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Læringsmiljøets betydning for etisk bevissthet

In document "Balansekunst i det godes tjeneste" (sider 69-80)

5. Analyse og drøfting

5.3 Læringsmiljøets betydning for etisk bevissthet

O Programa High Scope, foi criado em 1962, por David Weikart, em Ypsilanti, Michigan, nos EUA, no contexto de uma perspectiva desenvolvimentista. Desde sua criação já passou por três fases estando hoje em sua quarta etapa. Inicialmente, é direcionado às crianças com dificuldades de aprendizagem. Fundamentava-se em uma perspectiva de educação compensatória e de preparação escolar futura. Contudo, se contrapõe ao behaviorismo predominante da época e credita o desenvolvimento intelectual da criança a sua ação competente em cada atividade. A influência teórica nessa primeira etapa é a perspectiva ativa de John Dewey.

A partir da segunda fase, o Programa passa a se fundamentar nos estudos de Jean Piaget, sendo assim situado dentro do paradigma cognitivista ou construtivista, que considera a criança como sujeito ativo, construtora do seu próprio conhecimento. Em que pese essa premissa, define a função da escola como promotora do desenvolvimento psicológico das crianças e adota um currículo baseado nos estágios de desenvolvimento propostos pela teoria piagetiana e em rotinas rígidas que tem o objetivo de promover “[...] as estruturas próprias de cada estádio (sic) e que permitam que a criança avance para o estádio (sic) seguinte.” (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 1998, p. 59).

Nessa perspectiva, a criança é compreendida como ativa, capaz e construtora de seu próprio conhecimento, desde que tenha no educador e no ambiente institucional a ajuda necessária para consolidação de suas capacidades sob o ponto de vista do desenvolvimento. Essa definição é amparada por Hohmann;

17 O Projeto Infância faz parte da Associação Criança, em Portugal, que contextualiza, estuda e pratica modelos

curriculares de qualidade, sendo que dois são praticados em Portugal: o Movimento da Escola Moderna e o High Scope. O Projeto é desenvolvido mediante três vertentes: a investigação, a formação e a intervenção no terreno. (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 1998).

Banet; Weikart (1979, p. 10) quando afirmam que no contexto do Modelo High Scope “Toda criança é olhada como um indivíduo que constrói o seu próprio conhecimento através de iniciativas partilhadas com os adultos que a apóiam.”

As fases seguintes passam a atender diferentes populações infantis e sua proposta vai sendo aperfeiçoada pelo aprofundamento da leitura dos pressupostos piagetianos, “[...] passa-se agora a pôr a criança em contacto com uma realidade educacional estimulante onde se acredita que ela, por sua iniciativa, constrói o conhecimento, tendo, portanto, o adulto um papel menos directivo (sic) e mais de apoio e suporte.” (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 1998, p. 59).

O currículo de orientação cognitivista passa a ser organizado através de experiências–chave, que envolvem: desenvolvimento social, representação, linguagem, classificação, seriação, número, espaço, tempo e movimento. Essas experiências–chave são desenvolvidas através do triângulo: observação, planificação e avaliação. Na visão de Haddad (2004, p. 14) no Modelo High Scope “A criança aprende no contexto da brincadeira e do trabalho, pelo envolvimento intenso nas atividades ou nos planos que projeta, na relação que estabelece com adultos e outras crianças de diferentes idades [...].”

A organização do espaço é um elemento chave no Modelo High Scope, ele potencializa e cria diversas possibilidades à ação da criança, favorece a autonomia, bem como reflete os princípios educativos da instituição. Esses aspectos são ressaltados na citação abaixo.

As crianças precisam de espaço em que aprendam com suas próprias acções, espaço em que se possam movimentar, [...] construir, escolher, criar, espalhar, edificar, experimentar, fingir, trabalhar com os amigos, [...] sozinhas e em pequenos grupos e grandes grupos. O arranjo desse espaço é importante, porque afecta tudo o que a criança faz. (HOHMANN; BANET; WEIKART; 1979, p. 51).

De acordo com esses preceitos, o espaço é organizado por áreas de vivências: área da casa, área da expressão plástica, área das construções, área do consultório médico, área da biblioteca e da escrita etc. Em cada área são dispostos materiais, que permitem a imersão das crianças em experiências que estão

diretamente relacionadas ao contexto do seu meio social e visam apoiar e promover a autonomia infantil, incentivando escolhas, promovendo experiências e formas de comunicá-las. A atividade do educador é anterior à atividade da criança, “[...] destina-se, antes de mais, a proporcionar a actividade da criança [...]” e a preparação intencional do espaço se constitui na “[...] primeira forma de intervenção da educadora ao nível do currículo High Scope [...].” (HOHMANN; BANET; WEIKART, 1979, p. 69). Dessa forma, o tempo no Programa High Scope, é estruturado considerando tanto aspectos do adulto como da criança, em vista de promover no contexto das experiências, o desenvolvimento e a aprendizagem, assim,

[...] a rotina diária da pré-escola High Scope é constante, estável e, portanto, previsível pela criança. A criança sabe o que a espera, conhece o que antecedeu bem, como conhece o tempo da rotina em que está no momento [...]. Este conhecimento é simultaneamente muitas coisas; [...] é também conhecimento do antes, do depois e do agora. [...] A criança vai conquistando uma forma de viver cada um desses tempos de rotina. [...] A segurança e a independência pessoais, em conjugação com as possibilidades educacionais diferenciadas em cada tempo, permitem escolhas, decisões, acções, tal como permitem diferentes tipos de interacção e sustentam a comunicação. (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 1998, p. 72-73).

Dessa forma, o tempo não tem um modelo único e fixo do início ao fim do ano, os materiais são introduzidos gradualmente de forma que as crianças aprendam a utilizá-los e a cuidar deles. A rotina é estruturada mediante os seguintes componentes: tempo de planejamento, tempo de trabalho, tempo de arrumar, tempo de síntese de memória, de refeição ligeira e de pequenos grupos, tempo de recreio ao ar livre e tempo de trabalho em círculo. Portanto, cada equipe de trabalho, tendo a organização do espaço como potencializador da ação da criança e mediante as experiências–chave, as observações e avaliações das crianças, pode criar possibilidades e estratégias didáticas que respeitem o nível de desenvolvimento em que as crianças se encontram.

No Programa High Scope, a avaliação das crianças serve de fundamentação e reflexão aos educadores e é feita mediante gravações em vídeos e produção de uma vasta documentação individual tendo as experiências–chave como norteadoras. Essa documentação vem se refinando, sendo desenvolvidos

nessa quarta fase, o Perfil de Implementação do Programa e o Registro de Observação da Criança. Tais instrumentos têm a intenção de identificar o nível de desenvolvimento cognitivo em que a criança se encontra e assim subsidiar os planejamentos posteriores.

A relação família-escola é iniciada antes da chegada da criança à escola mediante entrevista e continua durante o período de adaptação e em etapas posteriores através de estratégias de apoio e encorajamento como visitas domiciliares, elaboração de experiências–chave específicas para os pais, reuniões da equipe pedagógica com participação de pais etc. (HOHMANN; BANET; WEIKART,1979).

As contribuições que esse currículo pode trazer para outras práticas centram-se, segundo Formosinho (1998), na crença na atividade da criança como central na ação educativa e na reconceitualização do papel do adulto, mas também no que o currículo representa, em suas diferentes fases, largamente documentadas, da “[...] construção progressiva de conhecimento sobre a educação pré-escolar, através da ação e da reflexão sobre ação: da criança, do educador, do investigador e de todos na ação educativa” (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 1998, p. 56).

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