7 Le réseau sénégalais et le processus d’intégration
7.3 S’intégrer à la société civile
7.2.1 L’intégration sociale (besoins de base et appartenance)
O Jornal Nacional, telejornal da Rede Globo, tem duração de aproximadamente trinta minutos e, conforme descrito em capítulo anterior, segue o modelo “padrão Globo de qualidade”. Com um formato definido, o Jornal Nacional se consagrou no Brasil como o telejornal de maior índice de audiência e foi o pioneiro no que diz respeito à técnica e à qualidade audiovisual. O Jornal Nacional foi responsável por oferecer formato e padrão para outros telejornais. Um outro exemplo é o Jornal da Record, que aproveitou o modelo do pioneiro que “deu certo”. Por isso, existe hoje uma concorrência acirrada pela audiência do
Jornal da Record com o jornal da Rede Globo.
Para garantir esse “padrão Globo de qualidade”, o telejornal é apresentado quase sempre pelo casal de jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes, que, de certa forma, são uma representação da família brasileira na televisão. É nesse horário que muitos brasileiros estão sentados à frente do aparelho televisor para se informar sobre os principais fatos que aconteceram no Brasil e no mundo.95 O período analisado – 4 de julho a 24 de agosto de 2006
– constituiu duas semanas num total de 14 telejornais analisados. Tem-se, com isso, um panorama do Jornal Nacional no que diz respeito ao formato, ao conteúdo, às temáticas, à técnica e à representação dos indivíduos anônimos.
A amostra revelou que o Jornal Nacional apresentou 206 produções jornalísticas que variavam em formato. Desse total, 97 eram matérias,96 40 eram notas cobertas,97 25 notas
secas,98 30 eram passagens ao vivo.99 É possível afirmar que o Jornal Nacional apresentou o
conteúdo informativo de maneira menos fragmentada no que diz respeito à apresentação das
95 William Bonner, editor chefe do Jornal Nacional, em palestra conferida à Universidade de Brasília, em 2005
definiu que notícia para o telejornal é “tudo aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo”.
96 O termo matéria refere-se ao formato telejornalístico que apresenta o conteúdo por intermédio da fala do
apresentador que chama um repórter e, esse, por sua vez, introduz um ou mais entrevistados, com imagens do fato noticiado. Esse formato geralmente tem começo, meio e fim.
97 O termo nota coberta refere-se ao texto lido pelo apresentador em estúdio com imagens do fato. 98 Nota seca corresponde ao texto lido pelo apresentador em estúdio, mas sem imagem do fato.
produções informativas, já que na análise diária, o telejornal tinha um caráter mais rápido e menos contextualizado, considerando o fato de a duração das produções jornalísticas em questão serem de curta a média. As matérias, as notas cobertas e as passagens ao vivo tiveram, em sua maioria, uma duração mais longa do que as notas secas.
GRÁFICO 1 – Formatos presentes no conteúdo do Jornal Nacional
50%
21% 13%
16% 0%
Matéria NC (Nota Coberta) NS (Nota Seca) Vivo RE (Reportagem Especial)
FONTE: FERREIRA, Fernanda V. Elaborado a partir de dados coletados em edições do Jornal
Nacional. Brasília, 2007.
No Jornal Nacional, conforme demonstra o gráfico 1 o número de matérias manteve- se como um dos maiores índices do gráfico, perdendo apenas em um período para o número de notas secas que cresceu, vertiginosamente, na amostra entre os dias 23 e 31 de maio de 2006, quando o houve maior incidência dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC)100 na cidade de São Paulo, no interior do estado e do País. As matérias do Jornal
Nacional, em geral, têm início na bancada, quando o apresentador lê a cabeça (parte
99 O termo passagem ao vivo diz respeito ao momento em que o repórter está cobrindo o fato, podendo se
desdobrar em imagens ao vivo, quando o repórter comenta, mas não aparece.
100 A facção criminosa PCC é a maior e mais organizada do país na atualidade. O PCC foi criado por oito presos,
em 31 de agosto de 1993, no anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 km de SP), no Piranhão, tida naquela época como a prisão mais segura do Estado. O chefe do PCC é Marcos Willians Herbas Camacho, que está preso e dentro da amostra foi objeto de matérias jornalísticas (FOLHA DE S. PAULO. Facção criminosa PCC foi criada em 1993. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121460.shtml. Acessada em: 9 de março de 2007).
introdutória) do assunto e segue com o conteúdo de uma externa (conteúdo que o repórter traz das ruas), que pode conter sonora (fala dos entrevistados), passagens do repórter, off (imagens cobertas pela voz do apresentador ou repórter), além de recursos gráficos para melhor ilustrar o conteúdo.
Sob o ponto de vista dos formatos apresentados no telejornal, as notas cobertas representaram, no Jornal Nacional, o segundo formato em número de ocorrência, depois das matérias, e eram responsáveis pelo ritmo dado ao conteúdo. Elas apareceram normalmente quando o assunto esteve ligado à editoria internacional e diziam respeito aos conflitos ocasionados por disputas territoriais, étnicas ou religiosas, como massacres de civis iraquianos por fuzileiros navais estadunidenses; notícias referentes à morte, no norte de Bagdá, do terrorista mais procurado do Iraque; atentado a uma mesquita xiita na qual foram mortas onze pessoas e 25 ficaram feridas em Bagdá; forças internacionais que mataram mais de 200 talibãs no Afeganistão; atos terroristas que mataram 48 pessoas e deixaram 90 feridas em Hilla e Baquda, no Iraque; notícias que mostraram Israel invadindo o Líbano na tentativa de resgatar soldados israelenses seqüestrados pelos terroristas e guerrilheiros do Hezbollah; assuntos ligados às questões climáticas que provocavam tragédias, como o vulcão do Monte Merapi, na Indonésia, que deixou uma grande nuvem de fumaça na região e provocou pânico nos moradores, deixando dois soterrados em Java, terremotos na Indonésia, deixando mais de 5.800 mortos na Ilha de Java; uma tempestade de granizo que castigou moradores da Espanha; ondas de calor que provocaram a morte de cem pessoas nos Estados Unidos; a nevasca na Cordilheira dos Andes que fechou a principal rodovia que liga o Brasil ao Chile; e acordos comerciais entre países que compõem o Mercosul e entre Brasil e Estados Unidos.
Na amostra analisada, as notas cobertas também serviram para representar os ataques do PCC no Brasil. Muitas vezes o telejornal se utilizou desse formato para representar o mapa da ação do crime organizado no País, mostrando cidade por cidade, com uma leitura tensa e ritmo que alternava entre rápido e acelerado, dependendo da idéia que o telejornal queria passar em relação à matéria.
O terceiro formato em número de ocorrência do Jornal Nacional foram as notas secas (podem ter a função de nota pé, lida ao final da matéria apresentada), as quais são caracterizadas pela fala do apresentador na bancada do telejornal, geralmente finalizando e atualizando a matéria ou o conteúdo ao vivo apresentados anteriormente. As notas secas lidas pelo apresentador quase sempre tinham um tom de indignação em relação ao fato noticiado ou
com algum juízo de valor, principalmente quando se referiam à violência e ao caos estabelecido pelo crime organizado naquele período.101 O Jornal Nacional utilizou notas secas
para emitir opiniões, mesmo que sutis, acerca dos fatos apresentados. O telejornal emitiu sutilmente sua opinião quando noticiou assuntos ligados aos ataques do PCC e quando os apresentadores liam notas divulgadas por políticos à imprensa retratando algum assunto discutido antes. Nesses casos, o tom de juízo de valor ficava claro nas notas secas apresentadas.
Um outro formato a ser destacado refere-se às passagens ao vivo do repórter. Essas não foram utilizadas em excesso pelo telejornal, uma vez que requerem equilíbrio e devem ter curta duração para que o telespectador não se canse do assunto apresentado e o telejornal mantenha ritmo de apresentação dos fatos. Além disso, as passagens ao vivo requerem aparato tecnológico e preparo do repórter. Caso contrário, as imagens ao vivo devem ser dispensadas sob risco de comprometerem o conteúdo e a credibilidade do telejornal. Seguindo esses parâmetros, no Jornal Nacional, a utilização da cobertura ao vivo se justifica quando é necessário atualizar o assunto e quando o telejornal dispõe do repórter no local, podendo mostrar imagens, ou ainda, com a finalidade de conferir um tom de maior realidade e concretude aos fatos apresentados.
O maior índice de cenas ao vivo foi no dia 26 de junho, quando foram apresentados assuntos ligados a violência na editoria de polícia. Geralmente, o telejornal dispôs de helicóptero e de repórter para mostrar, com imagens aéreas, as dificuldades e os transtornos ocasionados para a população da cidade de São Paulo por ocasião da ação do crime organizado. O telejornal, ao utilizar as passagens ao vivo, tentou prender a atenção do telespectador, que tenderia a se chocar com o caráter real das imagens.
Há de se destacar, entretanto, que a amostra também é caracterizada pela ocasião da realização da Copa do Mundo. Nesse período, a jornalista Fátima Bernardes, que participou da cobertura jornalística, fez diversas passagens ao vivo, mostrando a preparação da seleção
101 É válido ressaltar que a maior parte dos fatos noticiados em relação à editoria de polícia dizia respeito aos
ataques do PCC a São Paulo, região metropolitana, cidades do estado, e outras cidades do País, como Campo Grande, em Mato Grosso do Sul; Vitória, no Espírito Santo; e no Rio de Janeiro. Outras ocorrências de crimes foram relativas ao tráfico de combustível, em que cidadãos foram presos por transportar gasolina da Argentina R$ 1,00 (um real) mais barata do que a vendida no Brasil, presos suspeitos de falsificar documentos para receberem dívidas de empresas estatais e, ainda, violência entre torcidas organizadas, como foi o caso da torcida do Grêmio, punida pelo time depois das cenas de violência mostradas por cinegrafistas durante a final de um dos jogos. Pessoas presas por roubos e assaltos à mão armada na conhecida Rua 25 de março, em São Paulo, foram
67 brasileira e também apresentou chamadas para a programação da Copa do Mundo e dos jogos que seriam transmitidos pela Rede Globo. Estratégias de jogos, a preparação da seleção, a opinião dos jogadores sobre a Copa, notícias divulgadas sobre a situação física dos atletas, além do ânimo e da disposição de cada um durante os treinos e jogos. Somente no dia 26 de junho, foram apresentadas nove matérias sobre esportes; entre as quais, seis da seleção brasileira e três de outros times que disputaram a Copa do Mundo, como Portugal, Itália e França.
Fato curioso, no período analisado, o Jornal Nacional não apresentou uma reportagem especial ou entrevista sequer. Apesar de não ter apresentado qualquer desses dois formatos, o telejornal esporadicamente expôs alguma temática por meio das matérias e que, dependendo da relevância, se tornou objeto de reportagem especial. No que diz respeito às entrevistas, entretanto, o telejornal raramente se utiliza desse formato. O Jornal Nacional tende a recorrer a esse tipo de formato quando, em ano eleitoral, é necessário fazer a rodada de entrevista com os candidatos, ou ainda, quando há um assunto extremamente polêmico e de abrangência nacional que requeira a presença do entrevistado no estúdio.
Nesse sentido, os formatos apresentados na amostra estiveram insertos em temáticas específicas, que, no jargão jornalístico, são chamadas de editorias. Para entender as representações dos indivíduos anônimos no Jornal Nacional, foi necessário apontar, por meio do gráfico 2, a variação temática e o índice de aparição de cada uma das editorias nas quais foram inseridos os indivíduos anônimos.
GRÁFICO 2 – Editorias nas quais foram representados os indivíduos anônimos no Jornal Nacional
mostradas no telejornal, além da matéria que mostrou a condenação e julgamento de Suzane Richtofën e os irmãos Cravinhos, e os condenados pelo homicídio de Liana e Felipe, dois jovens universitários de São Paulo.
16% 6% 14% 46% 6% 12%
FONTE: FERREIRA, Fernanda V. Elaborado a partir de dados coletados em edições do Jornal
Nacional. Brasília, 2007.
Ao observar o gráfico, é possível afirmar que a editoria de polícia é a que teve o maior número de representações dos indivíduos anônimos em relação a todo o conteúdo em que apareceram representados. Do total do telejornal, 46% das vezes em que os indivíduos anônimos foram incluídos nas produções jornalísticas, sua representação estava direta ou indiretamente ligada a assuntos como violência, crimes e tragédias que ocorriam, principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e no interior do País, por ocorrência dos ataques do PCC, como mencionado anteriormente. Dessa forma, os indivíduos anônimos representados quase sempre eram protagonistas da violência ou sofriam a ação da criminalidade.
Aqueles que protagonizavam os crimes (10%) foram cidadãos de terceira classe, em sua maioria, sem educação formal, pertencentes a classes sociais mais desfavorecidas, moradores de favelas e morros nos grandes centros urbanos, pertencentes a facções criminosas, principalmente ao PCC, e eram representados sendo presos, promovendo desordens sociais ou provocando pânico nas cidades e em presídios em todo o País. Ademais, existiam aqueles indivíduos anônimos representados que eram moradores de favela, aposentados, parentes de policiais mortos, donas-de-casa, pedreiros e motoristas, ou seja, foram indivíduos da primeira e segunda classe. No total, os indivíduos anônimos que foram fontes do telejornal, representaram cerca de 15% dos 46%.
As fontes oficiais da editoria de polícia eram, geralmente, delegados de polícia, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, o secretário de Administração Penitenciária, representantes do Departamento Nacional de Penitenciárias e o governador do estado de São Paulo. Nessa editoria predominou o uso de fontes oficiais representando um total de 85% das fontes utilizadas, enquanto o uso de fontes oficiosas quase não teve significância, visto que, quando o representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos foi citado, não pôde falar ao telejornal.
Outra editoria que noticiou violência foi a internacional, quando retratou a situação vivida por brasileiros em meio a conflitos no sul do Líbano. Nesse período, matérias divulgaram as ações diplomáticas brasileiras mostrando que autoridades do Brasil estavam
fazendo de tudo para resolver os problemas desses cidadãos, em torno de 1,6 mil pessoas envolvidas nesses conflitos. Aviões foram enviados no sentido de resgatar os brasileiros que não foram representados pelo telejornal, mas tiveram sua situação de risco publicizada. Nessa matéria, a idéia passada foi a de que o Brasil faria de tudo para resolver a situação, demonstrando um Estado forte e capaz de sanar os problemas de seu povo. Em menor proporção, 16%, os indivíduos anônimos foram representados na editoria de política. Nesse caso, o eram apenas por imagem e não falavam para o telejornal. Essa temática tinha como fontes de informação as de caráter oficial (70%), que sempre foram identificadas por legenda e correspondiam ao alto escalão do governo (presidente da República, ministros da Justiça, da Fazenda, do Trabalho, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, deputados, governadores, principalmente do estado de São Paulo, presidente do Senado, e presidentes das Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) do tráfico de armas, ambulâncias e dos Conselhos de Ética que investigavam os casos de corrupção). As fontes oficiais representaram 100% da editoria de política, na qual não houve participação de indivíduos anônimos, salvo quando funcionavam como pano de fundo para o conteúdo do telejornal, representados apenas por imagens rápidas e, muitas vezes, desfocadas.
A editoria nacional, com um percentual de 14% em relação à totalidade da amostra, tratou de assuntos ligados a saúde, educação e infra-estrutura. Nessa editoria, os indivíduos anônimos normalmente eram apresentados sofrendo com a falta de infra-estrutura, a precariedade do atendimento na rede pública de saúde e em matérias que buscaram demonstrar a carência de educação básica e formal dos brasileiros. Os indivíduos ofereceram os seus relatos ao telejornal e contaram as suas angústias que viviam pela ausência do Estado nessas áreas. Os assuntos mais comuns diziam respeito à educação superior, em que movimentos de organizações que lutam contra a discriminação racial, como a Educafro, bem como o Movimento dos Sem-Universidade e a Associação Nacional dos Dirigentes do Instituto Federal de Ensino Superior (Andifes) eram fontes oficiosas de informação; a temática de saúde também foi importante, visto que doenças desconhecidas faziam vítimas no Rio Grande do Norte e no Maranhão, nesse caso, as fontes oficiosas eram médicos, pediatras, secretários de estado de saúde; matéria sobre a necessidade de doar sangue, na qual pôde contribuir a diretora do hemocentro Hemorio; matérias que noticiaram desmoronamentos e chuvas que deixaram desabrigados e cidades em estado de calamidade pública, como Xaxim, em Santa Catarina, e aquelas que mostravam a situação dos aeroportos e, sobretudo, da venda da Varig.
Nessa editoria, poucos indivíduos anônimos falaram para o telejornal, apenas donas de casa desabrigadas pelas chuvas e pessoas que faziam campanha para que mais indivíduos contribuíssem doando sangue. Sobre a venda da Varig, indivíduos anônimos (passageiros) puderam falar para o telejornal, entretanto, mesmo que tratando de um assunto em que demissões seriam inevitáveis, o telejornal não ouviu os trabalhadores da Varig. Nesse assunto, as principais fontes foram as oficiais, tais como juízes encarregados de analisar o processo de venda da empresa e representantes e diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A editoria de esporte destacou-se pela presença dos indivíduos anônimos de maneira menos negativa do que nas editorias anteriores. A área de esporte foi a que teve maior relevância em comparação com as temáticas que envolveram cultura e lazer na amostra, e tratou de assuntos ligados à Copa do Mundo, enfatizando, principalmente, a seleção brasileira. Torcedores adultos, jovens e crianças foram representados de maneira positiva no telejornal, acreditando nos jogadores da seleção brasileira e fazendo de tudo para ver os jogos da seleção na Alemanha – como uma torcedora que não havia conseguido comprar entradas para o treino, mas em um pequeno espaço dizia conseguir ver tudo, e, mesmo que daquela forma, ela estava satisfeita.
Na editoria de economia, os assuntos que envolveram os indivíduos anônimos estiveram ligados ao mercado de trabalho e aos direitos dos trabalhadores. Nesses casos, os indivíduos foram retratados por imagem ou ainda por imagem e fala. Geralmente, foram representados de maneira positiva102 em matérias que mostraram índices de admissões e pesquisas indicando que havia aumentado o número de pessoas com mais de 50 anos e estavam no mercado de trabalho. Os depoimentos de comerciantes e profissionais liberais demonstraram que eles não queriam sair do mercado de trabalho porque se sentiam ativos, tinham a responsabilidade de sustentar a família, mas preferiam ser patrões porque, dessa forma, sentiriam mais liberdade para trabalhar. Uma outra matéria sobre o crescimento da economia e do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria e da construção civil representou um carpinteiro otimista com o mercado de trabalho. As matérias nas quais os indivíduos anônimos foram representados reclamando seus direitos, por sua vez, a cidadania que exerciam foi passiva, como foi o caso da matéria que mostrou que consumidores queriam saber quantos impostos pagavam pelos produtos. Apenas uma consumidora foi representada e se mostrou indignada com a falta de conhecimento da classe dos consumidores.
38%
62%
Jornal Nacional Jornal da Record
Dentro dessa compreensão, fez-se necessário discutir a representação desses indivíduos anônimos em termos quantitativos. Uma importante observação a ser feita é que das 206 produções jornalísticas, 48 delas contaram com a representação desses indivíduos, seja por meio de imagem, fala ou imagem e fala. Tomando o período de análise como referência, esse dado mostra que os indivíduos anônimos estiveram presentes em 23,3% do conteúdo do Jornal Nacional, de forma que nos outros 76,7%, não foram representados e, por conseguinte, não foram incluídos no conteúdo do telejornal, tanto no que diz respeito à imagem quanto à fala.
GRÁFICO 3 – Representação dos indivíduos anônimos no Jornal Nacional e no Jornal da Record
FONTE: FERREIRA, Fernanda V. Elaborado a partir de dados coletados em edições do Jornal
Nacional e Jornal da Record. Brasília, 2007.
Os indivíduos anônimos em geral foram representados em matérias jornalísticas e, algumas vezes, por meio de imagens em notas cobertas. Entretanto, para entender como esses