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5.1 I kva grad er det behov for QuickScan i Statens vegvesen og Riksvegutredningen? 51
Como já dissemos anteriormente, Cláudio no inicio de seu Principado buscou realizar uma centralização política em Roma. Além da perseguição a magistrados, principalmente de origem senatorial, houve também outras ações que enfraqueceram o poder do Senado em contrapartida ao poder do Imperador e da Domus Caesaris. Um elemento marcante no Principado de Cláudio foi a concessão de cidadania a provinciais, dando-lhes oportunidade de ingressarem no corpo do Senado. Assim, Cláudio criara um
72 BALDWIN, B. Executions under Claudius: Seneca's "Ludus de Morte Claudii". Phoenix, Vol. 18, No.
braço de apoio dentro do Senado, pois estes novos integrantes seriam leais, o que veio a facilitar suas ações políticas.
Em Apocolocyntosis, Sêneca também adiciona essa ação na montagem da imago de Cláudio. Isto porque, segundo ele, estas concessões foram feitas de forma corrupta e indiscriminada.
Mas Cloto retrucou: — Eu tinha pensado, por Hércules, em deixar-lhe alguns dias, somente para poder conceder a cidadania aos poucos que ainda não a possuem: ele decidira ver todos com a toga, Gregos, Gauleses, Hispanos, Britanos. Mas, se acharem melhor deixar alguns estrangeiros, e tu queres isto, então seja assim73.
Sêneca fala que a concessão da cidadania a estrangeiros, na verdade, era uma ação de sua mulher Messalina e dos libertos de sua corte, que faziam dessa concessão de cidadania um mercado de favores. A ação desses elementos sobre a política do principado é um dos grandes males da gestão de Cláudio, para Sêneca. Em outra passagem, quando apresenta a personagem Diéspiter, o autor o apresenta como “Modesto cambista, vivia de outra profissão: vendia cidadanias ao varejo” (SEN. Apocol IX, 4) 74. No entanto, o autor não cita que isto tenha partido de Messalina e dos libertos. O que acarreta uma carga negativa maior sobre o governo de Cláudio. Porém, a reforma de Cláudio não parou somente neste aspecto. Outras ações foram executadas, porém não citadas por Sêneca de forma direta. Um recurso que o autor utilizou para indicar a política de valorização dos provinciais foi o de apresentar a origem de Cláudio. Ele que tinha cidadania romana, nascera nos acampamentos das legiões na Gália. Tendo isto em mente, Sêneca aponta para esta origem “gaulesa” do Imperador. Isto se dá nas passagens em que Hércules e Cláudio mostram sua erudição um ao outro com versos homéricos (SEN. Apocol V,4). Sêneca primeiramente ao apontar para a origem de Cláudio, que nascera em Lugnudum (Lyon), faz a aproximação deste aos gauleses, e que por coincidência agira como os que pilharam em 390 a.C. Assim Cláudio como gaulês que era não pode negar a sua natureza e agiu da mesma forma quando governou Roma, segundo Sêneca. Outra passagem seria quando o próprio Hércules o apresenta
73 SEN. Apocol. III,3 - sed Clotho 'ego mehercules' inquit 'pusillum temporis adicere illi volebam, dum
hos pauculos qui supersunt civitate donaret - constituerat enim omnes Graecos, Gallos, Hispanos, Britannos togatos videre -, sed quoniam placet aliquos peregrinos in semen relinqui et tu ita iubes fieri, fiat' Trad: LEONI, G. D.
74 Proximus interrogatur sententiam Diespiter Vicae Potae filius, et ipse designatus consul,
como “um autêntico gaulês” (SEN. Apocol VI, 1). Momigliano destaca essa valorização dos provinciais como perene na fronteira entre governantes e governados75. O próprio Sêneca, se acompanharmos essa linha de raciocínio, é um provincial tendo como origem a província da Hispânia.
Outro ponto do governo de Cláudio que lhe acrescenta uma carga negativa na montagem da sua imago por Sêneca é a forma como Cláudio ministrava a justiça. Pela frequência com que ocorrem as menções a este aspecto, é a característica que mais pesa contra Cláudio na montagem de sua imagem em Apocolocyntosis. Ao longo de toda sátira menipéia inúmeras críticas à forma da administração da justiça adotada pelo Imperador são apresentadas e reforçadas. Longo no início da passagem em que Cláudio chega ao Senado Celeste e se apresenta a Hércules há uma menção de que o Imperador administrava a justiça sem cessar no templo dedicado a esta divindade (SEN. Apocol VII, 4).
Mas não é tanto pela época em que exercia, mas o modo como o fazia que era alvo de críticas por Sêneca. Augusto, como citamos anteriormente, faz a seguinte pergunta a Cláudio “Dize-me, ó divo Cláudio, por que todos os que mandaste matar, os condenaste sem processo nem defesa? Onde existe este costume? Aqui, no céu, não" (SEN. Apocol X, 4)76. Já na passagem que Mercúrio e Cláudio vêm os festejos da morte do Imperador, Sêneca apresenta como os acusadores se entristecem com a morte de Cláudio, pois estes eram os maiores favorecidos com a política jurídica deste imperador, já que os acusadores sempre eram recompensados. Já os juízes, que tinham seu trabalho suprimido, saiam de lugares ermos onde teriam sido ocultados.
o povo romano passeava, sentindo-se livre. Agatão e alguns rábulas se queixavam de todo o coração. E os juízes, pelo contrário, deixavam os seus abrigos, pálidos, emagrecidos, quase que no momento de entregar os pontos: gente que recomeçava naquele instante a viver.77
Ainda nos festejos de morte no hino ao louvor do Imperador há novamente menção ao fato de Cláudio apenas ouvir uma das partes nos processos (SEN. Apocol
75 MOMIGLIANO, op. cit., p. 63.
76 Dic mihi, dive Claudi, quare quemquam ex his, quos quasque occidisti, antequam de causa
cognosceres, antequam audires, damnasti? Hoc ubi fieri solet? In caelo non fit
77 SEN. Apocol XII,2 - populus Romanus ambulabat tanquam liber, Agatho et pauci causidici plorabant,
sed plane ex animo. Iurisconsulti e tenebris procedebant, pallidi, graciles, vix animam habentes, tanquam qui tum maxime reviviscerent. Trad: LEONI, Giulio Davide
XII, 3) e também ao fato de ministrar a justiça em todos os dias, inclusive nos dias dedicados às divindades.
Já no Tártaro, diante do tribunal de Éaco novamente aparece a crítica à forma como Cláudio conduzia os julgamentos. “O patrono começa a querer responder. Mas Éaco, homem justo, pronuncia o veto e condena o réu, depois de ter ouvido somente a acusação, declarando: Se sofres tuas próprias ações, far-se-á uma reta justiça”.78
Sêneca continua criticando o modo como Cláudio havia exercido a justiça durante seu consulado. Éaco faz a crítica pela frase em grego “Se sofres tuas próprias ações, far-se-á uma reta justiça”, enfatizada pelo fato de Cláudio ser acusado com base na lei Cornélia (SEN. Apocol XIV, 1) que condenava tanto aqueles que ministrassem como aqueles que aplicassem sentenças injustas. Por fim, Sêneca faz um reforço retórico apresentando que aquilo para Cláudio era mais uma injustiça que uma novidade (SEN. Apocol XIV, 3). Como última marca negativa na construção da imagem de Cláudio, na condenação Sêneca, ele é transformado em um escravo encarregado dos assuntos de justiça.
Assim, pode-se perceber que o rancor de Sêneca aflorou totalmente quanto a essa temática. Ele que fora alvo de tais injustiças no Principado de Cláudio, teve a oportunidade após a morte do Imperador de fazer seu desabafo. Assim confirmando o quão vazios foram os elogios presentes na carta consolatória a Políbio:
A clemência, que alcança o primeiro lugar entre suas qualidades, promete que eu também serei observador deles. Na verdade, não me derrubou com intentos de nunca reerguer, ou melhor, sequer me derrubou, mas segurou-me impelido pela sorte e a cair, e, indo abaixo, suavemente pousou-me com brandura usando as mãos divinas: implorou ao Senado por mim e não só me entregou a vida, como ainda a pediu. Estará sob seu arbítrio: pondere-o de que tipo quererá que seja minha causa; ou sua justiça note que é lícita ou a clemência a faça lícita. Um e outro benefício seu será o mesmo para mim, quer entenda que sou inocente, quer o deseje.79
78SEN. Apocol XIV,2 - Incipit patronus velle respondere. Aeacus, homo iustissimus, vetat, et illum altera
tantum parte audita condemnat et ait: aikε πaθοις τὰ ἔρεξας δίκη εὐθεῑα γένοιτο. Trad: LEONI, Giulio
Davide.
79 SEN. AdPol, XIII - eius primum optinet locum, promittit clementia. Nec enim sic me deiecit, ut nollet
erigere,immo ne deiecit quidem, sed impulsum a Fortuna et cadentem sustinuit, et in praeceps euntem leniter divinae manus usus moderatione deposuit: deprecatus est pro me senatum et vitam mihi non tantum dedit, sed etiam petit. Viderit: qualem volet esse, existimet causam meam; vel iustitia eius bonam perspiciat, vel clementia faciat bonam: utrumque in aequo mihi eius beneficium erit, sive innocentem me scierit esse, sive voluerit. Trad: LEONI, Giulio Davide