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La introducció de les TIC a les aules i els canvis i modificacions que això

In document Les TIC a les aules de Primària (sider 6-10)

1. INTRODUCCIÓ

1.1 Marc teòric

1.1.2 La introducció de les TIC a les aules i els canvis i modificacions que això

No dia 02/07/1926, surgiu uma importante iniciativa para o intercâmbio teuto- brasileiro. Essa iniciativa foi saudada por Antonio Austregésilo, em sessão da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal, que ocorrera naquele mesmo dia, em sua homenagem. Segundo Austregésilo, “os autores nacionais não sabem dar o devido valor a seus trabalhos” e “a neuropsiquiatria tem sido um dos ramos mais devassados”. A instalação da “Fundação Juliano Moreira” foi vista por Austregésilo como “um marco áureo no domínio da especialidade, principalmente, com a criação de um instituto de pesquisas relativas ao sistema nervoso. Por essa razão, ele conclamou “todos os especialistas, insistindo para que se constitua uma verdadeira liga de defesa” e “valorização da ciência médica brasileira”, já que a ciência representaria “um sentimento ainda de grande patriotismo”.267

Através dos Estatutos da ‘Fundação Juliano Moreira’, vemos que essa instituição tinha como objetivo estudar “as causas das doenças mentais e nervosas”, bem como “o tratamento profilático e curativo das mesmas”. Por essa razão, foi constituído nessa sociedade o “Instituto de Pesquisas para o estudo no domínio da anatomia normal e patológica do sistema nervoso”. Já este instituto tinha por finalidade promover e organizar laboratórios de neuropatologia e psicologia, mas também deveria focalizar os meios científicos contra as “causas externas e internas das doenças nervosas e mentais”. Não obstante, esse instituto deveria orientar a “formação da raça brasileira, velando, principalmente, pela corrente imigratória que entra no Brasil”, além de estudar causas

265 Sessão Extraordinária de 17 de Junho de 1929 em homenagem ao presidente perpétuo da Sociedade,

Prof. Juliano Moreira. Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria, ano 13, n.3, p. 224-225, 1929.

266 Notas e Comentários. Imprensa Médica, n. 21, p. 674, 05 nov. 1929.

267 Ata da 6ª Sessão ordinária realizada a 2 de julho de 1926, em homenagem ao prof. Antonio

196 da criminalidade e garantir a contratação de cientistas de valor, no domínio do sistema nervoso.268

No que se refere à composição financeira da instituição, os Estatutos prevêm que ela seria composta por membros efetivos, beneméritos e honorários. Os primeiros pagariam uma conta de um conto de réis, em 10 cotas de cem mil réis. Já os beneméritos pagariam cinco contos de Réis. Os beneméritos não precisariam necessariamente contribuir. Eles seriam indivíduos de “grande valor científico” que a Fundação Juliano Moreira escolhesse para “colaborar em seções de ensino”. Além disso, estava prevista a possibilidade de recebimento de subvenções da União, Estados e Municípios.269 Já a estrutura administrativa seria formada por uma diretoria (um presidente, um primeiro e um segundo secretário). Haveria ainda um Conselho Consultivo, com mandato eletivo de cinco anos.270 O diretor do Instituto de Pesquisas seria o presidente a Fundaçao Juliano Moreira, Ulysses Vianna, ou uma pessoa indicada por ele. Vianna preferiu, então, indicar Rocha Lima. O professor Juliano Moreira, por sua vez, seria o presidente de honra. Waldemar de Almeida e Heitor Carrilho foram eleitos, sucessivamente, primeiro e segundo secretário.271

Por ocasião da assembleia de constituição da Sociedade Civil “Fundação Juliano Moreira”, Ulysses Vianna proferiu um discurso para saudar a nova instituição e versar sobre as diretrizes do Instituto de Pesquisas criado no Rio de Janeiro, cuja idealização teria sido dele próprio. Vianna lembrou que havia sugerido, em 18/07/1925, a criação da “Fundação Juliano Moreira”272e que essa sociedade teria a “finalidade especial de criar

268 Estatutos da “Fundação Juliano Moreira” (Instituto de Pesquisas no Domínio do Sistema Nervoso)

aprovados em sessão de 02 de Julho de 1926. Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria, ano VIII, n. 3-4, pp. 183-188, 1926.

269 Idem, p. 184-185.

270 Para o primeiro mandato de cinco anos, fizeram parte de Miguel Couto, Henrique Roxo, Raul Leitão,

Carlos Chagas, João Marinho, Faustino Esposel, Juvenil da Rocha Vaz, Arthur Moses, Adauto Botelho, Henrique Duque, Mario Pinheiro de Andrade, Waldemar Schiller e Pedro Pernambuco Filho. Idem, p. 187.

271 Idem, p. 186-187.

272 A sessão do dia 18/07/1925, em comemoração dos 84 anos do Hospício Nacional e em homenagem a

Juliano Moreira, Ulysses Vianna anunciou a criação do “Prêmio Juliano Moreira” que seria um “incentivo aos estudiosos da especialidade, visando, sobretudo, premiar aos melhores trabalhos concernentes à ordem de idéias, em redor dos assuntos de profilaxia mental, dado o relevo científico e social desse assunto, de há muito constituídos em preocupação visceral do professor Juliano Moreira”. Por fim, Vianna sugeriu os discípulos de Juliano Moreira criassem um “Instituto de Pesquisas das Causas e Profilaxia de Doenças Mentais, e que tomará o nome de 'Fundação Juliano Moreira'”. Sessão Extraordinária realizada a 18 de julho de 1925 e em comemoração ao 84ª aniversário da fundação do Hospício Nacional de Alienados e em homenagem ao Prof. Juliano Moreira. Arquivos Brasileiros de

197 um Instituto de Pesquisas no domínio do sistema nervoso, moldado nos mesmos princípios do Instituto Alemão de Pesquisas Psiquiátricas do Prof. Kraepelin”.273

Além disso, Vianna lembrou de sua última viagem à Europa, quando passou por França e Alemanha e ficou muito impressionado com as novidades que presenciou. Na França, esteve na Fundação Dejerine, em Paris, onde havia um grande material para estudos anatomopatológicos do sistema nervoso. Na Alemanha, circulou por Munique, Berlim, Frankfurt, Leipzig, Gieβen, Halle e Würzburg. Em Munique, visitou a DFA274 e, em Berlim, o “Instituto Neuro-Biológico” de Oskar Vogt, onde ele e sua esposa vinham desenvolvendo trabalhos em citoarquitetonia do sistema nervosos. Além disso, Vianna visitou Rocha Lima e o laboratório de Jakob, em Hamburgo. Após seu retorno, Vianna pensou que o laboratório Nissl, do Hospício Nacional, deveria se tornar um centro de pesquisas sobre o sistema nervoso.275

Além do laboratório Nissl, o Instituto de Pesquisas da Fundação compreendeu outros laboratórios existentes no Rio de Janeiro. No Sanatório Botafogo, já havia o laboratório de química aplicada. Sugeriu-se criar, então, um laboratório de psicotécnica. O Hospício Nacional também disponibilizaria o laboratório Anátomo-Patológico, dirigido por Mario Pinheiro, para que o Instituto de Pesquisas da Fundação Juliano Moreira realizasse pesquisas histopatológicas. Não obstante, Vianna lembrou que as clínicas de neurologia e a de psiquiatria possuíam bons laboratórios e eles poderiam ser incorporados também. O mesmo valeria para as colônias do Engenho de Dentro e Jacarepaguá. Por fim, Vianna agradeceu os professores Miguel Couto, Austregésilo, Rocha Vaz, Henrique Roxo, Leitão da Cunha, Rocha Lima, Esposel, Adauto Botelho e, tantos outros, por apoiarem sua idéia de criar a “Fundação Juliano Moreira”.276

André Silva (2011) sublinha que Rocha Lima assumiu o Conselho Consultivo da Fundação Juliano Moreira, porque a neurologia e a psiquiatria representavam um importante caminho para estreitar o intercâmbio teuto-brasileiro. Rocha Lima sabia das demandas dos neurologistas e psiquiatras brasileiros e trabalhou em cima delas. Além disso, o pesquisador brasileiro de Hamburgo acreditava que o grupo de neurologistas da Fundação Juliano Moreira tinha grande inclinação para o “grupo dos germanófilos”. Por

273 Atas da Assembléia de Constituição da Sociedade Civil “Fundação Juliano Moreira”. Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria, ano VIII, n. 3-4, p. 189, 1926.

274 Em Munique, notou que a DFA seguia, provisoriamente, ocupando salas na Clínica de Oswald Bumke,

onde funcionavam os departamentos neuropatológicos, de química-biológica e o de serologia. Já a parte psiquiátrica da DFA utilizava um dos pavilhões do Hospital Schawabing. Somente o Departamento Psicológica ocupava sala própria, na rua Goethe, onde Kraepelin também residia. Idem, p. 190.

275 Idem, p. 190. 276 Idem, p. 190-192.

198 ocasião da Fundação Juliano Moreira, segundo Silva (2011), Rocha Lima reportou em um relatório que havia uma demanda para trazer um especialista alemão no tema da anatomia patológica do sistema nervoso. Rapidamente, Rocha Lima articulou a idéia de que Alfons Maria Jakob, neuropatologista do Hospital Friedrichsberg, seria o especialista ideal. A idéia é que ele permanecesse por três meses no Brasil (Silva, 2011).

Não obstante, Silva (2011) destacou que a vinda de Jakob havia sido cogitada, pela primeira vez, em 1920, e que só fora concretizada por meio das verbas angariadas com a criação da Fundação Juliano Moreira. Este fora um dos principais motivos que haviam levado à criação daquele órgão, já que a instituição havia sido organizada com objetivo de garantir verbas para trazer professores ao Brasil.

Em sua tese, Silva (2011) aponta que a “Fundação Juliano Moreira seria o germe de uma das iniciativas mais bem-sucedidas de Rocha Lima como patrocinador das relações teuto-brasileiras”. Em relação a essa nova instituição, Silva (2011) entendeu que ela teria tido mais sucesso do que o Instituto Brasileiro de Ciências, já que este accabou não servindo como ponto de apoio para a Kulturpolitik, conforme esperado (Silva, 2011, p. 516).

Contudo, pareceu-nos que Silva (2011) deveria ter problematizado mais profundamente os méritos de Rocha Lima e o sucesso da Fundação Juliano Moreira. Além disso, reduzir o projeto da Fundação Juliano Moreira ao financiamento da vinda de Jakob contradiz o discurso de Vianna e as aspirações que ele depositava para a instituição. Sem dúvidas, Rocha Lima aproveitou bem a oportunidade para fazer valer seus próprios interesses, os quais não eram exatamente os mesmo de Vianna e de seus colegas.

Em relação ao sucesso da instituição, novas questões surgem, quando seguimos o rastro dessa iniciativa nas fontes históricas. Ela não prosperou em relação aos seus objetivos de investigação científica, como um instituto de pesquisas no domínio do sistema nervoso. Na verdade, o projeto foi abandonado. Em 1929, o nome “Fundação ‘Juliano Moreira’” foi retirado das capas dos Arquivos Brasileiros de Neurologia e

Psiquiatria. A revista voltou a ser publicada como veículo oficial da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, apenas. Isso ocorreu, no mínimo, por falta de recursos que viabilizasse a manutenção da iniciativa. Se compararmos a história dessa Fundação Juliano Moreira com a da DFA, torna-se possível perceber que a criação, manutenção e expansão de um projeto como o da DFA

199 – e também do Instituto de Pesquisas do Cérebro de Berlim – requer uma grande quantidade de verbas.

No Brasil da década de 1920, não havia uma instituição sólida que atuasse no fomento da pesquisa científica, como a Sociedade Kaiser Wilhelm. Por outro lado, as ações da Fundação Rockefeller no Brasil estavam próximas das ciências do saneamento e da medicina tropical, porém, mais distantes da medicina mental nacional. Isso significa dizer que a psiquiatria brasileira sofria com a dependência de recursos públicos, os quais eram insuficientes para saciar a vontade dos médicos em relação à criação de instituições e expansão das já existentes.

Além disso, a rede assistêncial cresceu ao longo dos anos 1920. Se por um lado isso significa conquistas, por outro, requer mais recursos públicos ou maior concorrência pelas verbas já disponíveis.277 Não obstante, a expansão do sistema foi resultado do aumento da demanda por mais leitos278 e, assim, uma concentração de verbas na assistência em detrimento da pesquisa científica – realidade que motivou Kraepelin a tecer alertas e defender a necessidade se fundar como uma instituição, como a DFA. Foi quando ele afirmou que seria melhor investir em ciência do que em asilos.

Para fazer frente a essa realidade, os médicos brasileiros organizavam inciativas privadas, incialmente, custeadas por eles próprios, sob o modelo de sociedade científica – como a Fundação Juliano Moreira –, na esperança de que elas sejam abraçadas pelo poder público brasileiro ou, no caso de inciativas bilaterais – como o Instituto Franco- Brasileiro –, pela cooperação governamental do país estrangeiro com o Brasil.

Mesmo havendo médicos abastardos, entre os psiquiatras e neurologistas do país, como, por exemplo, Ulysses Vianna, isso parece não ter sido suficiente para fazer prosperar as iniciativas. Faltou a esses médicos conseguir repetir o sucesso de Kraepelin, na obtenção de donativos robustos disponibilizados por milionários do porte de Gustav Kruppe e James Loeb, ou ainda, de uma Rockefeller, através da qual a DFA ganhou 325.000 dólares, no mesmo período que a Fundação Juliano Moreira veio a

277 No Relatório de Juliano Moreira, de 1928, ao Ministro da Justiça Augusto de Castello, consta uma

queixa de Henrique Roxo sobre as verbas disponíveis para o Instituo de Psicopatologia. Elas seriam insuficientes para a manutenção da instituição e para atender o crescente número de pacientes (Moreira, 1930, p. 334).

278 O aumento do número degenerados no Brasil e, portanto, da demanda por mais leitos no país, foi

analisada por Moreira também em relação à imigração, como parte de uma política racial que ele condenava. Ele defendia a necessidade de uma seleção dos imigrantes, de modo, a evitar que degenerados estrangeiros entrassem no país. Frente à preferência por imigrantes europeus, Moreira defendeu a imigração japonesa, muitas vezes atacada no país, sob o argumento de que os nipônicos representariam uma raça inferior aos brancos europeus (Venancio e Facchinetti, 2005).

200 lume. No auge do reconhecimento internacional de Moreira, ele e seus colaboradores estavam separados por uma grande assimetria em relação ao casal Vogt, em Berlim, e aos seus pares de Munique.

Como vimos, o Instituto de Pesquisas idealizado por Vianna buscava seguir do modelo proposto por Krapelin na DFA. Algumas semelhanças podem ser apontadas entre o projeto de Kraepelin e o de Vianna. No entanto, o nome dado por Vianna sugere uma diferença fundamental: acento na neurologia. Ainda que Vianna tenha idealizado uma instituição apoiada em diversas subespecialidades e diferentes tipos de laboratório, como ocorria em Munique, a instituição tendia para a neurologia, deixando transparecer uma readaptação que combinou o modelo institucional da DFA com o Instituto de Pesquisas do Cérebro, dirigido por Oskar Vogt. Dentre as semelhanças, uma delas pode ser ligada tanto ao instituto de Munique, quanto ao de Berlim: a idéia de um Conselho Consultivo, que no Instituto de Oskar Vogt foi chamado de Kuratorium. Outra semelhança está no fato do Instituto do Rio ter sido externo à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, embora Vianna desejasse utilizar os laboratórios desta instituição.

No que se refere ao intercâmbio com a Alemanha, a iniciativa teve sucesso limitado, ao passo que somente viabilizou recursos para financiar a vinda de Jakob ao Rio. Todavia, foi um sucesso pontual, já que a instituição não se transformou no longo prazo como um centro de promoção das relações teuto-brasileiras na medicina mental. Como veremos mais adiante, foi necessária a criação de uma nova instituição para estimular as relações teuto-brasileras. Por ora, devemos analisar a viagem de Jakob ao Rio, sugerida por Rocha Lima e organizada por ele e Ulysses Vianna.

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