• No results found

4.4 Hva er depresjon?

4.4.3 Løsningen: Det finnes hjelp

A Crise de 1929 teve impactos de extrema relevância para o con- junto da economia nacional pós-30. Do ponto de vista interno, quebra-se a “espinha dorsal” do modelo primário-exportador, limitando bastante o poder econômico e político da então elite dominante. Do ponto de vista internacional, as restrições causadas pela crise, em especial as limitações de créditos e as dificuldades de importação, conferem à industrialização nacional prioridade para a política econômica, na busca de maior auto- nomia (CARVALHO, 2007).

Levando-se em conta as dificuldades na consolidação de uma indústria mais robusta, composta por setores conhecidos como Depar- tamento de Bens de Produção e Capital na economia brasileira naquele momento, a recuperação econômica realiza-se sob o comando do setor industrial, sendo São Paulo o local onde se concentrava a quase totalidade dos investimentos industriais. Paralelamente estava em curso também a expansão e diversificação de uma agricultura mercantilizada e moderna.

Da Crise de 1929 até meados da década de 1950, a mudança mais significativa na economia brasileira foi a suplantação do setor agroexpor- tador pelo setor industrial, setor este que passa a ser determinante para a reprodução da força de trabalho, cabendo destaque para a produção de bens de consumo não duráveis que determinavam o crescimento dos outros setores, em um processo conhecido como industrialização restringida.

Na segunda metade dos anos 1950, rompem-se os constrangi- mentos à industrialização nacional em bases mais capitalistas, típicos da fase anterior, dados pela fragilidade das bases técnicas e financeiras do capital (CARDOSO DE MELO, 1975). O período que se inaugura – o da industrialização pesada – a partir de 1956 trouxe mudanças extre- mamente relevantes para a dinâmica econômica, implicando também alterações na agricultura brasileira, como veremos nas próximas aulas.

CEDERJ 69

AULA

4

Podemos concluir, a partir da digressão que fizemos ao longo da história econômica do Brasil, que nossa colonização foi baseada na exploração tanto das riquezas naturais quanto dos nativos e escravos para cá trazidos de modo desumano. Obviamente aí estão as raízes da elevada disparidade na distribuição da renda, da riqueza e da proprie- dade que coloca o Brasil entre as nações com os maiores índices de desigualdade do mundo.

Mesmo com o considerável processo de urbanização e indus- trialização que o Brasil conheceu, articulando e integrando as diversas regionais nacionais, o sistema produtivo inicialmente introduzido aqui, baseado no latifúndio monocultor com gêneros agropecuários destinados ao mercado internacional, produzidos com alta exploração da mão de obra, ainda persiste no país, mantendo uma perene segregação social que precisa ser enfrentada.

Modelo primário-exportador ou modelo agrário-exportador é geral- mente caracterizado pelo período de 1500 a 1930, no qual a economia tem como atividade principal a agricultura monocultora voltada para a exportação. O mercado interno é modesto e sem dinâmica própria, dependendo quase que exclusivamente da dinâmica externa que demandava nossas exportações.

Industrialização restringida é entendida como o processo de interna- lizarão da dinâmica econômica que ocorreu entre os anos de 1930 e até a introdução do Plano de Metas, em 1955. Este processo tem na indústria sua principal força, contudo ela ainda apresenta bases técni- cas e infraestruturais limitadas, produzindo bens de consumo, sendo ausentes as indústrias voltadas, por exemplo, aos bens de produção como máquinas e equipamentos.

Industrialização pesada é o processo que ocorre no Brasil após o Plano de Metas e consiste em internalizar a indústria de bens de produção, retirando os entraves à expansão das demais indústrias nacionais. Como exemplo podemos citar a instalação de usinas siderúrgicas, metalúrgicas, petrolíferas, além de usinas hidrelétricas e, entre outras, as indústrias voltadas para a produção de máquinas e equipamentos.

Apresente, em linhas gerais, a transição pela qual passou a economia brasileira de agrário- -exportadora para industrializada.

Resposta Comentada

Os efeitos multiplicadores do complexo cafeeiro que estimularam diversos outros seto- res e atividades da economia foram fundamentais para dar peso ao setor industrial em formação. Com a Crise de 1929, internamente o poder político e econômico das oligarquias rurais foi abalado e isto, somado às restrições internacionais causadas pela crise, contribuiu sobremaneira para que o governo de Vargas pudesse dar prioridade às políticas voltadas à industrialização propriamente dita. Até meados da década de 1950 assistimos à consolidação do processo de industrialização nacional caracterizado pela indústria de bens de consumo como eixo dinâmico da economia nacional.

Atividade Final

3

No período compreendido ente os anos de 1500 a 1930, o Brasil foi caracterizado como uma economia primário-exportadora ou agrário- exportadora, tendo como principais eixos econômicos primeiro a cana-de- -açúcar, depois o período da mineração, sendo substituído pelo complexo cafeeiro. Em que pese a existência de alguns produtos de importância regional, o denominador comum desse período foi o latifúndio monocultor. As alterações na organização do trabalho (de escravo para livre) não contribuíram com a diminuição da concentração da propriedade. Por fim, vale ressaltar que o complexo cafeeiro foi fundamental para que a renda oriunda das atividades rurais transbordasse para outros setores da economia, iniciando, a partir da década de 1930, um processo de industrialização nacional que começa restringido, mas avança para uma industrialização pesada em meados do século XX.

CEDERJ 71

AULA

4

INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

Na próxima aula, vamos nos deter no debate sobre a questão agrária nacional levado a cabo por intelectuais, organizações sociais e partidos políticos, com fortes implicações sobre as análises da problemática agrária que se deram posteriormente.

objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:

identificar as principais contribuições dos autores apresentados sobre os problemas agrários;

estabelecer as relações aparentes entre questão agrária e crise urbana, notadamente na obra de Ignácio Rangel; compreender como a estrutura agrária analisada por Celso Furtado poderia dificultar a industrialização nacional.

5