• No results found

KVP i lys av tidligere satsinger

In document Evaluering av (sider 31-34)

Após a seleção dos participantes, foi utilizado um método extensivo de recolha de dados e a técnica de análise documental,18 a qual busca informações, nos documentos19, a partir de pontos de

interesse do investigador20. Foi utilizado o Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP) para a

13 “A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e caraterísticas situacionais apresentadas pelos entrevistados, em lugar da produção de medidas quantitativas de características e comportamentos.” (Richardson, 2012, p. 90).

14“A investigação qualitativa é descritiva. Os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números. Os resultados escritos da investigação contêm citações feitas com base nos dados para ilustrar e substanciar a apresentação. Os dados incluem transcrições de entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorando e outros registros oficiais. Na busca de conhecimento, os investigadores qualitativos não reduzem as muitas páginas contendo narrativas e outros dados a símbolos numéricos. Tentam analisar os dados em toda a sua riqueza, respeitando, tanto quanto o possível, a forma em que estes foram registrados ou transcritos.” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 48)

15 “O estudo de caso refere-se ao levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob todos os seus aspectos... Reúne o maior número de informações detalhadas, valendo-se de diferentes técnicas de pesquisa, visando apreender uma determinada situação e descrever a complexidade de um fato.” (Marconi & Lakatos, 2011, p. 276).

16 “O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados.” (Gil, 2016, p. 58).

17 “[...] a pesquisa qualitativa usa o texto como material empírico (em vez de números), parte da noção da construção social das realidades em estudo, está interessada nas perspectivas dos participantes, em suas práticas do dia a dia e em seu conhecimento cotidiano relativo à questão em estudo.” (Flick, 2009, p. 16).

18 “Como uma técnica exploratória, a análise documental indica problemas que devem ser mais bem explorados através de outros métodos. Além disso, ela pode complementar as informações obtidas por outras técnicas de coleta.” (Lüdke & André, 1986, p. 39)

19 “Os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. Representam, ainda, uma fonte natural de informação. Não são apenas uma fonte de informação contextualizada, mas, surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse mesmo contexto.” (Lüdke & André., 1986, p. 39).

20 “Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. Não recolhem dados ou provas com o objetivo de confirmar ou infirmar hipóteses construídas previamente; ao invés disso, as abstrações são construídas à medida que os dados particulares que foram recolhidos se vão

63

realização dessa técnica de investigação. A partir do acesso a esse sistema, foram obtidos dados socioeconômicos, como escolaridade dos pais, renda bruta familiar, tipo de moradia, tipo de transporte utilizado, renda per capita, programas da Assistência Estudantil de que participa, além de dados institucionais e acadêmicos, como o Índice de Rendimento Acadêmico (IRA). Ademais, alguns índices também foram obtidos por meio desse sistema, como o Índice de Permanência e Êxito e a Taxa de Evasão. A análise documental, por meio do SUAP, foi realizada nos meses de fevereiro e março de 2019. Posteriormente, foi utilizado um método intensivo de recolha de dados 21e a técnica de entrevista.

Para tanto, foi elaborado um guião de entrevista, levando-se em conta as questões de investigação. Trata- se, portanto, de uma entrevista semiestruturada22, em que o investigador tem um roteiro pré-estabelecido,

mas, que caminhos diversos podem ser percorridos durante as entrevistas. Posteriormente, tal instrumento foi testado entre os alunos, que, a posteriori, foram incluídos na pesquisa. A despeito de um dos filtros utilizados ser a não repetência escolar, optou-se por aplicar essa fase de testes àqueles alunos que se encontravam em tais condições, por se entender que esse público também se encontrava nas condições de vulnerabilidade social supracitadas, e, além disso, superara também obstáculos de ordem acadêmica, como a reprovação. Dessa forma, o guião da entrevista foi testado em dois estudantes antes de ser aplicado aos demais. Para a elaboração deste guião, optamos por dividir as questões em dimensões, das mais simples às mais complexas. A dimensão 1 trazia informações sobre a caracterização pessoal, familiar, social e cultural. A dimensão 2 está relacionada a questões do meio escolar. A dimensão 3 nos remete a questões do meio familiar desse jovem. Enquanto a dimensão 4 está relacionada ao meio social.

Para a realização das entrevistas com os alunos, foi feito o contato com o Serviço Social do Campus Parnamirim. As assistentes sociais, então, contactaram aqueles estudantes selecionados para que comparecessem ao setor de saúde do campus durante o horário da bolsa de apoio à formação para serem entrevistados. Esse apoio das assistentes sociais, assim como, a compreensão dos setores em

agrupando.” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 50). [...] “Ainda que os indivíduos que fazem investigação qualitativa possam vir a selecionar questões específicas à medida que recolhem os dados, a abordagem à investigação não é feita com o objetivo de responder a questões prévias ou de testar hipóteses. Privilegiam, essencialmente, a compreensão dos comportamentos a partir da perspectiva dos sujeitos da investigação. As causas exteriores são consideradas de importância secundária. Recolhem normalmente os dados em função de um contato aprofundado com os indivíduos, nos seus contextos ecológicos naturais.” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 16).

21 “O termo dados refere-se ao material em bruto que os investigadores recolhem do mundo que se encontram a estudar; são os elementos que foram a base da análise. [...] os dados são simultaneamente as provas e as pistas. Coligidos cuidadosamente, servem como fatos inegáveis que protegem a escrita que possa ser feita de uma especulação não fundamentada. Os dados ligam-nos ao mundo empírico e, quando sistemática e rigorosamente recolhidos, ligam a investigação qualitativa a outras formas de ciência. Os dados incluem os elementos necessários para pensar de forma adequada e profunda acerca dos aspectos da vida que pretendemos explorar.” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 149).

22 “A liberdade de percurso está, como já foi assinalado, associada especialmente à entrevista não-estruturada ou não-padronizada. Quando o entrevistador tem que seguir muito de perto um roteiro de perguntas feitas a todos os entrevistados de maneira idêntica e na mesma ordem, tem-se uma situação muito próxima da aplicação de um questionário (...). Esta é a chamada entrevista padronizada ou estruturada, que é usada quando se visa à obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados(...). Entre esses dois tipos extremos se situa a entrevista semiestruturada, que se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações.” (Lüdke & André, 1986, p. 34).

64

que trabalham os bolsistas, foram fundamentais para a realização desta técnica de recolha de dados. No caso dos estudantes, a entrevista adquiriu o formato de relato autobiográfico, pois, eles discorreram sobre o seu meio escolar, desde a pré-escola, e, à medida, em que a entrevista ia transcorrendo, os temas, consequentemente, iam se tornando mais íntimos e profundos23, como a abordagem de aspectos

socioeconômicos e familiares, por exemplo. O momento da recolha de dados foi, então, gravado, facilitando a agilidade no momento da entrevista face a face e a captura feita pelo entrevistador24 de

outros sinais, além das palavras, como gestos, entonações, hesitações, risos, expressões faciais e corporais, os quais pudessem corroborar ou contrariar aquilo que estava sendo verbalizado25. A entrevista

iniciou-se com questões relacionadas às atividades escolares desses estudantes. À medida que ia se criando um ambiente de confiança, as questões foram sendo gradativamente aprofundadas. A posteriori, todas as entrevistas foram transcritas e se encontram, com os respectivos guiões, nos apêndices do presente trabalho.

Após a realização das entrevistas com os estudantes, elaborou-se o guião para as entrevistas dos profissionais da Assistência Estudantil e do docente. Optou-se por adotar essa fase posteriormente, porque a elaboração de tal instrumento dependeria dos resultados dos relatos autobiográficos dos alunos. Foi, então, selecionado um docente do IFRN Campus Parnamirim da área de Sociologia, a fim de serem captados experiências e relatos de convívio com esses alunos em sala de aula, além de aspectos de análise social a respeito das políticas de Assistência Estudantil. Os profissionais de Assistência Estudantil selecionados foram duas Assistentes Sociais do Campus Parnamirim, cujo trabalho tem relação direta com os estudantes beneficiários dos programas de AE do Campus. Uma dessas profissionais já teve experiência na Assistência Estudantil em nível sistêmico na Reitoria, na Diretoria de Gestão de Assistência Estudantil (DIGAE), enriquecendo, assim, os relatos. Foi selecionada, também, uma Assistente Social da Reitoria, a fim de serem coletadas informações, experiências e expectativas de todos os campi do IFRN. Ademais, foi selecionada a Coordenadora de Atividades Estudantis do Campus Parnamirim, por estar este cargo à frente de todas as ações de AE do Campus, como as ações de Serviço Social e Saúde, por exemplo. As entrevistas foram realizadas nos meses de abril e maio de 2019.

23 “Apresentem primeiramente as perguntas que tenham menores probabilidades de provocar recusa ou produzir qualquer forma de negativismo, uma após outra, a fim de não confundir o entrevistado.” (Cervo & Bervian, 1983, p. 158).

24 “[...] Um bom entrevistador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais apropriadas...” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 136).

25 “A entrevista possibilita registrar, além disso, observações sobre a aparência, sobre o comportamento e sobre as atitudes do entrevistado. Daí sua vantagem sobre o questionário.” (Cervo & Bervian, 1983, p. 159).

65

E o porquê da escolha da técnica da entrevista26 para a recolha dos dados? Dentre as técnicas

de recolha de dados, a entrevista parece ser a que mais se adequou aos objetivos desse trabalho. Partindo do exame documental por meio do Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP), foi possível a obtenção de dados socioeconômicos, como renda bruta familiar, programas assistenciais de que participa e escolaridade dos pais, por exemplo. Mas, seria necessário aprofundar os conhecimentos sobre esses dados obtidos. Que tipo de dificuldades essa renda familiar causa a você e a sua família? Que tipo de sacrifício financeiro seus pais já tiveram que fazer em prol dos seus estudos? Qual a importância desses programas assistenciais para a sua permanência no IFRN até o 4º ano? Mesmo com a escolaridade baixa, qual importância seus pais dão ao prosseguimento dos seus estudos? Eles te incentivam? Para o aprofundamento dessas questões obtidas superficialmente no exame documental, a entrevista era a técnica que mais se adequava, porque seria necessário que o aluno fornecesse informações de índole pessoal, por meio do estabelecimento de uma atmosfera de confiança com o entrevistador.

In document Evaluering av (sider 31-34)