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4.4 Hvor grensen for stansningsrettens opphør må trekkes i situasjoner som kan oppstå i

4.4.1 Transportkjøp

4.4.1.4 Løsøreobjektet befinner seg hos tredjeperson

Diversas são as propostas de definição dos conceitos associados ao turismo religioso, cultural e ao património a ele associado, mas que não se procuram compilar exaustivamente na presente dissertação. Anotam-se alguns alicerces referentes ao património cultural, no intuito de dar forma à construção da ideia central que é a ligação das memórias de Santiago no Algarve aos itinerários dos peregrinos a Santiago de Compostela.

De acordo com Santos (2006), em termos quantitativos, o turismo religioso é, no mundo ocidental, cada vez mais importante a nível social e económico, excedendo grandemente as peregrinações, que por muitas razões económicas, sociais e culturais inerentes aos tempos modernos, foram diminuindo o seu peso nas deslocações aos lugares sagrados. Mais, um número crescente de itinerários de turismo religioso aproxima-se de formas de turismo cultural, integrando motivações culturais mais profundas do que o habitual, para além dos objetivos religiosos principais, os quais incluem a participação em atividades religiosas, ainda que com motivação religiosa menos intensa e mais pontual, e que tendem a exigir um padrão de qualidade e conforto nas infraestruturas cada vez mais elevado, em comparação com os peregrinos.

Num estudo sobre o papel do turismo religioso nos territórios, Sousa e Pinheiro (2014) fazem um resumo das definições existentes sobre esta tipologia turística, a qual inserida, à priori, no segmento turismo cultural, se encontra amplamente vinculada com a religião (crenças, valores, símbolos, patrimónios, entre outros). Realçam como considerado oficial o conceito da Conferência Mundial de Roma de 1960, que, citado por diversos outros autores, define o turismo religioso enquanto:

“atividade que movimenta peregrinos em viagens pelos mistérios da fé ou da devoção a algum santo. Na prática, são viagens organizadas para locais sagrados, congressos e seminários ligados à evangelização, festas religiosas que são periodicamente, espetáculos e representações teatrais de cunho religioso”. (http://www.eumed.net/rev/turydes/17/lamego.html consultado em 20/08/2016)

Dissertação de Mestrado – Marketing Turístico 85 Sublinha também tratar-se de um tipo de turismo que conjuga atividades turísticas associadas à busca espiritual e à prática religiosa, em determinados espaços e/ ou por altura de determinados eventos.

Já o turismo cultural é entendido pela Organização Mundial de Turismo (OMT) como o tipo de turismo que se caracteriza pela “procura por estudos, cultura, artes cênicas, festivais, monumentos, sítios históricos ou arqueológicos, manifestações folclóricas ou peregrinações”, incluindo sítios arqueológicos e monumentos históricos, mas também manifestações artísticas, valores e formas de vida, patrimônio, idiomas e atividades cotidianas, entre outros. Assim o apresenta Morais (2012:03) que complementa a definição citando Moletta, que caracteriza o turismo cultural como “motivação do turista em conhecer regiões onde seu alicerce está baseado na história de um determinado povo, nas suas tradições e nas suas manifestações culturais, históricas e religiosas”

Figura 40: Relação entre turismo cultural, turismo religioso e turismo espiritual, baseada em recursos religiosos comuns às três categorias

Fonte: McGettigan, 2003, traduzido por Santos, M.G.M.P. (2006). Espiritualidade,

Turismo e Território – Estudo Geográfico de Fátima. Estoril: Ed. Princípia

Na Figura 40, o património religioso é o ponto de encontro entre o turismo religioso e cultural, e o denominado turismo espiritual, ao qual McGettigan, citada por Santos,

Dissertação de Mestrado – Marketing Turístico 86 atribui uma nova classificação diferenciada e justificada na medida em que tem um alcance mais alargado que o turismo religioso, mas mais estreito que o turismo cultural.

As práticas turísticas espirituais partilham com o turismo cultural “o desejo de obtenção de um sentimento de bem-estar mental/ intelectual, abrangendo as situações de um turismo espiritualmente motivado, em que a presença em sítios de cariz religioso é a finalidade principal da deslocação e o modo de utilização predominante do tempo de férias” (pág. 274). A motivação religiosa é mais ou menos forte quanto mais próximo se posicionem do turismo religioso.

Falcão (2002) realça que parte muito significativa do património cultural português é propriedade da Igreja Católica, o que indicia que um dos produtos potencialmente com maior expressão em Portugal é o “turismo religioso”96.

Poderá entender-se a base da atual articulação entre o religioso e o cultural segundo Volozinskis que, citado por Santos (2006), explica “em resultado da marcada diminuição da prática religiosa que afeta os países europeus, se assinalou a circunstância de «as igrejas se esvaziarem para o culto, enquanto se enchem o resto do tempo com turistas de passagem, frequentemente não-cristãos»” (pág. 248). A interpretação do património religioso por parte de visitantes não religiosos aparece como veículo cultural que preencheria uma função de substituição do espiritual mais ou menos enfraquecido, e origina novas interações entre a religião e as diversas formas de concretização da atividade turística.

A motivação pela fé e pela sociabilidade inerente às migrações temporárias aos lugares sagrados, mantém a natureza que historicamente foi manifestando, mas associa-se na atualidade, como supramencionado, a diversas formas de lazer que lhes confere a “ambivalência entre o sagrado e o profano”. Por outras palavras, o turismo religioso combina diversas motivações, atividades, espaços e atores que o fazem ampliar-se do

96 Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), que expirou em 2015, havia já considerado o

Turismo Religioso com produto estratégico. Esta definição é abandonada por completo no documento que se encontra atualmente em discussão pública para 2016-2020, por se considerar uma tarefa desatualizada e desadequada ao propósito de promover um destino turístico ágil e dinâmico. Passa a ser considerado estratégico todo o produto, que “de forma sustentável e integrada no território, souber dar resposta às motivações turísticas através de um modelo de negócio também ele sustentável.”

Dissertação de Mestrado – Marketing Turístico 87 espectro das peregrinações, dos eventos litúrgicos ou festividades religiosas tradicionais. No trabalho sobre a promoção e dinamização do turismo religioso como motor de desenvolvimento regional elaborado por Almeida (2013), para a Associação Comercial de Braga, encontram-se identificados pontos importantes para a caracterização atual do turismo religioso, nomeadamente:

 os eventos religiosos afirmaram-se sociologicamente através da tradição cultural e adquiriram marca de identidade de lugares e de comunidades;

 as viagens estruturadas em função de motivações religiosas são, em grande parte, viagens turísticas, apesar da multidimensionalidade que assumem, pois combinam crescentemente os elementos religiosos com a valorização turística e de lazer;

 o carácter espiritual dos espaços alvos destas viagens concede uma forte especificidade a este produto turístico;

 os fatores de atratividade que sustentam os destinos de turismo religioso não têm uma relação exclusiva com a religiosidade, mas envolvem também aspetos culturais, artísticos, históricos, paisagísticos e ambientais dos lugares e das suas populações, e não apenas os grandes centros de peregrinação ou santuários;  os grandes centros de religiosidade são como que janelas de comunicação entre

o Céu e a Terra, espaços alvos de uma sacralização sustentada em ideários teológicos, na fé e em crenças populares, onde os peregrinos buscam uma certa quietude interior, um equilíbrio espiritual (psicológico) necessário para enfrentar com êxito os desafios do quotidiano.

 o Turismo Religioso tem ligações fundamentais com o Turismo Cultural, bem como com o Touring, o Turismo de Eventos e os Short-Breaks, entre outros produtos turísticos.

A motivação do turismo cultural, em que se compreende também o turismo religioso, está ligada aos aspetos da cultura humana, representados por meio de património cultural material, imaterial e natural97. A cultura é uma condição de produção e reprodução da sociedade, como refere Meneses, citado por Cruz (2012), pelo que todo

97 O termo património cultural contempla também o património natural, pois o ambiente é produto

Dissertação de Mestrado – Marketing Turístico 88 património, material ou imaterial, é cultural e reflete os valores que foram definidos no “complexo jogo de forças presente no interior de uma sociedade”98(pág.95).