Em face às exigências da indústria sobre o desenvolvimento de softwares específicos para atender suas necessidades, tornou-se necessário dividir a indústria de informática em dois componentes: hardware e software, onde então surgiu a indústria de
software. Na década de setenta é que essa indústria se consolida com o surgimento do
micro-computador e a possibilidade do uso individual e então a indústria de software torna-se independente.
O software para Vergílio (2005) apud Pereira (2006, p. 32) significa:
um programa de computador, uma entidade abstrata que dispõe ferramentas pelas quais exploramos os recursos de hardware, que são os objetos que podemos tocar de verdade, como discos, disk drives, monitores, teclados, impressoras, placas e chips. Em contraste ao hardware, o software é intocável. O software existe como idéia, conceito e símbolos, mas não tem substância.
Uma forma de compreender a distinção entre software e hardware pode ser através do livro. Os livros são uma boa analogia para se explicar essa separação, pois as páginas e a tinta são como se fossem o hardware e as palavras e o significado delas são o software. Um computador sem software é como se fosse um livro com páginas em branco.
A fonte da indústria de software é o conhecimento e não a energia elétrica ou a ferrovia. Essa indústria produz o desenvolvimento do software propriamente dito até a consultoria, treinamento, documentação e suporte. É caracterizada pela alta velocidade em introduzir inovações técnicas e no desenvolvimento de produtos; pela alta competição, baixo investimento em capital fixo e pelo seu ativo que é a criatividade e intelectualidade.
Numa empresa convencional, sempre há o custo da matéria prima e da produção de cada unidade de produto. Na indústria de software há um grande investimento no desenvolvimento do produto, mas depois ele é comercializado sem ter mais nenhum custo inserido quantas vezes forem da vontade da empresa. O sistema fica pronto e só há os custos de comercialização. Ela agrega valor aos seus produtos através de serviços de suporte, manutenção, treinamento, implantação de sistemas, adaptação de softwares. Três segmentos são destacados nessa indústria: processamento de dados, atividades de banco de dados e desenvolvimento de sistemas.
Conforme Nicolau (2000) apud Tortato (2006), as principais características, da indústria de software são:
a) produtos padronizados e produtos feitos sob encomenda; b) processo intensivo em conhecimentos humanos qualificados;
c) tecnologia amplamente difundida em organizações de ensino e pesquisa, porém, há leis de propriedade intelectual;
d) grande relevância tanto dos conhecimentos tácitos, quanto codificados; e) recursos e habilidades requeridos variados conforme o produto desenvolvido; f) metodologia de produção e controle da qualidade com grande variação; g) conhecimento das necessidades dos usuários;
h) produtos com ciclos de vida curtos, com necessidade de constantes investimentos para atualizações;
i) marketing necessário, principalmente no segmento de software pacote.
De acordo com Nicolau et al. (2000), Simioni (2001) e Salatti (2005) apud Tortato (2006), uma das classificações do software pode ser quanto à chegada ao mercado:
a) Software pacote: são os vendidos em prateleiras a um grande número de clientes
anônimos, esse tipo de software precisa de um grande canal de distribuição e grandes investimentos em marketing e divulgação. Pode ser chamado também de software horizontal, ele engloba apenas conhecimentos restritos á informática, não incorpora informações de nenhuma outra atividade específica. Exemplos: Windows (sistema operacional) e Excel (planilhas eletrônicas).
b) Software embarcado: são os que acompanham e se incorporam aos hardwares
específicos. Pode ser chamado também de software vertical, é elaborado de acordo com especificações de alguma atividade ou setor. Exemplos: softwares que fazem calculadoras, celulares e automóveis funcionar.
c) Produto customizável: são softwares que possuem uma determinada base comum de programação que pode ser adaptada às necessidades de cada cliente. Também cabe aqui a denominação de software vertical, pois esse tipo de software também é desenvolvido para um ramo específico da atividade econômica. Exemplos: softwares para áreas específicas como medicina, educação, pesquisa.
d) Serviços de software: são linhas de programação cujo processo de produção se dá através de encomendas diretas. Dividem-se em: serviços de baixo valor agregado e serviços de alto valor agregado. Os de baixo valor agregado dizem respeito às tarefas simples como manutenção de softwares ou geração de códigos, ou seja, é a transferência dos conhecimentos básicos para sua comercialização. Os serviços de alto valor agregado consistem nas atividades que exigem conhecimentos mais técnicos referentes inclusive às áreas de atuação da firma contratante. Os desenvolvedores de
softwares fazem uma análise prévia das necessidades técnicas das empresas para
poderem desenvolver e implantar softwares conforme as necessidades dos clientes. A definição de software vertical também cabe para serviços, pois são feitos sob especificações de clientes.
O padrão de concorrência da indústria de software depende do segmento que ele atua. O segmento de software produto é caracterizado por ser altamente concentrado e pelos investimentos em P&D que são significativos. Também são feitos investimentos
relevantes na distribuição e no marketing que é fundamental. Assim, “[...] ganham relevância, então, os gastos com estrutura de distribuição, publicidade e ações que visam disseminar o uso do produto o mais rápida e amplamente possível, buscando os efeitos da inércia [...] do mercado” (SIMIONI, 2001, p. 46 apud TORTATO, 2006, p. 30).
Por sua vez, no segmento de serviços de software tem que haver uma interatividade entre produtor e usuário, pois os usuários passam para os produtores informações que vão além das atividades de informática. Neste sentido, observa-se que:
A indústria de software insere-se no âmbito da tecnologia da informação, caracterizando-se por velocidade intensa de introdução de inovações técnicas, particularmente com o contínuo desenvolvimento de produtos apoiado na capacidade criativa e intelectual da mão-de-obra, por competição acirrada entre empresas e por baixo investimento em capital fixo. [...] As barreiras à entrada no segmento de pequenas empresas não são elevadas, mas existem barreiras ao crescimento, permitindo o domínio das grandes empresas nos segmentos concentrados no mercado. (NICOLAU et al., 2000, p. 08 apud TORTATO, 2006, p. 30).
Para Hexsel (2002), existem softwares de diversos tipos: proprietário, livre ou aberto, domínio público, semi-livre, freeware, shareware e software comercial.
a) Software proprietário: é aquele que não pode ser copiado, redistribuído ou modificado
sem permissão da empresa que o desenvolveu. Normalmente é vendido como licença de uso que dá o direito das pessoas usarem para determinado propósito. Esse tipo é o que domina os nichos de mercado. A empresa é dona do programa, desde o código- fonte até as cópias executáveis. Neste sentido é a empresa quem determina quem vai trabalhar com o sistema e por quanto tempo.
b) Software livre ou aberto: a utilização desse tipo de software tem crescido bastante e
preocupado as empresas que desenvolvem software proprietário. Esses softwares podem ser usados para qualquer finalidade, podem ser estudados e adaptados às necessidades, podem ser distribuídos e melhorados por qualquer pessoa. É diferente dos softwares gratuitos que não podem ser modificados, só podem ser usados como são.
c) Software de domínio público: é aquele que foi abandonado pelo seu criador ou que
estrapolou o prazo de 50 anos após 1º de janeiro do ano seguinte ao da publicação/disponibilização do software. Esse software pode ser utilizado e sofre alterações sem nenhuma restrição.
d) Software semi-livre: pode ser usado, copiado, distribuído e modificado, mas a
e) Freeware: não pode ser modificado e lançado no mercado como produto novo e nem
pode ser redistribuído sob forma de pagamento, mas pode ser usado sem nenhuma limitação.
f) Shareware: pode ser utilizado e redistribuído, mas o código-fonte não é
disponibilizado e por isso é impossível modifica-lo.
g) Software comercial: é o software desenvolvido por uma empresa com o objetivo de
lucrar com a sua utilização. Normalmente seu código-fonte não é disponibilizado. É diferente do software proprietário. Existe software livre que é comercial e existe
software não-livre não-comercial.