Kapittel 6 Service og samferdsel
6.4 Lærebedriftenes erfaringer
Nos momentos em que eu estava sozinha, dei-me a permissão de contemplar o evento de onde estava: lá no primeiro andar, no mezanino 2. De cima, pude observar um cenário onde várias atividades aconteciam ao mesmo tempo (Figura 13).
Figura 13 – A Praça do Povo
Fonte: Foto registrada pela autora. João Pessoa-PB. Novembro, 2014.
Ainda observando, avistei um grupo de adolescentes que jogavam entre si, na forma de dança. Seguindo as instruções de um dançarino virtual (em terceira dimensão – 3D), no qual indicava os próximos passos da coreografia, o grupo ia imitando os movimentos do personagem, formando uma dança em ritmo frenético. Esse tipo de jogo eletrônico captura os movimentos corporais e, a cada passo acompanhado de forma correta, ganham-se pontos. O
jogo de dança pode ser jogado em dupla ou em grupo. Neste estande, a maioria dos que iam dançar eram meninos e no primeiro dia foi a atividade que mais atraiu pessoas.
A dinamicidade e a simultaneidade são características importantes do HQPB. No evento, várias coisas acontecem ao mesmo tempo, num mesmo espaço organizado. Da mesma forma que aquelas pessoas que dançavam buscavam uma sincronia em seus passos, assim eram as atividades do próprio HQPB. Mesmo sendo atividades distintas para grupos distintos, os conteúdos das atividades buscavam uma sincronia com o todo, ou seja, com a cultura pop, representada por um universo de imagens, ícones, símbolos, consumos, estilos, sons e sensações, por sinais visuais e verbais.
As concepções do tempo e do espaço físico são criados através das práticas e processos que ali se manifestam. Para quem dança ou para quem joga cartas, para quem passeia pelos estandes das lojas, para quem assiste as palestras, para quem trabalha ou organiza o evento, não importa. Para todos estes, o tempo e o espaço são experiências que se ressignificam. Estas pessoas são consideradas “agentes movidos por um propósito engajados em projetos que absorvem tempo através do movimento no espaço” (HARVEY, 2012, p.195). A forma de como estes agentes ordenam simbolicamente o espaço e o tempo, possibilitam a eles a experiência de aprender quem se é ou que são na sociedade (CERTEAU, 1984 apud HARVEY, 2012, p. 198). Jogadores, dançarinos, cosplayers, consumidores, organizadores,
staff e lojistas experimentam a integração social compatível com a diversidade de representações no mesmo espaço organizado.
A organização do espaço físico no HQPB quer dizer muito sobre seu público: as atividades eletrônicas e as grandes opções de consumo localizavam-se no térreo. Ali circulariam o público de jogadores, de consumidores (de jogos, de filmes, de acessórios, etc.), compondo um cenário de frenesi-maquinário (arcades, telas de computadores, televisores). Ainda no térreo, em um local mais distante das máquinas e das lojas, o público de Swordplay compunha o cenário de frenesi-esportivo: duelos medievais, treino, competições e regras de jogo.
A readaptação de um estabelecimento cultural, como no caso da FUNESC, para um evento de atividades culturais e de consumo reinventa o local. Reinventar a Praça do Povo, reinventar os Mezaninos, reinventar o Teatro de Arena, lugar onde acontecem os duelos medievais. Lugar também onde acontece um tipo de jogo chamado Quadribol94: dois grupos competem entre si, montados em uma vassoura, tentando lançar uma bola dentro de arcos
94Nome dado a uma prática esportiva realizada pelos personagens da série literária britânica Harry Potter, escrita
suspensos, como bambolês (Figura 14). Só vim ter conhecimento desta atividade (ela não estava descrita na programação) quando desci para o térreo e fui caminhando pelos espaços do HQPB.
Figura 14 – Jogadores se organizam para o Quadribol
Foto registrada pela autora. João Pessoa-PB. Novembro, 2014.
Os usos do Teatro de Arena foram reinventados. A partir da construção de uma estrutura própria para o Quadribol, os usos daquele espaço receberam outras designações: se executava e se assistia uma prática lúdico-esportiva. Ali o espaço físico adquire outra forma de uso por meio da construção coletiva. É através da representação do vivido (LEFEBVRE, 1974 apud HARVEY, 2012, p.201) que o espaço físico relaciona-se com as vivências e relações sociais desses sujeitos. Sendo assim, “os espaços de representação, portanto, tem o potencial não somente de afetar a representação do espaço como também de agir como força produtiva material com respeito às práticas espaciais” (HARVEY, 2012, p. 201). Essa observação vai de encontro aos pensamentos de Bauman (2001) ao falar dos espaços públicos no contexto contemporâneo. Segundo o autor, esses espaços são feitos para o consumo, sem que haja qualquer interação ou socialização entre as pessoas, isolando-as na experiência do consumo (BAUMAN, 2001, p.114). Embora o HQPB seja uma experiência cujo cerne é o
consumo, pude observar que diferente do que afirma o autor, as interações entre as pessoas acontecem, e que sem sempre são “breves e superficiais” (BAUMAN, 2001, p.114). Prova disso são as próprias plaquinhas comunicativas demonstradas anteriormente, que buscam a aproximação e socialização com outras pessoas95.
Assim como o espaço, o tempo também deve ser entendido considerando as ações sociais. A temporalidade (no sentido de durações) no evento HQPB é acentuada pelo presente, pelo agora, pelo momento. O presente prevalece entre os ritmos de consumo, com serviços e atividades de lazer efêmeras. Ao evidenciar o presente na temporalidade do HQPB, enfatizam-se os ritmos de ações interdependentes que movimentam e dinamizam as relações sociais ali construídas ou ressaltadas. Essas ações encontram-se nas atividades presentes: cada atividade que constitui a programação do evento possui regras de horário que marcam a periodicidade de permanência. Da mesma maneira, o evento em sua totalidade, também possui um limite de período: dois dias, das 10h às 22h.
Ritmo, duração, instância, continuidade e simultaneidade. Estas são as diretrizes para se compreender a temporalidade dentro do HQPB. O tempo é produtivo, ritmado e dinâmico. Enquanto numa sala acontecem palestras e oficinas, em outros ambientes joga-se, dança-se, compra-se, desenha-se. E assim, as experiências temporais se dão através dos ritmos. Se pude observar o que foi dito até aqui é porque “tive tempo”, dentro dessa simultaneidade. No
intervalo de uma atividade e outra realizada no local dos Auditórios, contemplei de cima, desci até a Praça do Povo, vagueei o olhar pelo HQPB, mesmo que de forma limitada, pois tinha que voltar ao lugar onde fui destinada