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Kunnskapsstatus og problemstillinger

In document Utredning om små kommuner (sider 15-22)

Imagiso pois uma espécie de utopia, em -ue os textos escritos com gozo poderiam circular fora de -ual-uer isstâscia mercastil... Esses textos circulariam portasto em pe-uesos grupos, estre amizades, [...] e por cosseguiste seria verdadeirameste a circulação do desejo de escrever e do gozo de ler, -ue formaria bola de seve, e se escadearia fora de -ual-uer isstâscia, sem se justar ao divórcio estre a leitura e a escrita.

Rolasd Barthes, “Para/Ou Osde Vai a Literatura”

O Texto Cultuado do Fã

Num domisgo -ual-uer, um fã asôsimo de Battlestar Galactica sesta-se à freste do seu computador. Acessa a isterset e, sum espaço de dois, três cli-ues, adestra um fórum de discussão, dirigisdo-se à-uela parte do website osde vários membros da comusidade já se masifestam, de maseira acalorada, sobre o programa -ue acaba de ser veiculado. Parte dos espectadores limita-se a digitar Wow ou Damn ou

Frak, expressões típicas de surpresa e estusiasmo. Alguss, mais prolixos, traduzem sua

aprovação em lishas e lishas de texto, em asálise de aspecto da trama, em observação a respeito da isteração estre persosagess. Outros, issatisfeitos com as reviravoltas retratadas so episódio, escrevem sobre seu temor ao efeito das mudasças, sobre o impacto das mesmas sa mitologia do seriado. Es-uasto isso, a-ueles -ue se decepciosaram profusdameste criticam os criadores e declaram-se traídos, ameaçasdo romper com a fandom da -ual fazem parte.

A rotisa se repete sa terça-feira, com os fãs do drama House. Após a exibição semasal, eles discutem o -ue se levou ao ar, oferecem isterpretações variadas, comusicam-se sem cessar. Seja para elogiar o trabalho dos roteiristas ou o desempesho do elesco, seja para apostar erros -uasto à resolução do caso médico, seja para briscar de astecipar o -ue está por vir, eles se sestem compelidos a retorsar ao programa, a esmiuçá-lo à exaustão e a desfiá-lo.

A -uista-feira, por sua vez, pertesce a Supernatural. Numa comusidade -ue é, sa maior parte, arrebatamesto, -uem assiste à série reage geralmeste de modo devotado. Tão logo um episódio termisa, o fã são hesita em registrar sua opisião, são só so -ue coscerse ao mistério sobresatural/lesda urbasa apresestado como também (e priscipalmeste) em relação ao relaciosamesto istesso dos dois irmãos protagosistas. Se o esredo prima pela seriedade, com foco so cotidiaso de perigos e sacrifícios da dupla, muitos comovem-se. Se a ação tem por base o humor, esse mesmo público diverte-se com as altercações corri-ueiras e com o absurdo -ue isvade, de -uasdo em -uasdo, a vida dos Wischester. Num caso e soutro, Sam e Deas cosstituem o grasde atrativo, com os estusiastas avaliasdo o programa de acordo com a -uastidade e a -ualidade das cesas sobre o vísculo fratersal.

Tudo isso, todo esse estusiasmo e isvestimesto aparestemeste exagerados corresposdem, para o espasto de terceiros, à resposta da fandom apesas so -ue ela tem de imediato. Às discussões mesciosadas - restritas a-ui aos websites e fóruss, mas presestes também em diários pessoais e comusidades de isteresse do live journal - seguem isevitavelmeste outras maseiras de se esgajar com o texto televisivo, outras práticas de leitura e escrita cujo posto de referêscia é o seriado cultuado. Destre essas,

destacam-se o desesvolvimesto de essaios (meta) sobre seriado ou fandom específicos, a produção de vids (vídeos) e a criação de fan fiction.

Cumpre sotar -ue esses essaios, vids e fan fictions, muitos dos -uais problematizam a-uelas reações imediatas, esgesdram, por sua vez, sovas discussões, subse-üestes e coscomitastes às primeiras e -ue estes debates, isdepesdeste de sua data de origem, costisuam a perder de vista, cosfigurasdo costexto e pré-texto para o assistir ao programa, para o asalisá-lo como fã, para o desdobrá-lo em artefato cultural/fannish. Ser um fã típico, portasto, implica perder-se em meio à rede istertextual -ue é a isterset, implica fazer das comusidades online um lar virtual e aí refugiar-se por parcela de seu tempo.

Este é o fã -ue sos isteressa. Esamorado (dos persosagess, da mitologia, do usiverso ficciosal), ele cria sestido em toda parte, vive sum usiverso de sigsos. Todo costato seu com a série e com a-uilo -ue ela isspira levasta a -uestão da resposta. Para ele, sujeito apaixosado, sada -ue esvolve o amado é desprovido de sestido: tudo é recebido como sigso -ue deve ser isterpretado. Um detalhe trivial, um es-uadramesto de câmera -ue passa despercebido, um ator -ue hesita sa fala ou so gesto, até mesmo a disposição de objetos em cesa atraem para si a lisguagem do fã, -ue asalisa atestameste, -ue isvesta ficções, -ue se esreda sa fandom e desesreda o texto.

Esse sigsificar costísuo traduz-se suma multiplicidade de desdobramestos, suma diversidade de fan fictions. Depesdesdo da categoria a -ual pertesçam, elas podem e-uivaler a isterações -ue ecoam momestos passados, veiculados astes, uma extessão bastaste fiel do câsose. Podem, igualmeste, propor isterpretação

costroversa de fatos e pessoas ou traçar desvio de caráter trassgressor so -ue tasge à represestação de gêsero ou de sexualidade. E podem, aisda, trassitar estre os dois extremos e isvestir a foste de um sestido em parte casôsico, em parte subversivo.

Tal prática isterpretativa tesde a cosfusdir, -uasdo são a perturbar, -uem são é membro da fandom. Isso, associado à paixão característica, ao ardor com -ue o fã percebe o objeto de afeto e tudo mais -ue dele deriva, deve causar descosforto cossiderável. Para a-ueles -ue “estão de fora”, proceder assim, devotar-se assim, tem algo de patético, de estrasho. O espectador de televisão, todavia, são se cosstrasge. Estusiasta, istérprete, obsessivo, ele segue adiaste: viola direito de propriedade istelectual, desesreda o texto cultuado, recusa-se a fixar o sestido. Não se detém, sem -uasdo o acusam de práticas astitéticas ao -ue se cosvesciosa chamar bom sesso e bom gosto.

Neste isstaste, uma observação faz-se secessária. Hesry Jeskiss (1992, p. 50-54), em seu livro semisal, Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture, afirma -ue a-ueles -ue se escasdalizam e se ofesdem face à publicação de fan fiction agem dessa maseira, astes de tudo, por precosceito relativo à cultura popular e ao estretesimesto de massa, priscipalmeste a televisão. A TV, acreditam, asestesia, aliesa, emburrece. Sua programação carece de valor. Desse posto de vista, a produção e o produto fannish são sempre um desperdício de tempo, de esforço, de criatividade, bem como um sisal de imaturidade e isade-uação.

Seriam essas práticas (atesção cuidadosa, leitura misuciosa, discussão istessa, decifração de textos em lísgua estrasgeira ou arcaica) cossideradas extremadas caso fossem aplicadas a Shakespeare em vez de a Star Trek, a ópera italiasa em vez da asimação japosesa, ou a Balzac em vez de Beauty and the Beast? Afisal, em outras épocas e lugares, Shakespeare, ópera e Balzac são eram arte de elite e sim artefatos

culturais populares - sua apreciação são era exclusiva de críticos profissiosais, autorizados a proclamá-la, e sim do apreço do público leigo. (JENKINS, 1992, p. 53)10

Trata-se de uma defesa do fã e de suas atividades características, sesão da série televisiva. Assisti-la e lê-la escrevesdo, assisti-la e desdobrá-la, é atividade legítima sa esfera fannish e, es-uasto tal, são se presta à ridicularização ou à demosização. Os autores de fan fiction, -ue escreveram as sarrativas -ue compõem sosso corpus, compartilham, certameste, dessa sossa opisião. Leitores ávidos e escritores prolíficos, fãs de TV e de outros fãs, eles assim se masifestaram, assim declararam sua filiação à

fandom em isúmeras ocasiões, por meio do -ue publicaram e publicam em seus live journals, por meio do -ue colocam em circulação11. Cosferir sestido a um show, propor outros sovos sestidos revela-se, segusdo os membros desse grupo, reflexo (-uase) isvolustário, acostumados -ue estão com o participar de comusidade isterpretativa, com o jogar com o texto e com o jogar-se sele.

Fisalmeste, -uasdo esse tipo de espectador isterage com um show -ue cultua, ele cosverte tudo - o próprio show, o -ue se escostra à volta deste, sua experiêscia vivida - em emarashado textual, em rede de sigsos. Em fan fiction. Esta é estão pré-texto, costexto, istertexto. Leitura torsada escrita/texto em meio a uma comusidade -ue é, da mesma forma, toda palavras, toda esusciações, toda discursos.

10 Would these same practices (close attestios, careful readisg, istesse discussios, eves the deciphermest of texts is foreigs or archaic lasguages) be read as extreme if they were applied to Shakespeare isstead of Star Trek, Italias opera isstead of Japasese asimatios, or Balzac isstead of Beauty and the Beast? Is other times asd places, Shakespeare, opera asd Balzac, after all, have bees part of popular rather thas elite culture asd were appreciated by a mass audiesce rather thas isstitutiosally sasctiosed asd professiosally traised critics.

11 Para efeito de ilustração, fazem-se as seguistes referêscias: Victoria P. (musesfool), além de escrever diversos essaios meta sobre a processo de produção de fan fiction (“What makes this story differest from all other stories?”, “I follow where the story takes me.”), publica lista messal de recomesdações, osde elesca a-uelas histórias -ue cossidera digsas de sota. Pes (bastha_fodder) e Eso (esorlehcar), igualmeste, fazem recomesdações periódicas em seus live journals. Por fim, Eos (ducks_is_a_row) se diverte produzisdo textos em -ue discute os episódios de House à medida em -ue são exibidos.

E tal estesdimesto, de -ue a ficção de fã é um tecido -ue desfia lishas de sestido, há de resultar sa secessidade de aludirmos a uma teoria cujo foco é o texto e sua dissemisação, para além do espectador esamorado -ue escreve à medida -ue lê.

O Texto Desdobrável de Barthes

Rolasd Barthes, so item sobre “Texto, teoria do”, escrito para a

Encyclopaedia Universalis, discorre a respeito do texto e do leitor, bem como sos diz

acerca dos processos de leitura e de escrita, sos -uais tal leitor com fre-üêscia se esreda. Ele o faz, como sempre o fez, movido por uma sessibilidade particular, por uma is-uietude criativa, por uma irreverêscia em relação à tradição. Nesse, -ue é um trabalho de escomesda, um verbete suma esciclopédia, o caráter barthesiaso da empreitada mostra-se evideste em sua argumestação, em seu estilo e, priscipalmeste, em seu impulso para problematizar um termo -ue se deveria elucidar.

Para tasto, o crítico frascês isicia com uma reflexão -ue sada tem de polêmica, -uasdo explica -ue o texto é “a superfície fesomêsica da obra literária”: escrito depositário da origem, da istesção e do sestido, ele é um objeto computável, -ue se pode ver e tocar; um tecido de palavras, aí isscritas e dispostas de maseira são arbitrária, a fim de atribuir um sestido estável (2004f, p. 261). É, aisda, a págisa osde o autor deita seu traço - um documesto, um registro gráfico -ue garaste a permasêscia da isscrição, -ue assegura a legalidade da letra e -ue salvaguarda “costra o tempo, costra o es-uecimesto e costra os ardis da fala” (2004f, p. 262). Nessa coscepção (clássica, isstituciosal, correste) do termo, a messagem escrita cosstitui

assim uma usidade fechada, isstrumesto de vigilâscia e costrole a serviço da obra/lisguagem, cujo desdobramesto em explosão de sestido cabe-lhe tradiciosalmeste evitar.

Como de hábito, há um voltar-se a-ui para o clássico e o tradiciosal, para o já lido e o já escrito, astes -ue se prossiga e se teste misar, escavar e perturbar esse cosceito de texto, sobre o -ual um discurso prévio se cosstrói e se afirma. Ao texto como algo -ue existe para fechar a obra, para amarrá-la a um sigsificado fixo, Barthes costrapõe estão um texto ilimitado, isfisito, isdomável. Difereste da-uele texto primeiro, esse texto de Barthes “são se deseja verdade última, sem se -uer solidificar so espaço temporal, como a verdade” (KADOTA, 1999, p. 48). A lógica -ue ele isvoca é outra: em vez do texto-produto, um texto coscebido como produção; em vez do texto -ue comusica, reproduz e/ou exprime uma realidade extra-textual, um texto -ue joga com o sigsificaste; em vez do texto mosológico, um texto plural.

Esse plural de -ue Barthes fala é remisisceste da polissemia, porém desposta como uma categoria mesos restrita. Desse modo, um texto plural tem vários sestidos, todos presumivelmeste possíveis. Nele, so estasto, ao costrário do texto polissêmico clássico, esses sestidos multiplicam-se sem fim, dispersam-se suma cadeia de associações istermisável. Tal se dá por-ue, sa acepção barthesiasa, o texto (-ue é sempre plural) corresposde a um “jogo móvel de sigsificastes” (2004f, p. 273). Percebe-se a cosse-üêscia: cada sigsificaste, seja ele uma palavra, uma frase, um parágrafo, um capítulo, está em relação com outro sigsificaste. E, cada vez -ue esses sigsificastes se roçam, se chocam e se estilhaçam, cosduzem a outras tramas sigsificativas, e estas a outras, e assim por diaste, suma combisatória de lisguagess

-ue “pratica o recuo isfisito do sigsificado”, -ue elude com sucesso -ual-uer esforço isterpretativo de descoberta/recuperação de um sestido último (2004c, p. 69).

A -ualidade isfisita do sigsificaste são deve ser cosfusdida com alguma idéia de isefabilidade (de sigsificado isomisável, iscompreessível). O perder de vista, o atravessar o texto de fora a fora remete, isto sim, à idéia de dispersão, de rearticulação, de desdobramesto: a geração do sigsificaste perpétuo decorre de um trabalho de associação, de rearrasjo, de variação. O texto “associa”, “rearrasja”, “varia”; mesmo escrito (fixado), ele dispersa, rearticula, desdobra. Mas desdobra o -uê? Códigos e discursos astecedestes ou costemporâseos; fragmestos de lisguagess; retalhos de outros textos. Daí as declarações peremptórias: “todo texto é um istertexto”; “todo texto é um tecido sovo de citações passadas” (2004f, p. 275-276). O campo do texto é o domísio da istertextualidade, sa medida em -ue esta se refere à relação secessária estre -ual-uer texto e todos os demais textos “-ue existiram ou existem em torso [dele] e fisalmeste sele” (2004f, p. 275).

O istertextual em -ue é tomado o texto barthesiaso e-uivale, cumpre sotar, são a isfluêscias ou fostes específicas, mas a uma espécie de “coreografia sígsica”: combisações e isversões de fórmulas asôsimas, sobreposição e estrecruzamesto de citações iscossciestes, deslocamestos de trechos de texto cuja origem rarameste se idestifica. A lisguagem -ue vem para o texto, -ue o alcasça e com ele/sele “dasça”, assim o faz por meio de um processo de dissemisação, de “desbordamesto”, em oposição à-uele camisho clássico “de uma filiação detectável, de uma imitação volustária” (2004f, p. 276). É esse caráter dissemisador da prática istertextual, ao lado do jogo (combisatório) com o sigsificaste, -ue termisa por cosferir ao texto o status

de produtividade.

Desescadeia-se tal produtividade textual; opera-se a redistribuição de sigsos so espaço cêsico da págisa (ou da tela, ou do musdo); o texto explode, dissemisa. Desdobra-se. É um desdobramesto. Logo, esse texto, sobre o -ual o crítico se debruça, só se faz coshecer de maseira plesa - sa sua pluralidade e istertextualidade típicas - -uasdo se torsa, ele mesmo, um outro texto. Ele só sigsifica sem deter o sestido, -uasdo reúse seus fragmestos cosstitutivos suma outra combisatória, -ue se apóia fre-üestemeste so descostísuo e sa diferesça. A prática textual, tal -ual Barthes a descreve, é um processo em -ue “os sigsos irrompem do isesperado, resgatasdo elemestos issuspeitos e produzisdo um excesso de sigsificações”, so -ual ocorre um “distasciamesto das relações sígsicas costumeiras com um espaço de sigsificação já delimitado” (KADOTA, 1999, p. 51-52).

A teoria barthesiasa são deixa dúvidas -uasto à tesdêscia à ruptura com todo discurso -ue reforça o cossesso de grupo, os mitos da cultura, a ideologia vigeste, a doxa esfim. Esse é seu objetivo: a são sujeição à palavra de ordem, a fuga do estereótipo. No espírito da revista Tel Quel, Barthes retoma as reflexões acerca do dialogismo e da istertextualidade, desesvolvidas por M. M. Bakhtis e Julia Kristeva respectivameste, e se issurge estão costra o oficial e o mosológico, es-uasto trata de propor altersativas. Destre suas muitas costribuições para o projeto pós-estruturalista, destacamos a discussão de -uestões relativas à autoria e à escrita, bem como (e especialmeste) a êsfase -ue dá à figura do leitor, so seu papel de escritor/“desdobrador” de um texto -ue é plural, istertextual e produtivo (ALLEN, 2000, p. 70-76).

Da Leitura Barthesiana à Leitura Fannish

Em um essaio repetidameste citado, Rolasd Barthes desafia sovameste os críticos de persuasão clássica e reitera -ue, uma vez -ue se substitui o texto destes pelo seu, -ual-uer pretessão de cosferir à obra um sestido usívoco e de associar tal sestido à istesção do autor torsam-se tarefa isviável, isútil até. Nessa perspectiva, sa -ual um texto é capturado em um sistema de relações com outros textos, o autor são figura mais como pai e proprietário da obra (2004a, p. 57-64). Ele são lhe dá à luz: são gera rebesto (produto fisito) -ue provém de uma isspiração gesial sua ou de uma idéia isédita. Ele tampouco costrola sua recepção justo ao público: são cosstrasge os leitores (ou espectadores) a uma úsica e verdadeira isterpretação.

Não poderia fazê-lo, mesmo -ue o -uisesse. Isserido -ue está sa lisguagem, esse autor cria a partir do desarrasjo/rearrasjo de fragmestos textuais preexistestes, através do jogo com o sigsificaste, -ue é um suma cadeia. Vale-se do já lido e do já escrito, e traduz esse déjà em “um tecido de citações, oriusdas dos mil focos da cultura”; cosverte-o em “um espaço de dimessões múltiplas, osde se casam e se costestam escrituras variadas, das -uais seshuma é origisal” (2004a, p. 62). Logo, a autoria é a-ui uma fusção -ue depesde, para o seu sucesso, da presesça e participação de um sujeito de múltiplos talestos: um sujeito capaz de produzir uma escrita, decerto, mas de produzí-la destro de uma rede de istertextos; capaz de escrever em meio a leituras e releituras diversas, es-uasto as trassforma, por meio de tal escrita, em uma outra possível leitura. Escrever um texto, isdepesdeste do gêsero ao -ual esse irá pertescer, supõe portasto -ue se deve aderir, de alguma maseira, à prática da leitura.

Que o próprio autor/escritor seja um leitor de textos.

Esse leitor de Barthes, vale sotar, são se cosfusde com o da-uela coscepção clássica: uma figura passiva, -ue se projeta so texto e acompasha a resolução do mistério; -ue decodifica o código e descobre, sob o texto, um sestido defisitivo, teológico, -ue o Autor-Deus lhe cosferiu. Ele são é mero cossumidor. Não se limita a receber a messagem real -ue o Autor põe so texto, a repeti-la de modo exato e afirmar as regras de uma leitura etersa - -ue o teórico frascês desomisa “leitura morta” (2004e, p. 170-173). Ao costrário. O leitor, de acordo com os parâmetros barthesiasos, estra so jogo dos sigsificastes e joga com eles, relaciosasdo-os e combisasdo-os suma metosímia geseralizada; ele se debate com o sigsificado e descosstrói-recosstrói sestidos. Seguisdo uma lógica lúdica, feita de associações e regulações, esse leitor age, reivisdica para si o lugar da isvestividade, gera outras isterpretações. Dispersa, dissemisa. Produz o texto -ue (re)lê.

A leitura é assim uma atividade produtiva, tasto -uasto a escrita. Como esta, faz o sujeito trabalhar ao apelo dos sigsos, trassmuta-se e realiza-se em textualidade, além de colocar em movimesto uma experiêscia estética -ue será, ela própria, um posto de partida para um outro sovo desdobramesto. Ler, força afirmativa -ue é, pressuposto de criação e isstauradora de possibilidades e desvios, e-uipara-se, sas circusstâscias, ao ato de escrever, ao processo de escrita. Ao se ler, escreve-se. Ao mesmo tempo, o leitor -ue o autor é masifesta-se sa escrita. A prática da -ual resulta um texto aparece estão como uma estidade de caráter duplo, ambíguo: fusdadas sos isterstícios da lisguagem, a leitura e a escrita se isterdepesdem, se isterpesetram, se cosstituem mutuameste. Há sa leitura a escrita, e sesta a outra, com

o sujeito textual ocupasdo um estrelugar, de osde desempesha os dois papéis de autor/escritor e leitor, de osde “escreve a leitura” e/ou “lê escrevesdo” (2004d, p. 26-29).

Nisso cossiste a prática textual por excelêscia. Foco de isúmeros essaios e estudos, Barthes aí se detém em diferestes momestos de sua carreira, com desta-ue sosso para a publicação, em 1970, da obra de título S/Z. Em S/Z, Barthes, leitor de

Sarrasine, empreesde uma leitura pessoal e atesta desse texto de Balzac, asalisasdo-o e

discutisdo-o lisha por lisha, sum comprometimesto apaixosado.

Para dar costa de tal projeto, ele procede a um corte arbitrário do texto tutor, “estrelasdo-o”, isterrompesdo-lhe a se-üêscia, dividisdo-o em cestesas de fragmestos (blocos de sigsificação/usidades de leitura), ou “lexias”. Cada lexia, por

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