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3. IB

3.1. La programació

Com a publicação da obra de W. A. Shewhart, Economic Control of Quality of Manufactured Product, na qual são definidas técnicas e metodologias para o monitoramento da rotina de produção, são formalizados a importância e o relacionamento dos princípios e das técnicas estatísticas com a garantia da qualidade. Este é um grande marco na evolução do conceito da qualidade, ao reconhecer que a variabilidade era um fato concreto na indústria, uma vez que seria impossível a fabricação de duas peças precisamente iguais com as mesmas especificações, devido a variações das matérias- primas, da habilidade dos operadores e dos equipamentos.

Neste contexto, também foi necessário analisar a situação da qualidade sob o ponto de vista gerencial, que separava as variações aceitáveis das não aceitáveis, ou seja, fora dos limites de tolerância. Deste modo, surgiu, então, o controle estatístico da qualidade, em que, analisando os resultados anteriores, são estabelecidos limites inferiores e superiores de tolerância, permitindo a verificação de uma grande quantidade de produtos por meio de amostragem. Com isso, não era mais necessária a inspeção 100%, sendo que, ainda assim, existiam riscos de as amostras não serem totalmente representativas, podendo ser aceito um lote com inúmeros defeitos e rejeitado um lote com qualidade aceitável, ou seja, dentro dos limites de tolerância.

Para a resolução do problema do risco da amostragem não ser representativa, Dodge e Romig elaboraram planos de amostragem que, por meio de tabelas, garantiam determinado nível de defeitos, possibilitando encontrar a probabilidade de aceitação ou rejeição do lote analisado.

W. A. Shewhart, Harold Dodge e Harris Romig, que trabalhavam no Departamento de Garantia de Qualidade dos Bell Laboratories e formavam um grupo que mais tarde teve também as participações de C. D. Edwards e Joseph Juran, foram responsáveis pela introdução de novas técnicas estatísticas voltadas para o controle estatístico da qualidade, baixando os custos operacionais relacionados à inspeção.

A formação de um comitê para a sugestão de padrões na área da qualidade foi realizada em 1940, sendo que os primeiros padrões foram publicados em 1941 e 1942, tendo como enfoque principal a utilização de gráficos de controle.

Em 1946, com a criação da Sociedade Americana de Controle de Qualidade (ASQC), iniciou-se uma fase em que o controle estatístico da qualidade passou a ter um papel importante para a garantia da mesma, em que as ferramentas utilizadas para o controle da qualidade são ampliadas para além da estatística, envolvendo quantificação dos custos. Até a década de 1950, as tentativas de melhorar

a qualidade fundamentavam-se na premissa de que os defeitos tinham um custo, porém, nenhuma empresa conhecia esse valor.

Em 1947, W. Edwards Deming foi pela primeira vez ao Japão para ajudar no censo do país. A União Japonesa de Cientistas e Engenheiros (JUSE) ficou interessada nos métodos estatísticos de Deming e iniciou a implantação em suas indústrias, conseguindo um excelente resultado. Seus princípios se fundamentavam no controle da qualidade para a eliminação das variações, utilizando controles estatísticos e acreditando na substituição dos controles pontuais para o enfoque da qualidade a partir do início do processo e da participação da alta administração.

Era forte sua argumentação de que a maioria dos erros e defeitos era resultado de “maus sistemas”, e não de “maus trabalhadores”, ou seja, erros sistêmicos e gerenciais. Portanto, seus sistemas eliminavam a competição entre os departamentos e funcionários e promoviam a previsão e criação das necessidades dos clientes continuamente, melhorando a produtividade e a qualidade dos produtos e das empresas. Este fator motivou a JUSE a criar em 1951 o Prêmio Deming para o controle da qualidade no trabalho. Neste sentido, a competição é muito disputada pelas empresas que gastam anos se preparando antes de obterem os requisitos que serão avaliados. O processo de verificação é extremamente rigoroso, incluindo critérios como: política da corporação, sistemas de qualidade, educação e treinamento e futuros planos.

Também em 1951, Joseph Juran discutiu a questão da economia da qualidade em seu livro Quality Control Handbook, em que observou que os custos para alcançar determinado nível da qualidade dividiam-se em custos evitáveis (defeitos e falhas dos produtos), os quais poderiam ser reduzidos com o investimento em melhoria da qualidade, e os inevitáveis (associados à prevenção), em que se incluem a inspeção, a classificação e outras iniciativas de controle da qualidade.

Os custos das falhas, que poderiam ser reduzidos por meio do investimento em melhoria da qualidade, estavam entre 500 e 1.000 dólares por operador na produção por ano, sendo, portanto, uma informação para a tomada de decisão gerencial, no sentido de evitá-los.

Em 1956, Armand Feigenbaum propôs que, para conseguir a qualidade total, o controle precisa começar pelo projeto do produto e só terminar quando o produto tiver chegado às mãos de um cliente, tendo como objetivo sua satisfação. A abordagem da Qualidade Total como ferramenta gerencial surge da necessidade de a qualidade ampliar suas fronteiras para outros departamentos da empresa, além dos diretamente ligados à inspeção, ou seja, produção e operação, mas também para os departamentos de compra, marketing, recursos humanos, entre outros, passando a envolver todos os processos contidos na empresa, sendo a alta gerência a responsável final pela eficácia do sistema.

Tanto Feigenbaum como Juran propuseram medidas, elaboraram cálculos dos custos da qualidade e argumentaram que o perfil do novo profissional da qualidade deveria não só possuir conhecimento

técnico específico do controle da qualidade, com conhecimentos de métodos estatísticos, mas também habilidades para o desenvolvimento de novos produtos, seleção de fornecedores, controle de fabricação e atendimento aos clientes, estabelecendo padrões e determinando medidas da qualidade. Para maior coordenação dessas atividades, seriam também necessárias habilidades gerenciais, sinalizando “que o método tradicional de gestão é o grande responsável pelos problemas de qualidade e produtividade que afligiu o sistema industrial”. A partir desses pressupostos, Juran também propôs um enfoque fundamentado em um planejamento disciplinado da melhoria da qualidade.

Na década de 1970, com contribuições significativas, G. Tagushi desenvolveu, no Japão, uma estratégia para otimização na fase do projeto do produto e criou conceitos de controle de qualidade on-line e de controle de qualidade off-line, redefinindo o conceito de especificações do projeto, mantendo que não é suficiente que uma característica de um produto fique dentro das especificações, com o objetivo de minimizar as perdas por meio da focalização em um valor nominal, entendendo- se como perda todo desvio do valor nominal.

Outros especialistas também contribuíram para o desenvolvimento da qualidade, principalmente nos Estados Unidos da América, como Tom Peters e Robert Waterman Jr., que, no livro In Search of Excellence, propuseram uma série de análises a respeito das causas que contribuíram para o sucesso de algumas empresas americanas. Alguns fatores fundamentais para o sucesso e a competitividade dessas empresas foram determinados, haja vista que essas organizações estão orientadas para a ação, preferindo fazer alguma coisa a ficar o tempo todo analisando relatórios. Outra orientação foi no sentido de satisfazer continuamente as demandas e expectativas dos clientes, aprendendo a pesquisar suas preferências e a satisfazê-las. São organizações inovadoras que se organizam na forma de várias empresas, com autonomia interna, promovendo comunicação aberta, pensamento independente e estimulando a competitividade. As organizações bem- sucedidas promovem o aumento da produtividade por meio das pessoas. Essas organizações têm como principal motor o valor que cada elemento agrega com seu trabalho, direcionando sempre a cumprir com os propósitos fundamentais da organização, alimentando os atributos positivos como elementos de diferenciação.

Assim, as organizações bem-sucedidas mantêm uma estrutura flexível, com poucas camadas gerenciais e poucas pessoas em cada uma, e criam uma atmosfera participativa, focalizada no sentido de seus valores fundamentais, fazendo com que seus funcionários aceitem e participem desses valores.

Também contribuíram para o desenvolvimento da qualidade na década de 1970: H. James Harrington, Richard Shores e Phillip B. Crosby, os quais elaboraram suas propostas de Zero Defeito, no livro Quality is Free, sendo implantado o estilo Crosby de gestão em várias importantes empresas americanas, principalmente as governamentais. Esse estilo está fundamentado em quatro pontos: a

qualidade significa conformidade com os requisitos; a prevenção é a chave da qualidade; o conceito de Zero Defeito deve ser o padrão; e as mensurações, o preço de não conformidade (CARMO, 1998).