4. Sosiale tjenester
4.6 Kvalifiseringsprogrammet
A avaliação da intervenção foi realizada por vários meios. Além das reflexões realizadas após cada aula na sequência da observação direta e das grelhas de observação das atividades de exposição, foi aplicado um questionário aos alunos, no final da intervenção.
No decurso da observação direta, tal como foi descrito no ponto anterior, concluiu-se que os alunos se sentiram mais seguros e confiantes com as estratégias aplicadas, o que se repercutiu positivamente na realização das atividades.
No entanto, no que diz respeito à preparação das apresentações orais, verificou-se que os alunos requeriam orientação constante, dada a sua pouca autonomia. Isto porque sempre que surgia alguma dúvida, enquanto aguardavam pela ajuda da professora, acabavam por se dispersar da atividade e perturbar o bom funcionamento da aula, não rentabilizando o tempo destinado à tarefa.
Relativamente às exposições orais, foi usada uma gelha de observação (cf. Anexo 3), elaborada conjuntamente com a orientadora cooperante, e que se baseou nos parâmetros considerados mais pertinentes no âmbito deste projeto e que iam de encontro aos objetivos definidos nas Metas Curriculares, nomeadamente ‘clareza’, ‘pertinência’, ‘apresentação de informação variada’, ‘fluência’ e ‘articulação’ e ‘coesão textual’. Decidiu-se avaliar a ‘clareza’ de entre os parâmetros previstos, tendo em conta que grande parte dos alunos, nos questionários de diagnóstico, afirmou sentir timidez e nervosismo quando tinham de falar diante da turma. E quis verificar-se se esse desconforto se repercutia na forma como se exprimiam, se se retraíam, se falavam num tom pouco audível ou com voz trémula. Considerou- se a ‘pertinência’ e a ‘informação variada’, não só para avaliar a evolução dos alunos na seleção de informação relevante relativamente ao assunto pesquisado, como também para averiguar o conteúdo aprendido, tendo em conta a memória a curto-prazo associada à produção oral. Decidiu-se avaliar, ainda, a ‘fluência’, tendo em conta que os documentos reguladores de Português prevêem o seu desenvolvimento na produção do oral. Embora Lugarini (2003, p. 116) afirme que “a fragmentariedade da fala persiste inclusivamente no falante competente e, dentro de certos limites, não é considerada como indício de fraca competência linguístico-comunicativa”, reconhece, por outro lado, que cabe ao professor consciencializar os alunos deste aspeto, pois o mesmo deve ser desenvolvido em formas de fala mais planificadas. Por último, considerou-se a ‘articulação’ e ‘coesão textual’, para avaliar, de igual forma, o progresso dos alunos na planificação e produção de um texto coeso, para o qual não estavam habituados.
Com efeito, este instrumento permitiu analisar resultados, com mais minúcia, e estabelecer uma comparação relativamente aos dados obtidos no diagnóstico. No que concerne às estratégias de preparação da exposição oral implementadas, concluiu-se que as mesmas foram vantajosas no
50 desempenho dos alunos. Inicialmente, verificou-se que tinham muitas dificuldades em selecionar informação relevante, em reproduzir o conteúdo lido, pelas próprias palavras, e não tinham o hábito de registar tópicos ou fazer esquemas-síntese. Assim, a pesquisa orientada e o guião instrucional foram uma mais-valia, na medida em que os alunos se sentiram orientados na preparação da atividade, viram as suas dúvidas esclarecidas, revelaram mais autonomia na seleção e registo de informação, seguindo as instruções do guião e as sugestões da professora. O ensaio oral foi apenas aplicado numa aula, o que não possibilitou uma análise comparativa. No entanto, foi também uma estratégia útil no sentido de aproximar os alunos para esta prática, de os expor, uma vez mais, diante dos colegas e combater, assim, a timidez e o nervosismo. Relativamente às exposições orais, verificou-se uma melhoria nalguns dos parâmetros considerados, nomeadamente na apresentação de informação variada, na fluência e na articulação e coesão textual, como se pode verificar na tabela 8.
Tabela 8 - Síntese do desenvolvimento da expressão oral em Português
1ª Aula de diagnóstico
Clareza A maioria dos alunos produziu discursos claros. Pertinência A maioria dos alunos produziu discursos pertinentes. Informação
Variada A maioria dos alunos deu informação variada.
Fluência A maioria produziu discursos pouco fluentes, caracterizados por pausas prolongadas.
Articulação e
coesão textual Uso escasso de conetores discursivos.
2ª Aula de diagnóstico
Clareza A maioria dos alunos produziu discursos claros.
Pertinência A maioria dos alunos produziu discursos pouco pertinentes, devido ao reduzido conhecimento do tema.
Informação
Variada A maioria dos alunos deu pouca informação, pelo desconhecimento do tema, caindo na repetição das ideias ou na incapacidade de as fundamentar.
Fluência A maioria produziu discursos pouco fluentes, caracterizados por pausas prolongadas.
Articulação e
coesão textual A maioria dos alunos fez um uso escasso de conetores discursivos. Alguns usaram bordões (ex. tipo).
Aula 2
Clareza A maioria dos alunos produziu discursos claros. Pertinência A maioria dos alunos produziu discursos pertinentes. Informação
Variada A maioria dos alunos apresentou informação variada, destacando-se 7 com nível Bom. Fluência A maioria dos alunos produziu discursos razoavelmente
fluentes, já com menos pausas. Articulação e
coesão textual A maioria dos alunos fez um uso escasso de conetores discursivos (ex. e, também, mas). Contudo, 1 aluno destacou- se ao recorrer a conetores mais complexos (ex. além disso, no entanto), sinónimos e pronominalização.
Clareza A maioria dos alunos produziu discursos claros. Pertinência A maioria dos alunos produziu discursos pertinentes. Informação
51 Aulas 5 e 6 Fluência A maioria dos alunos produziu discursos razoavelmente fluentes, já com menos pausas e 7 destacaram-se com nível
Bom. Articulação e
coesão textual A maioria dos alunos fez um uso escasso de conetores discursivos (ex. e, também, mas). Contudo, 3 alunos destacaram-se pelo uso de conetores mais complexos (ex. em primeiro lugar, por último, por exemplo, tais como).
No final da intervenção, solicitou-se aos alunos que respondessem a um questionário (cf. Anexo 5) com a finalidade de conhecer os seus pontos de vista relativamente às atividades e estratégias implementadas. Pretendeu-se, por um lado, apurar se os discentes sentiram que foram vantajosas na sua aprendizagem e no desenvolvimento do domínio comunicativo em questão e, por outro lado, perceber o grau de dificuldade que essas estratégias constituíram, a fim de serem ou não repensadas para uma possível futura implementação.
Face à pergunta: O que é que achaste das aulas de expressão oral? Justifica, todos os alunos consideraram as aulas interessantes, produtivas e úteis justificando-se de diferentes maneiras. Quatro alunos afirmaram ser uma mais-valia para o seu futuro no sentido de aperfeiçoarem a sua expressividade e dicção e de aprenderem a argumentar e discursar sobre determinado assunto. Cinco alunos reportaram a sua importância apenas ao contexto de ensino-aprendizagem dizendo que aprenderam como melhorar as suas apresentações orais tanto ao nível de discurso (mencionando que estas atividades potenciaram a expressão das suas ideias) como ao nível da postura (referiram ser uma forma de se habituarem a falar em público e de controlar o nervosismo). Os restantes onze alunos basearam-se no facto de as atividades serem úteis pela aquisição de novos conhecimentos através das pesquisas.
Relativamente à questão: Que dificuldades sentiste nas atividades de expressão oral?, várias foram as respostas. Embora a maioria tenha apontado o nervosismo e a timidez perante os colegas de turma, reportando unicamente ao momento de exposição, constatou-se outras dificuldades tais como recordarem-se do conteúdo a exprimir, a fluência, o uso de conetores discursivos e a seleção de informação relevante durante a pesquisa.
Confrontados com a pergunta: Consideras que as estratégias usadas (guião; pesquisa orientada; ensaios orais) foram úteis? Porquê?, todos os alunos confirmaram a sua utilidade, apresentando diferentes justificações. A maioria mencionou que aos guiões e a pesquisa orientada os ajudou, ora no sentido de clarificar o que se pretendia com as apresentações orais, ora porque se sentiram mais confiantes na exploração de textos e fontes de pesquisa. Um aluno mencionou a relevância do exemplo escrito do discurso oral porque o ajudou a preparar o seu e outros dois alunos afirmaram a sua utilidade em atividades futuras. Um único aluno referiu a importância das grelhas de heteroavaliação por lhe ter incutido o saber ouvir.
52 No que concerne às duas últimas questões: Pretendes utilizar essas estratégias em atividades futuras? e Achas que melhorarias a tua expressão oral se, de futuro, os professores usassem essas estratégias ou outras similares?, todos os alunos inquiridos responderam afirmativamente a ambas.
Analisando os dados obtidos neste questionário, concluiu-se que os alunos, na sua maioria, se revelaram recetivos às aulas com ênfase neste projeto, valorizando as atividades levadas a cabo. Mostraram-se conscientes da necessidade de desenvolver o oral e também de algumas das suas dificuldades. O facto de destacarem o nervosismo e a timidez de entre as suas dificuldades salientou a falta de prática deste tipo de atividades no ensino-aprendizagem. Embora se tenha constatado um relativo à-vontade na interação oral dos alunos durante as aulas, o mesmo não sucedia quando tinham de fazer uma exposição, pelo grau de formalidade e seriedade deste tipo de produções orais, para as quais os alunos não estavam habituados, o que acabou por se traduzir no desconforto, receio e resistência face às mesmas. Não obstante, os próprios alunos reconheceram que as estratégias aplicadas foram úteis na realização das atividades finais.
53