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Kvalitet på data og generaliseringsmuligheter

Kapittel 4. Metodologi

4.6 Kvalitet på data og generaliseringsmuligheter

Esta seção aborda eventos acadêmicos realizados por bolsistas Pibid, bem como aqueles que não realizados por eles, mas que abrem espaço para a sua participação. Neste sentido, para selecionar os eventos, utilizamos o buscador do Google, inserindo as frases: Evento Pibid 2009; Evento Pibid 2010; Evento Pibid 2011; Evento Pibid 2012; Evento Pibid 2013; Evento Pibid 2014; Evento Pibid 2015; Evento Pibid 2016 e Bolsistas Pibid em Eventos Científicos.

Para cada frase de busca, selecionamos os eventos de acordo com os enunciados selecionados para o corpus de análise: i) Valorizar o magistério, incentivando a formação de professores; ii) Elevar a qualidade da educação básica e das ações acadêmicas; iii) Integrar universidade-escola.

A realização de eventos (congressos, simpósios, seminários, encontros, feiras, entre outros) tem provocado um aumento no número de participações de docentes e licenciandos em práticas de divulgação científica. Conforme vimos na seção anterior, desde a Portaria nº 72, de 9 de abril de 2010, cada instituição participante do programa deve organizar

123 periodicamente Seminários de Iniciação à docência (CAPES, 2010b). Além disso, a realização de eventos por parte dos Projetos Pibid é viável por conta deles serem contemplados com uma ajuda de custeio que prevê este gasto. Ou seja, o incentivo para a implementação dessas ações é dado pela Capes.

Em páginas da web de divulgação de eventos realizados por Instituições de Ensino Superior, desenvolvidos por bolsistas dos projetos Pibid, encontramos uma série de menções em seus textos que, de certo modo, apresentam práticas docentes e o funcionamento das relações de poder.

Assim, os eventos ligados ao Pibid funcionam conforme uma vontade de saber que move a sociedade na atualidade, uma vez que promovem, divulgam, distribuem saberes específicos sobre o Pibid. Os docentes entram na lógica em resposta a uma regra histórica do meio acadêmico do ensino superior: é preciso produzir saberes e, mais, é preciso colocá-los em circulação.

Nas páginas dos eventos, são apresentados: objetivos, programações, resultados, cadernos de resumos e/ou anais, fotografias, entre outras informações. A página do evento “III Encontro Nacional do Pibid/FAI”, ilustrada na figura abaixo, por exemplo, detalha informações tais como normas para submissão, formas de exposição e cronograma. O que dá subsídio aos bolsistas para se inscreverem no evento e para apresentarem trabalhos. O tema do evento aparece ao centro da imagem seguido do convite do Diretor Geral das faculdades para a participação no evento. Informações sobre objetivos e programação do evento, também podem ser acessadas nos ícones à esquerda da imagem.

124 Figura 3: III Encontro Nacional do Pibid Faculdades Adamantinenses Integradas – FAI.

Fonte: (FAI, 2015).

Certamente, os conteúdos textuais e imagéticos oscilam de uma instituição para a outra, no entanto, encontramos algumas regularidades que podem nos ajudar a entender as práticas promovidas no contexto do Pibid que teriam relação com a subjetivação do sujeito docente.

A análise aponta que nos primeiros anos – 2009, 2010 e 2011 – os eventos resumem uma característica em comum: o desejo pela consolidação e ampliação de seus projetos institucionais. Nas páginas dos eventos, há um discurso que tenta afirmar a efetivação do Pibid:

O principal objetivo do encontro é avaliar as realizações do programa em 2010 e dar início ao planejamento para 2011 (UNIPAMPA, 2010 [grifos nossos]).

Um dos principais resultados dessa primeira versão foi a consolidação do programa no âmbito institucional, permitindo sua ampliação, em 2011, de 6 para 10 subprojetos, com a inclusão das licenciaturas em Educação Física (IFCE, 2010 [grifos nossos]).

125 O I Encontro do PIBID/UEL demonstrou a vitalidade do programa PIBID e sua capacidade de melhorar efetivamente a educação brasileira, em especial a formação dos futuros professores (UEL, 2011[grifos nossos]). É como se as instituições envolvidas com o programa lutassem para construir um alicerce aos seus projetos76. Conforme os enunciados apresentados acima, resultados aparecem nas páginas dos eventos afirmando o sucesso dos programas institucionais, o que eles produziram e mostrando a necessidade de ampliarem seus projetos ou criarem novos subprojetos.

Colocar o Pibid em funcionamento possibilitou às licenciaturas a chance de conseguirem visibilidade. As ações empreendidas, tal como – desde 2010, bolsistas Pibid poderiam ter taxas de inscrição e pagamento de diárias para participações em eventos científicos – contribuíam com a divulgação de seus programas e cursos.

Os eventos foram sofrendo modificações. No início, os projetos apresentavam uma tentativa de fortalecimento, de mostrar que as licenciaturas também pertenciam à universidade com o mesmo peso que os demais cursos e, sobretudo, que elas tinham capacidade de produção.

As condições históricas pareciam favoráveis a essa mudança. Havia a possibilidade para que o sujeito docente fizesse escolhas que modificassem sua posição nos jogos de poder. Movimentos de resistência operariam para e sobre o sujeito docente. Desse ponto de vista, ao mesmo tempo em que participar do Pibid poderia ser uma estratégia para determinadas lutas, a escolha pela participação no Programa também alimentaria os jogos de saber/poder que atravessam o dispositivo educacional no país.

Não encontramos nenhum evento realizado no espaço das escolas públicas nas páginas da web77, apesar de o discurso do MEC/CAPES projetar-se a favor da articulação integrada das IES com a educação básica do sistema público, em proveito da formação inicial do sujeito docente por meio do Pibid.

Os eventos pesquisados foram realizados em: a) Instituições de Ensino Superior (IES); b) Instituições proponentes do evento e; c) Instituições proponentes do local. Os eventos nesse período – 2009 a 2011 – foram realizados, em sua maioria, nas instituições proponentes dos

76 Tanto a Capes necessitava que o programa Pibid tivesse sucesso como todas as instituições que desenvolviam seus projetos Pibid baseados nos editais da Capes.

77 O fato de não encontrarmos eventos acadêmicos sendo realizados nas escolas públicas, nas páginas da web, não significa que não exista eventos promovidos pelo Pibid nesses espaços. Veremos, no próximo capítulo, o caso de um evento, promovido pela universidade, na escola de educação básica: “No final do ano passado, em comunhão com a escola, nós fizemos um evento para mostrar nosso trabalho. Foi um trabalho para toda a escola, tinha quatro salas ambiente [...]” (Entrevista Coordenadora).

126 projetos de iniciação à docência: as Instituições de Ensino Superior (IES). Foram raras exceções de promoção dos eventos em outra localização que não fosse a universidade. E isso é significativo, na medida em que pode indicar que o espaço institucional autorizado para falar sobre valorização e melhoria da qualidade docente é, por excelência, a universidade.

É necessário que outro sujeito, a partir de outra posição, fale sobre o saber que o docente coloca em circulação na sala de aula. Isso pode ser visto como reforçada e reproduzida uma hierarquia na distribuição de saberes e uma forma de sujeição, pois o docente da rede pública, a partir de sua posição, não está apto a explicar, detalhar, empreender produções científicas sobre seu próprio trabalho.

Trata-se de um discurso considerado científico com “efeitos centralizadores de poder que são vinculados à instituição e ao funcionamento de um discurso científico organizado no interior de uma sociedade como a nossa” (FOUCAULT, 2005a, p. 14). Assim, quando se fala de saber docente notamos que a produção de um saber sobre outro saber (tais como as investigações científicas sobre a docência expostas nos eventos) recebe mais relevância do que a distribuição de um saber localizado na escola pública.

Dois exemplos de exceções dentre o conjunto de eventos pesquisados foram o I Seminário do Programa Institucional de Iniciação à Docência (UNIPAMPA, 2010), realizado no Palacete Pedro Osório em Bagé/RS dia 3 de julho de 2010 e outro foi o I ENCONTRO DO PIBID/UEL, realizado no dia 5 de novembro de 2011 no Hotel Londristar (UEL, 2011).

Entendemos que realizar o evento em um local que não tem como função o ensino, isto é, que não pertence nem à universidade e nem à escola, corresponde a uma singularidade, uma prática que se distinguiu de outras que se relacionam ao Pibid. Geralmente, não cabe às escolas da rede decidir o lugar onde serão expostas pesquisas sobre o Pibid, mas sim às IES. Além disso, se o local é escolhido pela instituição proponente do evento – nesse caso a universidade com a verba de custeio do Programa – isto também afirma o poder da universidade perante as escolas públicas.

No caso do evento do Pibid da UNIPAMPA, por exemplo, o local escolhido, o Palacete Pedro Osório é uma construção tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) do Rio Grande do Sul. Uma imponente construção do início do século XX, de estilo neoclássico, em mármore, vitrais e ferro. A realização de um evento neste local certamente demonstra a importância do Pibid e a posição de legitimidade ocupada pela universidade.

127 O local de realização dos eventos – seja na universidade, seja num hotel ou mesmo em um palacete histórico – de certo modo nos mostra a divisão e a organização de posições discursivas entre os sujeitos. Isto é, manifesta as condições para quem está autorizado e como pode enunciar, falar, abordar o discurso do Programa. Para Foucault, precisamos dar importância aos lugares institucionais, o local onde os sujeitos produzem seus discursos, pois lugar em que o sujeito “encontra sua origem legítima e seu ponto de aplicação” (FOUCAULT, 2014, p. 62). Pensar nos lugares institucionais em que se falou por meio do Pibid é, com efeito, pensar: de onde vem o discurso? Quem ocupa a posição de enunciá-lo? Como se organizam os saberes que estão sendo compartilhados?

De todo modo, o discurso vem da universidade, independentemente de o local do evento corresponder à IES ou não. É ela que coordena a organização do evento, a escolha do tema, convida os palestrantes, escolhe o local adequado e assim por diante.

Em termos quantitativos, a partir de 2012, notamos um aumento considerável no número de eventos relacionados ao Pibid. Ao mesmo tempo, ocorrem algumas transformações em seus formatos, uma vez que os eventos ganham força e passam a ser realizados em categorias estadual, regional e nacional. Merece destaque a inclusão da temática iniciação à docência a outros eventos, nacionais e internacionais, que tratam de iniciação científica, pós- graduação. Além disso, os eventos do Pibid se integram a outros eventos da área educacional. O quadro abaixo mostra algumas destas mudanças.

Quadro 2: Instituições e eventos com a temática Pibid.

Nome do Evento Realização Ano UF

I Encontro PIBID e III Encontro dos

Núcleos de Ensino da UNESP; UNESP 2012 SP I Encontro Estadual do Pibid em Mato

Grosso do Sul

UFMS 2013 MS

XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação, VII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica Júnior e III Encontro Nacional de Iniciação à Docência

UNIVAP

2013 SP

5º Encontro Nacional das Licenciaturas (Enalic), 4º Seminário Nacional do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e 11º Seminário de Iniciação à Docência

UFRN 2014 RN

I Encontro das Licenciaturas das UFMS, II Seminário do Prodocência e III encontro do PIBID

128 II Seminário Nacional do Pibid UFPA UFPA 2014 PA

I Encontro Pibid Goiás (EPIGOIÁS) IFG, PUC- GOIÁS, UEG, UFG

2015 GO

II Seminário e IV Encontro Institucional do Pibid/UNESPAR/Campus de Campo Mourão

UEL 2015 PR

I SEMINÁRIO PIBID/SUDESTE E III

ENCONTRO ESTADUAL DO PIBID/ES Instituições públicas e privadas de toda a região Sudeste do Espírito Santo

2015 ES

I Encontro Estadual do Pibid de Minas Gerais, I Encontro Estadual das Licenciaturas de Minas Gerais e I Seminário articulador de formação inicial e continuada de profissionais da educação básica

UNIFEI –

Universidade Federal de Itajubá

2015 MG

III Encontro Nacional Pibid, FAI – Adamantina Centro Universitário de Adamantina – UNIFAI 2015 SP

Encontro de Licenciaturas do Sudoeste Goiano – 3ª edição, Encontro do Pibid do Sudoeste Goiano – 3ª edição

UEG 2016 GO

Fonte: Dados da Pesquisa.

Podemos notar o reconhecimento por parte da organização de outros eventos que se associaram ao Programa Pibid quando consideramos a dimensão alcançada por eles: aumento da visibilidade do Programa – de eventos locais para regionais, estaduais e nacionais – e a oportunidade de associação do ensino à pesquisa. O evento realizado pela Universidade do Vale da Paraíba (UNIVAP), por exemplo, reuniu o “XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica”, o “XIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação”, o “VII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica Júnior” e o “III Encontro Nacional de Iniciação à Docência”.

Do ponto de vista da hierarquia – pesquisa versus ensino – é uma conquista inserir o Pidid no pavilhão de pesquisas. Além dos eventos do Pibid, que envolveram ensino e pesquisa, concomitantemente, os bolsistas do Pibid participam de eventos científicos apresentando seus trabalhos. A Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) é um exemplo de evento frequentado por bolsistas Pibid. Vejamos a seguir recortes de notícias sobre a participação de bolsistas Pibid nesses eventos:

129 A 64ª SBPC abordará a questão da inclusão social, com o tema: Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza, ocorrerá nos dias 22 a 27 de julho de 2012 na cidade de São Luiz no estado do Maranhão. Serão apresentados os trabalhos na UFMA/ UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO. E o grupo PIBID/PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA, estará participando mais uma vez na SBPC.

(UNEMAT, 2012).

Mesa Redonda: “Transformar futuros professores, em professores do futuro”

“Mais que um programa de formação de professores, o Pibid é um fenômeno complexo com muitas implicações”. A afirmação é do professor Maurivan Guntzel Ramos, que trouxe para a 66ª Reunião Anual da SBPC, no Acre, a experiência da PUC do Rio Grande do Sul dentro do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Ao lado da professora Araci Asinelli-Luz, da Universidade do Paraná (UFPR), e da pedagoga Claudete Cardoso, coordenadora de Valorização da Formação Docente da Capes/MEC, eles debateram os impactos do programa.

(SBPC, 2014)

9ª Reunião Anual da SBPC, na UFMG em Belo Horizonte – MG

Os bolsistas do PIBID-Física participaram da 69ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Maior evento científico da América-Latina ocorreu de 16 à 22 de julho de 2017, no campus Pampulha da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). [...]Neste ano, o PIBID participou da Sessão de Pôsteres, com apresentação do trabalho intitulado "As Inteligências Múltiplas como Recurso de Ensino de Física. Uma proposta didática do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID)". Além dos bolsistas do projeto, alguns alunos do curso de Física da Universidade Federal da Fronteira Sul também prestigiaram o evento, e já confirmaram interesse na próxima edição, prevista para ocorrer em Maceió - AL.

(UFFS, 2017).

Desta vez foi a 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ocorrido do dia 12 ao dia 18 de julho, no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos, SP. [...] Os bolsistas do PIBID-IFF das áreas de Biologia e Química tiveram a oportunidade de participar de mais um grande evento como esse, onde puderam compartilhar e trocar experiências em relação aos avanços da ciência.

(IFF, 2015).

Conforme vimos nos recortes, a produção científica dos bolsistas não se limita a apresentações e artigos de eventos promovidos pelo Programa. Nessas condições, o que podemos depreender desse novo cenário que se estabelece? Há indícios de que a iniciação à docência ainda busca ser reconhecida. Observamos uma luta para ocupar posições, ou seja, para conseguir fazer o que outros docentes fazem no âmbito acadêmico. Neste sentido, nos textos das páginas de alguns eventos do Pibid, o número de publicações aparece em destaque. Se por um lado a corrida pela produção científica talvez justifique o grande número de eventos realizados, por outro, participar de um evento do Pibid parece ser uma estratégia

130 importante no processo da universidade e das Instituições de fomento. Isso porque possibilita: valorizar práticas docentes; divulgar saberes; promover e fazer proliferar novas formas de atuação do sujeito docente segundo o saber da universidade.

O fato de o Pibid ser regido segundo a perspectiva da universidade nos dá a vê-la como “detentora” do poder. Mas as coisas não funcionam assim em termos de poder. Quando Foucault faz a analítica do poder, pondera que o poder não está localizado num único ponto, portanto, o poder não é centralizado sobre uma única instituição. Além disso, o poder coloca em jogo relações entre indivíduos ou grupos, na medida em que alguns exercem um poder sobre os outros.

Segundo Foucault (1995), “o exercício do poder consiste em “conduzir condutas” e em ordenar a probabilidade. O poder, no fundo, é menos da ordem do afrontamento entre dois adversários, ou do vínculo de um com relação ao outro, do que da ordem do “governo”” (1995, p. 244). Neste sentido, a universidade não funciona como aquela que impõe o seu saber, mais sim como aquela que conduz a conduta docente por meio do saber.

Se retrocedermos um pouco, e voltarmos aos editais da Capes verificamos que, mesmo as universidades – que têm a possibilidade de investigar e falar sobre o saber docente – têm suas ações dirigidas, governadas por outros sujeitos. É preciso salientar que o discurso emitido pela universidade não advém totalmente dela. A partir do momento em que a universidade adere a um programa da Capes, ela deve seguir as normas desse órgão. Os discursos da universidade promovidos nos eventos do Pibid trazem regras determinadas por outros discursos e, sobretudo, pelos editais Capes.

Em muitos eventos, a palestra de abertura ou de encerramento é muito valorizada. Nos eventos do Pibid, principalmente os realizados nas categorias estaduais e nacionais, um representante da Capes proferiu a abertura ou o encerramento. Geralmente, as falas abordavam os objetivos do Pibid, sua importância para os cursos de licenciatura e principalmente para as escolas públicas. Por exemplo, o coordenador geral de programas de valorização do magistério da Capes, Hélder Eterno da Silveira, em sua fala no encerramento do 5º Encontro Nacional das Licenciaturas (ENALIC), 4º Seminário Nacional do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e 11º Seminário de Iniciação à Docência lista quais os princípios das ações executadas pela diretoria de Formação de Professores da Educação Básica da Capes e o tipo de professor que o país necessita:

131 [...] valorização da escola, a ética na docência, a protagonização do professor, a correção de assimetrias regionais, a autonomia didático- pedagógica, o respeito à diversidade, a preocupação com o ambiente, o uso da tecnologia, a criatividade e a coletividade, a sinergia com outras ações, entre outros. “A escola pública precisa ser salva. Precisamos de professores que não esmoreçam, que não desistam. Precisamos de professores que tenham todo o conjunto de práticas formativas para que possamos continuar evoluindo” (SILVEIRA, 2014 apud CAPES, 2014, p.1).

Na fala do coordenador geral de programas de valorização do magistério da Capes, Hélder Eterno da Silveira, um tipo de professor é apresentado como aquele que a Capes deseja obter com o Pibid. Em nome da Capes, o coordenador descreve para os participantes como um docente que está sendo “valorizado” com o Pibid deve ser. Segundo ele, o docente deve ser direcionado ao aumento de sua produtividade (mais dedicação, empenho, eficiência, metodologias de ensino, tecnologias inovadoras), visando alcançar a melhoria de qualidade da educação. Reflexos desse tipo de discurso vão surgindo, ou seja, os docentes pouco a pouco, incorporam esse modo de ser docente78.

Além disso, o coordenador finaliza dizendo que precisa “de professores que tenham todo o conjunto de práticas formativas para que possamos continuar evoluindo” (SILVEIRA, 2014 apud CAPES, 2014, p 1). Este enunciado atualiza enunciados do período da Proclamação da República, em que mudanças implantadas refletiam ideários que “tinham em sua base a plataforma política de que o progresso e a constituição brasileira deveriam estar assentados estratégias a serem fortemente consolidadas: a higienização e a educação” (GREGOLIN, 2015, p 13).

Naquela época, educação para todos estava sendo pensada como sinônimo de evolução da sociedade brasileira. Atualmente, isto não mudou, no entanto, pelo fala do coordenador da Capes, Helder, para continuarmos evoluindo o professor deve saber muito mais. É como se ele colocasse a responsabilidade de melhorar a educação sobre os docentes, de capacitá-los, expandir seus conhecimentos.

Além do acompanhamento dos eventos institucionais ocorridos em todo país, coube à Capes a organização de seus próprios eventos. Foram promovidos encontros com os coordenadores institucionais do Pibid a fim de discutir ações de gestão, resultados obtidos e trocar experiências entre as instituições. E nesse ponto, há uma hierarquia, pois o contato da

78 Veremos no próximo capítulo, nas falas dos entrevistados, reflexos desse tipo de discurso que responsabiliza o docente a mudar a educação.

132 Capes se dá apenas com os coordenadores institucionais, e não com os docentes das escolas