Para avaliar o impacto da construção do campus Mossoró da UNP é importante analisar o quadro do ensino superior na cidade antes e depois da sua construção.
Em 2006, existiam quatro instituições de ensino superior instaladas na cidade, duas privadas e duas públicas. A maior delas é a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), que, na época, somente em Mossoró ofertava 27 cursos de graduação para 1.226 vagas, com um total de 4.662 alunos matriculados. Segundo os dados da RAIS 2006, a universidade possuía 1.416 vínculos empregatícios, dentre os quais 700 ocupados como professores e 716 técnico- administrativos. O índice geral dos cursos avaliados na UERN, em 2007, pelo MEC foi 2,51. (BRASIL; 2014a; INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA, 2014d)
Quadro 2 – Cursos ofertados em 2006 pelas IES no Município de Mossoró
Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2014).
Além de maior, a UERN também é a mais antiga instituição de ensino superior da cidade. Sua origem remonta à iniciativa da Sociedade União Caixeiral, que fundou a Faculdade de Ciências Econômicas de Mossoró (FACEM) em 1960. Em 1963, foi criada pela prefeitura da cidade a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e da Técnica (FUNCITEC), responsável pela fundação e coordenação de outras faculdades na cidade, como a Faculdade de Serviço Social de Mossoró, o Instituto de Filosofia, Ciências e Letras de Mossoró, os cursos de Pedagogia, Letras, História e Ciências Sociais e a Escola Superior de Enfermagem de Mossoró, em 1965. Em 1968, a prefeitura transforma a FUNCITEC em Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), congregando todas as cinco faculdades,
UERN UFERSA
Administração Administração
Ciências biológicas bacharelado Agronomia
Ciências biológicas licenciatura Ciências da Computação
Ciências contábeis Engenharia Agrícola e Ambiental Ciências da computação Engenharia de Pesca
Ciências econômicas Engenharia de Produção Ciências sociais bacharelado Medicina Veterinária Ciências sociais licenciatura Zootecnia
Comunic. social - jornalismo
Comunic. social - publicidade/propaganda Faculdade Mater Christi Comunic. social - radialismo Administração
Direito Direito
Educação física Sistemas de Informação
Enfermagem Ciências Contábeis
Filosofia licenciatura
Física UNP
Geografia Administração
História Ciências Contábeis
Letras língua espanhola Direito
Letras língua inglesa Tecnológicos Marketing Letras língua portuguesa Gestão Empreendedora Matemática Medicina Música licenciatua Pedagogia Química Serviço social
com o objetivo de reforçar o caráter universitário do ensino. A partir desse momento a instituição passou a ser chamada URRN.
Entre 1974 e 1980, a URRN passou por um processo de expansão para outros municípios, com a criação de campi avançados em Assu (1974), Pau dos Ferros (1977), e Patu (1980). Nesse período a URRN era uma IES municipal cujo ensino era pago pelos alunos e não havia um corpo docente profissionalizado. Somente em 1987, quando passa a ser gerida pelo governo estadual, torna-se gratuita e começa a estruturar uma carreira para os docentes, por meio de concursos e plano de cargos.
Outro episódio importante para o desenvolvimento da instituição foi o seu reconhecimento como universidade pelo Conselho Federal de Educação, em 1993, passando a ter uma maior autonomia didático-científica. Antes disso os diplomas expedidos pela URRN eram registrados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em 1999, o nome da URRN foi alterado, passando a ser chamada Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). A partir desse momento a instituição passou por um novo processo de expansão, dessa vez não apenas geográfica, mas também acadêmica, com a criação de novos cursos de graduação e o início dos cursos de pós-graduação stricto-sensu.
Atualmente, a UERN oferece 30 cursos de graduação presencial, 9 cursos de mestrado acadêmico (todos com nota 3 na CAPES), e um doutorado interinstitucional. O índice geral dos cursos avaliados em 2012 na instituição foi 2,57. De acordo com os dados da RAIS, em 2012 a instituição foi responsável pela geração de 1.952 vínculos empregatícios, sendo 951 docentes e 1.001 em funções técnico-administrativas. Com base nos dados divulgados no site da universidade, o percentual de doutores no total do corpo docente da instituição aumentou de 12,5% para 30,7% entre 2006 e 2013 (BRASIL; 2014a).
A segunda em tamanho é a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA). Em 2006, o campus de Mossoró ofertava anualmente 460 vagas para sete cursos diferentes, com um total de 1.153 alunos matriculados. Nesse mesmo ano a quantidade de empregos no campus da cidade era de 301, com 108 docentes e 193 técnico-administrativos.
A UFERSA tem sua origem na Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), criada pela prefeitura da cidade em 1967. Dois anos depois a instituição foi
de sua existência a ESAM ofertou apenas um curso, o de Agronomia. Foi somente em 1994 que a instituição veio a oferecer um novo curso: Medicina Veterinária. Novamente uma longa espera de nove anos para que, em 2003, fossem introduzidos novos cursos, como o de Zootecnia e Engenharia Agrícola.
As mobilizações para que a ESAM se tornasse uma universidade ganharam força a partir de 2003. Após forte articulação com a bancada do Estado, em 29 de julho de 2005 foi sancionada a lei que a transformou em UFERSA. A partir desse momento a instituição passou por um vigoroso processo de expansão. Essa ampliação ocorreu tanto em termos geográficos, com a criação dos campi de Angicos, Caraúbas e Pau de Ferros, quanto em termos acadêmicos, passando de quatro cursos presenciais de graduação em 2005 para 24 em 2013. Ao se estruturar como uma universidade, a UFERSA também deu um salto nas avaliações do MEC, passando de 2,61 em 2007, para 3,22 em 2012, consolidando-se como a instituição com melhor avaliação no IGC entre as IES da cidade.
Analisando os dados da RAIS entre 2005 e 2012, percebe-se que esse crescimento também se expressou no número de empregos diretos que saltou de 274 para 868 somente no Campus de Mossoró, sendo 378 docentes e 490 técnico- administrativos. Comparando os dados disponibilizados na Sinopse Estatística de 2005 e 2012, que engloba todos os campi da universidade, a UFERSA aumentou significativamente seu número de professores, passando de 75 em 2005, para 491 em 2012, com todos os professores com regime de trabalho em tempo integral. Entretanto, esse crescimento associado à dificuldade para atrair professores com elevada titulação para uma cidade do interior causou a redução do percentual de doutores de 57,3% para 47,9%. Ainda assim a instituição se mantém com um percentual próximo à média das IFES do Nordeste (49,3%), e superior a todas as instituições que estão atuando na cidade (BRASIL; 2014a).
Além das universidades públicas existiam no município outras duas IES privadas em 2006: a Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi e a Universidade Potiguar (UnP).
A Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi foi a primeira IES privada de Mossoró. Sua origem resulta de uma tendência do mercado de ensino superior de verticalização a partir de uma escola privada. A instituição que deu origem à faculdade tem o mesmo nome: Escola Mater Christi, fundada na própria cidade em 1989. Depois de 14 anos de atuação no segmento educacional, a
instituição decidiu ampliar suas atividades com o ensino superior. O primeiro vestibular foi realizado em 2001, com a oferta de três cursos (Administração, Direito e Sistemas de Informação). No ano seguinte, passa a ser ofertado também o curso de Ciências Contábeis. Importante observar que a instituição mantém, desde então, a mesma quantidade de cursos.
Em 2006, a Faculdade Mater Christi ofertou 420 vagas para seus quatro cursos, com um total de 877 alunos matriculados. Atualmente, a instituição oferece também três cursos de pós-graduação lato sensu. De acordo com informações disponibilizadas no site da faculdade, atualmente tem 60 professores com regime de trabalho mais frequente o horista (61,3%), seguido pelo de tempo parcial (25,8%), e tempo integral (8,1%). Quanto à titulação, 66,1% são especialistas, 30,6% são mestres e apenas 3,6% são doutores.