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Lærernes utfordringer med tilpasset opplæring for elever med språkvansker

Algumas táticas conectam-se no hibridismo metodológico desta pesquisa que tem seu início no método diagnóstico-avaliativo de experiências em EA, mas que evidencia fortemente sua tendência nos campos da pesquisa qualitativa historiográfica aliada à pesquisa participante. A coleta de dados deu-se mediante observação-participativa, embora já nos primeiros diagnósticos da EA, tornou-se uma participação-observante enquanto enraizadores da EA pelo Governo Federal, sem se despir do rigor investigativo ao enfrentar o maravilhamento das histórias orais dos habitantes do Acre:

“A história oral, como todas as metodologias, apenas estabelece e ordena procedimentos de trabalho – tais como os diversos tipos de entrevistas e as implicações de cada um deles para pesquisa, as várias possibilidades de transcrição de depoimentos, suas vantagens e desvantagens, as diferentes maneiras como os historiadores relacionam-se com seus

entrevistados e as influências disso sobre seu trabalho – funcionado como ponte entre teoria e prática (AMADO, et al., 2005, p. XVI).”

Field (2006) considera que a história oral emerge de um contexto particular de lutas contra as dominações entre as classes sociais. Normalmente, privilegia pessoas ou grupos sociais marginalizados, possibilitando que suas narrativas sejam registradas como documento importante a qualquer tipo de estudo. Entretanto, o pesquisador também evidencia diversos estudos de caso de entrevistas orais com a elite, freqüentemente combinando a gravação da entrevista com imagens que sejam “vendáveis”. A história oral é uma metodologia que possibilita observamos que a memória vive e é muito mais atrativa nos estudos biográficos, como o de Chico Mendes, em diagnósticos de lendas ou fábulas da mitologia amazônica, ou nas tradições culturais de povos indígenas que não têm o hábito da escrita, mas cujos ensinamentos são dinamicamente narrados de geração a geração. O autor é incisivo em discordar que a história oral dá voz aos silenciados, pois ele reconhece que mesmo os marginalizados possuem suas vozes, audíveis pelos seus pares ou em âmbitos familiares. O problema é o tamanho da audiência e, obviamente, a eficiência de sua disseminação em vastos campos de poder.

Brandão (1983) afirma que Malinowski é o criador da pesquisa participante, reforçado por Paulo Freire, a qual exige compromisso e ética por parte dos envolvidos, desde que penetre no trabalho histórico e nos projetos de luta do outro, a quem, mais do que conhecer para explicar, a pesquisa deve compreender para servir. Transcendendo o objeto da pesquisa (o quê?), e o método investigativo (como?), a historiografia participante exige uma questão prévia (para quem?): o destino e o protagonismo dos envolvidos no cenário da pesquisa. Em outras palavras, a pesquisa não revela o utilitarismo ingênuo da intervenção, mas evidencia a preocupação com os sujeitos na ruptura dicotômica do “sujeito-objeto” à validação do diálogo “sujeito-sujeito”.

Esse processo veio sendo construído desde a nossa participação como consultores do projeto do WWF-Brasil, “Levantamento-Diagnóstico das Experiências em Educação Ambiental na Amazônia”, que envolveu os estados do

Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá (SATO; TAMAIO; MEDEIROS, 2002). Iniciamos os trabalhos de campo pela coleta de dados, visitando os sujeitos, realizando reuniões, participando da organização de encontros de EA nesses estados, bem como auxiliando no processo de execução do projeto. Especificamente no recorte desta pesquisa, a equipe fez viagens constantes ao estado do Acre onde foram realizadas diversas reuniões com educadoras e educadores ambientais atuantes em coletivos, como a Comissão Estadual de Educação Ambiental (COMEEA) e a Rede Acreana de Educação Ambiental (RAEA). O enorme banco de dados foi avaliado participativamente por meio de 16 critérios escolhidos em diálogos, muitas vezes tensivos, porém não demarcam olhares externos, pois foram frutos de proposições dos próprios sujeitos, mediados pela equipe do WWF-Brasil (SATO et al., 2001).

A necessidade de sustentabilidade conduziu a escolha do estado acreano nos programas oficiais do Governo Federal, no marco do “Programa de Enraizamento”, que permitiu melhor compreensão da dinâmica, das metamorfoses e experiências em EA. A atuação participativa nesse processo facilitou a etapa posterior de investigação, que culminou em 21 entrevistas gravadas com lideranças populares, tanto indígenas quanto seringueiros do estado do Acre, além de pessoas envolvidas diretamente no processo de construção da luta socioambiental pela Amazônia acreana.

A história oral recuperou narrativas de dois líderes indígenas: um cacique Unikuin, denominado pelos antropólogos de Kaxinawá, e, também, o vice-prefeito do município de Jordão, no vale do Juruá; e uma jovem liderança dessa mesma etnia, um cacique Ashaninca. Nossas entrevistas envolveram diversos seringueiros de Xapuri e Brasiléia e ex-seringueiros que vivem na periferia de Rio Branco, além do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Incluímos ainda o secretário de formação e comunicação do Sindicado dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e Epitaciolândia; o fundador e vice-presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e ex-prefeito de Xapuri pelo Partido dos Trabalhadores (PT), considerado o substituto de Chico Mendes; a presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA); o presidente da Cooperativa da Reserva Extrativista Chico Mendes; além do presidente da Associação João Barbosa de

Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes. Soma-se à lista, a filha de Chico Mendes, hoje presidente da Fundação homônima.

Além do cenário dos seringais, a entrevista também envolveu um jornalista correspondente do jornal Folha de S. Paulo na época do assassinato de Chico Mendes, que deu visibilidade internacional ao fato; a presidente da ONG Vertente e uma das fundadoras do PT no Acre; um membro da ONG SOS Amazônia; um membro da Comissão Pró-Índio do Acre; a gerente de educação ambiental do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC); e a coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A rigorosa entrevista com a própria Ministra do Meio Ambiente, filha do Acre e ex-seringueira, sobre a sua trajetória na luta socioambiental no estado e a sua carreira política junto ao PT, encerra com chave de ouro a longa lista de 21 entrevistados.

Em particular, neste texto, o foco concentra-se na história de Chico Mendes e na leitura desta personagem central acerca do ecologismo internacional, tendo substrato também em documentos oficiais, como do Conselho Nacional dos Seringueiros, em Rio Branco, nos dois acervos de Chico Mendes existentes no Sindicado dos Trabalhadores Rurais e na Câmara de Vereadores de Xapuri. Encontramos ainda outras fontes sobre a atuação dele como sindicalista e vereador e nos documentos na Casa dos Povos da Floresta, no Parque da Cidade, em Brasília. Obviamente, reconhecemos a incompletude de nosso existir e, sem a pretensão de lançar o veredicto final, a vasta literatura amazônica e da própria EA consubstanciou as interpretações fenomenológicas do sujeito- aprendiz, que na aprendizagem em comunhão com os outros, ousa uma leitura do mundo acreano na intricada relação do eu-outro-mundo.