• No results found

4 I kva grad er ordninga med tilretteleggingsgaranti tatt i bruk i arbeids­ og velferdsetaten?

Os invertebrados marinhos que surgiram no final do Proterozóico/início do Câmbrico sofreram alterações significativas durante o Paleozóico, algumas delas ocorridas durante o Câmbrico. Os equinodermes, as trilobites, os braquiópodes e os arqueociatídeos constituíam as principais formas de Vida invertebrada e portadora de esqueleto (Hagadorn, 2002).

O Filo das Trilobites era o mais abundante da comunidade de invertebrados marinhos do Câmbrico, perfazendo quase metade do total da fauna existente. Surgiram no início do Câmbrico e rapidamente se diversificaram, atingindo o máximo de diversidade no final do Câmbrico. Posteriormente, na transição para o Ordovícico sofreram extinções em massa. Apesar de não existir consenso quanto à extinção das trilobites, pensa-se que foi resultado de um conjunto de causas como por exemplo, a redução do espaço disponível, o aumento da competição e do número de predadores. Além disso, arrefecimento dos oceanos também contribuiu para a extinção (Levinton, 1992; Hagadorn, 2002).

O Filo dos Braquiópodes, especialmente os inarticulados, foi o segundo mais frequente e segregavam uma concha composta por quitina combinada com fosfato de cálcio. Os braquiópodes articulados também estiveram presentes apesar de só se terem diversificado durante o Ordovícico.

O terceiro maior grupo de organismos era os Arqueociatídeos (figura 5-21), um grupo extinto de esponjas que produziam estruturas semelhantes a recifes, dominantes nos mares existentes no Câmbrico (Levinton, 1992; Schopf & Klein, 1992; Farabee, 2001).

Figura 5-21 Corte transversal de um arqueociatídeos (retirado de: Farabee, 2001).

Biota Burgess Shale

Descoberta no Canadá em 1909, por Charles D. Walcott, a biota Burgess Shale constitui um dos melhores exemplos de fauna e flora do Câmbrico, estudos recentes revelam a existência de aproximadamente 125 géneros (Martin, 1999; Farabee, 2001; Altschuler, 2002). São encontrados desde organismos procariontes como as cianobactérias até organismos eucariontes como as Algas verdes, Algas vermelhas, Esponjas, Braquiópodes, Anelídios, diversos Artrópodes, Equinodermes e, possivelmente, os primeiros Cordados (Martin, 1999; Farabee, 2001; Altschuler, 2002). Os fósseis mais comuns são os seguintes géneros: Canadia (Verme), Haplopherensis (Molusco), Diraphora (Braquiópode), Vauxia (Esponja), Dinomischus (Animal), entre outros (Levinton, 1992).

As trilobites foram animais abundantes no Câmbrico e abundam também no Burguess Shale, tal como acontece com o género Marella e outros artrópodes. Era um animal pequeno, que apresentava os apêndices característicos dos Artrópodes e exoesqueleto de natureza quitinosa. São fósseis encontrados com elevada qualidade de preservação o que permite uma reconstrução fiel da sua morfologia externa – figura 5-22 (Farabee, 2001).

As trilobites apresentam inúmeros apêndices e um exoesqueleto duro de natureza quitinosa impregnado de carbonato de cálcio, que lhes permitiu deixar abundantes fósseis como o representado na figura 5-23 (Farabee, 2001).

Figura 5-23 Exemplar de trilobite da espécie Olenoides serratus (retirado de: Farabee, 2001).

Os xistos de Burgess albergam ainda o animal mais antigo do filo Chordata (filo a que pertencem os seres humanos), um pequeno fóssil chamado Pikaia (figura 5-24). Trata-se de um organismo longo com cerca de 4 cm de comprimento (Ferabee, 2001; Altschuler, 2002).

A maioria dos animais encontrados em Burgess pode ser associada a grupos actuais. No entanto, esta fauna é caracterizada pela existência de seres que não têm semelhança com nenhuns grupos taxonómicos actuais. pois não apresentam semelhanças com nenhum ser actual. Um exemplo é o género Opabinia, representado na figura 5-25 (Farabee, 2001; Altschuler, 2002).

Figura 5-25 Fóssil de Opabinia, com cerca de 4 cm de comprimento (retira do de: Altschuler, 2002).

É a partir da Era Paleozóica que o registo fóssil começa a ser mais abundante no território nacional. Na Formação de Desejosa, do Grupo do Douro, constituída por xistos, grauvaques e quartzitos, localizados na Zona Centro Ibérica, foram identificados um elevado número de fósseis de trilobites pertencentes ao Câmbrico inferior (Teixeira, 1981; Oliveira et al., 1992).

Na Zona de Ossa Morena, nos afloramentos de Elvas – Vila Boim, os xistos, apresar de intensamente deformados e metamorfizados, apresentam um grande conteúdo fossilífero. Na maioria dos casos são restos de trilobites, encontrando-se também, braquiópodes, lamelibrânquios e pterópodes (Teixeira, 1981). Esta fauna foi noticiada em 1895 por Nery Delgado, mas só foi estudada com pormenor em 1904, tendo sido referidas as seguintes formas:

Tabela 5-1 Fauna dos xistos de Vila Boim (Teixeira, 1981)

Fauna identificados nos xistos Nº total de géneros de Vila Boim

Trilobites dos géneros: Paradoxides Olenopsis Hicksia Metadoxides Olenellus (?) Microdiscus 18 Hyolithes 3 Lamelibrânquios do género: Posidonomya Fordilla Modiolopsis Synek 10

Braquiópodes dos géneros: Obolella Acrothele Lingulepsis Lingulella 8 Bivalve 1 Pterópode 1

Restos de crustáceos indeterminados 2

A maior parte destes seres foram descritos pela primeira vez nas rochas portuguesas, por comparação com as faunas de outros países europeus e americanos. Verificou-se mais tarde que, na realidade, o número de géneros e espécies é bem mais pequeno. Contudo, naquela época o estudo comparativo permitiu a atribuição, por parte de Nery Delgado, à parte superior do andar Oleniano ou Georgiano, opinião esta partilhada por Walcott, 1919 (Teixeira, 1981). Diversos autores estrangeiros consideraram esta fauna pertencente ao Paradoxidiano ou Acadiano devido à referência ao género Paradoxides, feita por Nery Delgado. Apesar da dúvida colocada às classificações de Delgado, admite-se que se trata de uma fauna que constitui um bom indicador do Câmbrico inferior (Teixeira, 1981).

Segundo Teixeira (1981), o exame dos exemplares estudados por Nery Delgado (conservados nos Serviços Geológicos de Portugal), e de outros provenientes de colheitas mais modernas, mostrou, de facto, a necessidade de introduzir correcções importantes nas classificações daquele geólogo.

A revisão da fauna de Vila Boim levou ao estabelecimento do seguinte (Teixeira, 1981):

• Callavia choffatti – Não foi possível a sua observação pormenorizada pois o único exemplar completo está muitíssimo deformado (figura 5-26a).

• Delgadella souzai – O pigídio é desprovido de qualquer apêndice, contudo, são vulgares os cefalões e os pigidios destas trilobites (figura 5-26a e b).

• Delgadella souzai caudata – Semelhante à anterior, mas possui um comprido espigão caudal (figura 5-26c).

• Hicksia elvensis – São trilobites com cefalão profundamente trilobado, olhos pequenos e sutura facial de tipo opistopária, pontas genais curtas, tórax formado por 19 aneis providos de comprido espigão dorsal e pigídio muito pequeno (figura 5-26b, c e d).

• Hyolithes lusitanicus. • Hyolithes sp.

• Modiolopsis delgadoi – Lamelibrânquios. • Lingulella delgadoi – Braquiópodes.

Ainda na Zona de Ossa Morena, os calcários fossilíferos, afloramentos de Portel, contêm corpos esferóides de 0,5 a 1 cm de diâmetro, que dão à rocha um aspecto pisolítico e podem representar estruturas de Cianófitas (algas). Admite-se que os corpos identificados pertencem ao género Girvanella (Teixeira, 1981).

Figura 5-26 (a) Dois exemplares de Delgadella souzai; (b) Delgadella souzai, ampliada cerca de 20x; (c) Delgadella souzai caudata, ampliada cerca de 7x; (d) Cefalão de Callavia choffatti; (e) Hicksia elevensis; (f) Hicksia elevensis ampliada 2x; (g) Hicksia elvensis (retirado de: Teixeira, 1981).

Em síntese, as primeiras formas de Vida podem ter surgido nos mais diversos ambientes constituindo outro grande sistema, a biosfera, cujas características se foram alterando ao longo da História da Terra. Na tabela 5-2 encontram-se representados as principais características dos seres vivos encontrados fossilizados do Arcaico até ao Câmbrico, os respectivos taxa e a jazida fossilífera onde são encontrados alguns desses exemplares.

Tabela 5-2 Síntese dos tipos de seres vivos, respectivos taxa e jazida fossilífera onde são encontrados, do Arcaico ao Câmbrico.