3.4 Læringsprosess i scenekunstfag- styrker og utfordringer
3.4.2 Empirisk analyse av scenekunstutdanningen ved Kunsthøgkolen i Oslo
3.4.2.4 Kunnskap og kompetanse i PPU dans og teater
Para Clare (2004), como vimos, só podemos cuidar de quem traz alguma memória de cuidado recebido por outro significativo. Se isso não foi possível na medida da necessidade, ou próximo dela, precisamos então fundá- lo, até que o paciente possa vir a dele se beneficiar.
É somente pelo cuidado sensível ao paciente é que as palavras terão significado de novo, mas isso vai levar tempo. Se não houver cuidado suficientemente bom, então as palavras, embora fluentes, permanecerão sem sentido e servirão apenas para ficar entre a criança e as outras pessoas. As palavras não serão mais um veículo de comunicação e, além disso, as boas experiências anteriores e as memórias armazenadas delas, que representam o mundo interior e o verdadeiro self, permanecerão cindidas dos sentimentos presentes e da vida cotidiana, e o crescimento será empobrecido ou distorcido. (WINNICOTT, C., 1964/2004, p 185).
Sendo assim, a pessoa que não viveu essa amorosidade fundante precisa encontrá-la na relação com o terapeuta. É a linguagem do amor, que vai sendo estabelecida no tempo, em pequenas doses, até que a comunicação entre o par terapêutico seja possível.
A autora traz ainda outra questão fundamental, que diz respeito aos vários registros presentes no campo da comunicação: desde o que passeia pelo relato de situações do cotidiano, em que o paciente, tanto criança como adulto, pode comunicar não diretamente aspectos de sua experiência, até aquele em que expõe e dá visibilidade ao self verdadeiro, alcançando um nível mais profundo de interlocução. Como no “jogo de rabiscos” proposto por Winnicott, em que rabiscos periféricos, que podem ser de qualquer materialidade e não necessariamente desenhos, são experimentados e compartilhados por terapeuta e paciente até que a comunicação significativa possa ocorrer (este conceito é abordado no próximo capítulo).
25 Verdadeiro e falso self, termos que compõem as conceituações de Winnicott, são mais bem definidos
no capítulo dedicado ao autor. Basicamente, o verdadeiro self seria espontâneo e criativo, em oposição a falso self, construído artificialmente, podendo indicar submissão excessiva ao meio.
73 ... a comunicação entre pessoas acontece em diferentes níveis de existência ou experiência. Existe a troca comum cotidiana entre pessoas que acontece em um nível um pouco superficial, mas serve para manter abertos os canais de comunicação e tem um importante efeito vinculativo e socializante. Ele mantém a civilização caminhando e o mundo passando para nós, porque reduz a desconfiança e a paranoia latente em todos nós (WINNICOTT, C., 1964/2004, p. 186).
Em um primeiro nível de comunicação, estaríamos então no eixo da realidade compartilhada, que possibilita a manutenção da própria civilização, em que são tecidos os costumes, as histórias - área neutra na qual a comunicação é indireta:
... participamos de experiências compartilhadas, sobre a qual tanto nós como as crianças sentimos algo sobre alguma coisa, uma terceira coisa, que nos une mas que ao mesmo tempo nos mantêm separados com segurança porque não envolve uma troca direta entre nós. Experiências compartilhadas são, talvez, a única forma não ameaçadora de comunicação que existe. Elas podem referir-se a quase qualquer coisa em que ambos participamos – caminhadas, passeios de carro, brincar, desenhar, ouvir alguma coisa, olhar para alguma coisa ou conversar sobre alguma coisa (WINNICOTT, C., 1964/2004, pp. 188-89).
Em um segundo nível, podemos finalmente tornar visíveis para o outro nossas necessidades mais genuínas, aquelas que nos definem e destinam: “Depois, há a comunicação que acontece entre certas pessoas e em que os sentimentos e as necessidades de cada um são reconhecidos e retribuídos. O verdadeiro self de cada um atende e responde ao verdadeiro self do outro” (WINNICOTT, C., 1964/2004, p. 186).
Uma vez que a comunicação indireta foi estabelecida por meio de experiências compartilhadas, então existe uma área da vida em que a comunicação direta, dar e receber, é possível. Na verdade, qualquer coisa é possível agora, as comportas podem ser abertas ou faíscas podem voar. Ambos os eventos seriam sinais de vida e evidências de que as relações reais entre pessoas, o que envolve dar e receber, amar e odiar, foram sendo estabelecidas (WINNICOTT, C., 1964/2004, p.189).
74 Aqui, há a expectativa de reciprocidade, que precisa, em especial, ocorrer na clínica - campo de transformação por excelência. Trata-se da comunicação de cernes verdadeiros de um e de outro, possibilitando a elaboração e realização, mais do que de interpretação.
Também pode ocorrer de esse nível de comunicação se dar por palavras, frequentemente pela arte:
O terceiro tipo de comunicação é o que diz respeito à troca de ideias seja em palavras ou em formas de arte de todos os tipos. Isto é, no seu melhor, uma elaboração sofisticada e extensão da comunicação do verdadeiro self; no seu pior, pode ser uma tentativa de esconder o verdadeiro self e mesmo se tornar um substituto para ele. Estritamente falando, quando isso acontece, a comunicação não está ocorrendo, embora possa parecer. O que é dito ou pintado na tela é, então, preocupação privada de uma pessoa – e o mundo dá palpites (WINNICOTT, C., 1964/2004, p.186).
Para que a comunicação nesse nível se efetive de fato, ou para que este ou aquele objeto cultural se torne vivo, necessitamos de presença humana, de alguém que nos apresente a ele no momento exato, em que nos encontramos à espreita, em busca de algo ainda sem moldura, nebuloso, por vezes etéreo, aguardando algum futuro de realização. São encontros felizes, em que, no paradoxo winnicottiano, encontramos aquilo que criamos. E se diferem sobremaneira do uso desses objetos culturais para evitar a comunicação, para esconder-se.
O que Clare (2004) nos alerta, então, é que essas memórias de constituição do self podem interferir no campo da comunicação, afastando o paciente da experiência de sentir, através de organizações defensivas e dissociações, como isolamento ou raiva, levando-o a desconfiar da possibilidade de encontrar parceria na interlocução:
Em cada caso, a razão para a dificuldade na comunicação será complexa e altamente individual. A razão não será determinada ativamente, mas estará relacionada a processos inconscientes e ao impulso por autopreservação, o que está por trás de todos os sintomas. A palavra "razão", portanto, é um equívoco, pois implica reflexão e escolha consciente (WINNICOTT, C., 1964/2004, p. 191).
75 A grande dificuldade em qualquer caso está justamente em estabelecer esse contato com a dimensão sofrida do paciente, sem atropelos, pois quem oculta o seu sofrer, oculta-o de si mesmo, e assim oculta sua potencialidade de viver, perde a capacidade de amar, em que também estão contempladas o ódio e a raiva. Fundamental então recuperar a memória de sentimentos amorosos.