(b) (d) (a) NECESSI- DADES
Ao analisar os resultados obtidos no Estudo 3 resumidos na Figura 21, observa- se que a variável independente Necessidades (NEC) apresentou uma relação de predição significativa com a variável dependente de Impacto Geral do Treinamento no Trabalho (IMPGER) e com as VD de Impacto do Treinamento no Trabalho em Contribuição de Estratégias e TI (IMPCTR02CAT) dos modelos testados.
A leitura desses resultados aponta uma relação de predição positiva entre os respondentes que perceberam graus de Necessidade (NEC) da realização da oficina mais elevados e os egressos que relataram maior grau de Contribuição em estratégias e TI (IMPCTR02CAT) e maior impacto geral (IMPGER), ou seja, segundo essa relação de predição, a oficina avaliada foi considerada mais necessária por aqueles egressos que relataram que houve maior contribuição para o uso de estratégias e TI no trabalho.
Observou-se também que não houve relação de predição entre a variável independente NECES e as variáveis dependentes que utilizaram escalas de aplicação (IMPAPC01CAT e IMPAPC02CAT), ou seja, não houve relação de predição entre os egressos que consideraram a oficina mais necessária com aqueles que relataram que houve maior aplicação para negociação ou para o uso de estratégias e ferramentas no trabalho dos modelos testados. Essas relações são previstas no Modelo Impact (2010) e no modelo lógico construído no Estudo 1.
No mesmo sentido, concluiu-se que a variável independente Aprendizagem (APDZ) apresentou uma relação de predição significativa com a variável dependente de impacto geral (IMPGER) e com as VD de impacto do treinamento em profundidade que utilizaram escalas de contribuição (IMPCTR01CAT e IMPCTR02CAT) dos modelos testados. Ou seja, observou-se uma relação preditiva positiva dos participantes que perceberam maior aprendizagem (APREND) dos conteúdos tratados na oficina com os egressos que relataram maior grau de Impacto do Treinamento no trabalho em Contribuição da Negociação e de Estratégias e TI (IMPCTR01CAT e IMPCTR02CAT) e o impacto geral (IMPGER). Em outras palavras, foi percebida maior aprendizagem da oficina por aqueles egressos que relataram maior contribuição da negociação e para o uso de estratégias e ferramentas no trabalho e maior grau de impacto geral. A relação de predição significativa obtida entre aprendizagem e impacto do treinamento no trabalho do egresso corrobora com a pesquisa de Abbad, Borges-Andrade, Sallorenzo, Gama e Morandini (2001).
Os resultados do Estudo 3, apresentados nos três parágrafos anteriores, estão coerentes com a semântica das escalas de contribuição e aplicação utilizadas na presente
pesquisa, uma vez que a escala de aplicação propõe medir qual é o grau de aplicação dos itens da escala, seja ele aplicado anteriormente ou após a relação do treinamento, enquanto que a escala em contribuição visa medir o quanto o treinamento contribuiu para a utilização das competências contidas nas escalas no desempenho dos egressos.
A relação de predição positiva da variável potencial dos clientes e suporte técnico (PSPTEC) com impacto do treinamento no trabalho do egresso corrobora os resultados do estudo de Pereira (2009), que utilizou uma variável de suporte técnico semelhante. Entretanto, a relação de predição significativa entre a VI nível da agência (NIVAG) e o impacto do treinamento no trabalho não corrobora a pesquisa de Pereira (2009), que também foi realizada na organização ora estudada.
Os resultados do Estudo 3 também indicaram que a variável contextual Suporte Psicossocial à Transferência (SUPSICSOC) influenciou o impacto do treinamento no trabalho (IMPAPC01CAT, IMPAPC02CAT, IMPCTR1CAT e IMPGERCAT), o que corrobora os resultados de Chiaburu et al. (2010), Pereira (2009), Blume e Ford (2009), Bahry, Brandão e Freitas (2008), Branco (2008), D´Netto e Bordia (2008), Tziner (2007), Velada (2007), Burke e Hutchins (2007), Silva (2007), Zerbini (2007), Kiwan e Birchall (2006), Tamayo e Abbad (2006), Azevedo (2006), Depieri (2006), Hanke (2006), Chiaburu e Marinova (2005), Pantoja, Porto, Mourão e Borges-Andrade (2005), Freitas e Borges-Andrade (2004), Pilati (2004), Lacerda e Abbad (2003), Meneses e Abbad (2003), Mourão, Britto, Porto e Borges-Andrade (2003), Lacerda (2002), Meneses (2002), Tamayo (2002), Abbad, Borges-Andrade, Sallorenzo, Gama e Morandini (2001), Pantoja, Lima e Borges-Andrade (2001), Abbad, Gama e Borge- Andrade (2000), Pantoja (1999), Rodrigues (2000) e Abbad (1999).
Por outro lado, o suporte material (SPMAT), não atuou como preditor do impacto do treinamento nessa pesquisa, corroborando alguns estudos citados na revisão de literatura (por exemplo, RODRIGUES, 2000; LACERDA e ABBAD, 2003; MENESES e ABBAD, 2003; FREITAS e BORGES-ANDRADE, 2004 e PEREIRA 2009), porém é refutado por outras pesquisas (por exemplo, SALLORENZO, 2000; TAMAYO e ABBAD, 2006). Corroborando as afirmações de Pereira (2009), essa divergência sugere que o papel do suporte material pode depender da natureza dos conteúdos dos treinamentos, dos desempenhos esperados dos egressos e das características das organizações estudadas.
Ao analisar conjuntamente os resultados relacionados às variáveis contextuais desenvolvidos nos Estudos 3, 4 e 5 percebe-se que as variáveis contextuais (SPSOC,
PSPTEC, NIVAG) que interferiram no impacto do treinamento do trabalho do egresso foram diferentes das variáveis de contexto que apresentaram predições significativas com as perspectivas de desempenho (CTRAB e CREDRG). Neste sentido, no presente trabalho, as variáveis contextuais que interferiram nos efeitos do indivíduo (micro) foram distintas das variáveis ambientais que apresentaram correlações significativas com as variáveis de desempenho organizacional (macro).
Esse resultado corrobora com Macedo (2007), que também concluiu que variáveis individuais se relacionavam mais com resultados organizacionais na medida em que este resultado apresentava maior dependência direta da ação individual. Sendo assim, tal resultado corrobora também com as afirmações preconizadas pelas pesquisas iniciais de Borges-Andrade (1982) e Abbad (1999) quanto à influência de variáveis contextuais nos efeitos de treinamento, à medida que os preditores de efeitos mais próximos (impacto do treinamento no trabalho) apresentaram natureza distinta das variáveis contextuais distais (resultados organizacionais), reforçando a necessidade de adotar-se um enfoque somativo nas avaliações de ações de TD&E.
Estes resultados merecem destaque principalmente porque as variáveis de Suporte Psicossocial à Transferência (SPSOC) e de potencial do cliente e suporte técnico (PSPTEC) predisseram as cinco variáveis de impacto do treinamento no trabalho (nível individual), e não foram consideradas preditoras de nenhum resultado (nível organizacional) testado. Ou seja, embora tais correlações tenham indicado que o Suporte Psicossocial à Transferência e Potencial do Cliente e Suporte Técnico interferem no impacto do treinamento no trabalho do egresso, não se pode afirmar que afetaram diretamente o desempenho organizacional.
A variável carga de trabalho (CTRAB), que afetou as duas perspectivas de desempenho não-financeiro, não influenciou as variáveis impacto do treinamento no trabalho, não corroborando a pesquisa de Branco (2008). Tais resultados empíricos são inéditos, considerando-se que não foram encontradas pesquisas correlacionais que indicassem essa distinção de níveis para as variáveis contextuais. Esses achados devem ser mais bem explorados em pesquisas empíricas futuras.
Continuando a análise dos resultados dos Estudos 4 e 5, observa-se que a variável de Impacto do Treinamento no Trabalho em Contribuição na Negociação