6. Diskusjon
6.1 Hvordan forstår de ansatte i banknæringen risiko og sårbarhet knyttet til cyberangrep rettet mot
6.2.2. Kunnskap og kommunikasjon påvirker sikkerhetskulturen
Henrique Castriciano de Souza 1911 a 1918
Francisco de S. Meira e Sá 1919 a 1928 Manoel Dantas 1929 a 1938 Felipe Guerra 1939 a 1948 Juvenal Lamartine 1949 a 1958 Varela Santiago 1959 a 1968 Aldo Fernandes 1969 a 1978 Onofre Lopes 1979 a 1988 Osório Dantas 1989 a 1998
FONTE: Adaptação do documento: LIGA DE ENSINO DO RN. Boletim cinqüentenário da Escola Doméstica de Natal. Natal: URN, 1914-1964a.
Quando os intelectuais formadores da LERN uniram-se em defesa da construção de escolas-modelo de educação feminina, seu ideário estava impregnado dos valores escola/progresso e escola/modernização. Isto significa que no contexto onde atuavam, o primado econômico somente teria os seus patamares de desenvolvimento caso caminhasse lado a lado com a educação.
A Liga apresentou mentalidades que centradas na educação, escola e família lançariam dispositivos de mudanças que seriam capazes de elevar os patamares culturais do Estado e da nação. Um dos significados atribuídos à escola era que esta devia ser a extensão da casa e da família. Uma escola em que:
No estabelecimento as educandas compreendem, por exemplo, a responsabilidade de manter a casa na mais perfeita ordem, cuidam especialmente do dormitório, limpam os móveis, concertam as roupas, etc. Na vida diária da Escola existem sempre cortesia, bondade e respeito mútuo. Baseiam-se as boas maneiras sobre uma boa moral. (LIGA DE ENSINO DO RN, 1927a, p. 6).
As boas maneiras, segundo a filosofia da Escola estariam relacionadas às ações e atitudes civilizadas, regradas pelo uso dos preceitos da higiene do corpo e da mente, voltados para os modos de vestir e se comportar, para a prática da cortesia, do bom caráter, referenciais esses que deveriam ser obtidos durante as aulas da Escola e praticados no decorrer do curso, contribuindo para formar uma personalidade ajustada às necessidades da vida moderna, havendo, portanto, atenção com a mulher no que se refere ao aprendizado, às convicções, às atitudes, destacando a importância do autoconhecimento, dos deveres e responsabilidade consigo e com o outro, do civismo à pátria, da conduta moral e comportamentos que conduziriam a um tipo de escola diferente das existentes no Estado do RN. A partir desse ideário apresentavam-se, afirmando:
A nossa Liga é nada mais, nada menos, que uma grande sociedade composta de todos os elemento progressistas do Estado, tendo por ideal supremo e unico a creação, nos differentes municipios, dessas Escolas Domesticas que são o segredo da felicidade daquella Suissa, hoje invejada por todas as nações do Orbe, devido as suas instituições maravilhosas e, sobretudo á belezza moral e á capacidade de seus habitantes, em todos ramos da actividade humana. (LIGA DE ENSINO DO RN, 1914a, p. 1).
A força motriz de mudança de reestruturação educacional apoiou-se na concepção de cultura pragmática, moderna, o aprender a aprender, aprender fazendo, típicas da Pedagogia Nova e dos modelos suíços de escolas para mulheres. A educação para um programa de reconstrução social e regeneração moral seria assim pautada nos valores éticos, morais e cívicos, que seriam trabalhados pela Escola Doméstica de Natal. A modernização proveniente também do avanço do desenvolvimento social e econômico surgia como uma tarefa de intelectuais comprometidos (no caso específico do nosso estudo, de intelectuais humanistas e modernos que compunham a Liga de Ensino do RN) com a vanguarda pedagógica, com valores universais de ciência, progresso, nação; num contexto marcado pela presença do universo agrário, rural e oligárquico composto por grupos de políticos, fazendeiros e intelectuais que entram em crise perante um universo feminino que parecia aproximar-se mais da participação na vida social e política. Assim, ocorreram preocupações por parte dos grupos de intelectuais e representantes das elites em relação ao lugar que a mulher iria ocupar na sociedade, quando da transição do século XIX para o XX.
Nesse contexto de mudanças e preocupações com a inclusão de novas demandas sociais é que a educação do sexo feminino apareceu como uma prioridade, questão de possível quebra das hierarquias de gênero, redefinindo novos discursos sobre as hierarquias de sexo, entre as ocupações sociais do homem e da mulher, sem solapar a ordem social. As mudanças trazidas, inclusive para a organização da família, pareciam solapar os lugares tradicionalmente reservados para homens e mulheres na sociedade. A emergência do incipiente, mas já presente movimento feminista e as mudanças de comportamento atribuídas às mulheres por causa da vida urbana e pelo mundo que se modernizava, pareciam ameaçar a dominação masculina, particularmente para aqueles que teriam sido educados numa ordem patriarcal tradicional e conservadora.
O contexto educacional em que as idéias da Escola Nova perpassaram no país, privilegiando o Ser em suas singularidades e diferenças, encontrou adeptos que procuraram mobilizar política e ideologicamente a sociedade em torno de uma mesma questão: a superação do atraso nacional e o ingresso numa sociedade moderna. À pedagogia cabia gerar nesse contexto uma nova forma de racionalidade e produtividade. (MONARCHA, 1989, p. 19).
Passando a educação a ser percebida enquanto instrumento de reconstrução social e estabilidade política e para superação do atraso cultural do RN,a e numa perspectiva mais ampla do Brasil, a Liga de Ensino propõe que a educação fosse instrumento coadjuvante na reconstrução social, porque isto traria garantias de continuidade de valores, de formação
desta para os seus futuros filhos. Para Albuquerque Júnior (2003, p. 130):
A estratégia para concretizar esses anseios seria dar às mulheres não o mesmo ensino que os homens, mas um ensino específico voltado para reforçar o papel tradicional da mulher de ser mãe e dona de casa, prepará-la melhor para servir ao seu futuro marido e a futura família e não prepará-la para deles se afastar.
Além de preparar uma boa dona de casa, a Escola se propôs a formar a mulher considerada o espelho e o modelo ideal feminino, regrada numa formação alçada nos valores virtuosos, cívicos e socioculturais consubstanciada num modelo ideal de mulher despontada com os anseios da nova república. Na visão de Araújo (1997, p. 139):
O remodelamento da cidade e da educação escolar levou por parte das vanguardas dirigentes reformadoras, a preocupação em fundar uma ‘Escola Doméstica’ destinada à educação da mulher visando à sua integração na vida cotidiana moderna. [ ] foi a primeira Escola Doméstica, em seu gênero, no Brasil e na América Latina, nos moldes da chamada pedagogia moderna, preconizadora de processos de ensino em que se aprende, fazendo.
Dessa forma, os reformadores da educação em colaboração com a escola idealizaram garantir o tão almejado progresso sociocultural e econômico da cidade e da nação, um sonho de alguns republicanos e conservadores, a exemplo dos que se integraram à Liga de Ensino do RN.
Veremos na próxima parte da tese como a Liga de Ensino irá concretizar o seu projeto social e educativo através da inauguração da primeira instituição com modelo Suíço de formação, inaugurada em setembro de 1914. Foi a partir da criação dessa entidade denominada Liga de Ensino que a Escola Doméstica de Natal foi gestada; daí decorrerem as nossas intenções neste primeiro capítulo: garantir na leitura sobre a Liga a compreensão das bases instauradoras da Escola objeto de estudo, os ideais que a circundaram, os anseios dos seus idealizadores, não sendo possível dissociar Escola Doméstica e Liga de Ensino, ambas se complementam e se confluem.
1.2. A inauguração da Escola Doméstica de Natal
Século XX, ano de 1914, inauguração em Natal da primeira escola para o sexo feminino baseada em modelo europeu, em sua singularidade destinada a formar um novo tipo de mulher civilizada para uma nova sociedade que despontava com os primeiros indícios de desenvolvimento social e econômico. Era esperada com expectativa e orgulho por alguns que compunham as autoridades públicas do Estado do RN e intelectuais progressistas.
A fundação da escola tornou-se a concretização, como afirmamos no capítulo anterior, de um projeto social e educativo de Henrique Castriciano de Souza e da Associação LERN; afinal “[...] a escola é uma criação de indivíduos que vivem em sociedade, mas esta criação não é mais do que uma resposta a certas necessidades, a certas condições que favorecem esta “invenção.” (PETITAT, 1994, p. 198). Por ser uma criação humana, a escola obedece em cada contexto histórico a determinações sociais, econômicas e culturais; isto significa dizer que espaço e tempo são imprescindíveis para a análise das condições que favorecem a criação de uma instituição educativa.
Petitat (1994, p.187) ao destacar alguns elementos importantes que contribuíram para o surgimento de uma cultura escolar moderna na Alemanha indica que:
O surgimento de uma cultura escolar ‘moderna’ - centrada nas línguas vivas, nas literaturas nacionais, nas ciências e nas técnicas – é sem dúvida a revolução mais importante que atingiu o ensino desde o século XVIII. Esta modernização ocorre em meio a conflitos que representam mais do que simples adaptações às novas exigências trazidas pela industrialização. Estes conflitos vêm acrescentar as suas próprias; eles realizam uma assimilação da nova realidade; contribuem para produzir, selecionar e estruturar novas categorias sócio-culturais.
Neste estudo, consideramos a criação da instituição escolar e particularmente da Escola Doméstica de Natal não somente como decorrente das exigências trazidas pelo setor econômico, uma vez que no Brasil e particularmente no Rio Grande do Norte, no período de criação da escola, era incipiente, em desenvolvimento, não podendo por si só, responder aos novos anseios dos intelectuais da Liga de Ensino do RN e da sociedade de uma forma geral.
As adaptações da escola a novos pressupostos pedagógicos, a novas teorias, sobre concepções do que vinha a ser ensinar e aprender consideradas modernas contribui sim, significadamente para estruturar novas categorias socioculturais, passando a dar respostas a novas necessidades às quais a escola deveria se moldar, formando uma nova geração de indivíduos mais ativos socialmente.
Desde o seu funcionamento inicial, a Escola Doméstica de Natal não se propôs a ser uma escola popular, ao contrário, o que mais a caracterizou foi seu caráter seletivo e elitista, o rigor no número de vagas, a exigência de um valor mensal a ser pago que provavelmente afastavam do seu corpo discente as mulheres que economicamente não eram dotadas de melhores recursos financeiros.
O acontecimento de abertura da primeira escola na cidade voltada para novos métodos pedagógicos, de modelo Suíço das Escolas Domésticas de Ménagère4, que se diferenciavam dos então existentes, interessava a intelectuais norte-rio-grandense por ser uma nova organização de educação escolar distinta das demais que poderia propiciar, na visão desses intelectuais, “a modernização dos velhos métodos caquéticos e ultrapassados da cidade, fruto de uma educação defeituosa, uma educação de latinos, prejudicada por uma herança do trabalho escravo, servil.” (SOUZA, 1911, p. 24). Isto provocando o surgimento de um modelo que serviria como exemplo para uma nova organização pedagógica nas escolas existentes e conduziria a cidade a novos patamares mais elevados de cultura e civilidade. Estava presente também a representação de que a escola contribuiria predominantemente para a formação educacional da mulher para que esta atuasse na sociedade de forma mais ativa, social e ajustável ao meio.
Efervescentemente, a imprensa local divulgava a data prevista para o funcionamento da escola. No dia anterior à sua inauguração, o Jornal A República5 insistia em lembrar à sociedade potiguar o dia, local e hora do acontecimento e anunciava que a comissão promotora do evento (os representantes da Liga de Ensino do RN) contava com a presença de todos os convidados ao ato de inauguração. (A LIGA DE ENSINO DO RN, 1914).
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Escola modelar voltada especificamente para a educação doméstica feminina, localizada no Cantão Suíço, a qual Henrique Castriciano de Souza conheceu em viagem realizada em 1909 e ao retornar ao Brasil resolveu fundar uma escola nesse nesses moldes de ensino, onde teoria e prática eram aspectos priorizados na formação dos saberes para o lar.
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O jornal A República foi fundado em 1889, para servir como veículo divulgador dos anseios republicanos no Estado do RN, por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, chefe político norte-rio-grandense ligado a grupos oligárquicos no Estado.
Como havia sido planejado pelo seu idealizador, no dia 11 de setembro de 1914, às 13h, foi inaugurada a Escola Doméstica de Natal que passou a funcionar no prédio de n.° 281, próximo à Praça Augusto Severo, situada no bairro da Ribeira. O lugar territorial ocupado pela Escola Doméstica de Natal proporcionava relacionar a instituição à dinâmica da cidade, no movimento escola-espaço. Afinal,
Não apenas o espaço-escola, mas também sua localização, a disposição dele na trama urbana dos povoados e cidades, tem de ser examinada como um elemento curricular. A produção do espaço escolar no tecido de um espaço urbano determinado pode gerar uma imagem da escola como centro de urbanismo racionalmente planificado ou como uma instituição marginal e excrescente. (ESCOLANO, 2001, p. 28).
Nesse raciocínio, percebemos que o local de funcionamento da Escola não foi escolhido por acaso; era um local situado num ponto de grande rotatividade de mercadorias, com escoamento de produtos, numa movimentação de compra e venda, com circulação de pessoas, entre elas pequenos comerciantes; por isso era chamado por alguns norte-rio- grandenses como o berço da cidade. Era nessa configuração social que a Escola Doméstica de Natal poderia imprimir ares da modernidade, situando-se no ponto de dinamismo e crescimento social de Natal.
Localizavam-se na Ribeira, durante esse período, o Teatro Carlos Gomes (atual Teatro Alberto Maranhão), O Grande Hotel, o Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte - BANDERN (atual prédio do PROCON Estadual), a primeira hospedaria de Natal, o primeiro Grupo Escolar tido como escola modelo (o Augusto Severo, fundado em 1908), a Escola Normal de Natal (1908), o Colégio Ateneu Norte-rio-grandense e demais estabelecimentos que contribuíam para o enobrecimento cultural e econômico do bairro, como por exemplo, os únicos cinemas existentes na cidade, o Café Chile (local muito freqüentado na cidade), entre outros.
Como recorda Cascudo (1999, p. 155), em relação à localização do bairro Ribeira no início do século XX: “A Ribeira conservou os grandes hotéis da época, as casas comerciais, armarinhos, alfaiates, farmácias, clubes de danças, o primeiro cinematógrafo da cidade, o Politeama, inaugurado a oito de dezembro de 1911 e que resistiu vinte anos.” Na Ribeira foram instalados o Palácio do Governo, o Quartel do Batalhão de Segurança Militar e outros edifícios que marcaram a fisionomia do bairro, configurando-o num lugar requisitado,
visitado e movimentado por pessoas e comércios, como a Casa Reis (movimentada loja de calçados, localizada na rua Dr. Barata), a Relojoaria Italiana, lojas de vendas de máquinas diversas, a loja de banheiras Jajaz (representante de produtos importados para banho, na rua Tavares de Lyra), a Alfaiataria Paris (na rua Frei Miguelinho), lojas de irrigações, máquinas de lavar roupa, lojas de café, de bebidas geladas e demais atividades de comércio existentes que davam dinamismo ao local.
O prédio originalmente construído para o funcionamento da escola foi de doação do governo do Estado do RN. Em entrevista com o atual presidente da Liga de Ensino, obtivemos a seguinte informação:
O prédio da Ribeira já era próprio, originalmente construído para essa finalidade - como não tínhamos recursos financeiros, o grupo (da LERN), se valeu do prestígio político - do Conselho Diretor formado por sete integrantes, para conseguir o prédio próprio pelo governo do Estado, representado pela pessoa do governador Alberto Maranhão. Como o primeiro presidente da Liga de Ensino foi Meira e Sá, ex. governador do Estado do RN e Senador da República, pessoa muito influente na política, tornou-se mais fácil conseguir essa concretização de Henrique Castriciano. (BRITO, 2004).
Para a doação do prédio firmou-se o acordo entre a Liga de Ensino e o governo do Estado; numa das cláusulas do acordo constava que se a escola viesse a passar por um processo de dissolução do empreendimento, o seu patrimônio se reverteria a favor do governo do Estado, voltando os recursos investidos, portanto, aos cofres do governo. (LIGA DE ENSINO DO RIO GRANDE DO NORTE, 1911a).
Esse acordo muito nos chamou a atenção porque nesse caso específico, estava evidente a parceria público/privado. Enquanto a rede pública de ensino do RN passava por um processo de busca por expansão e melhoria no ensino, o Estado doava um prédio para uma escola privada. Temos como exemplo, a Escola Normal de Natal que começou em 1908 funcionando anexa ao Atheneu Norte-rio-grandense, sem prédio próprio; depois, em 1910, foi transferido para o Grupo Escolar Augusto Severo, permanecendo vinte e sete anos neste lugar (ainda sem prédio próprio para o seu funcionamento) e em 1937 mudou-se para o Grupo Escolar Antônio de Souza, num antigo edifício que pertencia à Associação dos Professores do RN (APRN), em precárias condições de exercer suas atividades.
descaso com ensino público no Estado do RN, porquanto a Escola Normal de Natal somente conseguiu um prédio próprio em 1950; passando por dificuldades de organização, de recursos, pela falta de um lugar próprio para funcionar, em suma, pela falta de recursos destinados ao seu funcionamento, assim como as demais escolas públicas existentes.
Na década de 50 do século XX, o presidente do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP, o educador Anísio Spínola Teixeira, manifestou sua impressão sobre a Escola Doméstica de Natal, ao visitá-la em 11 de março de 1954, afirmando que:
Visto afinal a Escola Doméstica de Natal, sobre que ouço falar desde que comecei a me entender em educação. Instituição que tem já 40 anos, provando, durante esse período, duas coisas: 1) que instituição educativa pode ter finalidade pública e privada, tanto no Brasil quanto na Inglaterra; 2) que instituições educativas podem resistir ao uniformismo das escolas oficiais brasileiras, manter programa autônomo e original ... sobreviver. Que digo? Triunfar e apresentar o espetáculo que aqui assisto, entre surpreso e comovido, de uma escola que pode emparelhar com o que de melhor exista nos paises de melhor e mais alta tradição educacional. (TEIXEIRA, 1920, p. 35).
As palavras registradas pelo educador brasileiro Anísio Teixeira, naquele tempo, refletia dois aspectos importantes: o primeiro dizia respeito à visão que tinha na época sobre o ensino privado. Mesmo sendo um dos grandes defensores do ensino público e gratuito no Brasil, deixou transparecer, a partir das suas palavras escritas, ao visitar a Escola Doméstica de Natal, que mesmo pertencendo ao quadro das instituições privadas, poderia prestar serviços públicos à população, ou seja, ter uma finalidade pública, como bem especificou no seu registro. Outro aspecto diz respeito ao deslumbramento apresentado ao visitar a Escola Doméstica de Natal e saber que nela aplicava-se um modelo curricular diferenciado das escolas brasileiras voltadas para a educação feminina, com um programa de ensino original, rompendo no seu tempo, com o uniformismo tradicional das demais instituições de ensino.
Compreendemos que as medidas tomadas pelo governo do Estado do RN em relação ao seu ensino privado, desde o início da fundação da ED era tendenciosa porque trazia embutida uma política de incentivo ao ensino particular, ampliando, sem dúvida, o campo de atuação dessas instituições que, de certa forma, absorvia, mesmo de forma minoritária, uma demanda que até então era de responsabilidade do Estado. Essa atitude do Governo Estadual demonstrava a confiança depositada no trabalho educativo desenvolvido pelas instituições
privadas.
A Escola Doméstica não foi a única instituição a receber ajuda financeira Estadual, o ensino particular subvencionado pelo Estado mantinha algumas escolas e ginásios no início do século XX com auxílio dos cofres públicos. (CASCUDO, 1999).
Numa cidade ainda provinciana como Natal que estava caminhando em passos lentos para um processo de crescimento urbano e em vias de modernização diante das condições conjunturais do país e do mundo, era necessário mais investimento no ensino público e nas condições de saúde e habitação da cidade. O cenário de Natal ainda apresentava precariedade; sua iluminação era à base de lampiões, o que aconteceu por longos períodos, somente vindo a conhecer instalações elétricas a partir de 1905. Na gestão governamental de Alberto Maranhão (por este ter conseguido empréstimo financeiro da França através de uma firma responsável pela execução do empreendimento, a Vale Miranda & Domingos Barros) é que a cidade passou a ser ajustada a novas reformas desde a instalação de luz elétrica em ruas e residências aos bondes elétricos, abastecimento de água, saneamento, transporte, calçamento e outros melhoramentos.
Novas idéias circulavam no Brasil e no Rio Grande do Norte e no Brasil, como o nacionalismo, o tenentismo e inquietações de diversas ordens sociais, evidenciando