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4.1 Valg av vitenskapelig metode

4.1.2 Kvalitative intervjuer

Furtado sobre as mínimas melhorias que puderam concentrar diante os brasileiros “quatro níveis de consumo” que estavam representados, em primeiro lugar, sobre os trabalhadores rurais em geral, segundo, diante dos trabalhadores urbanos condicionados ao salário mínimo, terceiro, diante de outros assalariados urbanos e, em quarto, diante dos grupos de alta renda, único estrato social privilegiado com o desenvolvimento nacional (PLANO TRIENAL, 1962, p. 26). É de suma importância focarmos diante dos estratos sociais e sobre as disparidades existentes entre ambas, para que possamos justificar às trilhas propostas pelo Plano Trienal em promover no Brasil, na década de 1960, a Justiça Social e o fim do anacronismo existente entre os quatro níveis de consumidores no país.

Ao longo dos contornos propiciados pela pujante industrialização ocorrida no país, principalmente no decênio 1950 – 1960, o campo fora beneficiado com um aumento expressivo de sua produção de excedentes, determinante no abastecimento do mercado interno e aos lucros absorvidos ao longo deste período (PLANO TRIENAL, 1962). Mas, o nível de vida do trabalhador rural, que estava ligado ao aumento desta produtividade, não colhia os frutos que eram determinantes sobre o aumento da renda proveniente do crescimento apresentado, ou seja, os lucros estavam sendo absorvidos de forma exorbitante pelos proprietários de terras e pouco, ou quase nada destinados a estes trabalhadores (PLANO TRIENAL, 1962). Assim, o que devemos salientar sobre estas afirmações seria no aspecto da Justiça Social ligada ao aumento dos níveis de salários pretendidos pelo Plano, onde ocorrendo a causação circular sobre o nível de renda e vida dos trabalhadores rurais ocorreria, por assim dizer, uma melhor planificação sobre o trabalhador do campo, diante as estruturas arcaicas oligárquicas presentes no país, desde os primórdios de nossa colonização, que absorviam todos os lucros ligados à produção agrícola. Novamente salientamos sobre o aspecto onde Furtado procurou manter diálogos constantes entre teoria e ação, capital, trabalho e Estado, como forma de construir um projeto de Nação e de estabelecer Justiça Social entre os estratos sociais95.

Analisando agora, a questão do trabalhador urbano, onde “a evolução do nível de vida [..] cuja remuneração está ligada ao salário mínimo fixado oficialmente”. O Plano apresentava um quadro comparativo sobre o aumento da

95 Como fora analisado no capítulo anterior, a questão sobre capital, trabalho e Estado se faz

presente tanto nas obras de Furtado, como nas propostas do Plano Trienal em promover a construção de um Projeto de Nação. Sendo assim, mais uma vez fica evidente que, tanto teoria quanto ação, objetivos desta dissertação se fazem presentes em Celso Furtado.

massa de trabalhadores urbanos que crescera entre as décadas de 1950 e 1960, de 70%, comparado a apenas 17,5% diante do número de trabalhadores rurais (PLANO TRIENAL, 1962, p. 27). Poucas alterações também podem ser vistas diante da situação dos trabalhadores urbanos excetuando, talvez, uma mínima melhoria em atendimentos de saúde e educação de forma regional (no caso, a região sudeste, que apresentava melhores aspectos de desenvolvimento em todas as regiões do país apontadas anteriormente), possivelmente encobertas pela chegada de novos moradores provenientes do campo, em virtude da absorção do grande latifúndio sobre o trabalhador rural (SANTOS, 1978).

Mas, além das afirmações de Vanderley Guilherme dos Santos (1978), ainda havia um outro ponto a ser creditado, qual seja, o de que “a massa da população ainda se encontra na fase de absorver a quase totalidade do incremento do salário real nas necessidades básicas da vida” (PLANO TRIENAL, 1962, p. 30), fator preponderante do Plano.

Se comparados ao grupo de alta renda, podemos concluir obviamente e sem grandes surpresas que foram os grandes beneficiados pelo crescimento industrial e econômico em relação aos outros grupos analisados cabendo, por assim dizer, uma indagação essencial, qual seja, a de que, se o consumo privado (da ordem de quatro quintos do consumo total, de todo a nação) também beneficiou parcela crescente do povo ou se evoluiu acentuando as desigualdades entre os níveis de vida dos grupos populacionais. Neste sentido, o Plano concluía, diante nossas análises, de que os dados do crescimento do consumo de bens supérfluos (tais como, automóveis) superavam os produtos de bens essenciais, “cabendo à uma política fiscal bem orientada evitar que se extremassem essas disparidades” (PLANO TRIENAL, 1962, p. 30), por não participarem de fato, à contribuição sobre a participação do crescimento do Produto Interno Bruto no país.

Mais uma vez Furtado e o Plano Trienal afirmam sobre o grande abismo e sobre as profundas e incomodas diferenças sociais latentes no Brasil, fazendo com que se tornassem ainda mais evidentes à necessidade de estruturação diante maiores acessos à democracia e a Justiça Social como epicentro às trilhas deste projeto de Nação, proposta que reconhecia a realidade estrutural do Brasil diante o momento histórico e/ou brecha histórica à superação do

subdesenvolvimento no Brasil96.

Novamente, o Plano preconiza a estrutura econômica em que se encontrava a economia brasileira, numerando como uma das causas de desequilíbrio no país, a característica de país exportador de matéria-prima (PLANO TRIENAL, 1962). Apesar de contar com uma razoável expansão das exportações, excetuando o café, o condicionamento e dependência de sucesso diretamente ligada às atribulações do mercado externo resultavam em um modelo precário. Somam-se a estes fatos, a evolução do comércio internacional de manufaturas e aos avanços tecnológicos na agropecuária, que vieram a aumentar consideravelmente a concorrência dos países industrializados em setores, outrora dominados pelos países de economia desenvolvida colonialistas (DRAIBE, 1985). Assim:

Para um país subdesenvolvido, a exportação constitui, em realidade, um tipo de atividade econômica altamente vantajosa, pois permite utilizar mais amplamente fatôres abundantes – terra e mão-de-obra – em troca do capital e da técnica que vêm incorporados nas importações (PLANO TRIENAL, 1962, p. 31).

Estes dados não apontam para as trilhas do Plano Trienal para que o país deixasse de ser um país exportador, ou seja, o Plano defendia a continuidade do Brasil como um país exportador, desde que invertesse seus aspectos produtivos para produtos agrícolas industrializados apoiados pela abundância de recursos e mão-de-obra que a nação oferecia, proporcionando aos estratos sociais que não participavam dos frutos do desenvolvimento nacional neste setor, oportunidades que pouco ou quase nada absorviam deste desenvolvimento (PLANO TRIENAL, 1962). Dessa forma, o Plano previa alcançar:

96 Cumpre ressaltar a importância de um dos trechos apresentados no capítulo anterior a respeito das

na;alises feitas sobre as obras de Furtado e que se fazem presentes na literatura do Plano Trienal neste momento do trabalho, qual seja, sobre o obstáculo acerca da liberdade no Brasil. O obstáculo da representação pluralista do Estado sobre os cidadãos, que divergiam sobre o nível de desenvolvimento e o nível de renda real sobre diferentes áreas do país e sobre a renda per capita entre cidadãos e trabalhadores do meio urbano e rural. Para Furtado, esse obstáculo somente se concretizaria se ocorresse à evolução material da sociedade e por meio da extensão dos benefícios do desenvolvimento sobre os cidadãos alheios a benefícios do desenvolvimento industrial no Brasil, como acontece nos países desenvolvidos onde há o processo de inserção, cada vez maior, dos indivíduos sobre a distribuição de renda social. Esse problema repousa sobre a necessidade do Estado em reconhecer a existência de transpor a sociedade do campo, maioria entre os trabalhadores e maioria sobre o nível de renda baixo entre os trabalhadores urbanos, possibilidades de inserção ao capital social e na forma de evitar “as grandes tensões sociais que caracterizam a vida nacional na fase atual [que] parecem ter sua causa principal no desajustamento existente entre as perspectivas criadas pelo próprio desenvolvimento no conjunto da população e o limitado acesso permitido aos frutos dêsse desenvolvimento” [FURTADO, 1962, 40-41].

a substituição das importações [onde] não [seria] contraditório? [Que] se efetua, inicialmente, nos setores em que a produção exige menor densidade de capital, tecnologia menos complexa ou em que são menores as vantagens de uma grande escala de produção (PLANO TRIENAL, 1962, p. 32)97.

Paradoxalmente às vantagens defendidas em torno da industrialização e enquanto agente de desenvolvimento, a mesma é apontada como uma das causas do desequilíbrio do Tesouro Nacional, no que se refere ao comportamento do setor externo da economia do Brasil, principalmente no decênio de 1950. Dessa forma, decorreu-se do processo à urbanização e crescimento das indústrias pesadas, em face das modificações estruturais ocorridas no Brasil.

Na tentativa de corrigir o problema, uma política cambial considerada e defendida pelo Plano sempre de forma imprópria era colocada em prática, para promover as exportações de produtos primários e colocar-se à mercê da velha estrutura econômica agrária exportadora do Brasil (PLANO TRIENAL, 1962). Devido a estas medidas, aprofundou-se um déficit de recursos, que se tentou corrigir com o aumento de carga tributária e com emissão de papel-moeda, mais uma vez, as táticas provariam serem ineficientes flagradas no aumento da pressão inflacionária no país (PLANO TRIENAL, 1962).

A proposta de crescimento do Plano Trienal em uma taxa de 7% anual dependeria basicamente de alguns fatores indicativos e estruturais para que fossem alcançados, tais como, “a intensidade com que se utilize a capacidade produtiva já instalada no país e, em menor escala, da evolução da relação de preços do intercâmbio com o exterior e da entrada liquida de recursos externos” (PLANO TRIENAL, 1962, p. 43)98. Indubitavelmente, o objetivo central destas ações logo seria demonstrado diante do crescimento da renda pessoal e a sua distribuição entre todos os estratos sociais no Brasil, com a finalidade de incentivar o consumo, demonstrando definitivamente à busca pela causação circular ao desenvolvimento

97 E ainda veremos nos próximos parágrafos que de acordo com a política de reforma agrária do

Plano Trienal haveria uma associação imediata com as propostas da política de exportação do país que beneficiaria não apenas os grandes latifundiários sobre a política de exportação, mas os pequenos produtores e aqueles que se beneficiariam de terras virgens à produção e arrecadação diante o mercado interno, mais uma vez, a aplicabilidade do princípio cumulativo e da causação

circular inerente à economia e sociedade no país, com vistas ao desenvolvimento nacional.

98

Cumpre salientar que a utilização da capacidade produtiva existente, entrada líquida de recursos externos (conseqüência do aumento das exportações de manufaturados) e aumento da taxa de poupança seriam fundamentais para o atingimento destes planos traçados no Plano Trienal.

nacional, como forma de desenvolver o mercado interno (reconhecimento pleno, da teoria furtadiana, diante os problemas da estrutura econômica e social arcaica que travava o desenvolvimento e a construção de um projeto de Nação a superação destes entraves).

Somente seriam alcançados, estes requisitos demonstrados nos parágrafos acima, através de planejamento, sendo que, em uma primeira fase recursos seriam aplicados em setores considerados estratégicos combinado com modificações adaptativas nas estruturas produtivas e sociais do país (PLANO TRIENAL, 1962). Paralelamente ao objetivo econômico de tecnificação, mecanização agrícola e investimentos em transportes, denotava-se a recorrente preocupação em atender às necessidades agudas da sociedade brasileira e, cumpre ressaltar ainda que, “embora o desenvolvimento deva realizar-se com base no próprio esfôrço interno do país, faz-se necessário, em face das dívidas acumuladas no passado” (PLANO TRIENAL, 1962, p. 48), o momento histórico à superação do atraso e do subdesenvolvimento brasileiro com justiça social.