desempregada).
“Converso com a minha tia, converso mais com minha tia. Foi ela que me criou, a gente parece que tem uma afinidade assim de mãe filha. Esse dias ela ficou doente, nossa mas foi um abalo muito grande pra gente. Mas eu converso muito com ela, quando as vezes eu quero desabafar, vou lá, converso, converso.” ( Violeta, 48 anos, casada, ensino fundamental incompleto, faxineira).
“Eu falo. A gente conversa muito .Como por exemplo com a minha sobrinha, com os amigo que liga e bate papo...eu discuto muito com parente, com amigo”. (Gérbera, 46 anos, solteira, ensino fundamental incompleto, do lar).
“Converso, converso. Com a minha menina. Com essa que tá aqui. Com a outra quando ela tá junto”. (Hortência, 39 anos, divorciada, ensino fundamental incompleto, desempregada).
As conversas com outras pessoas configuraram-se como importantes no sentido de ajudar as pacientes e lidarem com seus medos, angústias e se animarem para enfrentar a doença: Carvalho (2003), afirmou que a existência de pessoas com as quais pacientes possam dividir suas experiências serviria como atenuantes do estresse causado pela doença. Para Mallinger et al. (2005), falar com os outros sobre os eventos estressantes
como o câncer poderia facilitar o ajustamento emocional e ajudar a encontrar significados para o acontecimento. Segundos os autores, conversar sobre a doença seria uma atitude positiva para um melhor ajustamento psicológico e enfrentamento da doença. Em seu estudo, os autores encontraram que as mulheres que mantinham a comunicação aberta na família, tinham melhor saúde mental.
Com relação à quantidade e conteúdo das discussões, McDaniel et al. (1994), colocaram que a principal questão seria relativa a satisfação que os pacientes têm em relação ao tipo de resposta dada a doença, ou seja, cada indivíduo tem expectativas diferentes em relação ao quanto quer falar sobre sua doença.