De acordo com Houaiss (2010), Área, no sentido científico, é um “campo” de ação. E,
Campoé a “Área” de interesse ou de atividade. Para a Capes, as Áreas do Conhecimento são
categorizadas com o objetivo de agilizar o fornecimento de informações aos órgãos que atuam em Educação, Ciência e Tecnologia32. Neste sentido, Área se distingue de Campo por compreender o âmbito das questões burocráticas que orientam tecnicamente as IES. Para tanto, há uma tabela como o primeiro indicador classificatório das Áreas, que visam o fornecimento de dados sobre o desenvolvimento científico e tecnológico, especialmente sobre projetos de pesquisa e recursos humanos. Na última versão da tabela, conforme documento disponível no site da agência33, ano base de 2012, são nove grandes áreas, 49 áreas, 80 subáreas e 1213 especialidades. A Grande Área é restrita às áreas do saber conforme a semelhança entre os objetos, métodos, recursos metodológicos e contextos sociopolíticos específicos. As Áreas são definidas pelos conjuntos de conhecimentos inter-relacionados, construídos coletivamente e de acordo com os objetos investigados. As Subáreas estão vinculadas às Áreas pela especificidade do objeto de estudo e dos procedimentos metodológicos aplicados; e, quanto às Especialidades, estas são evidenciadas quanto ao enquadramento temático pertinente à Área em que estiver alocada.
32Disponível em: <http://www.capes.gov.br/avaliacao/tabela-de-areas-de-conhecimento>. Acesso em: 16 jan.
2013.
55 No contexto em que se desenvolve esta pesquisa, refletimos sobre a ideia de campo (social, cultural, político etc.), que na perspectiva de Bourdieu (1983) é construído por meio da participação dos agentes, regras, princípios e hierarquias inerentes a ele. O “campo” é definido e delimitado a partir dos conflitos e das tensões provenientes das relações e oposições entre os participantes. Nesse sentido, a noção de campo científico pouco se distingue de campo social, pois em ambos as relações entre os participantes se desenvolvem em um espaço social estruturado, em que são exercidas as disputas de poder e liderança; há o dominado e o dominante e as estratégias de força definem a posição de cada um no campo. Mas o que reforça e caracteriza o ‘campo científico’ são as condições sociais de produção e a sua produção, ou seja, é o que o autor chama de ‘fazer sociologia da ciência’ (2000).
A autonomia relativa do “tempo lógico” da ciência em relação ao “tempo histórico” é que faz da sociologia da ciência ou do conhecimento um instrumento imprescindível para dar força e forma à crítica epistemológica ou crítica do conhecimento, pois permite revelar os supostos inconscientes e as petições de princípios de uma tradição teórica. (BOURDIEU, 1975, p. 99 apud LOPES, 2006, p. 16).
As diferenças entre campo social e científico, em que os interesses individuais consequentemente refletem no coletivo, dependem das condições sociais de produção, o que implica diretamente na estrutura e funcionamento destes campos. A definição de campo científico, para Bourdieu (1983, p. 123), remete ao lugar e ao espaço onde os participantes travam disputas pelo “monopólio da autoridade científica definida, de maneira inseparável, como capacidade técnica e poder social”; ou ainda pelo “monopólio da competência científica, compreendida enquanto capacidade de falar e de agir legitimamente”, que, nesse contexto, refere-se à autorização e à autoridade concedidas pelo grupo, ou pares, ao qual pertence um determinado agente. O autor enfatiza a importância da competência científica, como a “pura representação social” e o “poder simbólico, marcado por todo um ‘aparelho’ de emblemas e de signos”, de ‘capacidade técnica’, como sendo algo engendrado de “toda competência, razão social que se legitima apresentando-se como razão puramente técnica (conforme vemos, por exemplo, nos usos tecnocráticos da noção de competência)”. No século XIX, as ‘capacidades’ eram denominadas de outro modo, já que no século XX passam a ser intituladas como as ‘competências’ que equivocadamente são confundidas com “becas rubras e arminho, sotainas e capelos dos magistrados e doutores em outros tempos, títulos escolares e distinções científicas dos pesquisadores de hoje”. Esses fatores alteram “a percepção social da
56 capacidade propriamente técnica” e influenciam a visão social sobre “a capacidade científica de um estudante ou de um pesquisador”.
A aquisição de autoridade científica inclui prestígio, reconhecimento etc. e, depende das orientações do ‘dominador’ para a sua execução. Para o teórico, o “interesse por uma atividade científica” e as estratégias “tendem a assegurar a satisfação desse interesse.” Nesse sentido, compreendemos que, as políticas criadas pelos órgãos de fomento à pesquisa, como CNPq, Capes, FAPESP, FAPERJ, estão vinculadas à burocracia como forma de garantir a prática científica. Ainda nesse sentido, não se pode “isolar uma dimensão puramente ‘política’ nos conflitos pela dominação do campo científico”. Não podemos separar as “determinações ‘puras’ e puramente intelectuais dos conflitos científicos. Por exemplo, a luta pela obtenção de créditos e de instrumentos de pesquisa que hoje opõe os especialistas não se reduz jamais a uma simples luta pelo poder propriamente ‘político’”. (Ibid., p. 124). No entanto, a prática científica requer recursos físicos, financeiros, provenientes de créditos, e mão de obra abundante, configurados como elementos necessários que colaboram para a constituição de metodologias de caráter internacional, incluindo práticas de sondagens, amplas amostragens, análises estatísticas dos dados e formalização dos resultados e visando atender às demandas intelectuais e institucionais. Em contrapartida, há os conflitos epistemológicos que, ao mesmo tempo, são conflitos políticos, inerentes ao campo científico.
Na definição de campo científico como um espaço objetivo, no qual compromissos científicos estão no centro, não nos convém diferenciar “as determinações propriamente científicas” das “determinações propriamente sociais das práticas essencialmente sobre determinadas”. É o que Reif aponta como algo “artificial e mesmo impossível a distinção entre interesse intrínseco e interesse extrínseco”. Ou ainda, para Bourdieu (Ibid., p. 124-5), é o que “é percebido como importante e interessante é o que tem chances de ser reconhecido como importante e interessante pelos outros”; isto é, na visão dos outros, é possível que ambos, por exemplo, pesquisa e pesquisador pareçam importantes e interessantes no contexto onde se inserem. Ou seja, “a ciência não se desenvolve de acordo com a sua própria lógica, mas, sim, a partir de investimento que ela começa a se organizar como referência a uma antecipação –consciente ou inconsciente – das chances médias de lucro em função do capital acumulado”. Há certa tendência dos pesquisadores convergirem para as questões consideradas de maior relevância em função do lucro simbólico gerado pelos resultados das descobertas e dos trabalhos desenvolvidos. Por outro lado, se a competição é acirrada entre os
57 pesquisadores, o lucro material ou simbólico é reduzido, levando os pesquisadores a buscarem novos objetos de menor prestígio.
Segundo Merton, citado por Bourdieu, os conflitos sociais e os intelectuais constituem uma espécie de estratégia, social e intelectual, que impõe uma delimitação ao campo (o científico) com os objetos próprios do seu contexto, ou contextos, visando garantir o respeito acadêmico e demarcando a fronteira entre o científico e o não científico, o que pode evitar qualquer questionamento sobre a cientificidade.
É o campo científico, enquanto lugar de luta política pela dominação científica, que designa a cada pesquisador, em função da posição que ele ocupa, seus problemas, indissociavelmente políticos e científicos, e seus métodos, estratégias científicas que, pelo fato de se definirem expressa ou objetivamente pela referência ao sistema de posições políticas e científicas constitutivas do campo científico, são ao mesmo tempo estratégias políticas. Não há “escolha” científica – do campo da pesquisa, dos métodos empregados, do lugar de publicação; ou, escolha entre uma publicação imediata de resultados parcialmente controlados – que não seja uma estratégia política de investimento objetivamente orientada para a maximização do lucro propriamente científico, isto é, a obtenção do reconhecimento dos pares- concorrentes. (Ibid., p. 126).
A autoridade científica, uma parte do capital social, é essencial como forma de poder que assegura a constituição de um campo, além de originar outras espécies de capital e garantir a autonomia desse campo, com tendência a ter como clientes potenciais os seus próprios concorrentes. Isso expressa um campo científico fortemente autônomo, assim como também um produtor particular, aguardando pelo reconhecimento do valor de seus produtos, como a reputação, prestígio, autoridade, competência, entre outros. Ou seja, cabe aos cientistas do mesmo grupo a apropriação simbolicamente da obra científica, assim como a avaliação de seus méritos. A especificidade do campo científico é atribuída também ao fato de os concorrentes não se satisfazerem apenas pela distinção dos antecessores reconhecidos, pois estão sujeitos à superação e à desqualificação de suas obras.
Na luta em que cada um dos agentes deve engajar-se para impor o valor de seus produtos e de sua própria autoridade de produtor legítimo, está sempre em jogo o poder de impor uma definição da ciência (isto é, a de limitação do campo dos problemas, dos métodos e das teorias que podem ser considerados científicos) que mais esteja de acordo com seus interesses específicos. (Ibid., p. 128).
A posição de dominante, de acordo com o período, para Bourdieu (1983), caberá ao pesquisador quando ele ocupar um lugar de destaque na hierarquia dos valores científicos, seja por mérito pessoal ou institucional, como ao detentor de capital cultural, científico, entre outros, assim como membro de instituições de pesquisa científica. Embora na hierarquia
58 social dos campos científicos, exista nas disciplinas uma orientação para as práticas, escolhas e vocação, com o prevalecimento da hierarquia social dos objetos e seus respectivos métodos de tratamento.
As discussões sobre a prioridade das descobertas opõem, em mais de um caso, aquele que descobriu o fenômeno desconhecido sob a forma de uma simples anomalia, de uma falha nas teorias existentes, e aquele que faz do fato desconhecido um fato científico novo, inserindo-o numa construção científica irredutível ao simples dado bruto. Essas discussões políticas sobre o direito e a propriedade científica, que são ao mesmo tempo debates sobre o sentido do que foi descoberto e debates epistemológicos sobre a natureza da descoberta científica, opõem na realidade, mediante protagonistas particulares, dois princípios de hierarquização das práticas científicas: um que confere primazia à observação e à experimentação e, portanto, às inclinações e capacidades correspondentes, outro que privilegia a teoria e os “interesses” científicos correlativos. Debate este que nunca cessou de ocupar o centro da reflexão epistemológica. (Ibid., p. 128).
Lopes defende que a noção de campo científico de Bourdieu é relevante devido ao seu caráter essencialmente heurístico. Ou seja, primeiramente porque se permite romper com a ideia de biografia santificada que geralmente é imputada à noção de “comunidade científica”, em diversos autores, “que dá lugar ao conflito em sua teoria funcionalista da evolução científica”. E, em “segundo lugar, porque dentro da concepção estruturalista que está na base de sua análise do campo, Bourdieu analisa dialeticamente as posições estruturadas com as práticas estruturantes dos agentes”. Ainda, de acordo com a autora, as “práticas são vistas como estratégias, portanto, como ações refletidas, sempre com o duplo caráter indicado acima (científico e político) e que se orientam como estratégias de conservação/sucessão ou
estratégias de subversão.” Tais estratégias estão vinculadas às posições que os agentes
ocupam no campo, dotados de “capital científico e do poder que ele lhes confere”. (LOPES, 2006, p. 17).
Bourdieu, citado por Lopes (2006), refere-se aos agentes (dominantes), àqueles que elaboram as estratégias de conservação ou de sucessão, por meio de seus alunos ou seguidores (pesquisadores também), como forma de garantir a manutenção da ordem científica, sobre a qual se identificam e passam a se dedicarem. A essa ordem é concedida a nomenclatura de “ciência oficial”, que “não se reduz ao conjunto de recursos científicos herdados do passado que existem no estado objetivado, sob a forma de instrumentos, obras, instituições etc., e no
estado incorporado sob a forma de hábitos científicos, sistemas de esquemas gerados de
percepção, de apreciação e de ação”. Para a autora, isso é como “uma espécie de ação pedagógica que torna possível a escolha dos objetos, a solução dos problemas e a avaliação das soluções, que é a essência do sistema de ensino”. Ainda nesse contexto, incluímos as
59 consagrações e prêmios acadêmicos, além das publicações de artigos de periódicos científicos, livros e congressos, como parte do conjunto de critérios oficiais de avaliação.
Para Lopes (Ibid., p. 18), Bourdieu define a ciência como sendo “um campo de práticas institucionalizadas de produção (pesquisa), reprodução (ensino) e circulação de capital e poder científicos”. O que na concepção dele serve para distinguir as “formas objetivadas das práticas (rituais) e formas subjetivadas dessas práticas (estruturas mentais interiorizadas, isto é, habitus)”.
“A ciência oficial não é o que dela faz a sociologia da ciência: o sistema de normas e valores que a comunidade científica, grupo indiferenciado, imporia e inculcaria a todos os membros”, ou seja, o que Durkheim chama de uma aberração revolucionária, pois não considera aqueles que “fracassaram na socialização científica”, o que pode modificar a “representação do universo científico que os detentores da ordem científica têm interesse em impor, sobretudo aos seus concorrentes”. (BOURDIEU, 1983, p. 128).
Não existem diferenças quanto à legitimação de um campo social ou um campo científico, as reivindicações de legitimação deixam de ser essencialmente ao que se presta à medida que os critérios de julgamento e os princípios da hierarquização são postos à prova no mesmo espaço e ao mesmo tempo.
Alguns “avaliadores”, de acordo com Bourdieu (Ibid., p. 130), podem recorrer à tradição científica como delimitação para as hierarquias de um determinado campo, por agentes ou instituições, como por exemplo, as universidades norte-americanas que hierarquizam problemas, métodos, campos, entre outros. Para ele, esse método é equivocado porque diante dos observadores estrangeiros pode parecer a essas instituições que estarão protegidas dos vieses diante das mudanças e de posições ideológicas no cenário internacional. “E, ainda, como se suas análises “científicas” do estado da ciência pudessem ser outra coisa que não a justificação, cientificamente mascarada, do estado particular da ciência ou das instituições científicas com o qual compactuam.” Nesse sentido, a sociologia da ciência frequentemente está “a salvo” dessa estratégia de perícia como imposição de legitimidade para as concorrências de mercado.
A autoridade científica é como uma espécie de capital que pode ser acumulado, transmitido e até reconvertido em outras espécies, dependendo das condições de produção. Para Fred Reif, citado por Bourdieu (Ibid.), a posse de capital científico leva o pesquisador ao favorecimento e à aquisição de capital suplementar, alavancando a sua carreira em um processo contínuo de acumulação, desde o primeiro título escolar. Nesse aspecto, o estudante,
60 como futuro cientista, além da consciência de seu papel de competidor e consequentemente na obtenção de sucesso nos trabalhos, já se comporta dessa maneira e tenta obter as melhores notas para ser admitido em programas de Pós-Graduação e além da consideração de seus mestres, como garantia para conquista também de bolsas e prêmios. Como consequência poderá conseguir uma boa indicação se proceder de instituições reconhecidas e tiver trabalhado com renomados pesquisadores. No entanto, ele deve estar ciente de que receberá comentários favoráveis ou não sobre o seu trabalho. Esse processo é contínuo e se estende a cargos administrativos, governamentais, entre outros. O pesquisador depende ainda de sua notoriedade entre os colegas a fim de garantir condições e apoio para fundos para pesquisas, convite para participar de eventos acadêmico-científicos, prêmios como o da Academia de Nacional de Ciências.
Bourdieu (Ibid., p. 132) postula que o “reconhecimento, marcado e garantido socialmente por todo um conjunto de sinais específicos de consagração que os pares concorrentes concedem a cada um de seus membros, é função do valor distintivo de seus produtos e da originalidade” e permite ao coletivo de pesquisadores reconhecerem a contribuição de seus pares para os recursos científicos. Contudo, o capital de autoridade, resultado de uma descoberta, ao ser divulgado pelo primeiro, atribui um determinado valor, mas esse mesmo valor é redimensionado entre vários pesquisadores reduzindo o prestígio de todos os envolvidos. Fator que pode explicar as atitudes de alguns pesquisadores que conduzem todos os seus esforços para publicar os resultados de seus trabalhos em um espaço de tempo curto, na tentativa de evitar a superação dos temas investigados. O autor cita o conjunto de observações de Zuckerman, como a lista de nomeação de autores de artigos científicos, das regras que visam reduzir a perda de valor distintivo na divisão do trabalho científico e os autores que são citados de acordo com suas contribuições.
[...] basta, com efeito, supor que a visibilidade relativa, definida pelo grau que ele ocupar na série e, em segundo lugar, de sua visibilidade intrínseca, que resulta do fato de que, já conhecido, ele é mais facilmente reconhecido e retido (um dos mecanismos que fazem com que, também aqui, o capital leve ao capital). Por compreender que a tendência a deixar para os outros o primeiro lugar cresça à medida que cresce o capital possuído e, portanto, o lucro simbólico automaticamente assegurado, independentemente do grau em que os autores são nomeados. O mercado dos bens científicos tem suas leis, que nada têm a ver com a moral. Arriscamo-nos a introduzir na ciência das ciências, sob diversos nomes “eruditos”, o que os agentes chamam às vezes de “valores” ou “tradições” da “comunidade científica”, se não soubermos reconhecer enquanto tais as estratégias que, nos universos onde se tem interesse no desinteresse, tendem a dissimular as estratégias. Essas estratégias. Essas estratégias de segunda ordem, através das quais nos
colocamo-nos dentro das regras, permitem somar às satisfações do interesse bem compreendido os lucros mais ou menos universalmente prometidos às ações que não
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têm outra determinação aparente senão a do respeito puro e desinteressado da regra. (Ibid., p. 132).
Retomamos a estrutura do campo científico, que de acordo com Bourdieu é definido e redefinido a cada momento, como o resultado das relações de força entre protagonistas, agentes ou instituições; ou ainda, como o resultado do capital específico, o acúmulo de experiências e trabalhos anteriores que comandam as estratégias e as chances objetivas dos diferentes agentes e instituições. Nesse campo, como em outros, podemos perceber que as relações de conflitos são estabelecidas entre as estruturas e estratégias, com o objetivo de fazer desaparecer a antinomia (contradição) entre a sincronia (qualidade do que ocorre ao mesmo tempo) e diacronia (descrição de uma língua ou parte dela, culturas), entre a estrutura e a História. Ainda nesse sentido, o autor aponta que a “estrutura da distribuição do capital científico está na base das transformações do campo científico e se manifesta por intermédio das estratégias de conservação ou de subversão da estrutura que ela mesma produz”. Ou seja, é importante destacar que a posição que o agente ocupa em determinado momento na estrutura do campo científico resulta do conjunto de estratégias da estrutura do campo, proveniente das propriedades estruturais devido ao seu engendramento. No entanto, as transformações da estrutura do campo também podem ser “o produto de estratégias de conservação ou de subversão que têm seu princípio de orientação e eficácia nas propriedades da posição que ocupam aqueles que as produzem no interior da estrutura de campo”. (Ibid., p. 133).
Os investimentos dos pesquisadores influenciam diretamente no estado do campo, pelo tempo de dedicação à pesquisa, pela especificidade temática e potencial, assim como pela importância do capital atual e potencial de reconhecimento, dos pesquisadores, no campo. Bourdieu (Ibid.) expressa que as aspirações, ou “ambições científicas”, são maiores quando o capital de reconhecimento é conferido ao pesquisador no começo de sua carreira científica, por meio de um título raro, o que é, normalmente, almejado socialmente. Contudo, se tentarmos medir a relação estatística entre o prestígio de um pesquisador e o prestígio de seus títulos escolares iniciais, assumimos a hipótese de que a produção e o prestígio são dissociados e em nada têm a ver com os títulos de origem; ou seja, na mesma proporção que “o título, enquanto capital escolar reconversível em capital universitário e científico, encerra