2. TEORI OG BEGREPSAVKLARING
2.1 RELASJONSMARKEDSFØRING
2.4.1 KUNDETILFREDSHET OG KUNDELOJALITET MÅLT SOM NPS 17
O perfil do aluno do Projovem Urbano se integra àqueles que compõem o número de distorções na escolarização. Dados do IPEA revelam que, entre os anos de 1992 e 2009, jovens compreendidos na faixa de 15 a 17 anos indicam 50,9% de frequência líquida no Ensino Médio, ou seja, a metade dessa população se encontra no nível de ensino adequado. Para os jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, comprovou-se um aumento de 22,6% para 30,3% no mesmo ano, números indicativos que apontaram a expansão do acesso a esse público. O Projovem Urbano, intencionando reverter às estatísticas no tocante a essas incongruências, expandiu o Programa para o atendimento aos jovens que se enquadram na condição de sujeitos que já possuíram experiência na trajetória escolar, mas não concluíram o Ensino Fundamental.
Afinal, quem são esses jovens? Esse questionamento acompanha a realidade a ser desvendada. Ao adentrar a sala de aula do Projovem Urbano da escola selecionada para a pesquisa, aos poucos essas interrogações se dissiparam, porquanto compreendemos que esses jovens são mais do que números nas estatísticas do nosso sistema de ensino. Convivendo com eles e escutando suas histórias, percebemos o quanto eles se constituem como pessoas muito simples e, de tão comuns, se tornam invisíveis, compondo apenas números que se multiplicam nos registros das preocupantes distorções da educação.
“Não há espaço para uma narrativa em que o sujeito e sua trajetória se tornem voz autoral reconhecida pela escola. Sua história se dissolve na forma escolar em que ele se posiciona reativamente como aluno.” (DAYRELL; MIRANDA; NOGUEIRA, 2011, p.28). Esta afirmação permite a compreensão de que os sujeitos da pesquisa possuem voz, sonhos e expectativas ante a escola, mas são pessoas com adversas condições em vista das contradições sociais. O registro de suas falas exprime histórias de sujeitos com lutas diárias, para a sobrevivência, e que acreditam na
possibilidade de mudança de vida ou uma oportunidade para o primeiro emprego por meio da escola.
Ninguém melhor do que os professores entrevistados para definir o contorno desses educandos, uma vez que já acumulam experiência do Projovem Urbano desde o ano de 2005, data de sua implantação. A caracterização desses jovens é assim exposta:
São alunos excluídos pela sociedade, ou deixaram de estudar por muito tempo, ou preferiram ir por outros caminhos das drogas, e outras coisas mais negativas, a falta de condição, perfil sofrido no aspecto psicológico e financeiro. Alunos sofridos em todos os aspectos, deixados de fora da escola regular. (PROFESSORA DO PROJOVEM URBANO, EMANUELLE). São jovens carentes, com dificuldades financeiras, psicológicas, apegados ao professor, necessitado de um abraço. Eu às vezes acabo somatizando todos os problemas, às vezes converso com eles e não imagino como pessoas podem suportar os problemas que eles tem. (PROFESSORA DO PROJOVEM URBANO, ANA).
Os relatos representam os dilemas de uma juventude que é vítima das desigualdades sociais, obrigada a sacrificar os estudos em função da sobrevivência. Juntam-se a esses aspectos a negligência familiar, que resulta em diversas situações indesejáveis, tais como uma gravidez precoce, a violência e o refúgio no consumo de substâncias psicoativas. Nesse âmbito, a juventude “[...] é uma realidade palpável que tem sexo, fases, anseios etc., entronizada em um período de tempo cuja duração não é permanente, mas transitória e passível de modificações.” (ABRAMOVAY; ANDRADE; ESTEVES, 2007, p.26).
Mudanças são possíveis em meio à fase da irreverência da juventude,
pois ela se constitui transitoriamente. “Todo amanhã se cria num ontem, através de um
hoje. De modo que o nosso futuro baseia-se no passado e se corporifica no presente. Temos de saber o que fomos e o que somos para saber o que seremos.” (FREIRE, 2011, p.42). Sendo assim, o Projovem Urbano, com a sua especificidade mediante o trabalho com a juventude, se efetiva dentro da escola, propiciando o diálogo com essa geração, compreendendo que, atrás de um aluno desse Programa, existe um jovem possuidor de uma história que se efetiva no presente com uma perspectiva.
Nesse entendimento, de modo particular, o currículo do Projovem Urbano visa ao atendimento de múltiplas culturas juvenis no espaço e no tempo da escola, valorizando sua cultura e sua individualidade (BRASIL, 2008). Sob esse aspecto, entendo que “Não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir
sobre o próprio homem.” (FREIRE, 2011, p.33). Partindo dessa concepção, os professores afirmaram que o trabalho se configura dentro do Programa numa perspectiva de valorização e de atenção às aspirações da juventude.
Tentamos entender os jovens, o que eles querem, quais os problemas e condições; e por em prática as mudanças que eles desejam; para tentar entendê-los, trabalhamos com a teoria de Paulo Freire. Trazendo o conhecimento deles para dentro da sala de aula.( PROFESSOR DO PROJOVEM URBANO, LUCIANO).
O amanhã pode ser bem melhor, a melhoria só acontecerá se eles também arregaçarem as mangas. (PROFESSOR DO PROJOVEM URBANO, PAULO).
Procuramos direcioná-los para um mundo melhor, que eles possam ter um futuro com mais perspectiva e qualidade de vida. É uma clientela muito sofrida. (PROFESSORA DO PROJOVEM URBANO, EMANUELA).
Dayrell, Miranda e Nogueira (2011) explicam que o trabalho com a juventude também precisa direcionar-se na perspectiva de direitos não somente para formá-los como cidadãos do futuro, mas também como cidadãos do presente, conferindo a importância e reelaboração desse entendimento dentro das relações sociais e das regras que também se efetivam no espaço da escola. Via de regra, esses educandos chegam à escola desmotivados em virtude dos fracassos anteriores, mostrando dificuldade na convivência e na adaptação às normas.
Quanto à experiência do Projovem Urbano na escola pesquisada, os professores relataram não possuir dificuldades no trato com os alunos, entretanto, em virtude da escola também ser Polo da Educação de Jovens e Adultos - EJA, os jovens dessa modalidade de ensino trazem demandas que interferem na dinâmica da rotina escolar, provocadas pela indisciplina. Durante a efetivação da pesquisa, observamos que enquanto os alunos do Projovem Urbano chegam à escola e dirigem-se à sala para iniciar suas atividades escolares, os alunos da EJA transitam nos espaços da escola, escutando música, falando alto, parando nas portas das salas de aula, gerando grandes transtornos para os professores, funcionários, coordenação e gestão. Em decorrência de tal conduta, a escola muitas vezes não sabia o que fazer.
Na condução da pesquisa, notamos essas circunstâncias rotineiramente e, por muitas vezes, presenciamos o desabafo dos alunos e dos professores do Projovem Urbano, questionando um posicionamento da escola relativo a essa situação de impasse, pois ambos se acham prejudicados na rotina de sala de aula, em virtude da desordem
instalada. Referida situação persistia cotidianamente na escola como algo naturalizado pelos alunos da EJA, justificando ocorrências e contínuos desgastes na relação professor-aluno. Hajam vistas essas condutas, ponderamos que algo inquietava esses alunos. É como se o jovem não mais se adequasse à escola por ser “rebelde, indisciplinado e bagunceiro. Mas, essa leitura permanece na lógica que situa o aluno como o problema, como se ele fosse inadequado à escola e não a escola fosse inadequada a ele.”(DAYRELL; MIRANDA; NOGUEIRA, 2011, p. 27). Essa tensão entre escola e aluno se estabelece pela falta de diálogo e entendimento das expressões desses jovens, uma vez que a escola possui uma limitação em trabalhar e reconhecer as especificidades inerentes a esse público.