5.2 F UNN
5.2.1 Kunnskap og handlingsberedskap
Para Martín-Barbero (1997), se antes a família e a escola eram os principais espaços de socialização dos indivíduos e de ondem nasciam as ideologias, hoje quem realiza esta função mediadora e quem define os estilos de vida são os meios de comunicação de massa. O autor afirma ainda que, como novos mentores de normas de conduta, a televisão, os filmes, a publicidade etc. primeiro transformam o modo como as pessoas se vestem para depois provocarem alterações nas questões morais mais arraigadas.
Segundo Briggs e Burke (2006, p. 11), ―o conceito de ‗opinião pública‘ apareceu no final
do século XVIII, e a preocupação com as ‗massas‘ tornou-se visível a partir do século XIX, na
época em que os jornais [...] ajudavam a moldar uma consciência nacional, levando as pessoas a ficarem atentas aos outros leitores‖.
Vale ressaltar, por outro lado, que o termo ―massa‖ (proveniente da expressão inglesa
mass media) pode ser bastante enganador. Primeiramente, a palavra pode significar a recepção de mensagens por uma vasta quantidade de indivíduos, o que pode até representar as circunstâncias atuais da televisão e do cinema, mas dificilmente caracteriza todos os setores
da mídia, ainda mais hoje, com o desenvolvimento das tecnologias de transmissões online e a proliferação de canais de informação dentro da internet. Dessa forma, ―o que importa na comunicação de massa não está na quantidade de indivíduos que recebe os produtos, mas no fato de que estes produtos estão disponíveis em princípio para uma grande pluralidade de
destinatários‖ (THOMPSON, 1998, p. 30).
Além disso, o surgimento do ciberespaço4 possibilitou um novo tipo de relação entre
os participantes do processo comunicativo, designado por Levy (1999) de sistema ―todos- todos‖. Diferentemente dos meios de comunicação de massa tradicionais, como a televisão,
que transmite informações a partir de um centro emissor para uma grande quantidade de
receptores dispersos (comunicação ―um-todos‖) e de outros suportes comunicativos como o
telefone e o correio, por exemplo, que estabelecem apenas relações entre dois indivíduos ou
dois pontos de forma recíproca (comunicação ―um-um‖), o ciberespaço torna acessível um
novo dispositivo comunicacional que permite que diversos interlocutores dispersos no tempo e no espaço se comuniquem com todos os outros participantes do processo comunicativo de
maneira cooperativa e construam assim um contexto comum (comunicação ―todos-todos‖).
Os sistemas virtuais de ensino e trabalho colaborativo, as conferências eletrônicas envolvendo vários indivíduos e, em maior escala, a internet (rede de computadores mundial), são
exemplos de sistemas de comunicação ―todos-todos‖.
Outro aspecto enganador do termo ―massa‖ é a sugestão de que a audiência representa
um vasto mar homogêneo de indivíduos passivos e indiferenciados.
Devemos abandonar a ideia de que os destinatários dos produtos da mídia são espectadores passivos cujos sentidos foram permanentemente embotados pela contínua recepção de mensagens similares. Devemos também descartar a suposição de que a recepção em si mesma seja um processo sem problemas, acrítico, e que os produtos são absorvidos pelos indivíduos como uma esponja absorve a água. Suposições deste tipo têm muito pouco a ver com o verdadeiro caráter das atividades de recepção e com as maneiras complexas pelas quais os produtos da mídia são recebidos pelos indivíduos, interpretados por eles e incorporados em suas vidas. (THOMPSON, 1998, p. 31)
4O termo ―ciberespaço‖ foi criado por William Gibson em 1984 para designar o universo das redes digitais,
presente em seu romance de ficção científica ―Neuromante‖. Pierre Lévy (1999, p. 92) define o ciberespaço como ―o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores‖. Para o autor, a codificação digital é a principal marca distintiva do ciberespaço na medida em que ―ela condiciona o caráter plástico, fluido, calculável com precisão e tratável em tempo real, hipertextual, interativo e, resumindo, virtual da informação‖.
Lévy (1999, p. 79) possui o mesmo entendimento e afirma que, ―mesmo sentado na
frente de uma televisão sem controle remoto, o destinatário decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso de muitas maneiras, e sempre de forma diferente de seu
vizinho‖.
Sendo assim, com o intuito de eliminar dúvidas e questionamentos semânticos,
Thompson (1998, p. 32) define a expressão ―comunicação de massa‖ como a ―produção
institucionalizada e difusão generalizada de bens simbólicos através da fixação e transmissão de informação ou conteúdo simbólico‖. O autor ainda enumera cinco características que,
embora não sejam exclusivas do processo de ―comunicação de massa‖, em conjunto elas
podem ser consideradas como aspectos significativos deste tipo de fenômeno comunicativo:
[...] os meios técnicos e institucionais de produção e difusão; a mercantilização das formas simbólicas; a dissociação estruturada entre a produção e a recepção; o prolongamento da disponibilidade dos produtos da mídia no tempo e no espaço; e a circulação pública das formas simbólicas mediadas. (THOMPSON, 1998, p. 32)
Notadamente, mesmo com o aprimoramento das diversas indústrias da mídia e da popularização das tecnologias de comunicação digital e online, as interações sociais face a face dentro das famílias, das escolas e dos diversos grupos humanos continuarão a desempenhar um papel essencial na educação, na socialização e no desenvolvimento dos
indivíduos, principalmente nos anos iniciais da infância. ―Mas não devemos perder de vista o
fato de que, num mundo cada vez mais bombardeado por produtos das indústrias da mídia,
uma nova e maior arena foi criada para o processo de autoformação‖ (THOMPSON, 1998, p.
46).
Nesse sentido, Setton (2005, p. 347) acrescenta que, como as histórias individuais e coletivas na sociedade contemporânea podem ser influenciadas por modelos virtuais e
referências vividas em contextos distantes no espaço e no tempo, ―poderíamos conceber os
sujeitos sociais com um potencial reflexivo maior, passando a orientar suas práticas e ações, a refletir sobre a realidade, construí-la e experimentá-la a partir de outros parâmetros que não
sejam mais exclusivamente locais e institucionais‖.
Continuando nessa linha de raciocínio, Wu (2012, p. 21) afirma que, ―assim como o clima, o fluxo de informação define a nota básica do nosso tempo, o ambiente em que as