Inicialmente, foram realizadas questões com objetivo de conhecer o perfil dos estudantes que estavam participando da pesquisa. Dentre os itens básicos para caracterização do perfil foram definidos: curso em que o estudante estava matriculado, semestre, faixa etária, sexo e cor/raça. Essas perguntas a respeito do perfil seguiram o modelo das características analisadas no Capítulo 4, em relação à totalidade dos estudantes cotistas sociais da assistência estudantil. Assim, foi possível estabelecer parâmetros de comparação.
O questionário foi respondido por um total de 840 estudantes. As perguntas não exigiam resposta obrigatória, assim, caso o estudante não desejasse responder alguma das perguntas ele poderia deixá-la em branco. Por esse motivo, há perguntas que possuem número inferior a 840 respostas. Diante disso, para cada informação analisada sempre foi informado o número total de respondentes e o quantitativo de “sem resposta”, quando era o caso.
Em relação aos cursos em que os estudantes respondentes estavam matriculados verificou-se variedade significativa, tendo em vista a vasta oferta de cursos pela UnB, nos quatro campi. Da totalidade de questionários respondidos (840), 814 estudantes responderam
a essa questão, os quais estavam matriculados em 73 cursos diferentes. Para facilitar a visualização desses dados, optou-se por apresentar os 10 cursos que tiveram maior quantidade de estudantes respondendo ao questionário, conforme consta na Tabela 9, a seguir.
Tabela 9 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por principais cursos (1ºsemestre/2018)
CURSO ESTUDANTES % Letras 70 8,33% Enfermagem 30 3,57% Ciências Contábeis 28 3,33% Farmácia 28 3,33% Agronomia 23 2,74% Ciências Sociais 23 2,74% Serviço Social 23 2,74% Direito 22 2,62% Pedagogia 22 2,62% Terapia Ocupacional 20 2,38% Sem Resposta 26 3,10% TOTAL 840 100,00%
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
O curso de Letras foi o que teve maior quantitativo de estudantes participando da pesquisa, com o número de 70 estudantes, o que representa 8,33% do total. Esse curso possui diversas opções para matrícula, como Letras Português, Inglês, Francês, Espanhol, Japonês, Tradução, Língua de Sinais Brasileira (Libras), dentre outras. Essa variedade de opções dentro do mesmo curso pode justificar o quantitativo elevado de discentes cotistas sociais que cursam Letras, participam dos programas de assistência estudantil e responderam ao questionário desta pesquisa.Esta informação coincide com a análise empreendida no Capítulo 4, quando se observou que o curso de Letras é o que possui maior quantidade de estudantes cotistas sociais na assistência estudantil.
Ainda em comparação aos cursos dos estudantes expostos no Capítulo 4, verifica-se convergência nas informações, visto que os 10 cursos com maior número de estudantes cotistas sociais participando dos programas de assistência estudantil também são, na quase totalidade, os 10 cursos delineados aqui em relação aos respondentes do questionário. A única diferença é que nos dados gerais apresentados no capítulo anterior não constava o curso de Terapia Ocupacional e em seu lugar estava o curso de Ciências Biológicas, que não aparece aqui. Os demais cursos se repetem dentre os 10 primeiros. Isso evidencia que a análise
desenvolvida a partir do questionário contempla a diversidade dos cursos e, consequentemente, dos estudantes cotistas sociais participantes da assistência estudantil. O Gráfico 5 evidencia os 10 principais cursos dos estudantes respondentes ao questionário.
Gráfico 5 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por principais cursos (1ºsemestre/2018)
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
Apesar da diversidade de cursos assinalados pelos estudantes, é importante destacar a dificuldade enfrentada por discentes das camadas populares para acessar cursos de alta demanda. A pesquisa desenvolvida por Ristoff (2014), ressalta, por exemplo, os cursos de Medicina, Odontologia e Direito, como cursos com elevada demanda e frequentados, majoritariamente, por estudantes com alta renda per capita familiar e provenientes de escolas particulares. Contudo, os resultados de sua pesquisa revelam um princípio de mudança do perfil dos estudantes desses cursos em decorrência da Lei de Cotas. Diante disso, o autor reconhece “a importância da Lei das Cotas para a geração de oportunidades a estudantes das escolas públicas em cursos de alta demanda nas IFES” (RISTOFF, 2014, p. 739). O Gráfico 5 reforça esse fato ao evidenciar o curso de Direito como um dos principais cursos dos estudantes cotistas sociais.
Além do curso em que o estudante estava matriculado, também foi questionado o semestre que estava cursando. A esse respeito, foram encontrados percentuais mais representativos nos primeiros semestres do curso até o 6º semestre. Número majoritário
70 30 28 28 23 23 23 22 22 20 0 10 20 30 40 50 60 70 80 ESTUDANTES
Letras Enfermagem Ciências Contábeis Farmácia
Agronomia Ciências Sociais Serviço Social Direito
que estão no 5º ou 6º semestre, que representam 25,2% do total, conforme apresenta a Tabela 10.
Tabela 10 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por semestre no curso (1º semestre/2018)
SEMESTRE ESTUDANTES % 1º ou 2º semestre 164 19,5% 3º ou 4º semestre 296 35,2% 5º ou 6º semestre 212 25,2% 7º ou 8º semestre 110 13,1% 9º ou 10º semestre 46 5,5% 11º ou 12º semestre 10 1,2% 13º semestre ou mais 2 0,2% Sem Resposta 0 0,0% TOTAL 840 100,0%
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
Observa-se, ainda na Tabela 10, que o percentual de estudantes que estão no 1º e 2º semestres é inferior aos mencionados para o 3º ao 6º semestres, representando 19,5% do total. É curioso observar esse número menor, tendo em vista que, em geral, os estudantes calouros tendem a apresentar maiores dificuldades, não apenas em relação às despesas acadêmicas, mas também no que tange à adaptação ao novo ambiente universitário.
É possível supor que, nos primeiros semestres, os estudantes ainda não tenham clareza sobre todas as informações necessárias para participar dos programas de assistência estudantil ou, ainda, que tenham solicitado participação nos programas, mas não tenham sido contemplados devido à limitação do número de vagas. De todo modo, essas informações mostram a necessidade de proporcionar maior suporte aos estudantes calouros, considerando, inclusive, o risco de abandono do curso no início da trajetória acadêmica.
No que tange à faixa etária dos estudantes que compuseram a amostra da pesquisa, verifica-se entre os respondentes, como mostra a Tabela 11, a prevalência daqueles com idade entre 18 e 22 anos, representando 76,2% do total. Em seguida, estão os estudantes que possuem entre 23 e 27 anos (16,9%). Esse grupo predominante é composto por jovens e representa o período de incentivo ao ingresso na educação superior, conforme prevê o Plano Nacional de Educação (2014-2024), cuja 12ª Meta propõe elevar a taxa de matrícula na educação superior para a população de 18 a 24 anos de idade (BRASIL, 2014).
Tabela 11 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por faixa etária (1º semestre/2018)
FAIXA ETÁRIA ESTUDANTES %
Menos de 18 anos 9 1,1% Entre 18 e 22 anos 640 76,2% Entre 23 e 27 anos 142 16,9% Entre 28 e 32 anos 23 2,7% Acima de 32 anos 25 3,0% Sem Resposta 1 0,1% TOTAL 840 100%
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
No que concerne à raça/cor dos estudantes respondentes, verificou-se quantitativos equivalentes aos observados para a totalidade dos estudantes cotistas sociais participantes da assistência estudantil, conforme apresentado no Capítulo 4. Assim, destaca-se maior percentual para os estudantes que se autodeclararam pardos, representando 52,6%; na sequência, os estudantes autodeclarados brancos, com 23,5%; e os estudantes autodeclarados pretos, com 21,4%. Com menores percentuais encontram-se os estudantes autodeclarados amarelos (1,3%) e indígenas (0,4%). Nota-se que 0,8% dos estudantes marcaram a opção “outro”, a qual equivale a 7 estudantes. A Tabela 12 evidencia esses números, cuja representação está expressa no Gráfico 6.
Tabela 12- Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por raça/cor (1º semestre/2018)
RAÇA/COR ESTUDANTES % Pardo 442 52,6% Branco 197 23,5% Preto 180 21,4% Amarelo 11 1,3% Outro 7 0,8% Indígena 3 0,4% Sem Resposta 0 0,0% TOTAL 840 100,0%
Gráfico 6 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por raça/cor (1º semestre/2018)
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
Em relação ao sexo dos participantes da pesquisa, mantém-se a predominância das estudantes do sexo feminino, representando 60,6% do total. Os estudantes do sexo masculino constituem 39,1%, de acordo com a Tabela 13.
Tabela 13 - Estudantes cotistas sociais da Assistência Estudantil da UnB, participantes da pesquisa, por sexo (1º semestre/2018)
SEXO ESTUDANTES %
Feminino 509 60,6%
Masculino 330 39,3%
Sem Resposta 1 0,1%
TOTAL 840 100,0%
Fonte: elaboração própria, a partir das informações do questionário aplicado aos estudantes.
Em resumo, no que concerne às características de perfil dos estudantes que responderam ao questionário, constata-se que a quantidade de respostas obtidas representa de maneira próxima a realidade dos estudantes cotistas sociais participantes da assistência estudantil, conforme analisado no Capítulo 4. Isso mostra que apesar de não ter sido possível realizar uma amostra por subgrupos, como era a proposta inicial, ainda assim, obteve-se uma diversidade de respondentes. Este fato empírico possibilitou alcançar variadas respostas nos
52,60% 23,50% 21,40% 1,30% 0,80% 0,40% 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 %
5.2. Acesso dos estudantes cotistas sociais aos Programas de Assistência Estudantil da