• No results found

1. Introduksjon

4.1 Resultatdiskusjon

4.1.1 Kunnskap og vurderinger i forbindelse med mobilisering

Dada a importância dos eventos climáticos ao escopo dessa pesquisa, como já relatado anteriormente, faz-se necessário a discussão de tal assunto e suas ocorrências

durante o Quaternário para a elucidação de aspectos relacionados às alterações ambientais que este proporcionou e suas concomitantes conseqüências.

Como nos fala BRUNSDEN (1996), o clima apresenta uma estreita relação com os processos de formação de relevos deposicionais durante o Quaternário, seja pelo caráter das suas fases de flutuações, ou então, de eventos episódicos.

Várias são as evidencias que comprovam tais mudanças climáticas e sua influência no relevo, ou seja, àquelas que podem ser obtidas através das mais diversas formas de análise e técnicas: análise palinológica, idades de radiocarbono, isótopos cosmogênicos, luminescência opticamente estimulada, termoluminescência estratigrafia e cronoseqüências, dentre muitas outras técnicas que podem evidenciar tais processos como os citados por NOLLER et. al. (2004).

Durante o período Quaternário, as variações ocorridas (climáticas, principalmente) foram relativamente rápidas para uma escala de análise geológica. Segundo ADAMS et. al. (1999) algumas das maiores mudanças climáticas que envolvem alterações nas temperaturas anuais de muitos graus Celsius ocorreram, na sua maioria, em escalas de alguns séculos, às vezes décadas e, talvez, até raramente alguns anos. Ainda segundo os autores (op. cit.) as linhas de oscilações e os parâmetros climáticos parecem ter acentuado sua atuação durante os últimos milhões de anos, bem como, as transições climáticas globais de interglaciação – glaciação - interglaciação tem tido recorrência em uma periodicidade de aproximadamente cada 100.000 anos nos últimos 900.000 anos, sendo que, a última teria ocorrido a aproximadamente 130.000 anos com a interglaciação Eemiana. A evolução climática do período é mostrada na figura 12.

Figura 12- Esboço dos Maiores eventos climáticos durante o Terciário Superior e Quaternário. Adaptado de MASLIN (1998) 1)Entre 4 e 2,5 Ma as calotas polares começam a desenvolver no Hemisfério Norte, introduzindo o forte ciclo interglacial - glacial que são característicos do período Quaternário;2) Antes da Revolução do Pleistoceno médio o ciclo climático entre cada interglacial - glacial de 41ka. Mais tarde esse ciclagem passa para 100 ka. A força do clima não mudou, Isto implica que os feedbacks internos do clima devem ter se alterado, possivelmente, devido a alcançar um ponto inicial atmosférico do dióxido de carbono; 3)Os dois análogos do clima presente são períodos interglaciais em 420-390 ka (isótopos de oxigênio estágio 5e, também conhecido como Eemian);4)Eventos de Heinrich e ciclos Dansgaard-Oeschger;5)Degelo glacial e o evento da jovem Dryas;6) Ciclos Dansgaard-Oeschger e outros eventos climáticos durante o Holoceno;7) Pequena Idade do Gelo (AP 1700) o evento climático que ocorreu em todo Hemisfério Norte;8) El Niño (~3-5 anos) e o Oscilação climática do Atlântico Norte (~10 anos) os quais tem ocorrido nos últimos 1000 anos;9) Aquecimento global antropogênico e mudanças no ciclo hidrológico global.

SUGUIO (2000) nos fala que no mínimo seis estádios glaciais intercalados por interglaciais, foram reconhecidos sobre os continentes desde cerca de 1,5 Ma até hoje, e se, as mudanças paleoclimáticas posteriores à última glaciação quaternária forem

consideradas, é possível reconhecer, no mínimo , quatro período de oscilação nas temperaturas globais de 15.000 anos A.P. até hoje. O autor indica vários estudos que comprovam as mudanças climáticas que ocorreram durante o período no Brasil que, pode ser ilustrada pela tabela II (A e B) elaborada por ARRUDA (2004) onde são apontados os ambientes pretéritos.

Dessa maneira, os estudos relacionados aos eventos deposicionais durante o Quaternário são de extrema importância, já que, estes podem ser resultantes das situações climáticas no decurso do período.

A quantidade de eventos climáticos registrados nos sedimentos oceânicos, mais do que o dobro dos glaciais e interglaciais, ressaltam o contraste entre o Quaternário e os outros períodos geológicos, e não simplesmente a ocorrência de fases quentes e frias distribuídas por todo o registro geológico (FISCHER, 1982), mas a freqüência e a amplitude das oscilações climáticas registradas neste curto espaço de tempo.

SUGUIO (2000) cita trabalhos que têm como temática, identificar as flutuações climáticas através do panorama geomorfológico, entre eles cita: AB´SABER, 1957; TRICART, 1959; BIGARELLA e AB´SABER, 1964; HAFFER, 1969; VANZOLINI, 1986. Convém ressaltar que, nos últimos anos tal temática tem merecido a atenção de muitos outros pesquisadores.

GOUDIE (1999) em seu trabalho sobre as alterações provocadas pela última glaciação nos trópicos, faz um apanhado de vários aspectos da paisagem tropical que foram alterados durante esse período, tais como a dinâmica dos antigos ergs e desertos, os depósitos de poeira nos oceanos, as alterações nos lagos, glaciares nos trópicos e, segundo ele, as baixas latitudes passaram por um período climático mais seco, mostrando assim que, durante a última glaciação, a paisagem possuía uma dinâmica diferenciada da atual.

Do que foi exposto por GOUDIE (op. cit.) pode-se citar as cascalheiras inhumadas que são encontradas em conjunto com os depósitos de sedimentos quaternários, sendo estas evidencias da alternância climática, representando o fruto da desagregação mecânica ocorrida na paisagem durante um clima mais seco. Outro fator aliado a essa alteração são as coberturas coluviais, muitas vezes, associadas às cascalheiras.

Tabela II - Tentativas de Reconstituição Paleoecológica para o Território Brasileiro (A)

Fonte: Suguio (2000) Org.: Arruda (2003)

ÁREA VEGETAÇÃO CLIMA IDADE Datação

Frio e úmido 32.030 e 28.740 anos AP Interrupção da sedimentação 28.740 e 16.800 anos AP Redução na freqüência de pólen de plantas arbóreas e Presença de elementos indicadores de clima mais frio e mais seco que a fase anterior 16.800 e 14.230 anos AP Aumento na freqüência de grãos de plantas arbóreas Presença da Araucária

Clima frio 12.890 e 10.350 anos AP

Aumento da umidade e temperatura fria

9.200 anos AP Condições ficaram mais

úmidas e quentes 8.000 anos AP Pronunciada queda na umidade 5.500 a 4.500 anos AP Palinologia (turfeira) Serra do Salitre (MG)

Ledru (1991) Presença da floresta mesofítica semi- descídua ligada à curta estação seca.

Retorno das condições úmidas

3.060 anos AP

Resfriamento geral, intercalado por fases secas e quentes. 39.930 a 20.000 anos AP Radiocarbono Sedimentos lacustres Resfriamento

pronunciado com relativa umidade intercalado por fases mais secas, forçando mudanças na cobertura vegetal.

30.000 a 20.000 anos AP Serra Negra

(MG)

Oliveira (1992) Coberta por mosaico de cerrado, floresta sazonal e ampla faixa de floresta galeria.

Condições úmidas inicialmente frias e depois quentes.

14.340 anos AP até presente

Mosaico de floresta e cerrado (Podocarpus e Caryocar) 19.950 anos AP Sedimentos lacustres Podocarpus Resfriamento Condições úmidas 19.950 a 13.685 anos AP palinologia Transição para condições

mais secas

15.360 anos AP palinologia Indicações de clima seco 13.685 a 6.790 anos AP Carvão vegetal Gradativo aumento da umidade 6.790 anos AP Serra Negra (MG) Oliveira (1992) Expansão de vereda da águas Emendadas (DF) Máximo da umidade Formação da lagoa 4.000 a 2.000 anos AP

Tabela II - Tentativas de Reconstituição Paleoecológica para o Território Brasileiro (B)

Fonte: Suguio (2000) Org.: Arruda (2003)

ÁREA VEGETAÇÃO CLIMA IDADE Datação

Úmido e quente 22.000 anos AP Seco e frio 13.000 anos AP Clima mais seco que o atual

Lagoa intermitente

6.200 a 4.600 anos AP Cerrado arbóreo O clima torna-se úmido

Lagoa perene 4.6000 a 3.000 anos AP Mata úmida 3.000 Lagoa Santa (MG) Parizzi (1993)

Clima torna-se mais seco e o cerrado deve ter assumido fisionomia que existia antes das atividades antrópicas na área

1.800 anos AP

Carvão Vegetal

Vereda Paleoclima úmido e com temperaturas semelhantes as atuais 32.400 anos AP Turfeira de vereda Decréscimo em plantas arbóreas e em Mauritia, sendo a paisagem dominada por plantas herbáceas, indicativas de condições mais úmidas e mais frias, com veredas de palmeiras substituída por pântano.

Condições mais úmidas e mais frias

32.390 a 23.000 anos AP

Lagoa cercada por mata 19.700 anos AP Decréscimo acentuado

nas freqüências dos grãos de pólen, a Mauritia desapareceu e a Lagoa deve ter sido novamente transformada em pântano sob.

Condições de clima mais frio e mais seco que o atual

18.500 anos a 11.300 anos AP

Estações secas mais prolongadas e que as atuais

10.500 a 7.700 anos AP Carvão vegetal Cromínia (GO) Ferraz- Vicentini (1993) Vereda Resfriamento Condições úmidas Em Águas Emendadas (DF) tal fato ocorreu há 7.220 anos AP.

6.680 anos AP

Inicio da implantação da vegetação na área

Clima mais frio e mais úmido com o pântano cercado por vegetação arbustiva e/ou herbácea 25.790+-70 anos AP Palinologia Base dos testemunhos de turfa (2 m de comprimento) Vegetação mais exuberante (Mauritia característica de cerrado ausente)

Clima continuava mais frio e mais úmido que o atual

23.120 anos AP (interpolada) a 21.450 +- 100 anos AP

Quase ausência de cobertura vegetal

Clima frio e extremamente seco Sedimentação detrítica 21.450 a 7.220 anos AP Águas Emendada s (DF) Barberi- Ribeiro (1994)

Implantação da maurítia Condições climáticas tendendo às atuais

Formação da lagoa