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Kvalitativ analyse av ytestimater

In document Sanntids-tracking i 3D-video på GPU (sider 81-92)

A construção dos modelos teve como foco o Pirá-Brasília, mas não foi identificado nenhum ponto específico que impeça a generalização do modelo sobre o ciclo de vida para outras espécies de peixes anuais, em especial as espécies do gênero Simpsonichtys. Isso se deve principalmente ao fato de que, para confecção do modelo, boa parte das informações utilizadas vêm de trabalhos com outras espécies, o que está de acordo com a hipótese de Wourms (1972c) de que todos os grupos de peixes anuais seriam influenciados pelos mesmos fatores, e o desenvolvimento embrionário apresentaria o mesmo padrão. A confirmação desse ponto, no entanto, só poderá ser feita à medida que surgirem novas pesquisas envolvendo o Pirá-Brasília e outras espécies anuais.

Da mesma forma, o segundo modelo abarcou situações aparentemente comuns a outras espécies de anuais no Brasil, ainda que, para outras espécies, outros problemas mais relevantes possam surgir. O modelo e as simulações apresentadas possivelmente poderão servir de base para trabalhos semelhantes com outras espécies.

A primeira das perguntas de pesquisa desse trabalho foi sobre como o conhecimento das interações da espécie com o ambiente contribuiria para a compreensão de aspectos relevantes para a sobrevivência desses peixes nos ambientes onde são encontrados.

Nesse sentido, as simulações geradas pelo primeiro modelo deixaram clara a importância de se trabalhar medidas que garantam a qualidade tanto da água quanto do substrato do biótopo. Além disso, apontaram para a forte dependência da espécie quanto à existência da fase seca no ciclo.

Na literatura é mais comum que se encontrem referências ao fato de a biologia dos peixes anuais ser extremamente especializada para permitir a sobrevivência destes em poças temporárias (Wourms, 1972c; Costa, 1998), mas não se encontram referências onde se explique claramente que, devido a essas especializações, a sobrevivência dos peixes anuais em ambiente natural depende da existência desses ambientes.

Essa dependência da fase seca pode não ficar clara durante a manutenção da espécie em cativeiro, até porque a incubação dos ovos em água já foi relatada na literatura anteriormente (Inglima et al., 1981; Shibatta, 2005), assim como por criadores e hobbystas (Katz, 2004). No entanto, não se encontrou nenhum registro sobre a existência de populações naturais ou em cativeiro de espécies de peixes anuais que estejam se mantendo em ambientes

quantidade de juvenis em meio a uma população maior de adultos, mas a curva de crescimento dessa população apresentava uma tendência claramente unimodal.

Parte da explicação do porquê dessa dependência pode ser buscada nas simulações do primeiro modelo, nas quais, durante a fase aquática, a influência negativa da presença dos adultos e da baixa oxigenação do substrato sobre a embriogênese está clara no modelo causal e no diagrama da história de valores das quantidades da simulação, e bem fundamentada na literatura (Inglima et al., 1981; Podrabsky e Hand, 1999; Podrabsky et al., 2007).

Embora não esteja tão clara, a influência do fotoperíodo sobre a taxa de embriogênese de embriões em diapausa II, apresentada no modelo como uma proporcionalidade positiva, também pode ser reduzida na fase aquática. Podrabsky (1999) sugere que a exposição dos embriões à luz pode ocorrer em meio ao substrato seco, ficando ativados antes do retorno das chuvas; ele afirma que, ainda que menos de 1% da luz atravesse o substrato, essa pequena incidência é sabidamente importante na germinação de sementes e no crescimento de raízes. O autor também levanta a possibilidade de que, durante as chuvas pesadas, os ovos possam ser misturados à massa d’água e se expor à luz, sincronizando o restabelecimento do desenvolvimento com a disponibilidade de água.

Essa dependência da fase seca apontada pelo modelo ressalta a susceptibilidade da espécie a variações na altura do lençol freático, que podem aumentar ou diminuir a fase seca a ponto de, em curto ou médio prazo, comprometer a manutenção da espécie; um ponto que, infelizmente, não pôde ser trabalhado no modelo sobre o ciclo de vida da espécie, nem foi devidamente examinado em nenhum dos estudos consultados nesse trabalho, ainda que seja citado como uma preocupação em alguns deles, e seja um tema recorrente em discussões de criadores e hobbystas.

As simulações do modelo sobre o ciclo de vida também permitem visualizar o fato de que a colonização esporádica do biótopo por outras espécies é pouco significante como “ameaça” ambiental. Enquanto o ciclo de cheias e chuvas se mantiver, a competição e predação por outras espécies não parece uma ameaça significativa, o que está de acordo com algumas das referencias encontradas na literatura, de que essas interações só se tornariam mais relevantes com um aumento do hidroperíodo (Schneider e Frost, 1996; Williams, 2006; Roeck, 2008).

Ainda no modelo do ciclo de vida podemos visualizar a dependência da espécie quanto à existência de um substrato capaz de manter um mínimo de umidade e permitir a oxigenação e a passagem de luminosidade durante a fase seca.

O segundo modelo, sobre os problemas ambientais, é estruturalmente mais simples que o primeiro, mas também agrega uma quantidade muito grande de variáveis – embora pudesse conter ainda mais, se algumas decisões de modelagem diferentes tivessem sido tomadas. Por exemplo, a questão da biodiversidade foi tratada de maneira muito simplificada, até pela necessidade, e poderia ser foco de um terceiro modelo, que poderia abarcar com mais propriedade a questão das metapopulações (no tempo e no espaço) e da diversidade intraespecífica em resposta a variações ambientais. Da mesma forma, os serviços ambientais prestados pelas áreas úmidas poderiam ter sido trabalhados, o que não foi feito devido à necessidade de possibilitar um melhor entendimento de outros aspectos do modelo.

Diferente do modelo sobre o ciclo de vida, que foi desenvolvido com pouco aproveitamento de conceitos já modelados em trabalhos anteriores, o modelo sobre problemas ambientais aproveitou muito do que já existia em outros modelos qualitativos envolvendo conceitos e processos de degradação de bacias hidrográficas, principalmente aqueles desenvolvidos por Anjos (2005) e Salles e Bredeweg (2009) para descrever diferentes aspectos da micro-bacia do Riacho Fundo.

Esse segundo modelo, como um todo, abarca o contexto da segunda pergunta de pesquisa proposta para esse trabalho, sobre quais seriam os principais efeitos das mudanças causadas pelo homem nos biótopos ocupados por populações de Pirá-Brasília no Distrito Federal. Nesse sentido, ele é muito direto em sua proposta e em seus resultados.

As simulações envolvem tanto a perda de qualidade em um dado biótopo quanto a perda de biótopos em uma parte da bacia. Em todas as simulações pode ser apontado um elemento comum para os dois tipos de problemas citados: a perda ou degradação de áreas de preservação permanentes - APPs.

No contexto das micro-bacias do Riacho Fundo e do Ribeirão do Gama, o modelo não deixa claro qual seria a principal causa dessa diminuição das APPs, mas apresenta claramente os mecanismos pelos quais ações diversas geram essa perda e os efeitos em separado de cada uma delas: a perda da integridade das características físicas e químicas dos biótopos (tanto da água quanto do substrato) pelo carreamento de elementos externos, a diminuição na quantidade de matéria orgânica no substrato e da qualidade e quantidade de refúgios ecológicos na poça, ou a supressão direta e total do biótopo.

O retorno recebido no processo de validação dos modelos foi muito significativo, pois veio de um grupo de técnicos experientes em conservação e uso sustentável de recursos naturais, que lidam com problemas diversos. Esses avaliadores concluíram que era válida a proposta de uso dos modelos para o planejamento e a definição de medidas de conservação

para o Pirá-Brasília e outras espécies, com algumas adaptações às realidades regionais. Um

dos participantes ressaltou o fato de que, com uma maior compreensão das interações de um

sistema, pode-se tomar decisões de maneira mais segura.

Esses resultados convergem com as avaliações de modelos sobre aspectos diversos da bacia do Riacho Fundo relatados por Anjos (2005) e Salles e Bredeweg (2009), que modelaram aspectos ambientais e do uso de recursos naturais na região da micro-bacia do

Riacho Fundo. Também foram semelhantes aos de Zitek et al. (2009), que focaram seu

modelo no manejo sustentável de uma bacia hidrográfica. Tanto a abordagem quanto as

perguntas feitas aos avaliadores nesse trabalho foram semelhantes às dos trabalhos citados. Cabe ressaltar que a avaliação realizada também foi uma avaliação qualitativa, onde é levada em conta, primordialmente, a experiência e o conhecimento dos avaliadores. Nesse tipo de modelagem o papel da avaliação é ter a opinião de especialistas no sentido de apontar maneiras de melhorar a representação apresentada ou indicar usos que consideram adequados.

Outros modelos qualitativos que trataram de assuntos próximos aos deste trabalho, como os de Tullos e Newman (2006) sobre impactos antropogênicos em

comunidades de invertebrados aquáticos e os de Noble et al. (2009) sobre o ciclo de vida do

salmão, não passaram pelo processo de validação para que os resultados pudessem ser comparados aqui.

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