2 Teoretisk ramme
2.2 Læring, engasjement og undervisning
0 Com novas obrigações e aumento dos encargos (inclusive as taxas de direito autoral), as emissoras estavam fadadas ao fechamento ou à estagnação diante da falta de condições de obterem recursos para a sua manutenção, muito menos para o seu desenvolvimento. Até os primeiros anos da década de 30, as estações, por determinação estatutária, legalmente não podiam aceitar anúncios ou patrocínios.
Como eram sustentadas por sócios mantenedores, o grande desafio das rádios era aumentar o número de contribuintes ou, pelo menos, não perder os que já faziam parte da lista, como revela o pioneiro produtor Renato Murce. Em entrevista à Revista Visão, ele revela que muitos dos sócios não pagavam as mensalidades, deixando as emissoras em situação financeira ainda mais precária: “a constância não é uma virtude muito brasileira, depois de alguns meses, ninguém pagava mais”.
Além disso, relata o produtor Dermirval Costa Lima, as primeiras emissoras, além de sofrerem com o amadorismo, acabavam reféns dos que controlavam a sociedade mantenedora, atendendo a interesses dos grupos que se perpetuavam à frente das direções das estações. “E o rádio ia se arrastando, no seu amadorismo marrom, servindo para a vaidade dos presidentes, sempre reeleitos.” (LIMA apud GURGUEIRA, 1995)
Diante disso, por uma questão de sobrevivência, muitas emissoras burlavam a lei, começando informalmente a veicular publicidade através de referências a estabelecimentos, envio de abraços para proprietários e outras medidas. “Em 1931, quando surge o primeiro documento sobre radiodifusão, o rádio brasileiro já estava comprometido com os ‘reclames’ – os anúncios daquele tempo – para garantir sua sobrevivência” (ORTRIWANO, 1985, p. 15).
Para reverter as dificuldades financeiras das emissoras e proporcionar o seu desenvolvimento, o Estado criou uma série de medidas compensatórias. Como forma de
1 popularizar a radiodifusão, o Governo Provisório aboliu as taxas pagas pelos ouvintes para que os aparelhos fossem instalados em suas casas24. Porém não bastava regulamentar as emissoras ou isentar o ouvintes de tributos. Era preciso criar um mecanismo que possibilitasse às estações uma outra forma de captação de recursos.
O pontapé inicial para isso veio através do decreto nº 21.111, de 1º de março de 1932, que liberou a veiculação de anúncios comerciais25.
O Governo mostra, a partir dos anos 30, preocupar-se seriamente com o novo meio... passando a imaginar maneiras de proporcionar-lhe bases econômicas mais sólidas, concretizadas pelo Decreto nº 21.111, que autorizava a veiculação de propaganda pelo rádio, tendo limitado sua manifestação, inicialmente, a 10% da programação, posteriormente elevada para 20% e, atualmente, fixada em 25%. (ORTRIWANO, 1985, p.15)
Para o setor, esse foi o divisor de águas entre os períodos pré e pós-liberação da publicidade. “As emissoras passam a veicular novos produtos ao mesmo tempo em que articulam as massas no processo de consumo.” (SANTOS, Maria S. T., 1985, p.58)
Uma das formas de medir o sucesso de uma propaganda é a quantidade de pessoas que têm acesso a ela. Para aumentar o número de ouvintes, as emissoras começaram a popularizar as suas programações. As óperas, músicas clássicas e
24 Cf. GURGUEIRA, 1995.
25 Os anúncios eram chamados na época de reclames. A maioria era feita ao vivo por locutores
especializados na leitura das propagandas, que eram chamados de locutores comerciais. Cf. REVISTA NOSSO SÉCULO. Capítulo III: A era do rádio local.
2 programas educativo-culturais, que marcaram os primeiros anos da radiodifusão, praticamente foram banidos do dial26.
Apesar de ter entregue a exploração das emissoras a particulares, através da nova legislação implantada e de outros dispositivos que foram sendo desenvolvidos, o Governo foi cada vez aumentando mais o controle sobre o veículo.
A entrada de dinheiro dos anunciantes possibilitou às estações ter uma administração profissional, aumentando o interesse de empresários pelo veículo. Assim, as rádios seguiam rumo ao desenvolvimento e se organizavam em associações e promoção de eventos conjuntos.27
Mas não foi somente a sustentabilidade publicitária que garantiu o avanço do setor. O aumento da industrialização e o barateamento dos aparelhos foram fortes aliados para a revolução do meio rádio a partir da década de 30.
26 Termo que designa a escala graduada em que estão indicadas freqüências e/ou comprimentos de
onda de diferentes emissoras de uma mesma faixa de operação.O processo de seleção de sintonia fica indicado na escala ou dial. Cf. PORCHAT, 1989, p. 173.
27
Em 1933, já era grande o número de emissoras que sentiamnecessidade de criar um grupo que negociasse seus interesses junto ao governo e entidades da sociedade. Foi criada a Confederação Brasileira de Radiodifusão (CBR), sendo eleito presidente Alberto Jackson Byington Júnior, o dono das Rádios Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro e de São Paulo, emissoras que aderiram à Revolução Constitucionalista de 32. A associação promoveu a primeira greve do setor após a cobrança pecuniária de direitos autorais relacionados à irradiação de músicas e a produção de programas educativos e culturais. Isso gerou um silêncio no país. As emissoras fecharam as portas por vários dias. Uma das medidas da CBR foi a criação de um programa educativo para ser irradiado por 15 diários em cadeia. A atração se chamava Quarto de Hora da Comissão
Radioeducativa da CBR . Nessa esteira, surgiu, em 1934, a Associação de Emissoras de São Paulo (AESP).
Quem assumiu a presidência foram Eduardo Monteiro, das Associadas, e Paulo Machado de Carvalho, da Record, a emissora que ficou conhecida como a “Voz da revolução de 32”. A Associação Brasileira de Rádio (ABR), surgiu em 1944, no Rio de Janeiro, em defesa do profissional radialista. O primeiro presidente foi Gilberto Andrade e, na vice-presidência, Júlio Barata, que depois foi Ministro do Trabalho nos governos Castelo Branco e Médici. O primeiro secretário era o locutor César Ladeira, que ganhou repercussão nacional como locutor oficial da Revolução de 32. A Associação Brasileira de Rádio criou o concurso Rainha do
Rádio , para arrecadar fundos para a construção de um hospital. As cédulas de votação vinham dentro da Revista do Rádio. A primeira premiação, em 1937, foi promovida pelo Iate Laranjas, barco carnavalesco. O
título ficou com Linda Batista até 1948 quando passou o cedro para a irmã Dircinha Batista. Cf. SAMPAIO, 1984, pp. 159-168.
3 As transformações surgidas no país a partir da Revolução de 1930, com o despontar de novas forças, como o comércio e a indústria, que precisavam colocar seus produtos no mercado interno, aliados a mudanças na própria estrutura administrativa federal, com a forte centralização do poder executivo engendrada por Getúlio Vargas, são o contexto que favorece a expansão da radiodifusão: o rádio mostra-se um meio extremamente eficaz para incentivar a introdução de estímulos de consumo. (ORTRIWANO, 1985, pp 15 e 16)
A iniciativa privada também se empenhava para incentivar o aumento do consumo de aparelhos receptores. A fabricante holandesa Philips lançava a sua emissora de rádio com o objetivo de incrementar a venda dos aparelhos receptores que estava colocando nas prateleiras do comércio brasileiro. Ocupando o espaço 1130 no dial, que depois foi entregue à Rádio Nacional, no ar até hoje, a Philips começou a operar em 1930. Já a gravadora e empresa cinematográfica norte-americana Columbia também fincava sua presença no dial brasileiro através das Rádios Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro e de Sã o Paulo.
A política de desenvolvimento econômico e o processo de industrialização do governo Vargas encontraram no rádio um importante aliado. Ao contrário do jornal, que só poderia ser lido por uma pessoa por vez, o rádio tinha o poder agregador. Eram formados grupos para acompanhar as suas irradiações, que ganhavam eficácia quanto mais vibrantes e reais parecessem. Por isso, tornou-se um dos mais fortes instrumentos para a mobilização das massas, ao mesmo tempo em que padronizava gostos, crenças e valores.
De 1932 a 1937, foram inauguradas 42 novas estações, passando o país a possuir 63, quantidade que pulou para 111 em 1945, quando chega ao fim o Estado Novo.28
Apesar de honrosas contribuições e experiências desenvolvidas por emissoras regionais, desde o início da década de 30, já se observava a concentração em torno da
4 formação de centros produtores no eixo Rio -São Paulo, modelo implantado nesta época e que continua vigente até hoje, mesmo com a ampliação dos segmentos do meio eletrônico, com a chegada da televisão e da internet. “Era comum que o pessoal dos bastidores do rádio viesse trabalhar no Rio de Janeiro... O Rio de Janeiro representava o que se convencionou chamar de meca do setor radiofônico nacional na década de 30.” (TOTA, 1990).
Além da capital federal, São Paulo manteve um importante pólo de produção radiofônica, ajudando, junto com o Rio de Janeiro, a formar o padrão e o modelo radiofônico brasileiro.