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5. RESULTATER OG ANALYSE

5.2.1 Lærerens funksjonsdiskurs

As fortes particularidades do homem sertanejo são eloquentemente anunciadas por Patativa em expressões como matuto, caboclo, camponês, matuto sertanejo, matuto camponês, caboclo roceiro, sertanejo roceiro. O poeta e o caboclo, protagonistas do mesmo pedaço de chão.

Eu e você que vivemos No nosso pobre sertão Muitas coisas ainda temos Da popular tradição; [...]

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Tais particularidades determinam a essência ou a natureza do homem do sertão, evidenciam o lugar de residência deste bravo sertanejo: o mato. Deixam bem claro o lugar diário da labuta incansável: o campo, o tórrido solo aluído pela seca inclemente. Manifestam significativamente sua origem etnográfica: indivíduo com ascendência de índio e branco, miscigenado. Nas escolhas lexicais que faz, Patativa enuncia um caboclo de alma simples, de sentimentos nobres, de sonhos quase que indestrutíveis e esperanças que perduram mais do que a própria vontade de existir. Detalha, harmônica e melodiosamente, seus hábitos, suas crenças, sua sabedoria, seus hábitos alimentares, sua diversão, seu folclore, suas vestimentas, suas desconfianças, seus remédios e doenças, suas preocupações, sua personalidade, sua vida severina.

Uma lira autenticamente rústica, agressiva, assemelhando-se à natureza que cerca o poeta bem como as plantas que brotam em solo sertanejo; uma lira engendrada no que o vate do Assaré vivenciou diuturnamente com a terra em que nasceu, viveu, padeceu, labutou e arrancou penosa e forçadamente o seu sustento. A um homem dessa estirpe está destinada apenas a linguagem rude, tosca, sem rebuscamento gramatical? Perderá completamente o tom quem executar essa nota. Afiançados pelas palavras de Cariry (apud Nuvens 1995, p.79): “Patativa é homem que sabe ler, de muitas leituras e informações sobre o que acontece no mundo (...) Basta dizer que, mesmo quando Patativa era violeiro e cantava os sertões com o som de sua viola e a beleza de seus versos de repente, já estudava o tratado de versificação de Guimarães Passos e lia Os Lusíadas.”

Sou matuto sertanejo, Daquele matuto pobre

Que não tem gado nem quêjo, Nem ôro, prata, nem cobre. Sou sertanejo rocêro, Eu trabaio o dia intêro, Que seja inverno ou verão. Minhas mão é calejada, Minha péia é bronzeada Da quintura do sertão. [...]

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Vejamos um enunciado construído em linguagem erudita para tornar o dito acima ainda mais forte.

Segundo Nuvens (1995), um artigo publicado no jornal Mutirão que circulava em Fortaleza, trazia a seguinte nota: “Suas obras falam a língua rude do caboclo, não porque Patativa não conheça bem o português, mestre que é na correção da linguagem, mas porque assim ele pode ser melhor entendido por seus companheiros de labuta” (Mutirão, 07.07.78). Sua linguagem era referta de típico e gosto sertanejo. Quando queria, sabia muito bem ordenar que as palavras ganhassem a tonalidade de erudição.

O exemplo anterior nos mostra claramente isto. Apenas a título de informação, esse enunciado não está no rol de nossa “glossomeloteca”, mas faz parte da obra da qual “colhemos” nosso corpus. Pois bem, estamos falando do dueto de Patativa e o caboclo. No enunciado/poema acima há notadamente, nas escolhas lexicais do poeta uma relação de cuidado, compaixão e orientação. Primeiro a chamada à interlocução com o caboclo não só

Caboclo roceiro das plagas do norte, Que vives sem sorte, sem terras e sem lar, [...]

És rude, cativo, não tens liberdade, A roça é teu mundo e também tua escola Teu braço é a mola que move a cidade. Tu pensas, amigo, que a vida que levas, De dores e trevas, debaixo da cruz E as crise cortantes quais finas espadas, São penas mandadas por Nosso Jesus. [...]

Tu és, nesta vida, um fiel penitente, Um pobre sentado no banco do réu. Caboclo, não guardes contigo esta crença, A tua sentença não parte do céu.

[...]

Porém, os ingratos, com ódio e com guerra, Tomaram-te a terra que Deus te entregou.

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porque já é característica estilística de seus enunciados, mas também como uma maneira cuidadosa de advertir o caboclo roceiro das plagas do norte quanto às crises em sua vida não serem apenas vontade do Divino. A compaixão pelo homem rude, sofredor, sem escolaridade, fiado apenas em seu braço forte para o roçado, e este muitas vezes teimando em não lhe conceder sustento. Como um homem de luta, Patativa sempre alçou sua voz de protesto desde o seu torrão natal até a esfera política de maior escala em solo brasileiro. Buscava orientar seu povo, seus companheiros de labuta, na questão da reforma agrária. Destilava toda a sua ironia para compor seu conto de protesto contra os detentores de do poder, fossem eles representados pelo Estado, fossem eles representados pelos grandes latifundiários.

Passemos ao que encontramos em nossas “partituras”:

Como de costume, a chamada à interlocução demarcada pelo pronome você, funcionando como pronome de tratamento e pela expressão meu camarada, demonstrando companheirismo, amizade, simpatia. Os três fragmentos estão no enunciado de número 10, “O

Você, caboclo, que cresce, Sem instrução nem saber, Escuta, mas não conhece Folclore o que quer dizer; [...]

(Cante lá que eu canto cá, 2004, p.320)

Folclore, meu camarada, Ouvimos a toda hora, [...]

(Cante lá que eu canto cá, 2004, p.321)

E agora, prezado irmão, Estes versos lhe dedico, Lhe dei alguma noção Do nosso folclore rico. Não posso continuar, Pois nada pude estudar, De dentro do tema saio. O resto lhe dirá tudo Romão Filgueira Sampaio, Mainá e Câmara Cascudo.

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que é folclore?”. Nele, Patativa em constante diálogo com o caboclo, humildemente diz que dá ao caboclo apenas alguma noção do assunto. Nisso o poeta dá o tom de acabamento ao seu enunciado trazendo sonoramente o inacabamento, a ineuxaribilidade do tema e faz isso trazendo a voz dos folcloristas. Claro que ele está usando o recurso da ironia muito embora esteja sendo modesto. Eis a ironia:

Eis a modéstia:

O caboclo sempre com a vida coberta de precisão, sem estudo, sem esperança, correndo estreito. Descrito em enunciados que desvelam toda a densidade humana.