• No results found

Læreres forståelse av begrepet evnerike elever

4. Resultater

4.2 Læreres forståelse av begrepet evnerike elever

Pelo o que foi visto, as grandes cidades têm por natureza um grande potencial de atratividade. Portanto, “atrair” não é um problema. O grande desafio é tornar essa cidade mais hospitaleira, de forma a propiciar condições para que o visitante se sinta “em casa”, acolhido, e tenha vontade de permanecer por mais tempo na cidade.

O visitante, no papel de turista, é atraído para a grande cidade por conta de todas as oportunidades que vimos no item anterior. E, ao se deparar com uma cidade hospitaleira, o visitante pode permanecer por mais tempo. Como foi visto no Capítulo 1, se na hospitalidade comercial e na hospitalidade doméstica é preciso definir a data da chegada e da saída, na hospitalidade urbana isso não ocorre necessariamente. O hóspede urbano não precisa ficar por um período determinado, aliás, quanto mais tempo ele ficar melhor. Isso contribui para o aumento da receita gerada pelo turismo urbano e pode estimular a criação do vínculo entre visitante e lugar.

Olhando pelo viés econômico, esse prolongamento da estadia desencadeia, por exemplo, o aumento da taxa de ocupação dos hotéis e restaurantes, o aumento da audiência em teatros, casas de shows e teatros, além de estimular o comércio (VARGAS, 2000). Passa-se a utilizar uma estratégia de ação muito utilizada no comércio varejista para a manutenção de seu negócio: o conceito “atrair-permanecer-retornar”. Esse conceito, desenvolvido por Vargas (2001) e que necessita do espaço público e da vida urbana, parte do princípio da atração, da permanência e do retorno.

seja por meio do preço ou ainda pelo prazo de entrega ou formas de pagamento. Depois, é preciso fazer com que ele permaneça por mais tempo no estabelecimento comercial, pois acredita-se que, quanto mais tempo o cliente permanece no estabelecimento, mais ele gasta. O consumo pode acontecer pelas condições físicas do estabelecimento, pela diversidade de produtos que a loja oferece ou ainda pelo bom atendimento realizado pelos funcionários. A combinação desses dois fatores (atração + permanência) é o segredo para o retorno do cliente. Levando esse conceito para o meio urbano, as atividades e as oportunidades das grandes cidades passam a ser os atrativos. As condições de hospitalidade urbana, os fatores de permanência. E o retorno passa a ocorrer em função do vínculo que se forma entre indivíduo e lugar. Afinal, um visitante bem tratado tem mais chances de retornar.

E quais seriam as condições de hospitalidade urbana capazes de prolongar a estadia do visitante? Parte-se do princípio que a hospitalidade urbana se desenvolve em função de dois tipos de atributos: os atributos tangíveis (naturais ou criados pelo homem) e os atributos intangíveis. A cidade é composta de uma série de camadas que se formaram ao longo do tempo e que foram se sobrepondo. A hospitalidade urbana envolve todas elas:

Todas as cidades são determinadas pelas características naturais dos topos onde se inserem; geologia, relevo, clima, hidrologia combinam-se com as tonalidades e variações do contexto cultural que enquadra a cidade. E ambos (as condições naturais e o contexto cultural) fundam e desenham o lócus onde a experiência vital da comunidade acontece. A cidade nasce assim de uma relação simbiótica que se estabelece entre a morfologia matricial, que a contém, a função de lugar de habitar que tem e os diferentes significados, que lhe atribuímos. A partir desta relação, a cidade desenha-se num jogo entre cheios e vazios que lhe definem a sua tessitura (CARAPINHA, 2007, p. 180).

Boa parte dessas camadas decorre de intervenções físicas feitas pelo homem representadas, por exemplo, nas edificações, no sistema viário, no material construtivo, no tamanho das calçadas etc. Há também outra parte significativa dessa trama urbana, também criada pelo homem, mas de difícil mensuração, porém fundamental para a sensação de hospitalidade urbana, entre elas: o folclore, os costumes, as crenças, o idioma, a comida e a dança. E ainda há outra parte, de ordem natural, que também influencia significativamente na trama urbana, como o clima, a geologia, o relevo, a hidrografia, a vegetação etc.

manifestam no espaço. Entre os atributos tangíveis estão os atributos criados pelo homem e os atributos naturais.

Os atributos tangíveis criados pelo homem podem ser implantados ou consolidados pelo poder público (anfitrião), pois não necessariamente requerem tempo para se manifestar. Entre as ações decorrentes dos atributos tangíveis destacam-se: a ampliação das calçadas, a alteração no zoneamento, a criação de espaços de fruição, o sombreamento dos espaços urbanos e a limpeza das ruas. Ou seja, em certa medida, são ações factíveis, passíveis de serem aplicadas por seus gestores públicos. E são elas que serão aprofundadas no próximo item.

Já os atributos tangíveis de ordem natural podem ser identificados e adaptados nos planos e projetos urbanos. Isso é, as características naturais do espaço podem ser evidenciadas e absorvidas através do desenho urbano. O clima e a topografia, por exemplo, podem interferir muito na hospitalidade urbana de um trecho urbano. Cabe ao anfitrião urbano garantir que sua cidade ou seu projeto garanta uma sensação de conforto a moradores e turistas. E isso pode ser obtido, por exemplo, por meio de implantação de arborização viária ou de marquises nas fachadas dos edifícios.

Os atributos intangíveis, de natureza social, são imensuráveis e se manifestam de diferentes formas. Esses atributos dependem de uma construção social que se forma com o tempo. Eles podem ser divididos em duas categorias:

(1) Históricos: identidade, tradição, história etc.;

(2) Subjetivos: percepções particulares de cada indivíduo, fatores psicológicos etc.

Ou seja, dificilmente o anfitrião, no papel de gestor público, conseguirá implantar alguma ação referente a esse atributo. No entanto, cabe ao gestor garantir que as características históricas, pelo menos, sejam mantidas e/ou consolidadas.

Isso significa que as condições de hospitalidade urbana não se restringem aos aspectos físicos ou aspectos espaciais, mas também aos aspectos sociais, aqueles que muitas vezes são invisíveis e imensuráveis.

Sendo assim, a hospitalidade urbana é percebida segundo esses dois pontos de vista. Por exemplo, um espaço pode proporcionar todas as condições físicas de hospitalidade, mas se a cidade não tiver um clima agradável, dificilmente será considerada

por todos como uma cidade hospitaleira. Por outro lado, se uma cidade tiver um povo acolhedor e amável, mas se seus espaços urbanos não propiciarem condições de hospitalidade, dificilmente os visitantes se sentirão em casa, acolhidos.

Isso significa que os espaços urbanos passam a ser hospitaleiros a partir do momento em que se transformam em lugares. Isso porque o espaço só se torna um lugar no momento em que ele é ocupado pelo homem, de forma física ou simbólica, e passa a servir como palco para as suas atividades.

Para Tuan (1983), “o espaço transforma-se em lugar à medida que adquire definição e significado”. “Quando o espaço nos é inteiramente familiar, torna-se lugar”. Tuan define os lugares como “centros aos quais atribuímos valor”. Para Reis-Alves (2007)33

, “Espaço (do latim spătĭum) é a distância entre dois pontos, ou a área ou o volume entre limites determinados, e o Lugar (do latim locālis, de locus) é o espaço ocupado”.

Para Augé (1994, p. 52), o “lugar” tem três características comuns, eles se pretendem: identitários, quando associados, por exemplo, ao local de nascimento; relacionais, quando configuram-se

33 http://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.087/225

num conjunto de relações sociais (ex. a casa do pai, a casa do tio, a casa da avó) e históricos, a partir do momento em que, conjugando identidade e relação, ele se define por uma estabilidade mínima.

Tuan (1983) indica duas características válidas que compõem o lugar, o valor a ele atribuído e o tempo, que seria o responsável pelas experiências vividas. Segundo Reis-Alves (2007), é através da dimensão temporal que poderemos conhecer um espaço, definindo-o e dotando-o de valor. Tuan relaciona o tempo e o lugar de três formas:

(1) Adquirimos afeição a um lugar em função do tempo vivido nele;

(2) O lugar seria uma pausa na corrente temporal de um movimento, ou seja, o lugar seria a parada para o descanso, para a procriação e para a defesa;

(3) O lugar seria o tempo tornado visível, isto é, o lugar como lembrança de tempos passados, pertencente à memória.

Isso significa que o fator tempo é fundamental. Fazendo um paralelo com a hospitalidade urbana, quanto mais tempo esse

visitante ficar, maiores serão as chances de criar um vínculo com o lugar.

Essa condição acabaria por decidir, no futuro, um possível retorno à cidade. Afinal, uma coisa é visitar uma cidade grande pela primeira vez, onde os atrativos é que fazem a diferença. Outra coisa é visitar pela segunda vez. Entre escolher dois destinos, o visitante naturalmente escolhe aquele em que ele se sente mais acolhido, quase que em casa. Mas esse pensamento só funciona quando o visitante já conhece a cidade e sabe que se sentirá “em casa”. Portanto, estamos falando mesmo de um retorno.

Ou seja, as grandes cidades que oferecerem hospitalidade urbana passam a oferecer um novo tipo de atratividade, como um novo produto. Isso faria com que a hospitalidade urbana passasse a fazer parte da categoria das atratividades, fechando o ciclo do atrair-permanecer-retornar.

Esta pesquisa, porém, se detém apenas nos atributos tangíveis, espaciais, criados pelo homem e que podem ser visualizados, ou seja, investiga as características do espaço público e das atividades urbanas, relacionadas à gestão da cidade. Neste estudo eles serão chamados de atributos espaciais de hospitalidade urbana.