3 Metode
3.2 Kvalitativ forskningstilnærming
Para verificar se a Cultura Organizacional da Família influencia a resiliência dos jovens, aplicámos o teste de correlação de Pearson entre as variáveis.
Pela análise da tabela nº 39, correspondente à apresentação dos dados relativamente à correlação entre o preenchimento dos quadrantes que constituem a Cultura Organizacional da Família e no que respeita à Resiliência, quer o desenvolvimento das características da resiliência desde criança quer ainda o perfil de Resiliência atual, podemos verificar que existem correlações positivas entre qualquer um dos quadrantes referidos e a resiliência, quer a desenvolvida desde a infância, quer o perfil resiliente, ou seja, a resiliência atual dos jovens.
Continuando a análise da tabela, podemos verificar que o quadrante da Cultura Organizacional da família que mais influencia a construção da resiliência em criança é o que respeita à Cultura das Relações Interpessoais (r=,196; p<,001), sendo esse o quadrante que continua ao longo da vida a influenciar mais o perfil resiliente (r=,168; p<,001). Logo de seguida, podemos referir que a Cultura da Hierarquia é também muito importante na construção da resiliência, quer enquanto criança (r=,159; p<,001), quer no perfil resiliente atual (r=,158; p<,001). A Cultura da Heurística, surge em terceiro lugar na importância da construção da resiliência enquanto criança (r=,137; p<,001) e também no perfil resiliente atual (r=,130; p<,001) e, finalmente, a cultura dos Objetivos Sociais, conquanto também obtenha correlações significativas a nível de 0,01, é o menos importante dos quatro quadrantes, quer em relação à infância (r=,120; p<,001), quer em relação à resiliência atual (r=,113; p<,001).
H1 – A Cultura Organizacional da Família influencia a resiliência dos jovens (quer as características da resiliência desenvolvidas na infância, quer o perfil de resiliência do jovem na atualidade).
Resumindo, todos os quadrantes que constituem a Cultura Organizacional da Família se correlacionam positivamente com correlações bastante significativas, o que nos permite pressupor que quanto mais forte for a Cultura Organizacional da Família, maior é a resiliência do jovem. O eixo que mais influencia a construção da resiliência na infância, é o Eixo Interno (CRI r=,196; p<,001; CHI r=,159; p<,001), continuando a ser este o eixo que mais influencia o perfil de resiliência do jovem (CRI r=,168; p<,001; CHI r=,158; p<,001)
Tabela nº 39 - Correlação entre a CRI, CHE, CHI e COS e a Resiliência em criança e entre a CRI, CHE, CHI e COS e a Resiliência Atual
Cultura Organizacional da Família Resiliência enquanto criança Resiliência Atual CRI r p ,196** ,000 ,168** ,000 CHE r p ,137** ,000 ,130** ,000 CHI r p ,159** ,000 ,158** ,000 COS r p ,120** ,000 ,113** ,000 **. Correlação significativa a nível de 0,01
Parece-nos assim poder confirmar a hipótese 1: A Cultura Organizacional da Família influencia a construção de resiliência dos jovens (quer as características desenvolvidas na infância quer o perfil de resiliência do jovem na atualidade).
A nossa constatação é corroborada por outros estudos e outras reflexões. A família é naturalmente a base para a sobrevivência nas situações mais árduas (Serrão, 2008). Encontramos no nosso estudo a evidência de que a família é um dos pilares na construção da resiliência (o que vai ao encontro de Marcos, 2011) pois do estudo da cultura organizacional da família, verificamos que todos os quadrantes têm uma influência positiva na construção e desenvolvimento da resiliência. Contudo, o quadrante que mais parece influenciar esta característica do desenvolvimento humano, é o que diz respeito às relações interpessoais, ou por outras palavras, aos afetos. Esta constatação é também suportada e corroborada por vários estudos. As relações fortes estabelecidas entre a família e os seus membros, que permitem o desenvolvimento de personalidades resilientes, bem como a sua manutenção, são defendidas por vários autores, nomeadamente Bowlby (1984a, 1984b, 1988) que refere que a criação de laços favorece a construção da resiliência, sendo também a família que, no entender de Rutter (1993), tem um papel protetor no desenvolvimento e construção da
resiliência. Parecem ser até os cuidados e apoios no primeiro ano de vida como o mais poderoso preditor de resiliência (Werner & Smith, 1982). Werner (1989b, 1990), destaca ainda, do importante papel da família na construção /desenvolvimento da resiliência, as características e estilos educativos dos pais que reflitam competência e promovam a autoestima, bem como os laços de família efetivos. Nesta linha de ideias, são também importantes as práticas de socialização dentro da família que encorajem a confiança, a autonomia e os laços afetivos, bem como as relações afetuosas e próximas (Masten, Best & Garmezy 1990; Bernard, 1992; Wyman, Cowen, Work, Raoof, Gribble, Parker & Wannon, 1992), até porque parece ser a relação afetiva a mais importante ao longo da infância e da adolescência (Rutter, 1979; Demos, 1989). Ainda Bowlby (1984a) refere que a maioria dos adolescentes mantém um apego aos pais, sendo que os relacionamentos favoráveis com a família propiciam uma personalidade resiliente. Cole & Brown (2002) referem também que a família é o recurso mais importante para os estudantes falarem dos seus problemas, até porque famílias com relações afetivas e um ambiente familiar afetivo, são promotoras de resiliência (Bowes, Maughan Caspi, Moffitt & Arseneault, 2010). Assim, o fator de proteção mais importante que se pode encontrar no microssistema familiar são as relações afetivas que ligam os seus membros (Blechman, McNamara & Wills, 1996; Cronoe & Elder, 2004), o que vai ao encontro do nosso estudo.
Como referimos das constatações que nos permite o nosso estudo, podemos efetivamente identificar que o quadrante que mais influi na construção, desenvolvimento e manutenção da resiliência da criança e do adolescente, é precisamente o que diz respeito aos afetos. No entanto, não são apenas os afetos que contribuem para a construção e desenvolvimento da resiliência; o respeito pelas regras e pela disciplina é também um ponto importante das relações familiares. Wyman, Coven, Work & Parker (1991), referem que os pais das crianças resilientes têm práticas positivas e consistentes de disciplina. Assim, o estilo educativo democrático com regras claras e equilibradas, com expectativas altas promove capacidades resilientes (Baumrind, 1991; Garmezy, 1991, 1996).
Concluindo, podemos pois verificar que as relações interpessoais, nomeadamente as de vinculação e as afetivas, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento humano e é este também o fator da Cultura Organizacional da Família que mais influencia a construção e o desenvolvimento da resiliência no jovem.