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Kunnskapshjelperne og kunnskapsutviklingen

10.3 Drøfting av kunnskapsbegrepet

10.3.3 Kunnskapshjelperne og kunnskapsutviklingen

6.1. Por uma atitude simbólica

Por definição de Jung (1921/2008), um símbolo é a melhor forma de expressão possível de um conteúdo nem totalmente inconsciente nem totalmente consciente. É considerado vivo quando carregado de energia e permeado de significado, mobilizando o ego. Tem a função de mediar a relação entre a consciência e o inconsciente, já que há no símbolo sempre um lado desconhecido (JACOBI, 1957). O símbolo inaugura o novo na consciência, não apenas lhe apresentando os conteúdos da psique, mas também auxiliando-a em seu movimento prospectivo. A finalidade do símbolo está exatamente na canalização da libido8, direcionando-a ao desenvolvimento futuro (SALMAN, 2002).

A qualidade de símbolo é atribuída a uma imagem pela consciência daquele a contempla (JUNG, 1921/2008). O processamento simbólico do material projetivo produzido para os fins de uma pesquisa é proposto por Penna (2009) como um recurso metodológico junguiano. Jung (1921/2008) confere à atitude simbólica da consciência do observador a caracterização de uma imagem ou fenômeno como símbolo. O pensamento simbólico é permeado por associações, comparações e analogias (Penna, 2005). Cabe ao pesquisador o olhar atento ao conteúdo expresso pelo símbolo, sua face oculta, seus significados. Os desenhos e as histórias produzidos pelos colaboradores desse estudo são, portanto, considerados símbolos dessa pesquisa.

6.2. Recursos expressivos em psicologia analítica

8 A psicologia analítica de C. G. Jung conceitua libido como energia psíquica (YOUNG-EISENDRATH &

DAWSON, 2002) e difere-se do conceito de libido da psicanálise no sentido não considerá-la exclusivamente sexual, abarcando necessidades físicas e estados emocionais (JUNG, 1913/2008).

Jung (1909/1995) desenvolveu o conceito de complexo a partir de estudos experimentais, que visavam observar as reações dos indivíduos a certas palavras selecionadas, valendo-se de testes de associação de palavras. Sobretudo o tempo de reação, mas também os batimentos cardíacos, a sudorese, o enrubescimento, o gaguejar, respostas em língua estrangeira, a intensidade da corrente galvânica na pele, entre outros, eram medidos. Eram observadas reações verbais e não verbais às palavras-estímulo. Jung postulou que os incômodos, as mudanças de comportamento, as verbalizações atípicas e outras alterações percebidas eram um sinal de que núcleos afetivos carregados de energia estavam sendo tocados.

Esse estudo de natureza experimental foi, sem dúvida, imprescindível para elaboração da teoria dos complexos, que posteriormente foi enriquecida com os conceitos de arquétipo e símbolo. Contudo, posteriormente Jung (1964/2002) abandonou os testes de associação de palavras como recurso facilitador de acesso aos complexos. Não porque o desprezasse, mas porque a experiência clínica fez com que Jung percebesse que os complexos poderiam ser acessados de outras maneiras, seja por meio do método analítico de livre associação, a partir de um relato onírico ou ainda por meio de meditações e orações. Os recursos expressivos passaram a ser considerados como facilitadores da possibilidade de manifestação dos complexos. As manifestações artísticas, os sonhos e outros canais de expressão ganharam então um lugar de grande importância no método junguiano, considerando que as produções imagéticas dos indivíduos podem ser entendidas como vias de acesso ao inconsciente (FURTH, 2004). Conforme salienta Silveira (1992), a imagem produzida pelo paciente é energia psíquica traduzida em uma linguagem diferente da racional, e por isso muitas vezes causa estranhamento e dificuldade de compreensão imediata. Ao pedir que seus pacientes pintassem, Jung não se preocupava com questões estéticas, mas com o ato de dar forma aos conteúdos internos e produzir imagens repletas de libido.

Os desenhos vêm sendo utilizados como recurso expressivo gráfico, tanto clinicamente como no campo da pesquisa em psicologia. Vale ressaltar que profissionais de diversas linhas teóricas utilizam clinicamente o desenho identificando nele a manifestação de conteúdos inconscientes. No meio acadêmico, é possível destacar algumas pesquisas realizadas considerando os desenhos, bem como as associações a eles, como expressando imagens facilitadoras da aproximação do pesquisador com o conteúdo intrapsíquico dos sujeitos (CARIOLA, 2006; FELIPE, 1997; RAMIRES, 2004; SOUZA, 1998).

Jung (1958/1971) aponta a possibilidade de confrontarmos o inconsciente a partir de manifestações criativas. Podemos pensar nestas manifestações como o desenho, a pintura, a modelagem, a dança. A idéia principal de dar vazão aos conteúdos inconscientes por meio dos recursos expressivos está calcada na noção de interação: a partir do momento em que um conteúdo inconsciente toma uma forma e é externalizado, configura-se como um símbolo, e é possível uma aproximação entre a consciência e o inconsciente. Penna (2007) atenta para uma das propostas fundamentais da psicologia enquanto ciência: conhecer o inconsciente, ou, como prefiro dizer, aproximar-se conscientemente dele e relacionar-se com ele (seja pela via do “conhecimento”, que me sugere algo racional, ou não).

Os recursos expressivos são meios pelos quais analistas e pesquisadores junguianos, seguindo a trilha deixada pelo próprio Jung, procuram identificar e provocar o diálogo entre a consciência e o inconsciente. É claro que, tanto em situações de pesquisa, quanto nas situações clínicas, não estamos falando apenas da consciência e do inconsciente daquele que produz o material expressivo. Estão em jogo também a consciência e o inconsciente do analista ou pesquisador (JACOBY, 1987). Penna (2007) enfatiza o pioneirismo de Jung ao propor que a subjetividade do pesquisador tornasse parte do objeto de estudo, diante da sua inevitabilidade. A neutralidade não é apenas impossível de existir, mas também não é

almejada. É de relações dialéticas sujeito-objeto e pesquisador-fenômeno que nasce o conhecimento científico.

A coleta de dados em pesquisas cujo referencial teórico é fundado na psicologia analítica freqüentemente é realizada não apenas por meio da linguagem verbal, mas utilizando-se instrumentos projetivos (PENNA, 2005). Segundo a autora, as técnicas expressivas como a dança, a caixa de areia, o desenho, a fantasia e outros, funcionam como mecanismos de apreensão de símbolos. Parisi (2009) expõe seu trabalho com grupos vivenciais, no qual muitas vezes utilizou um mito ou um conto para estimular a produção plástica dos integrantes do grupo. Outras vezes apenas um tema era proposto, para que fosse trabalhado e vivenciado por meio de experiências expressivas.

O presente estudo pretende utilizar a temática da família como estímulo para a expressão por meio do desenho e da história. A palavra “paternidade” especificamente não foi utilizada, para que os colaboradores pudessem ter maior liberdade e espontaneidade na expressão da função paterna e das imagens da paternidade na família contemporânea, sem obrigatoriamente referir-se à figura do pai real. Coletados os dados, o objetivo dessa pesquisa é realizar uma aproximação simbólica ao material, conforme proposto por Penna (2005) como método junguiano de pesquisa.