10. Oppgavefordeling og
10.10 Kunnskapsdepartementet
O constructo da alexitimia evoluiu a partir de observações clínicas de pacientes que sofreram uma ou mais doenças psicossomáticas clássicas, nas quais se registava um paralelo entre a disfunção fisiológica presente na perturbação somática e um grau importante e evidente de rigidez cognitivo-afetiva, ou seja, uma ausência de palavras para as emoções.
A sua concetualização tem-se movido de um entendimento psicodinâmico tradicional para uma visão abrangente que engloba as dimensões psicossocial, neurobiológica e cognitiva.
No final da década de 40, Ruesch relatou disfunções da expressão verbal e simbólica no seio dos seus pacientes com perturbações psicossomáticas e pós- traumáticas, outorgando essas disfunções à perpetuidade de uma personalidade infantil ou imatura na adultícia. Retratou os seus pacientes como inábeis de utilizar os afetos como sinais, com um imoderado nível de conformidade social, destituídos de capacidade imaginativa e que recorrem diretamente ao corpo ou à ação física para expressar as suas emoções (Ruesch, 1948).
No início da década de 50, Horney e Kelman observaram traços semelhantes em determinados pacientes psiquiátricos que, por escassez de experiências internas, concretude do pensamento, ínfimo interesse nos sonhos, défice de consciência emocional e um modo de vida exteriorizado, respondiam insatisfatoriamente ao tratamento psicanalítico (Kelman, 1952); [Horney (1952, citado por Taylor et al., 1997)].
Em 1963, Pierre Marty e Michel de M'Uzan identificaram em pacientes fisicamente doentes, uma escassez significativa de fantasia e um modo de pensamento utilitário. Caraterizaram este estilo cognitivo como “pensée operatoire”, de modo a descrever o estilo de vivência externamente orientado (externalizado).
O interesse por estas perturbações da regulação emocional, tão difundido atualmente, foi pouco valorizado até aos anos 70. Embora tenham sido feitas referências
ao conceito de alexitimia no final dos anos 40, somente no início da década de 70 estas observações iniciais foram prezadas (Taylor et al., 1997).
Peter Sifneos e John Nemiah marcaram o verdadeiro ponto de viragem na investigação da alexitimia. Nas suas análises sistemáticas do estilo afetivo e cognitivo de pacientes com doenças psicossomáticas clássicas, Sifneos em 1967 e mais tarde Nemiah e Sifneos em 1970 (citados por Taylor et al., 1997), identificaram que a generalidade dos pacientes apresentava um estilo comunicativo tipificado pela preocupação com pormenores meticulosos de acontecimentos externos, uma carência ou inexistência de fantasias e uma significativa dificuldade em caraterizar sentimentos subjetivos.
Em 1973, Sifneos formulou o termo “alexitimia” (do grego: a «falta»; lexis «palavra»; thymos «emoção») como constructo clarificador de perspetivas concetuais que vários autores foram atribuindo a um funcionamento psicológico em que predominava a ausência de palavras para os afetos.
No final da década de 90 a pesquisa realçou o constructo como um défice particular na regulação emocional e processamento cognitivo, assinalado por dificuldades em identificar e descrever sentimentos e por um pensamento externamente orientado. Nesse sentido, as perturbações com as quais a alexitimia aparenta estar associada podem ser concetualizadas como perturbações da regulação emocional (Taylor, 1994).
Os contributos iniciais foram determinantes para o desenvolvimento de uma alargada construção teórica do conceito de alexitimia, onde nas formulações e entendimento contemporâneo, se destacam os trabalhos de Taylor, Parker e Bagby (e.g., Taylor et al., 1997; Taylor & Bagby, 2004), pese embora, as suas concetualizações sejam fundamentalmente baseadas na esfera cognitiva da alexitimia. Relatos clínicos e pesquisas adicionais têm-se baseado nos estudos de Bermond e colaboradores (2006). Em 1999, Bob Bermond e associados salientaram que o constructo da alexitimia subsuma dois fatores proeminentes da experiencia emocional: dimensão afetiva e dimensão cognitiva, com os seus correlatos desenvolvimentais e neurobiológicos; providenciando diferentes tipos de alexitimia que distinguem diferentes tipos de personalidade (Moormann et al., 2008) e diferentes caraterísticas neuroanatómicas (Goerlich-Dobre et al., 2015), e que podem estar associadas diferencialmente à psicopatologia (Bermond et al., 2007).
O facto de as caraterísticas alexitímicas terem sido primeiramente registadas e descritas em pacientes psicossomáticos, ergueu o entendimento falacioso de uma associação entre a alexitimia e as doenças psicossomáticas (Taylor, 1987). Contudo, veio- se mais tarde a perceber (final da década de 90) que a alexitimia não é um fenómeno genérico nem exclusivo das doenças psicossomáticas (Nemiah, 1982), sendo atualmente aceite como um défice afetivo distinto (Zackheim, 2007).
De modo geral, o constructo da alexitimia é multifacetado, representando um défice no processamento cognitivo da informação emocional e na regulação dos afetos (Taylor et al., 1997) que patenteia um núcleo de quatro caraterísticas protuberantes: (1) dificuldade em reconhecer sentimentos e em distingui-los de sensações corporais (resultantes do estímulo emocional); (2) dificuldade em identificar e descrever sentimentos ao Outro; (3) circunscrita capacidade imaginativa- défice de fantasia; e (4) um estilo cognitivo externalizado (Taylor, Bagby & Parker, 1991). Apesar de existir uma distinção conceitual das caraterísticas que a patenteiam, elas estão interrelacionadas (e.g., a capacidade de reconhecer sentimentos subjetivos medeia a capacidade de identificar e descrever sentimentos do Outro) (Taylor et al., 1997).
As observações clínicas iniciais, possibilitaram associar ao constructo da alexitimia várias caraterísticas adicionais: escassez de expressões emocionais faciais, figura rígida, propensão para a conformidade social, recordação infrequente dos sonhos, tendência para usar a ação e os canais corporais para expressar emoções (Ruesch, 1948; Sifneos, Apfel-Savitz & Frankel, 1977). Ainda que associadas à alexitimia, tais caraterísticas não constituem o núcleo teórico do constructo. Importa referir que no contexto do sonho, é a qualidade dos sonhos, em oposição à capacidade de recordá-los, que melhor carateriza a alexitimia (Taylor et al., 1997).
Apesar de na clássica definição de alexitimia sobressaírem sobretudo as dificuldades no processamento das próprias emoções, existem várias dificuldades sociocognitivas que se associam a este constructo (Grynberg, Berthoz & Bird, 2018). Particularmente, fraca regulação emocional (Pandey et al., 2011), défices empáticos (Grynberg, et al., 2010),dificuldades em reconhecer as emoções do Outro (Brewer et al., 2015) e aumento da somatização (Mattila et al., 2008). Porém, tais dificuldades per si e em si não representam marcadores definitivos da alexitimia (Hobson et al., 2019).