Determinação da área de colectores
A área ou número de colectores depende simultaneamente do volume do depósito e da fracção solar (razão entre energia fornecida pelo sistema solar térmico e necessidades de água quente) que se pretende obter para o sistema solar térmico.
No caso de se utilizar um depósito excessivamente grande, a quantidade de água que será necessário aquecer para a temperatura desejada irá requerer uma elevada quantidade de energia. A única forma de obter essa energia é aumentar a área de colectores instalados.
Analisado de outra forma, o que interessa ter em consideração é qual a fracção solar que se irá obter para um sistema solar térmico. Este é o valor que fornecerá a informação de quanto se irá poupar com a utilização do sistema. Desta forma, recorrendo a um software de simulação, o que se torna interessante é optimizar estas duas componentes (área de colectores e volume do depósito) para obter a melhor fracção solar possível com o mínimo custo possível.
Conselhos para colocação de colectores no telhado
A tecnologia que a Sebasol apresenta pressupõe a integração dos colectores no telhado. Na continuação da lógica utilizada na concepção e construção dos colectores e ainda para garantir o bom funcionamento dos mesmos, são dados alguns conselhos relativamente à integração no telhado.
Tabela 2.4 Conselhos e a sua justificação para colocação de colectores no telhado
Conselhos Justificação
Integrar os colectores no telhado Minimização do impacto visual Dispor o campo de colectores de forma
rectangular
Muito mais simples de conceber e executar
Não ultrapassar o topo to telhado Minimização do impacto visual
Agrupar os colectores num campo Ligações muito mais simples
Relativamente à segurança, as regras de trabalho em telhados aplicam-se inclusivamente no caso de instalações solares térmicas. Os métodos habituais de garantir a segurança devem ser realizados.
Dimensionamento do campo de colectores utilizando os colectores auto-construídos K6
Os colectores que a Sebasol utiliza nas suas instalações são concebidos para serem construídos em autoconstrução. Estes colectores, denominados K6, foram testados, controlados e certificados pela entidade localizada na Suíça SPF (Solartechnik Prufung Forschung) com o número 172. Os resultados destes testes são apresentados em anexo (Anexo 5).
O campo de colectores é normalmente montado directamente sobre a estrutura do telhado, retirando- se as telhas e pregando directamente à madeira. Fixa-se a caixa (estrutura) ao telhado e coloca-se o material de isolamento e o absorsor. Os colectores são ligados entre si e ao circuito da instalação, e finalmente os vidros são instalados cobrindo assim os colectores.
No caso das instalações a serem feitas em telhados é importante conhecer a dimensão do telhado e o espaço totalmente disponível para realizar a instalação. Os planos da instalação devem ser desenhados tendo em conta esta limitação. Um conselho é medir a dimensão de uma telha e multiplicar pelo número de telhas existentes. Assim evita-se uma subida desnecessária ao telhado e reduz-se o risco de acidentes.
Os colectores K6 (SPF 172) têm uma superfície de 1,5m2 (2050x790 mm) e são instalados de maneira horizontal no telhado. A ligação entre colectores é feita em série. Na presença de mais de quatro a cinco colectores em série, observa-se uma baixa de pressão importante nos tubos em curva no absorsor, o que obriga a adaptar as condições de circulação do fluído ou instalar um canal de retorno.
Colocação do campo de colectores
A colocação e dimensões do campo de colectores devem ser desenhadas juntamente com o desenho ou imagem do local onde será feita a instalação. No caso de ser uma habitação, devem ser desenhadas com a imagem da habitação. Deve-se sempre indicar com cuidado quais as dimensões e escalas.
Conexão dos colectores
Os colectores K6 são instalados de forma horizontal mas entre si na vertical. O número de colectores dispostos verticalmente em série está limitado pela perda de pressão do fluído que circula dentro dos tubos do colector. O número de colectores que é possível ligar em série depende do diâmetro dos tubos e da velocidade do fluído circulante. O número máximo de colectores em série, em função da velocidade do fluído circulante e do diâmetro dos tubos, está indicado na tabela 2.5:
Tabela 2.5 Número máximo de colectores em função do diâmetro das tubagens dos absorsores e do fluxo de circulação do fluído
Diâmetro dos tubos dentro dos absorsores Fluxo elevado > 30L/m2/h Fluxo médio 20 a 30L/m2/h Fluxo reduzido < 20 L/m2/h d = 12mm 1-3 3-4 4-5 d = 15mm 1-5 5-7 7-10
Geometria do Campo de Colectores e Ligações
Quando se procede ao dimensionamento de um campo de colectores é necessário considerar qual será a geometria dos colectores para que este esteja em equilíbrio hidráulico. Para que o sistema solar funcione correctamente é importante que cada m2 do colector seja irrigado com a mesma quantidade de líquido. Caso isso não aconteça, partes do campo de colectores aquecerão mais que outras devido a diferentes fluxos de líquido (fluído térmico), podendo causar estragos nos colectores por sobreaquecimento. Os colectores podem então ser ligados em série ou em paralelo.
A ligação dos colectores em série, como representado na figura 2.2, implica a entrada do fluído feito na parte inferior do colector e a saída na parte superior. Portanto, o fluído entrará pelo colector nº1 na sua parte inferior, percorrerá o seu percurso dentro do colector e sairá pela parte superior, voltando a entrar no colector 2 novamente pela parte inferior e repetindo o ciclo até ao fim dos colectores.
Este tipo de ligação implica que o colector 2 funcionará com uma temperatura de entrada de água superior à que funcionou o colector 1, o que se repetirá para os outros colectores. Isto reduz a eficiência total do sistema porque com a subida de temperatura os colectores têm eficiências inferiores. Ainda devido a esta subida de temperatura, os últimos colectores da série têm tendência a sofrer um desgaste superior e a reduzirem o seu tempo de vida.
As perdas de carga dependem do número de colectores ligados em série, pois o total das perdas de carga numa ligação em série é a soma das perdas de carga de cada um dos colectores. Isto implica que a potência da bomba que fará este fluído circular, aumentará substancialmente com o aumento do número de colectores.
Ligação em Paralelo
No caso de ligações em paralelo, como representado na fig 2.3, a queda de pressão será igual para todos os colectores, mantendo a potência da bomba de circulação a mais baixa possível.
A desvantagem prende-se com o comprimento de tubagens que é necessário utilizar neste tipo de ligação, o que encarece o custo do sistema e dificulta a sua instalação.
Figura 2.3 Ligação em paralelo de colectores
A entrada de água fria será feita pelo lado esquerdo da figura, dividindo-se para o colector 1 a 4. Aquecerá em cada um deles e juntar-se á no topo.
A figura 2.4 demonstra uma ligação correcta e incorrecta, que pode levar a problemas no fluxo de fluído térmico que circula nos colectores. Aqui são apresentadas ligações de colectores com diferente número de colectores ligados em série e em paralelo.
Figura 2.4 Exemplo de ligação em equilíbrio hidráulico à esquerda e em desequilíbrio à direita;
A imagem do lado esquerdo é composta por 3 paralelos e 2 em série. A do lado direito, por 3 paralelos mas com número diferente de colectores em série por cada paralelo. O problema da configuração da direita é que a água terá tendência a seguir o caminho de menor resistência e distribuir-se-á para os colectores da esquerda e direita, e em menor quantidade ou mesmo nenhuma para os dois dispostos em série no centro.
Simultaneamente os tubos à entrada e saída devem percorrer a mesma distância por cada paralelo. Assim sendo existem três maneiras possíveis de satisfazer estas condições, em que X corresponde ao número de colectores na horizontal e Y corresponde ao número de colectores na vertical.
1) Ligação em alimentação invertida.
Figura 2.5 Alimentação invertida; Fonte: Manual Instaladores Solares Térmicos INETI
2) Em distribuição central.
Figura 2.6 Distribuição Central
3) Em paralelo de canais.
Definir o débito de circulação do fluído
O fluxo de circulação do fluído térmico é outra das variáveis que tem de ser bem definida para garantir um funcionamento óptimo da instalação. Caso seja demasiado baixo, o fluxo será laminar. Em caso de fluxo laminar, a troca de calor entre o tubo e o fluído será menor do que no caso turbulento. Neste caso, o colector aquecerá mais, perderá rendimento e terá maior risco de um sobreaquecimento.
O número de colectores ligado em série pode também impedir o funcionamento em “fluxo elevado”, porque para ter um fluxo elevado é necessária uma bomba com uma potência superior.
Foi já apresentado anteriormente uma tabela (2.5) com o número de colectores máximo a ligar em série, em função da velocidade do fluído nas tubagens e o diâmetro das mesmas.
Precauções contra a dilatação térmica
Num campo de colectores com uma disposição em que o comprimento seja muito grande (10 metros por exemplo), é necessário ter cuidado com a dilatação dos tubos de cobre. Um tubo de cobre sofre uma dilatação de 1,7mm/m por ΔT = 100ºC. Para prevenir contra esta dilatação utilizam-se componentes de prevenção de expansão. Estes componentes devem ser colocados a todos os 4/5m (figura 2.8). No entanto, é possível reduzir bastante o número de componentes, caso se utilize a distribuição central em vez da alimentação invertida.
Figura 2.8 Disposição de componentes de prevenção de expansão por dilatação térmica