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Kurs i datamaskinell språkbehandling, København juli/august 1974

In document Humanistiske data nr 2 1974 (sider 24-27)

Informações sobre Gurupá encontram-se sistematizadas em vários trabalhos científicos escritos por diferentes autores. Muitos dos “viajantes” que visitaram a Amazônia nos séculos passados fizeram referência a fatos históricos, descreveram locais e costumes populares, analisaram algumas das lutas sociais que lá foram travadas. Os relatos de Charles-Maria de La Condamine, Henry Walter Bates, Alfred Russel Wallace, William Herdon, Louis Agassiz, Herbert Smith, Roy Nash, Karl von Martius, João da Selva e Charles Wagley ajudaram a desenhar o perfil desta sociedade secular. No que diz respeito às festas religiosas, Eduardo Galvão, amigo e anfitrião de Wagley, escreveu um livro que se tornou um clássico: Santos e Visagens. O resumo dos acontecimentos históricos desdobrou-se na análise dos autores que descreveram a história do Brasil de maneira geral, como João Capistrano de Abreu, os que dedicaram a investigar a história regional, como José Coelho de Souza Abreu, Barão de Marajó, Artur Reis.

A análise dos acontecimentos locais foi, em grande parte, inspirada por Carlos Borromeu (1941). O primeiro capítulo desta tese tem a preocupação de verificar como estes autores apresentaram o desenrolar dos acontecimentos históricos. Constatar-se-á, como foram acertadas as afirmações de Galvão (1955, p. 22), que, depois de destacar a importância de Gurupá durante as primeiras décadas da colonização, mostrou que a cidade perdeu seu antigo prestigio: “Porém, com o desbravamento de novas regiões e a fundação de povoados e aldeias ao longo do curso do Amazonas, Ita perdeu em importância, tornando-se apenas uma vila entre muitas outras. Pouco se conhece de sua história durante os séculos XVII e XVIII”. Informação confirmada por Braga (1919, p. 411), que depois de ter lembrado que Gurupá foi erguida como vila ainda em 1639, portanto uma das primeiras do Pará, destaca: “[…] mas nada consta de sua vida de município, senão na segunda metade do séc. XVIII”.

O município de Gurupá já foi estudado de maneira aprofundada em décadas anteriores por alguns autores, que o fizeram por meio de objetos de estudos específicos, conforme o quadro a seguir:

Quadro 2: Autores que estudaram a situação histórica e sócio-cultural de Gurupá:

Autor Título da obra Ano Universidade

Charles Wagley Amazon Town, a study of man in the tropics 1953 Eduardo Galvão The religion of an amazon community: a

study in culture change 1952 Columbia University Arlene Mari Kelly Family, Church and Crown: a social and

demographic history of the lower Xingu river valley and the municipality of Gurupa, 1623/1889

1984 University of Florida

Richard Brown Pace Economic and political change in the

Amazonian Community of Ita, Brazil, 1987 University of Florida Paulo Henrique

Borges de Oliveira Ribeirinhos subordinação e resistência camponesa em e roceiros, Gênese, Gurupá, Para

1991 Universidade de São Paulo

Jean-Marie Royer Logiques sociales et extractivisme. Etude anthropologique d'une collectivité de la forêt amazonienne, Etat du Pará, Brésil

2003 Université Paris III- Sorbonne Nouvelle, Institut des Hautes Etudes d'Amérique Latine

Fonte: Pesquisa bibliográfica.

As teses de Wagley e Eduardo Galvão foram posteriormente publicadas como livros, respectivamente com os títulos de: “Uma comunidade amazônica. Estudo do homem nos trópicos” e “Santos e Visagens” se transformando em clássicos da antropologia regional. Todos estes trabalhos permitiram construir uma história da cidade e da região e serviram de base para a análise da realidade socioeconômica e cultural gurupaense.

Pretensão alguma se tem quanto a começar a contar esta história como se fosse a primeira vez que isso acontecesse, mas se utilizará a estratégia descrita por Diniz (2005, p. 185):

A expressão ‘cheguei mais longe porque subi nos ombros dos gigantes’, atribuída a Newton para justificar suas descobertas no campo da física, representa o espírito da pesquisa e da comunicação científicas. Toda e qualquer pesquisa parte de idéias e argumentos anteriores a da própria autora: reconhecer a anterioridade e a autoria dessas idéias não é demonstrar fraqueza, mas dignidade.

As pesquisas anteriores foram utilizadas para se ter referenciais de trabalho e inseridas no plano mais geral da presente trabalho.

Na análise de todos os trabalhos, se procurou evitar um risco sempre presente na elaboração de trabalhos científicos: o plágio. Esta prática é assim definida por Schneider e Schüklenk (p. 2005, 171):

O plágio é o roubo da propriedade intelectual, ou seja, dissimular idéias, dados ou outros elementos de pesquisa ignorando a autoria original [...]. Qualquer ato de se apropriar das idéias de outro autor sem a devida citação é um plágio. Mesmo a apresentação de uma única idéia de outro autor sem a devida citação é um plágio.

Assim, se adotou a prática de citar constantemente os autores utilizados, isso apesar do perigo do texto parecer fragmentado. Utilizou-se, é verdade, abundantemente informações, estudos, propostas, considerações de dezenas de pessoas que foram entrevistadas (muitas delas lembradas nos agradecimentos iniciais), de centenas de autores consultados (a bibliografia apresenta mais de 665 obras citadas), além da análise de cerca de 400 tipos diferentes de normas (legislações coloniais, imperiais, republicanas e estaduais), mas reivindica-se a originalidade da sistematização destas idéias, bem como do planejamento e condução da totalidade da pesquisa. Nesta direção, considera-se que o conjunto desta obra seja de única e exclusiva responsabilidade do autor.

Ainda, procurou-se, na apresentação da mesma, obedecer as normas previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), cujas normas podem ser consideradas como:

[...] sistema normativo no qual introduzimos o conteúdo de nossa comunicação, que são essencialmente nossas idéias e nossos argumentos. O sistema normativo é, portanto, a parte cosmética da comunicação, mas que não é em torno delas que estão as maiores infrações éticas, aquelas que impedem a comunicação científica. O sistema normativo é a estrutura lingüística que todos os pesquisadores devem conhecer para devidamente comunicar suas idéias. O fato é que esses sistemas normativos somente são válidos se, antes, o pesquisador tiver tomado para si os fundamentos éticos da pesquisa e da comunicação científica (DINIZ, 2005, p. 183).

O trabalho procurou respeitas estas normas “cosméticas”, eventuais deslizes são de única responsabilidade deste autor.

In document Humanistiske data nr 2 1974 (sider 24-27)