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7.3 Kulturløftperiodens kulturpolitiske modell

As relações entre inovação e desenvolvimento foram propostas por Schumpeter (1982) ainda na primeira metade do Século XX, nas suas discussões sobre os ciclos econômicos e na sua teoria do desenvolvimento econômico. Segundo Schumpeter (1982, p. 28), o ponto de partida de sua análise se assenta na compreensão de que “o sistema econômico não se modificará arbitrariamente por iniciativa própria, mas estará sempre vinculado ao estado precedente dos negócios” de sorte que deixados por si mesmos, os agentes econômicos tenderiam a reproduzir o perfil de suas

atividades econômicas, posto que “(...) todos se apegarão o mais firmemente possível aos métodos econômicos habituais e somente se submeterão à pressão das circunstâncias se for necessário”. (SCHUMPETER, 1982, p. 28)

Em respeito a esta linha de raciocínio, o autor introduz a idéia de que o que diferencia o crescimento econômico do desenvolvimento econômico é o fenômeno da inovação, ou melhor dizendo, um fenômeno interno ao próprio sistema econômico capaz de modificar esta tendência de reprodução imutável dos ciclos econômicos. Nas suas palavras

“Entenderemos por “desenvolvimento”, portanto, apenas as mudanças da vida econômica que não lhe forem impostas de fora, mas que surjam de dentro, por sua própria iniciativa. Se se concluir que não há tais mudanças emergindo na própria esfera econômica, e que o fenômeno que chamamos de desenvolvimento econômico é na prática baseado no fato de que os dados mudam e que a economia se adapta continuamente a eles, então diríamos que não há nenhum desenvolvimento econômico. (...) Nem será designado aqui como um processo de desenvolvimento o mero crescimento da economia, demonstrado pelo crescimento da população e da riqueza. Por isso não suscita nenhum fenômeno qualitativamente novo, mas apenas processos de adaptação da mesma espécie que as mudanças nos dados naturais. Como desejamos dirigir nossa atenção para outros fenômenos, consideraremos tais incrementos como mudanças dos dados. (SCHUMPETER, 1982, p. 74).

Para o autor, o crescimento econômico seria consequência de variáveis exógenas à atividade econômica, propriamente dita, como o crescimento vegetativo da população ou de determinada mudança climática, que exigiria que os agentes econômicos se adaptassem às novas condições. Schumpeter (1982) deixa claro em suas análises que, consequentemente, “o desenvolvimento econômico não é um fenômeno a ser explicado economicamente, mas que a economia, em si mesma sem desenvolvimento, é arrastada pelas mudanças do mundo à sua volta, e que as causas e portanto a explicação do desenvolvimento devem ser procuradas fora do grupo de fatos que são descritos pela teoria econômica” ou naquilo que ele classifica como “fenômeno qualitativamente novo”. (SCHUMPETER, 1982, p. 74).

Para ele, o ato de inovar é que vai provocar a mudança transformadora na dinâmica econômica que viria a caracterizar o desenvolvimento. Esta mudança teria a capacidade de alterar o equilíbrio na alocação dos fatores de produção da atividade econômica e ao fazer isto obrigar aos agentes econômicos a buscarem se ajustar à nova situação, sob pena de não o fazendo, serem excluídos do processo.

Mais adiante, Schumpeter (1982) apresenta outro elemento importante para sua análise que é a figura do empresário inovador, caracterizado como o agente econômico que introduz novos produtos no mercado, seja por meio da combinação mais

eficiente dos fatores de produção, por meio de alguma invenção ou de uma novidade tecnológica que vai produzir a condição de desequilíbrio, fator desencadeador do desenvolvimento.

Para Schumpeter (1982), entretanto, inovação e invenção são elementos distintos. Uma invenção pode permanecer por séculos a espera de um agente inovador que a faça provocar o papel transformador capaz de alavancar processos de desenvolvimento. Por outro lado, a inovação exige lideranças capazes de conduzir este processo.

Também é importante destacar que, independentemente do fato de que na época das análises schumpeterianas as discussões sobre desenvolvimento econômico não trouxessem qualquer preocupação ambiental, a base teórica apresentada, ao defender a relação entre desenvolvimento econômico e inovação da atividade econômica, dá margem para que se proponha um corolário de que para existir desenvolvimento sustentável é necessário que existam processos de inovação para a sustentabilidade ou inovação ambiental, que podem estar relacionados com inovações tecnológicas, inovações científicas e inovações políticos-institucionais.

Em igual linha de raciocínio, quando Schumpeter (1982) defende a ideia de que o desenvolvimento econômico, é função de aportes que surjam de sua própria iniciativa, distinguindo-o do mero crescimento econômico, também permite que se defenda o argumento de que para que os territórios (países, departamento, estados, municípios) avancem na direção do desenvolvimento sustentável, há necessidade de ações que os capacitem para que a inovação de cunho ambiental, com foco na sustentabilidade das dinâmicas de desenvolvimento.

Ademais, ao distinguir inovação de invenção, entendendo que para inovar não é necessário inventar algo novo, mas é importante ter capacidade para promover a introdução do novo nas atividades econômicas, o argumento schumpeteriano também dá margem para se discutir uma concepção de inovação mais relacionada com a capacidade de promover as transformações políticos-institucionais recomendadas, do que a capacidade de inventar novas formas de gerir ou de promover práticas sustentáveis em uma determinada região ou território.

Ou seja, um governo municipal poderia ser considerado inovador não porque ele tem capacidade para criar normas e instituições que inovem a gestão ambiental ou os processos de desenvolvimento local, mas porque consegue responder rapidamente às mudanças, ajustando à sua realidade e adotando normativas ambientais

inovadoras, mesmo que em decorrência de medidas definidas por outras instâncias e níveis de governo.

Barbieri et. al. (2010), ao propor novas relações entre inovação e sustentabilidade em artigo mais orientado para organizações privadas, seguem raciocínio similar ao conceituarem “inovação sustentável” como sendo a

“introdução (produção, assimilação ou exploração) de produtos, processos produtivos, métodos de gestão ou negócios, novos ou significativamente melhorados para a organização e que traz benefícios econômicos, sociais e ambientais, comparados com alternativas pertinentes. (...) A condição ressaltada, “comparação com alternativas pertinentes”, é essencial ao conceito de inovação sustentável, pois os benefícios esperados devem ser significativos ou não negligenciáveis nas três dimensões da sustentabilidade”. (BARBIERI et. al., 2010. p. 151).

É importante observar que não há condição que obrigue a relação entre inovação e invenção, em que pese o fato de que o conceito de produção possa englobar este esforço. Por outro lado, ao relacionar a introdução do novo à ideia de assimilação ou mesmo a de exploração, os autores deixam claro que menos importante que ser o agente criador da inovação, a característica das organizações inovadoras sustentáveis é a de colocar a novidade em prática, produzindo benefícios econômicos, sociais e ambientais em melhores condições que suas alternativas pré-existentes.