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KUNNE ANDRE SEKTORER REDUSERT UTSLIPP MER KOSTNADSEFFEKTIVT

6. ALTERNATIV ANVENDELSE AV MILJØINVESTERINGENE

6.2. KUNNE ANDRE SEKTORER REDUSERT UTSLIPP MER KOSTNADSEFFEKTIVT

As últimas décadas do século XX foram de singular avanço no tocante à revitalização do campo das interpretações historiográficas, renovando um amplo e variado conjunto de análises históricas. Para além dos tradicionais paradigmas e modelos existentes, outras categorias são introduzidas e consideradas como de eficaz valor explicativo. No campo político, a principal inovação foi a revitalização da categoria de Cultura Política.

Esse novo vigor no conceito de cultura política muito devemos aos trabalhos de Almond e Verba18. O trabalho desses autores é notadamente de orientação parsoniana e opera numa perspectiva comportamentalista, de feições claramente estruturalistas. Afirmando com Dutra (2000, p. 15):

Assentados na convicção de que o condicionamento ambiental e psicológico modelaria as crenças, os valores e as opiniões políticas, esses autores [Almond e Verba] elegeram o comportamento e as crenças políticas dos indivíduos e dos grupos sociais como seu objeto de análise, de forma a explicar o funcionamento

18

Para uma análise mais detalhada, ver ALMOND, G. El estudio de la cultura política. In ALMOND, G. Una

dos sistemas políticos na sua estreita relação com o processo de socialização política.19

O resultado disso é uma psicologização das relações entre os membros de uma sociedade e os eventos políticos. Conseqüentemente, o conceito de cultura política cunhado por Almond e Verba foi bastante utilizado para se estabelecer comparação entre diferentes sistemas políticos, principalmente para se compreender o funcionamento das democracias liberais do mundo ocidental.

No entanto, o modelo comportamentalista anteriormente citado receberá várias críticas, sejam de cientistas sociais, sejam de historiadores. Gostaríamos de destacar a crítica elaborada por Daniel Cefai, uma vez que seus apontamentos abrem uma nova dimensão na compreensão do conceito de cultura política e, sobretudo, porque suas análises enriquecem a abordagem que se fará no item 1.2 deste trabalho.

Em claro antagonismo com a visão estruturalista de Almond e Verba e buscando na antropologia interpretativa de Clifford Geertz a noção de “experiência”, sua visão de cultura política privilegia:

lugares e momentos do mundo da vida cotidiana dos atores, onde esses dão sentidos ao que dizem e ao que fazem; onde eles se acomodam aos ambientes naturais, institucionais e organizacionais; onde eles entram em relações de coordenação, de cooperação e de conflito e onde eles produzem (...) novas formas de compreensão, de interpretação e de representação do mundo.20

Daniel Cefai amplia o arco de abrangência do conceito de cultura política à medida que paradigmas explicativos mais universais são relegados a um segundo plano. No seu lugar, ganham ênfase análises que reflitam contextos menores, que busquem compreender os fenômenos particulares, conseguindo, assim, melhor perceber as nuanças das tramas sociais e das formas culturais em geral.

19

DUTRA, Eliana R. de Freitas. História e Culturas Políticas – definições, usos, genealogias. Varia

História. Belo Horizonte, n. 28, 2000, p. 13-28.

20

Na visão do autor supracitado, perdem fôlego abordagens que defendem que as escolhas e os compromissos dos atores políticos devem-se, unicamente, a uma imposição de consenso através de códigos culturais. Aproxima-se, assim, Cefai da micro-história, que destaca em suas abordagens microuniversos, nos quais cidadãos anônimos e comuns podem expressar seus estilos de vida, seus códigos de conduta, seus hábitos. A contribuição trazida por Cefai é a da possibilidade de pôr em relevo maneiras outras de linguagens políticas.

É preciso esclarecer, diante do que foi anteriormente exposto, que, no presente capítulo, adotaremos o termo culturas políticas, e não cultura política, por entendermos que um dos principais avanços trazidos por esse conceito ao campo da historiografia é, justamente, romper com qualquer interpretação essencialista acerca dos fenômenos políticos. A explicação do ato político, sendo um evento de grande complexidade, exige de seus decifradores mais do que conceitos generalistas, de feições comportamentais. É preciso um instrumental teórico que leve em conta as especificidades de seus atores e as singularidades das tramas por eles vividas.

Dessa forma, a categoria culturas políticas pode ser identificada com uma historiografia que quer rejeitar:

análises dos processos sociais marcada pela linearidade e previsibilidade, em função da adoção de modelos teóricos de matriz estruturalista, fundamentalmente economicistas, quer fossem de extração marxista, mais comuns na História, quer fossem marcados pela lógica instrumentalista da ação coletiva, mais presente na Ciência Política e na Sociologia.21

Ao privilegiarmos as diferenças de pensamento, os valores e a prática dos diversos grupos que compõem as várias Culturas Políticas de uma dada sociedade, não estamos excluindo a possibilidade de formação de uma cultura política dominante frente às demais.

21

GOMES, Ângela de Castro. História, Historiografia e Cultura Política no Brasil – Algumas Reflexões. In SOIHET, Rachel; BICALHO, Maria Fernanda Baptista; GOUVÊA, Maria de Fátima Silva. Culturas

As culturas políticas evoluem na história, determinadas por conjunturas históricas e por influência de outras culturas políticas.

Outra consideração que se faz necessária antes de prosseguirmos e que, de certa forma, é conseqüência direta do que acabamos de afirmar diz respeito à não-unicidade das mensagens difundidas por uma dada cultura política. As mensagens resultam de uma gama muita ampla de fatores, que passa pela influência da família, da escola, dos grupos de convivência social, dos partidos políticos, da imprensa, etc.

Fatores esses que forjam nos atores políticos, múltiplas formas de abordagem da esfera política a que fazem parte. As vivências ─ praticadas ou idealizadas ─ por esses indivíduos levam em conta uma multiplicidade de questões que dão todo um colorido policromático as suas ações. E diante disso, talvez seja necessário, neste momento das nossas reflexões, transcender de Movimento Estudantil para Movimentos Estudantis, à semelhança do que fizemos com a noção de Cultura Política. Se esta foi pensada a partir de suas matrizes múltiplas, aquela assim também deve ser encarada. Ou seja, partiremos do pressuposto de que não tivemos, na história política do país, um único Movimento Estudantil, e sim vários Movimentos Estudantis, mesmo que, em alguns momentos, houvesse convergência de idéias.

E para demonstrar essa premissa, passaremos a uma análise da cultura política do ME em Uberaba, cidade onde Gildo Macedo Lacerda, personagem principal deste trabalho, iniciará sua trajetória política de militância no ME ─ primeiro no ME secundarista e, posteriormente, no ME universitário. Veremos que, dentro de uma mesma nomenclatura, teremos várias aspirações ideológicas, as quais se aproximam num dado momento, mas, em outro, distanciam-se. Portanto, é um estudo que tem como objeto diferentes conjunturas

políticas e, conseqüentemente, diferentes desfechos. É o que Cefai identifica como Universos Políticos nos quais:

os autores participam e criam suas maneiras próprias de raciocinar, de julgar, de argumentar, expressas e visíveis até mesmo na linguagem comum e nos provérbios, o que permite romper com o princípio da irracionalidade dos cidadãos. (...) A abertura aqui é a da possibilidade de recuperar as várias maneiras de construção da inteligibilidade política.22