Notida konsumerer fortida
Kapittel 3: Kvifor vert folk ásatrúarmenn?
Desde a regulamentação da profissão e institucionalização dos cursos de psicologia a partir de 1962, a formação profissional em relação ao compromisso com a Ciência e a sociedade tem sido tema de debates realizados por profissionais, estudantes e entidades de todo o Brasil. O objetivo primordial da formação profissional
“(...) é ensinar a aprender. É capacitar o psicólogo para acompanhar criticamente as constantes mudanças e inovações no campo da psicologia. É instrumentalizar o profissional para o desenvolvimento de cuidados avaliativos continuados em relação à sua prática” (Gomes, 2003, p.53).
Pereira (1972), considerada uma das pioneiras no Brasil na análise da formação dos psicólogos, apontou algumas questões pertinentes, entre elas a unilateralidade do treino recebido pelos profissionais, que consiste na ênfase da formação em apenas uma área, especialmente de orientação clínica e a reduzida preocupação com a pesquisa. Esses elementos mostram o predomínio do modelo de atuação clínica tradicional presente nos cursos de psicologia, e são alheios à produção de conhecimento que subsidiem práticas diversificadas condizentes com a realidade social brasileira, indispensáveis à formação profissional.
Na década de 80, um conjunto de iniciativas notáveis começou a ser desenvolvido no sentido de discutir e repensar a formação em psicologia. Nesse período, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) solicitou ao Ministério da Educação (MEC) a formação de uma comissão de especialistas de ensino de psicologia para
autorizar e reconhecer os cursos, realizar avaliações do ensino e propor referências para uma formação qualificada, tendo também a tarefa de construir a proposta de diretrizes curriculares a partir de 1997, sob a forma da nova Lei de Diretrizes e Bases (Bock, 2002).
Ao lado disso, vale destacar, o programa de estudos e debates sobre a formação do psicólogo conduzido pelo Conselho Federal de Psicologia que culminou, em 1988, na publicação do livro Quem é o psicólogo brasileiro? Este estudo revelou o modelo limitado de atuação profissional, a formação tecnicista e fragmentada e a ineficácia do currículo mínimo. Em 1992, uma nova publicação do Conselho Federal de Psicologia, intitulada Psicólogo brasileiro: construção de novos espaços denunciou novamente os problemas da formação. Cabe lembrar, neste mesmo ano, o esforço do CFP e dos conselhos regionais de psicologia ao realizar um encontro com os coordenadores de cursos, em Serra Negra, que resultou num importante documento de referência, qual seja, a Carta de Serra Negra. Como conseqüência, este documento apontou claramente a necessidade de mudanças curriculares no processo de formação em psicologia. Ainda nesse sentido, o livro Psicólogo Brasileiro: práticas emergentes e desafios para a formação caracterizou as principais tendências de mudanças emergentes nas práticas e nas concepções dos psicólogos brasileiros (Bastos, 2002).
Em 1997, os conselhos de Psicologia realizaram em Ribeirão Preto, o Fórum Nacional de Formação, no qual foram aprovadas propostas de intervenção para nortear as ações dos conselhos em relação à formação. No evento foi criada a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP), que se constitui como um espaço de reflexão e articulação das iniciativas sobre a formação em psicologia no âmbito nacional (Bock, 2002).
desde os anos 60 até os atuais, apontam para problemas de diversas naturezas na formação do psicólogo e, invariavelmente, revelam uma preocupação comum, qual seja, a necessidade de mudança no modelo tradicional de ensino, pautado no modelo clínico em todos os contextos de atuação, avançando para outro modelo de formação inovadora, crítica e de qualidade (Bastos, 2002). Também nessa direção, o trabalho de Altmaier (1993) menciona que as instituições formadoras devem enfatizar a formação de profissionais que atendam a uma diversidade cultural, grupal e individual, independente de raça, sexo, idade, religião, ou condição socioeconômica.
Nesse sentido, duas propostas curriculares foram planejadas e elaboradas, uma pela comissão de especialistas nomeada pelo MEC e outra construída por um fórum aberto convocado pela ABEP e pelo Conselho Nacional de Entidades Estudantis em Psicologia (CONEP) que divergiu da proposta anterior, quanto às ênfases, habilidades, competências e no que diz respeito à idéia de núcleo básico. Houve também algumas alterações nos estágios e, principalmente, no que se refere aos diferentes perfis para o curso de psicologia, e os respectivos títulos, como bacharelado, licenciatura e formação de psicólogo. Pela proposta, caberia a cada instituição decidir se ofereceria, ou não, as duas primeiras terminologias (bacharel e licenciado), e a idéia de eixos estruturantes foi consenso geral. Após vários debates e discussões, os dois grupos estabeleceram interlocução encaminhando um documento consensual, formalizando suas propostas e, finalmente, em abril de 2004, as diretrizes curriculares para o curso de psicologia foram, então, homologadas pelo MEC (Bastos, 2002; Conselho Nacional de Educação, 2004).
A proposta contempla uma formação ampla do psicólogo, definindo eixos estruturantes ao redor dos quais os cursos de psicologia devem se articular. A ênfase por um núcleo comum da formação tem como objetivo a garantia das competências, habilidades e conhecimentos que assegurem uma formação básica em todo o território
nacional. Entretanto, os projetos de cursos de psicologia podem diferir em função da vocação da instituição ou demandas sociais, regionais e locais, considerado perfis de formação. Nesse sentido, esta diversidade oferece possibilidades de escolhas ao acadêmico por algum domínio teórico e prático da psicologia com o qual mais se identifique, por meio das ênfases curriculares, que correspondem a espaços de aprofundamento, complementares à formação básica (Conselho Nacional de Educação, 2004).
Parecem inegáveis os esforços e o desejo da comunidade envolvida no processo de construção das diretrizes em concretizar uma proposta que permita formar um profissional competente que, atuando eticamente, seja capaz de colaborar de forma criativa para o desenvolvimento da sociedade na qual está inserido. Entretanto, as discussões acerca da proposta recentemente aprovada, norteada pelos eixos estruturantes, núcleo comum, habilidades/competências e as ênfases curriculares não devem ser consideradas esgotadas. Questões importantes, principalmente no que se refere aos eixos estruturantes do curso, que serão decompostas em conteúdos curriculares e agrupadas em atividades acadêmicas, precisam ocupar espaço nas reflexões dos psicólogos nos encontros e congressos da categoria, uma vez que trabalhar apenas com eixos indicativos pode desconsiderar a importância de conteúdos essenciais. Essas discussões são apoiadas nas considerações de Hoff (1999), nas quais a autora destaca que a definição dos eixos estruturantes, ao invés de eixos norteadores de conteúdos, juntamente com a flexibilização extremada, pode acarretar desordenamento na formação mínima priorizada no documento, tornando as diretrizes amplas e abertas ao contexto.