O trabalho de campo foi iniciado com uma ampla cobertura fotográfica do conjunto e dos edifícios com o intuito de obter imagens genéricas para documentação. Seguiu-se o levantamento topográfico tradicional destinado à obtenção de pontos nos edifícios e no terreno tendo para o efeito aproveitado algumas das poucas estações restantes implantadas no levantamento topográfico anterior cujas coordenadas geodésicas eram já conhecidas. A partir destes pontos e com novas estações formou-se uma poligonal de apoio com o objetivo de estabelecer um conjunto de referências precisas ao longo do percurso. Nesta tarefa foi utilizada uma estação total Leica TCR 307. Para obtenção dos pontos sobre os edifícios foram utilizados dois meios para a sua referenciação e identificação nas fotografias que posteriormente seriam rectificadas. Utilizaram-se pequenos alvos, simples quadrados de papel fotocopiado com círculos concêntricos e mira quadrangular com cerca de 4cm de lado, colados com fita-cola de dupla face na superfície da parede a levantar, em locais estratégicos e o mais próximo do limite exterior da superfície. Todos os alvos foram fotografados unitariamente e em
conjuntos de, no mínimo quatro. Em situações excepcionais foram utilizados instrumentos apontadores que para os quais foi estabelecido uma regra de medição em que se arbitrava um ponto na continuidade imediata do eixo longitudinal do instrumento utilizado, para garantirem o desejado grau de precisão. Este meio de identificação do ponto medido exigia a simultaneidade de três operadores porque a medição e a fotografia do ponto devem ser simultâneas. Esta identificação obriga a uma enorme coordenação entre os membros da equipa uma vez que o elemento apontador deve permanecer imóvel aquando da medição dos pontos e a toma da fotografia. Embora tenha sido possível medir com rigor alguns pontos, veio a revelar um grau de imprecisão em outros que tornou impossível a correcta rectificação de algumas fotografias obrigando a nova deslocação ao local.
Figura 126 – Aspecto dos alvos colados na parede a levantar Figura 127 – Obtenção de pontos com instrumento apontador
Casos do interior beirão
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Se possível os pontos devem ser agrupados logo no local em layers utilizando códigos diferentes para cada uma das paredes para poderem ser tratados de forma independente e correctamente posicionados na superfície a que pertencem. Caso contrário eles devem ser individualizados em gabinete criando os layers necessários em ambiente Autocad.
O trabalho de campo envolveu, neste caso durante dois dias de campo, três pessoas com distintos papéis:
- O arquitecto que coordenou a equipa e escolheu os pontos de acordo com as necessidades do trabalho de gabinete;
- O topógrafo que operou a estação total; - Um auxiliar para indicar os pontos a fotografar.
A utilização de uma estação total com máquina fotográfica incorporada seria de grande utilidade porque evitaria o recurso ao auxiliar para a identificação dos pontos de controlo. Em casos simples uma única pessoa, sabendo operar a estação total, poderá realizar esta tarefa utilizando os alvos referidos atrás. O nível de conhecimentos para tal varia em função da complexidade do objecto e da finalidade do trabalho, havendo casos em que é útil e suficiente a aprendizagem numa disciplina de Topografia como a ministrada no Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura da UBI. Este aspecto é importante porque um dos objectivos deste estudo é a simplicidade, acessibilidade e baixo custo do método proposto para um levantamento arquitectónico.
A equipa de trabalho convencionou algumas regras a seguir, por exemplo a que distância e em que direcção deve ser medido o ponto-objecto para uma exacta localização na fotografia. Ainda no campo, simultaneamente ou não, mas com conhecimento exacto dos pontos medidos, fez-se o levantamento fotográfico tendo em conta as regras “3x3” referidas no ponto 3 do capítulo 5.
As fotografias foram obtidas utilizando na grande maioria das vezes uma distância focal de cerca de 8 mm (correspondendo a uma grande angular de 32 mm numa câmara de 35 mm) com distância entre câmara e objecto de 10 a 12 metros.
Do trabalho de campo resultam dois tipos de conjuntos de dados a tratar em gabinete: pontos medidos e fotografias de pontos e de superfícies que necessitam ser convenientemente organizados.
A construção de um modelo tridimensional georreferenciado é parte fundamental da representação do edifício estudado. O modelo tridimensional permite a utilização de ferramentas do AutoCad para obtenção de vistas automaticamente com determinados pontos de vista perspectívica, secções automáticas segundo planos determinados e informações
geométricas e de massa do objecto. Através do comando “Massprop”, desde uma fase muito inicial, podemos obter valores essenciais para o projecto nas suas diversas especialidades tais como massa, volume, limites do sólido, centróide, momentos de inércia ou produtos de inércia. O desenvolvimento detalhado do tratamento dos dados obtidos no campo é, como já referido, tratado no anexo 1.
Por motivos de apresentação e lógica sequencial dos elementos de inventário estes apresentam-se agrupados em quadros ou em imagens pela ordem proposta no quadro 4 (página 111). No entanto, deve ter-se em consideração que se prevê a integração destes elementos em bases de dados, pelo que a sua organização e acesso é passível de apresentar diferentes formas de visualização. Por já terem sido referidos anteriormente ou fazerem parte da bibliografia omitem-se os elementos com o nº de ordem 16, 20, 21, 22, 23, 24 e 25 respectivamente Equipamentos e técnicas de levantamento, Objectivos do levantamento, Documentação, Observações, Constituição da equipa, Cronologia do levantamento e do registo e Tipo de registo.